O primeiro ano da parceria entre Giannis Antetokounmpo e Damian Lillard não saiu do jeito que o Milwaukee Bucks esperava. O sonho de mais um título da NBA acabou ainda na primeira rodada dos playoffs. Os ajustes pontuais no elenco e um Lillard mais habituado à nova casa vão ser o bastante para o time evoluir e chegar onde deseja?
Como foi os Bucks na última temporada
Campanha: 49 vitórias e 33 derrotas
Classificação: 3º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: eliminação na primeira rodada pelo Indiana Pacers por 4 a 2
O que aconteceu: a experiência com Adrian Griffin no comando durou apenas 43 jogos. A campanha de 30 vitórias e 13 derrotas era a segunda melhor do Leste. Ainda assim, havia na diretoria dos Bucks uma sensação de que as expectativas dentro de quadra, enormemente impulsionadas pela chegada de Damian Lillard, não estavam sendo correspondidas. Aí sobrou para o treinador, que havia sido contratado justamente para promover mudanças em relação ao trabalho antecessor. O escolhido para substituir Griffin foi Doc Rivers. Não funcionou. Os Bucks foram aos playoffs em terceiro lugar e, prejudicado pelas lesões de seus principais jogadores, não conseguiu passar da primeira fase.
O elenco dos Bucks para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: AJ Johnson (ala-armador, 23ª escolha) e Tyler Smith (ala-pivô, 33ª escolha)
Quem mais chegou: Gary Trent Jr (ala-armador, Toronto Raptors), Taurean Prince (ala, Los Angeles Lakers), Delon Wright (armador, Miami Heat), Stanley Umude (ala-armador, Detroit Pistons), Anzejs Pasecniks (pivô, Palencia/Espanha), James Akinjo (armador, G-League) e Liam Robbins (pivô, sem time)
Quem foi embora: Patrick Beverley (armador, Hapoel Tel Aviv/Israel), Malik Beasley (ala, Detroit Pistons), TyTy Washington Jr (armador, Phoenix Suns), Jae Crowder (ala, sem time), Danilo Gallinari (ala, sem time), Robin Lopez (pivô, sem time) e Thanasis Antetokounmpo (ala-pivô, sem time)
Provável time titular: Damian Lillard, Gary Trent Jr, Khris Middleton, Giannis Antetokounmpo e Brook Lopez
Reservas: Delon Wright, James Akinjo (armadores), Pat Connaughton, AJ Green, Andre Jackson Jr, Stanley Umude, AJ Johnson (alas-armadores), Taurean Prince, Marjon Beauchamp, Chris Livingston (alas), Bobby Portis, Tyler Smith (alas-pivôs), Anzejs Pasecniks e Liam Robbins (pivô)
Técnico: Doc Rivers
O clima para a temporada
Os Bucks não fizeram muitas movimentações no elenco depois da temporada passada. As principais novidades foram as chegadas de Gary Trent Jr e Taurean Prince, contratados pelo salário mínimo permitido pelas regras financeiras da NBA. São dois jogadores que podem ajudar a abrir a quadra no ataque com arremessos de três pontos e que devem brigar por um lugar no quinteto principal.
Era o que dava para fazer. Os Bucks estão engessados depois que contrataram Damian Lillard, há um ano. A ordem agora é fazer da temporada passada um trampolim para um time mais competitivo. Para isso, não restou outro caminho a não ser bancar as apostas – não só no armador, como na escolha de Doc Rivers para o cargo de treinador.
Abre aspas
“Provavelmente, foi o ano mais duro da minha vida. Não é que eu fui trocado no meio das férias ou algo assim. Foi bem no final. Aconteceu apenas dois dias antes da reapresentação para os treinos. Eu não sabia para onde iria. Em meio a tudo isso, passava por um divórcio. Tenho três filhos e precisei ficar longe deles, sem saber quando conseguiria revê-los. Foi muita coisa para processar de uma vez só enquanto ainda havia a pressão de atuar em alto nível."
O desabafo é de Damian Lillard, que resolveu se abrir um pouco mais sobre o quanto a mudança para Milwaukee há um ano foi difícil, especialmente pelos obstáculos que surgiram na vida pessoal
Uma esperança
O quinteto formado por Damian Lillard, Malik Beasley, Khris Middleton, Giannis Antetokounmpo e Brook Lopez foi o mais usado pelos Bucks na temporada passada e o sétimo no ranking geral da NBA, com 599 minutos distribuídos em 39 partidas. Resultado: médias de 122,0 pontos anotados e 106,9 sofridos a cada 100 posses de bola.
São índices que colocariam a equipe em segundo lugar no ranking de eficiência ofensiva da liga no último ano. Entre as defesas, seria a melhor.
É importante notar, claro, que Beasley e sua pontaria afiada nos tiros de longa distâcia não estão mais à disposição do técnico Doc Rivers. Mas não chega a ser tão difícil pensar em Taurean Prince ou Gary Trent Jr replicando esse papel. Os dois tiveram aproveitamentos em bolas de três na última temporada que beiraram os 40%. Do outro lado da quadra, são defensores mais capacitados.
Os Bucks vão precisar que isso aconteça. Não é algo que resolveria todos os problemas. Rivers ainda terá de encontrar algumas outras formações capazes de manter o bom desempenho do time quando chegar a hora de trocar peças durante os jogos. Mas contar com um quinteto tão eficiente é, sem dúvida nenhuma, um grande ponto de partida para quem deseja um lugar na elite da NBA.
Um medo
Os Bucks fizeram uma aposta alta quando resolveram buscar Damian Lillard, principalmente porque a movimentação custou a saída de Jrue Holiday. Ninguém dá esse tipo de cartada sem que o alvo seja o título. Acontece que, pelo menos no ano passado, essa experiência não pareceu em nada com uma trajetória campeã.
Os otimistas podem até argumentar que tudo pode melhorar neste segundo ano e que Lillard estava com a cabeça cheia de problemas quando chegou. Mas e se não for bem assim? E se aquilo que se viu no ano passado for tudo o que os Bucks, ao menos com este elenco, conseguem apresentar?
Giannis e Lillard são dois dos melhores jogadores da NBA, mas juntos são responsáveis por quase metade da folha salarial -- receberão US$ 48,7 milhões cada um ao longo desta temporada. Khris Middleton receberá US$ 31 milhões e já foi all-star algumas vezes, mas tem sofrido com lesões nos últimos anos. Brook Lopez está com 36 anos. E o elenco de apoio ainda não inspira tanta confiança.
Isso para não falar de Doc Rivers, que não vem de grandes trabalhos na carreira e teve campanha proporcionalmente inferior a Adrian Griffin na temporada passada. Escolhê-lo para a missão de fazer esse grupo alcançar o título sonhado foi, no mínimo, uma decisão ousada.
Para ser campeão, é preciso um time, e não apenas duas grandes estrelas. As coisas precisam funcionar para além de Giannis e Lillard. Ainda há tempo para melhorar, mas o relógio está correndo. Seria péssima notícia para os Bucks chegar em 2025 com a sensação de que o título está mais longe do que estava antes da chegada de Lillard.
O cara
A sensação de que a temporada passada dos Bucks foi uma decepção não afetou a percepção geral em relação ao nível de Giannis Antetokounmpo. Além de ter ido para o seu oitavo All-Star Game, o grego ficou em quarto lugar na corrida pelo prêmio de MVP. Ganhou votos também na eleição de melhor defensor. Pelo sexto ano consecutivo, entrou para o quinteto ideal da liga.
Ao longo dos 73 jogos que disputou na temporada passada, Giannis registrou médias de 30,4 pontos, 11,5 rebotes, 6,5 assistências (recorde pessoal), 1,2 roubo de bola e 1,1 toco por partida. Tudo isso com aproveitamento de 61,1% nas finalizações e com índice de 62,4% na estatística que calcula eficiêcia dos arremessos -- números que também são os mais altos da carreira.
Também vale a pena ficar de olho
As médias de 24,3 pontos e 7,0 assistências por partida foram o suficiente para levar Damian Lillard mais uma vez ao All-Star Game na temporada passada. Mas a queda no aproveitamento das bolas de três para a casa dos 35% foi uma má notícia.
Os números até deixam claro que o armador se consolidou como segunda força ofensiva da equipe. A questão é que o nível explosivo que se imaginou da parceria dele com Giannis Antetokounmpo no ataque ficou restrito a apenas alguns flases ao longo do ano.
Lillard falou abertamente sobre os problemas que teve de lidar na vida pessoal em meio à mudança de Portland para Milwaukee. Muito por causa do que viveu, reconheceu que não conseguiu apresentar a sua melhor possível como jogador dos Bucks. Disse também que teve dificuldades em se adaptar ofensivamente em torno de Giannis e Khris Middleton, principalmente porque não queria forçá-los a deixar de fazer o que estavam acostumados.
Foi, como se vê, uma sensação de estranheza enorme, combinada com uma preocupação excessiva em não incomodar os outros. Será que toda essa situação vai se amenizar e começar a parecer mais familiar para Lillard neste segundo ano com os Bucks?
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4 (alto) - Os Bucks passaram longe de serem o time mais consistente da NBA na temporada passada. Ou o mais confiável. Ou mesmo o mais convicto do que está fazendo. Mas entretenimento quase nunca faltou nos jogos. Espiar Damian Lillard e Giannis Antetokounmpo juntos em quadra ainda é um programa interessante.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Suns
No cenário mais otimista: os Bucks se candidatam como a maior ameaça ao reinado do Boston Celtics no Leste. Mas, mesmo com muito otimismo, ainda é difícil imaginá-los vencendo os campeões em uma série de playoffs.
No cenário mais pessimista: mais do mesmo. Doc Rivers não consegue fazer o time render melhor do que na última temporada, o que não leva os Bucks além de uma segunda rodada dos playoffs.
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