<
>

17 dias para a NBA: Sacramento Kings aposta em DeRozan para voltar a subir no Oeste

DeMar DeRozan é a grande novidade do Sacramento Kings. Vai vingar? Getty Images com Arte ESPN

Domantas Sabonis e De’Aaron Fox brilharam na última temporada da NBA. O Sacramento Kings somou 46 vitórias. Ainda assim, a classificação nos playoffs não veio. A aposta para voltar a aparecer entre as maiores forças da Conferência Oeste atende pelo nome de DeMar DeRozan. Até que ponto essa chegada pode mudar a identidade do time?

Como foram os Kings na última temporada

  • Campanha: 46 vitórias e 36 derrotas

  • Classificação: 9º lugar na Conferência Oeste; no play in, ganhou do Golden State Warriors, mas foi eliminado depois pelo New Orleans Pelicans

  • O que aconteceu: o desafio dos Kings era o de manter o nível altíssimo do ataque, o mais eficiente do campeonato anterior, e fazer a defesa deixar de ser uma das piores da liga. Não deu certo. Os Kings até passaram a proteger a cesta um pouco melhor, mas nada também muito acima da média. Já o sistema ofensivo despencou do 1º para um discreto 13º lugar. Ainda assim, a queda em relação à campanha do ano anterior foi de apenas duas vitórias. Pouco, mas o suficiente para negar uma vaga direta nos playoffs e mandar os Kings para o play-in, de onde não conseguiu sair classificado.

O elenco dos Kings para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Devin Carter (armador, 13ª escolha)

  • Quem mais chegou: DeMar DeRozan (ala-armador, Chicago Bulls), Jordan McLaughlin (armador, Minnesota Timberwolves), Terry Taylor (ala-pivô, Chicago Bulls), Orlando Robinson (pivô, Miami Heat), Jalen McDaniels (ala, Toronto Raptors), Skal Labissiere (ala-pivô, sem time), Bodric Thomas (ala-armador, G-League), Isaac Jones (ala-pivô, sem time), Isaiah Crawford (ala, sem time) e Boogie Ellis (armador, sem time)

  • Quem foi embora: Harrison Barnes (ala, San Antonio Spurs), Chris Duarte (ala, Chicago Bulls), Kessler Edwards (ala, Dallas Mavericks), Jalen Slawson (ala, Orlando Magic), Sasha Vezenkov (ala-pivô, sem time), JaVale McGee (pivô, sem time) e Jordan Ford (armador, Dolomiti Energia Trento/Itália)

  • Provável time titular: De’Aaron Fox, Kevin Huerter, DeMar DeRozan, Keegan Murray e Domantas Sabonis

  • Reservas: Devin Carter, Jordan McLaughlin, Boogie Ellis (armadores), Keon Ellis, Malik Monk, Colby Jones, Bodric Thomas (alas-armadores), Jalen McDaniels, Isaiah Crawford (alas), Trey Lyles, Skal Labissiere, Terry Taylor, Isaac Jones (alas-pivôs), Alex Len e Orlando Robinson (pivôs)

  • Técnico: Mike Brown

O clima para a temporada

Depois de ter dado um passo para trás na temporada passada com a não classificação aos playoffs, os Kings decidiram mexer algumas coisas no elenco em volta de De'Aaron Fox e Domantas Sabonis. A grande cartada nesse sentido foi buscar DeMar DeRozan em Chicago. Para viabilizar esse negócio, foi preciso abrir mão de Harrison Barnes.

É uma garantia de melhora? Claro que não. O técnico Mike Brown deve saber muito bem o quanto DeMar DeRozan oferece em termos de qualidades, mas sabe que também recebe alguns desafios em termos de encaixe ofensivo e uma boa dose de preocupação por causa da defesa.

De qualquer maneira, não chega a ser difícil entender o motivo desta aposta. Em um Oeste extremamente concorrido, em que duas ou três vitórias para mais ou para menos podem mudar consideravelmente a posição na tabela de classificação, uma chance de aumentar o nível geral de talento do elenco parece mesmo tentadora. Agora é tentar fazer funcionar em quadra.

Abre aspas

"Ele não é apenas um pontuador. É um jogador de basquete. Estou dizendo a vocês: alguns dos passes que ele deu ontem no treino, eu não achei que chegariam onde chegaram. Ele não demonstrou medo em nenhum momento e jogou no seu próprio ritmo. Acelerou quando quis jogar rápido e botou o pé no freio quando quis ir mais devagar. Ele manteve a defesa desequilibrada. E sempre que alguém ficava livre, ele encontrava e fazia o passe certo. É um luxo poder contar com alguém que sabe jogar o jogo desta maneira, que é capaz de dar bons passes, driblar, arremessar e, mais importante de tudo, está disposto a dividir a bola com os companheiros. Isso vai nos ajudar a ser um pouco mais dinâmicos no ataque."

Foi assim que o técnico Mike Brown elogiou o ala-armador DeMar DeRozan, principal novidade do elenco dos Kings para a temporada.

Uma esperança

Os 114,4 pontos sofridos a cada 100 posses de bola colocaram os Kings em 14º lugar no ranking das defesas mais eficientes da liga na temporada passada. Pode não parecer grande coisa, mas foi um salto e tanto em comparação com a 24ª posição do ano anterior.

O aproveitamento de 38,7% dos adversários em bolas de três foi o segundo mais alto do campeonato, o que mostra ainda um caminho a ser melhorado. Por outro lado, o time se protegeu melhor perto da cesta e liderou a NBA. Além disso, pegou 74,4% dos rebotes de defesa. Nenhuma outra equipe concedeu tão poucas novas chances para os adversários pontuarem.

Vale a lembrança mais uma vez: Harrison Barnes saiu, DeMar DeRozan chegou e traz consigo um grande ponto de preocupação no que diz respeito à defesa. Então nada vai ser tão automático. Ainda assim, é justo dar um voto de confiança para Mike Brown e sua comissão, que já conseguiram fazer alguns ajustes e apresentar melhoras com o que tinham à disposição.

Quem sabe os Kings consigam esconder as limitações de DeRozan e ter novamente uma defesa que seja, ao menos, mediana?

Um medo

O quinteto formado por De'Aaron Fox, Kevin Huerter, Keegan Murray, Harrison Barnes e Domantas Sabonis foi o quarto que mais tempo ficou em quadra durante a temporada passada. Em 669 minutos juntos, os cinco anotaram em média 119,9 pontos a cada 100 posses de bola e tomaram 113,9. O que dá um saldo de 6,1 pontos.

Essa marca de 119,9 pontos, aliás, seria boa o bastante para colocar o time em terceiro lugar no ranking dos ataques mais eficientes da temporada passada -- atrás apenas de Boston Celtics (122,2) e Indiana Pacers (120,5). Diante da constatação de que os Kings, no geral, tiveram apenas o 13º melhor sistema ofensivo do ano passado, o rendimento deste quinteto até poderia ser um sinal animador.

O problema é que ele não existe mais. Barnes partiu para que chegasse DeRozan. Em tese, houve um aumento em termos de nível geral de talento. Mas a mudança nas características das peças envolvidas é muito grande e afeta a equipe nos dois lados da quadra.

Ao contrário de Barnes, é de se imaginar que DeRozan acabe diminuindo um pouco o volume ofensivo de Fox e Sabonis. Será que essa equação vai valer a pena? Que tipo de impacto na produtividade das peças em volta essa mudança pode causar? Aos 35 anos, DeRozan vai mudar alguma coisa em seu estilo de jogo?

São muitas variáveis. É de se imaginar que o técnico Mike Brown terá muito trabalho ao longo dos próximos meses para encaixar tudo isso. Mas é inevitável pensar que foi uma aposta muito grande e que não há mais como voltar para um caminho que teve bom resultado na temporada passada. E se essa cartada por DeRozan der errado?

O cara

De'Aaron Fox foi o cestinha dos Kings na última temporada, com média de 26,6 pontos por partida. Foi a maior marca da carreira do armador até agora. Além disso, teve 5,6 assistências, 4,6 rebotes e 2,0 roubos de bola por jogo. O fato de ser quem mais finaliza no elenco, a velocidade para criar os ataques e a atenção que demanda das defesas justamente por sua movimentação ofensiva o torna o motor deste time.

Mas existem fortes argumentos para eleger um outro jogador como o melhor dos Kings: Domantas Sabonis, que emplacou 19,4 pontos, 13,7 rebotes (líder do fundamento em toda a liga) e 8,2 assistências por partida, com 38% de aproveitamento nos tiros para três pontos. Mais do que os números, é sempre interessante notar o leque de opções que o lituano oferece em quadra. Seja como passador da cabeça do garrafão, recebendo em jogadas de "pick and roll" e "pick and pop" com Fox, ou criando finalizações de costas para a cesta, Sabonis é ameaça constante para os defensores.

O desempenho nesta última temporada, que pode ser destacado como o auge da carreira dele até o momento, o levou ao terceiro quinteto ideal da liga. Rendeu, também, um oitavo lugar na corrida pelo troféu de MVP. Talvez as estatísticas individuais caiam um pouco com a chega de DeMar DeRozan. O que não necessariamente apontaria uma queda de nível de Sabonis.

Também vale a pena ficar de olho

DeMar DeRozan seria a resposta óbvia. Como será o encaixe do rei da média distância em um ataque que só não chutou mais de três pontos do que Boston Celtics e Dallas Mavericks na última temporada? Como vai funcionar o entrosamento de uma peça que costuma dominar a bola para criar situações de arremesso para si próprio em um sistema com Fox e Sabonis?

Para fugir um pouco do óbvio e apontar um outro elemento, vale a pena destacar Keegan Murray, que vai para seu terceiro ano como profissional. Na temporada passada, teve um salto no número de pontos (de 12,2 por jogo para 15,2) em relação à campanha como novato. Mostrou também avanços animadores como defensor. O desempenho nas bolas de três caiu de 41% para 36%. Ajudaria muito o ataque dos Kings se ele voltasse a ser um desafogo confiável.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4 (alto) - Pode não ser o time que as pessoas mais esperam por acompanhar. Mas quem parar para assistir provavelmente vai acabar se divertindo. Pode até ser que essa nota diminua um pouco durante a temporada se a experiência com DeMar DeRozan acabar travando o ataque ao invés de melhorá-lo. Ainda assim, será uma história interessante de se ver.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Kings

No cenário mais otimista: os Kings voltam a aparecer entre os ataques mais eficientes da liga, somam mais vitórias do que na última temporada, classificam-se direto para os playoffs e podem até chegar na segunda rodada. Mais do que isso, fica difícil de imaginar, até mesmo em um cenário bem otimista.

No cenário mais pessimista: as mudanças no elenco acabam piorando o time, que se vê menos competitivo que no último ano e, apesar de uma campanha acima dos 50% de aproveitamento, fica fora até do play-in.

Veja as análises de todos os times da NBA:

* Clique no escudo para ler