O elenco do Indiana Pacers é praticamente idêntico ao que alcançou as finais de conferência na temporada passada da NBA. Dá para esperar que o time volte a brilhar e se consolide como uma das principais forças do Leste?
Como foram os Pacers na última temporada
Campanha: 47 vitórias e 35 derrotas
Classificação: 6º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: eliminação na final de conferência pelo Boston Celtics por 4 a 0, depois de ter passado pelo Milwaukee Bucks por 4 a 2 e pelo New York Knicks por 4 a 3
O que aconteceu: foi um começo mais ou menos, com campanha perto dos 50% de aproveitamento. Depois, na medida de em que o ataque deslanchou e se consolidou como um dos melhores da liga, o time subiu. A troca que rendeu a chegada de Pascal Siakam no meio do caminho também ajudou. Os Pacers entraram na acirrada briga por mando de quadra na primeira rodada dos playoffs. Não deu, ficaram em sexto. Mas derrubaram o Milwaukee Bucks e o New York Knicks no caminho até a final de conferência, onde pararam no Boston Celtics.
O elenco dos Pacers para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Johnny Furphy (ala-armador, 35ª escolha), Tristen Newton (ala-armador, 49ª escolha) e Enrique Freeman (ala-pivô, 50ª escolha)
Quem mais chegou: James Wiseman (pivô, Detroit Pistons), Cole Swider (ala, Miami Heat)
Quem foi embora: Jalen Smith (pivô, Chicago Bulls), Oscar Tshiebwe (ala-pivô, Utah Jazz), Doug McDermott (ala, sem time) e Isaiah Wong (ala-armador, sem time)
Provável time titular: Tyrese Haliburton, Andrew Nembhard, Aaron Nesmith, Pascal Siakam e Myles Turner
Reservas: T.J. McConnell, Quenton Jackson (armadores), Bennedict Mathurin, Ben Sheppard, Johnny Furphy, Tristen Newton, Kendall Brown (alas-armadores), James Johnson, Cole Swider (alas), Obi Toppin, Jarace Walker, Enrique Freeman (alas-pivôs), Isaiah Jackson e James Wiseman (pivôs)
Técnico: Rick Carlisle
O clima para a temporada
Não foi uma offseason de muita movimentação por parte dos Pacers. A aposta foi na manutenção do grupo que foi criando forma ao longo da temporada passada, sobretudo depois da chegada de Pascal Siakam. Aliás, a grande notícia talvez tenha sido a confirmação da permanência do camaronês, que virou agente livre, mas que optou por assinar um novo contrato com a equipe por mais quatro anos de duração pelo valor de US$ 189,5 milhões.
Outras ações dignas de nota foram as extensões oferecidas a Andrew Nembhard, Obi Toppin e TJ McConnell. Tem ainda a volta de Benedict Mathurin, recuperado de uma cirurgia no ombro que o afastou da segunda metade da temporada passada.
Tudo isso deixa clara a estratégia dos Pacers em investir na continuidade, buscando o desenvolvimento individual das peças que já estavam lá e um entrosamento cada vez maior entre elas para o time se firmar como uma potência do Leste.
Abre aspas
"O nível de liderança dele alcançou um novo patamar, e nós o encorajamos a fazer isso. Quando fizemos a troca para adquirí-lo, sabíamos que estávamos recebendo um jogador que já foi campeão da NBA e mais de uma vez all-star. Nós o dissemos que precisávamos da voz dele porque temos um grupo muito jovem. E esses jovens precisavam ouvir o conhecimento que ele carrega. Então pedimos para que ele passasse as mensagens dele nos momentos certos. Ele já tinha feito isso durante a reta final da temporada, mas agora está realmente em outro patamar."
Foi isso o que Chad Buchanan, gerente geral dos Pacers, falou sobre Pascal Siakam e o papel que o camaronês tem exercido cada vez mais no elenco desde que chegou.
Uma esperança
Ao fazer movimentos de manutenção de elenco durante a offseason, os Pacers mostram que estão esperançosos com o que têm. Principalmente com essa nova versão de Pascal Siakam, mais vocal e mais à vontade para exercer o papel de líder do grupo, com base na experiência de já ter sido campeão da NBA com o Toronto Raptors.
Siakam chegou no meio da temporada passada, e os Pacers conseguiram terminar o ano com o segundo ataque mais eficiente da liga. A incrível média de 120,5 pontos anotados a cada 100 posses de bola só não superou a de 122,2 pontos do Boston Celtics.
Ainda assim, há uma esperança de que as coisas estejam ainda mais azeitadas agora, a partir da experiencia de ter Siakam treinando com o restante do elenco desde o início da pré-temporada, com tempo o bastante para aprimorar o entrosamento com todo mundo, especialmente com Tyrese Halliburton.
Por falar no armador, também dá para depositar esperanças no retorno dele depois da participação olímpica em Paris. Ele pouco entrou em quadra, é verdade, mas a experiência de passar um tempo treinando com a nata dos jogadores dos EUA na seleção tem colaborado para o desenvolvimento de um monte de gente no passado recente.
Se Halliburton voltar com um truque novo ou outro depois do que viveu na preparação para os Jogos Olímpicos, os Pacers terão uma versão ainda melhor do seu all-star.
Um medo
Os Pacers alcançaram a final de conferência na temporada passada, depois de terem vencido 47 jogos na fase de classificação. Foi o mesmo número do Philadelphia 76ers, que ficou em sétimo e precisou passar pelo play-in em meio a um longo tempo de ausência de Joel Embiid.
Não seria a coisa mais justa do mundo apontar as lesões dos outros concorrentes do Leste como o único motivo pelo qual os Pacers foram finalistas de conferência. Houve, sim, um salto da equipe em relação aos anos anteriores. Não se pode tirar o crédito disso.
Mas e se aquela campanha tiver sido o ápice do que este Pacers pode oferecer?
Porque para voltar a ir tão longe, em uma Conferência Leste com mais times reforçados e com ambições de perseguir o campeão Boston Celtics, os Pacers terão que melhorar muita coisa. Principalmente a defesa (a sétima pior do ano passado em termos de eficiência) e os rebotes (foi o quinto time que mais permitiu segunda chance de ataque aos rivais). Tudo isso enquanto se mantém entre os melhores ataques da liga.
Não é pouca coisa. Por isso mesmo, seria perfeitamente plausível que esse alinhamento todo não aconteça e os Pacers acabem não conseguindo repetir o sucesso da última temporada.
O cara
Se os Pacers se notabilizaram na temporada passada pelo sistema ofensivo envolvente, uma parte enorme disso se deve a Tyrese Haliburton. Foi o armador quem liderou este ataque. Foram seus melhores momentos que levaram a algumas explosões de pontos desta equipe. E foi justamente por esse motivo que as defesas passaram a fazer ajustes mais específicos para tentar contê-lo ao longo da temporada.
As 10,9 assistências por partida o colocaram como o líder do fundamento em toda a NBA. Além disso, teve médias de 20,1 pontos e 3,9 rebotes por jogo. O aproveitamento nas bolas de três, contudo, ficou na casa dos 36% -- abaixo dos 40% pela primeira vez na carreira. Foi o bastante para levá-lo novamente ao All-Star Game. Mais do que isso: acabou a temporada com uma vaga no terceiro quinteto ideal da liga.
Por essas premiações, pelos números e por tudo o que se viu em quadra ao longo do último ano, não há dúvidas de que Haliburton é o motor do ataque do time. Mas é preciso também fazer uma ressalva de que Pascal Siakam tem sido o principal finalizador das jogadas e também o maior cestinha dos Pacers desde que chegou de Toronto. Foram 21,3 pontos em 15,8 arremessos tentados por jogo. Além disso, teve média de 7,8 rebotes.
Também vale a pena ficar de olho
Aaron Nesmith se firmou como titular no decorrer da temporada passada. As médias de 12,2 pontos, 3,8 rebotes e 1,5 assistência foram as mais altas dele até agora em quatro anos de carreira, mas o que chamou a atenção mesmo foi o potencial dele como "3 and D".
De um lado da quadra, entregou 42% de aproveitamento em bolas de três, o que pode ser considerado um excelente índice e o torna um ótimo desafogo para as jogadas de "pick and roll" comandadas por Tyrese Haliburton. Na defesa, mostrou um conjunto de habilidades quje frequentemente o colocavam como responsável por marcar a principal arma de perímetro do time adversário.
Quem também merece menção por aqui é Bennedict Mathurin, que ficou fora da reta final da temporada passada por causa de uma lesão no ombro que o mandou para a cirurgia. O técnico Rick Carlisle andou o elogiando bastante. Disse estar confiante de que o ala-armador aprendeu muita coisa para incorporar ao próprio jogo a partir da experiência de ver o time em ação nos playoffs. Prometeu também pegar pesado com ele nos treinos para transformar todas as ferramentas físicas que possui em um jogador de elite dos dois lados da quadra.
Se alguma coisa perto disso acontecer, os Pacers terão muito o que comemorar. Será um acréscimo mais do que bem vindo à rotação.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4,5 (alto para máximo) - quando esse time pega fogo e estoura de fazer pontos, o entretenimento é certo. O sistema ofensivo dos Pacers foi o segundo mais eficiente da temporada passada, comandado por um Tyrese Haliburton que combina ótima visão de passe com poucos erros. Era um prato cheio de se assistir e deve continuar sendo.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Pacers
No cenário mais otimista: classificação aos playoffs com mando de quadra na primeira rodada e, dependendo dos confrontos, nova chegada à final de conferência.
No cenário mais pessimista: vê pelo menos outros quatro times do Leste se estabelecerem um ou dois degraus acima na escala de forças da conferência. Até conquista vaga nos playoffs via play-in, mas sofre eliminação precoce.
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