O Boston Celtics sobrou na temporada passada e conquistou o título da NBA sem maiores sustos. Muitos outros times se reforçaram para tentar alcançar os campeões, mas a distância para o resto da liga no último ano foi muito grande. Alguém conseguirá evitar um bicampeonato?
Como foram os Celtics na última temporada
Campanha: 64 vitórias e 18 derrotas
Classificação: 1º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: campeão da NBA ao vencer o Dallas Mavericks na final por 4 a 1; ganhou o Leste passando por Miami Heat por 4 a 1, Cleveland Cavaliers por 4 a 1 e Indiana Pacers por 4 a 0
O que aconteceu: só mesmo alguns fantasmas do passado, como a estranha eliminação para o Miami Heat nas finais de conferência de 2023, colocaram dúvidas em torno do favoritismo dos Celtics ao longo da temporada. Porque o que se viu foi uma dominância muito grande desde o início da campanha, especialmente jogando dentro de casa. As chegadas de Jrue Holiday e Kristaps Porzingis transformaram o time em uma enorme potência nos dois lados da quadra. Ninguém realmente passou perto de desafiá-los. E a corrida nos playoffs foi para acabar de vez com qualquer trauma.
O elenco dos Celtics para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Baylor Scheierman (ala-armador, 30ª escolha) e Anton Watson (ala, 54ª escolha)
Quem mais chegou: Lonnie Walker (ala-armador, Brooklyn Nets), Ron Harper Jr (ala, sem time)
Quem foi embora: Svi Mykhailiuk (ala, Utah Jazz)
Provável time titular: Jrue Holiday, Derrick White, Jaylen Brown, Jayson Tatum e Kristaps Porzingis
Reservas: Payton Pritchard, Jaden Springer, JD Davison (armadores), Lonnie Walker, Jay Scrubb, Baylor Scheierman (alas-armadores), Sam Hauser, Jordan Walsh, Ron Harper Jr, Anton Watson, Oshae Brissett (alas), Xavier Tillman, Drew Peterson (alas-pivôs), Al Horford, Luke Kornet e Neemias Queta (pivôs)
Técnico: Joe Mazzulla
O clima para a temporada
Depois de 64 vitórias e de passar pelos playoffs de maneira tão dominante, a ordem dos Celtics na offseason era apenas garantir a manutenção do elenco. As principais notícias foram as extensões de Jayson Tatum e Derrick White, que jogaram a folha salarial ainda mais para cima do teto permitido pela liga.
Vai chegar uma hora em que essa situação financeira acabará forçando algumas decisões complicadas neste elenco. Mas não agora. Para os Celtics, ainda é hora de continuar colhendo os frutos da dominância construída na temporada passada para alcançar o bicampeonato da NBA. Coisa que não acontece em Boston desde 1969.
Abre aspas
"Essa é a primeira pergunta? Não quiserem nem aquecer antes? Caramba! Mas eu me sinto pronto. Estou animado por estar de volta. O passado é o passado. Mas estou pronto para buscar o que temos de buscar, liderar meus companheiros, continuar a construir química no grupo, não pular nenhuma parte do processo e ditar o ritmo para mais um ano. Por razões óbvias, estou extremamente motivado e pronto para responder depois disso."
Foi isso o que Jaylen Brown respondeu na primeira pergunta da coletiva de imprensa que aconteceu na reapresentação dos Celtics, ao ser questionado sobre a não convocação para defender a seleção dos EUA na Olimpíada de Paris.
Uma esperança
Os Celtics anotaram, em média, 122,2 pontos a cada 100 posses de bola na temporada passada. Foi o índice de eficiência ofensiva mais alto de toda a história da NBA. Muito disso se explica pelas bolas de três. O time ficou em primeiro no lugar no ranking dos times que mais tentaram arremessos do tipo (42,5 por jogo) e teve o segundo melhor aproveitamento (38,8%).
Vale observar também que os Celtics foram o time que menos desperdiçou posses de bola. Não permitir tantos contra-ataques aos rivais ajuda a explicar o sucesso que se viu também do outro lado da quadra. A eficiência defensiva de 110,6 pontos foi a segunda melhor do campeonato.
Tudo isso aconteceu enquanto foram colecionadas 64 vitórias durante a fase de classificação, sete a mais do que os líderes do Oeste e 14 em relação aos concorrentes do Leste que chegaram mais perto.
Diante de todo esse cenário de dominância, a grande esperança dos torcedores dos Celtics é que a distância para o resto da liga continue sendo grande demais para ser tirada nesta próxima temporada. O que os garantiria poder ver mais um título.
Um medo
O nível de superioridade dos Celtics na temporada passada foi tão grande que fica difícil imaginar um único acontecimento sendo capaz de enfraquecer demais o time. O que pode ser um medo para o torcedor que sonha com um bicampeonato? Ver o time ser ultrapassado por algum rival que tenha se reforçado em peso nesta offseason? Difícil. Jaylen Brown deixar a insatisfação com a não convocação para a Olimpíada azedar o clima no elenco? Mais improvável ainda.
O que talvez pode ser um ponto de atenção é o estado de Kristaps Porzingis. Depois de ter perdido boa parte dos playoffs por causa de uma lesão no tornezelo esquerdo, o letão passou por uma cirurgia e só deve voltar a jogar em 2025. Os Celtics não sofreram tanto sem ele na reta final da caminhada rumo ao título, mas pode ser um problema maior ter de lidar com uma ausência dessa por um prazo mais longo.
Al Horford está com 38 anos. As outras alternativas do elenco para entrar nesta vaga de Porzingis ainda não parecem ter o mesmo nível de confiabilidade. Podem surpreender e aproveitar a oportunidade para mudarem essa percepção? Claro. Mas, definitivamente, existe um risco aí.
O cara
Jayson Tatum foi o principal definidor ofensivo e o cestinha dos Celtics na temporada passada, com média de 26,9 pontos por partida. A produção veio a partir de um índice de 55,2% em eficiência dos arremessos. Foi um recorde pessoal dele nesta estatística avançada que busca medir a produtividade das finalizações de um jogador levando em consideração a importância de cada arremesso.
Além disso tudo, Tatum emplacou 8,1 rebotes e 4,9 assistências por jogo. Números que o mandaram mais uma vez para o All-Star Game e o colocaram no quinteto ideal da liga. Sem falar na convocação para a disputa da Olimpíada de Paris com a seleção dos EUA.
Na partida em que os Celtics confirmou o título contra o Dallas Mavericks, Tatum se tornou o primeiro jogador da rica história da equipe a alcançar pelo menos 30 pontos e 10 assistências em um duelo de finais. Naquela série toda, foi ele quem liderou o seu time em pontos (22,2), rebotes (7,8) e assistências (7,2) por jogo. Ainda assim, foi Jaylen Brown quem acabou com o troféu de MVP da decisão.
Muito disso pode ser explicado pelo trabalho que Brown fez do outro lado da quadra. Os números não fazem tanta justiça ao impacto que ele teve defensivamente sobre as principais armas ofensivas dos Mavericks. Mas também é importante reconhecer que Brown está mais do que acostumado a também assumir as rédeas do elenco em determinados momentos ao longo da temporada.
Os 23,0 pontos e as 17,9 finalizações por jogo durante a temporada passada o colocam bem próximo a Tatum como líder ofensivo dos Celtics. E o resultado de eficiência em arremessos é ainda melhor: 55,7%.
Também vale a pena ficar de olho
Jayson Tatum e Jaylen Brown não foram os únicos jogadores dos Celtics a baterem a marca dos 20 pontos por jogo na temporada passada. Kristaps Porzingis também chegou lá. Foram 20,1 por partida, acompanhados de um índice de eficiência nos arremessos de 58,9%, o mais alto que ele registrou até agora na carreira.
Só que ele passou por uma cirurgia na offseason e deve ficar um tempo fora. Preocupa um pouco. Neste cenário, os holofotes se voltam para a direção de Al Horford, que vai completar 39 anos durante a próxima temporada. Ele ainda tem sido uma peça confiável, mas como será isso por uma quantidade maior de minutos? E até que ponto vai continuar driblando a idade para se manter em alto nível?
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4,5 (alto para máximo) - É muito legal ver um time forte e que vai entrar na temporada defendendo um título. Mas tem um fator que impedem os Celtics de tirarem nota máxima aqui: os frequentes atropelamentos sobre os adversários, que costumam levar a retas finais de partidas desinteressantes, com a quadra repleta de reservas.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Celtics
No cenário mais otimista: bicampeonato. Novamente passeando pelos playoffs sem ser tão seriamente ameaçado assim por qualquer outro oponente.
No cenário mais pessimista: queda ainda nas semifinais de conferência para o novo campeão do Leste. Seria este o cenário mais pessimista porque, de qualquer maneira, é inimaginável os Celtics caírem ainda na primeira rodada.
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