Depois de duas idas consecutivas às semifinais de conferência da NBA, o New York Knicks entendeu que estava na hora de fazer o que fosse necessário para aumentar o poder de fogo. Assim, o time foi buscar Karl-Anthony Towns e Mikal Bridges para colocar ao lado de Jalen Brunson. Em contrapartida, abriu mão de várias escolhas futuras de Draft e de qualquer flexibilidade financeira nos próximos anos. Qual será o retorno deste investimento?
Como foram os Knicks na última temporada
Campanha: 50 vitórias e 32 derrotas
Classificação: 2º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: eliminação na semifinal de conferência pelo Indiana Pacers por 4 a 3, depois de ter passado pelo Philadelphia 76ers por 4 a 2
O que aconteceu: foi uma das melhores temporadas dos Knicks nos últimos tempos. O time, que já estava forte e dava pinta de evolução em relação ao ano anterior, ficou ainda melhor depois da aquisição de OG Anunoby, que veio de Toronto em uma troca que envolveu as saídas de RJ Barrett e Immanuel Quickley. Impulsionados por um Jalen Brunson em estado de graça, chegaram a 50 vitórias e se classificaram aos playoffs em segundo lugar do Leste. Em uma das séries mais empolgantes da primeira rodada, passaram pelo Philadelphia 76ers. A derrota em casa no Jogo 7 das semifinais de conferência para o Indiana Pacers foi frustrante, mas não abalou o ânimo da torcida nova-iorquina para o futuro.
O elenco dos Knicks para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Pacome Dadiet (ala-armador, 25ª escolha), Tyler Kolek (armador, 34ª escolha), Kevin McCullar Jr (ala, 56ª escolha) e Ariel Hukporti (pivô, 58ª escolha)
Quem mais chegou: Karl-Anthony Towns (pivô, Minnesota Timberwolves), Mikal Bridges (ala, Brooklyn Nets), Cameron Payne (armador, Philadelphia 76ers), TJ Warren (ala, Minnesota Timberwolves), Landry Shamet (ala-armador, Washington Wizards), Chuma Okeke (ala-pivô, Orlando Magic), Alex O’Connell (ala-armador, Venezia/Itália) e Damion Baugh (ala-armador, sem time)
Quem foi embora: Julius Randle (ala-pivô, Minnesota Timberwolves), Donte DiVincenzo (ala-armador, Minnesota Timberwolves), Isaiah Hartenstein (pivô, New York Knicks), Bojan Bogdanovic (ala-armador, Brooklyn Nets), Shake Milton (Brooklyn Nets), DaQuan Jeffries (ala-armador, Charlotte Hornets), Alec Burks (ala-armador, Miami Heat), Mamadi Diakite (pivô, Phoenix Suns) e Charlie Brown Jr (ala-armador, Charlotte Hornets)
Provável time titular: Jalen Brunson, Josh Hart, Mikal Bridges, OG Anunoby e Karl-Anthony Towns
Reservas: Miles McBride, Cameron Payne, Tyler Kolek (armadores), Landry Shamet, Pacome Dadiet, Alex O’Connell, Damion Baugh (alas-armadores), TJ Warren, Jacob Toppin, Kevin McCullar Jr (alas), Precious Achiuwa, Chuma Okeke (alas-pivôs), Mitchell Robinson, Jericho Sims, Ariel Hukporti (pivôs)
Técnico: Tom Thibodeau
O clima para a temporada
A offseason foi agitada em Nova York. Mikal Bridges chegou do Brooklyn Nets em uma troca na qual os Knicks mandaram Bojan Bogdanovic e uma série de escolhas futuras de Draft -- cinco de primeira rodada. É um investimento que deixa uma coisa bem clara: o foco está no presente, a hora para se lutar por coisas grandes é agora.
Bridges não chega a ser um all-star, mas é um jogador de muitas virtudes nos dois lados da quadra e de fácil encaixe para qualquer time. A ideia de tê-lo no sistema defensivo de Tom Thibodeau e de vê-lo como uma opção de desafogo ofensivo para as investidas de Jalen Brunson foi sedutora demais para os Knicks deixarem passar.
Mas a construção de um novo elenco não parou por aí. Deu tempo ainda de buscar Karl-Anthony Towns em uma troca com o Minnesota Timberwolves que envolveu Julius Randle e Donte DiVincenzo. Foi mais uma movimentação que reforça a orientação para o presente, já que Towns tem contrato bem salgado: salário na casa dos US$ 55 milhões até 2027, podendo ser prorrogado se ele resolver exercer o último ano do acordo.
Towns, sim, é um all-star. Tem ótimo arremesso, com aproveitamento superior a 41% nas bolas de três pontos na última temporada. É o tipo de gente que pode ajudar muito a abrir espaços na quadra durante as ações de Jalen Brunson com a bola. Por outro lado, não entrega o rendimento em rebotes ofensivos que os Knicks estavam acostumados a ter de Mitchell Robinson, que está lesionado e ainda vai levar umas semanas para voltar, e Isaiah Hartenstein, que assinou com o Oklahoma City Thunder.
Chega a ser um ponto de atenção? Sim. Mas o nível de animação com o elenco mais recheado de talento é compreensivelmente muito maior. Parece que o torcedor dos Knicks, que tanto se acostumou no passado recente a não esperar grandes coisas da equipe, tem agora razões para sonhar alto.
Abre aspas
"Towns tem muito mais experiência hoje. Ele já teve a oportunidade de ir longe nos playoffs e agora sabe como é isso. Por mais que você tente se preparar para algo dessa grandeza, você só vai entender totalmente como é quando realmente viver esse tipo de coisa. O entendimento dele é muito mais amplo agora do que era quando ele estava ainda no segundo ano de carreira."
A declaração é de Tom Thibodeau, técnico dos Knicks, animado com a oportunidade de voltar a trabalhar com Karl-Anthony Towns. Em Minnesota, foram duas temporadas e meia juntos, ainda no começo de carreira do pivô. Foram aos playoffs uma vez, em 2018, e não passaram da primeira rodada.
Uma esperança
Depois de tudo o que aconteceu na offseason, não tem como o torcedor dos Knicks não criar esperanças. O time que terminou em segundo lugar do Leste ganhou dois ótimos reforços, que podem ser bons encaixes em torno de Jalen Brunson. Karl-Anthony Towns, aliás, tem até a capacidade de assumir o comando do ataque nos momentos em que o armador precisar descansar.
Os Knicks ficaram em sétimo lugar no ranking de eficiência ofensiva e em nono na defensiva na última temporada. Apenas outros três times apareceram no Top 10 de ambas as categorias: Boston Celtics, Oklahoma City Thunder e Denver Nuggets. Sinal de que as coisas já estavam caminhando de uma maneira promissora para o grupo comandado por Tom Thibodeau.
É claro que aumento de talento nem sempre se traduz em aumento de vitórias. Muitas vezes, o encaixe trava porque algumas coisas precisam ser resolvidas quando tem gente nova. Os Knicks terão de fazer uns ajustes aqui e ali também, claro. Mas as possibilidades são muito animadoras.
Um medo
Os Knicks pegaram um rebote de ataque a cada três arremessos errados durante a temporada passada. O índice de 33,3% foi o mais alto da NBA. Para quem ficou em 10º lugar no ranking das equipes com piores aproveitamentos em arremessos, esses rebotes ofensivos acabaram sendo um fator importante para a boa campanha que se viu ao longo do último ano.
O problema é que alguns dos principais responsáveis pela construção desta identidade já não estão mais em Nova York: Julius Randle e Isaiah Hartenstein. Mitchell Robinson, que teve médias de incríveis 4,6 rebotes ofensivos por jogo na última temporada, permanece no elenco. Mas recupera-se ainda de lesão e, mesmo quando voltar a ficar disponível, deve ter espaço bem menor na rotação depois da chegada de Karl-Anthony Towns.
O nível técnico de Towns é muito maior do que qualquer um destes outros jogadores de garrafão que fizeram e que ainda fazem parte do elenco dos Knicks. Mas seu conjunto de características é bastante diferente. Ou seja: aquele time que confiava nos rebotes ofensivos para gerar novas chances e minimizar o impacto do aproveitamento baixo nos arremessos não vai mais existir.
É claro que há talento para melhorar muita coisa e construir um ataque de outro jeito, com uma identidade diferente. Mas deixar de contar com algo que vinha dando tão certo dá sempre um medo, mesmo.
O cara
Jalen Brunson registrou 28,7 pontos e 6,7 assistências por partida na temporada passada, com uma média de 21,4 finalizações por jogo. Todos estes números representam recordes pessoais. O aproveitamento em bolas de três, mais uma vez, bateu na casa dos 40%. O que é uma ótima notícia para quem passou a arremessar de longe com mais frequência ao longo dos últimos meses.
São números para não deixar dúvidas sobre quem é o principal jogador dos Knicks na atualidade. Além de ter sido all-star pela primeira vez na carreira, Brunson ficou em quinto na corrida pelo prêmio de MVP e conquistou uma vaga no segundo quinteto ideal da liga.
Também vale a pena ficar de olho
Os Knicks vão continuar sendo o time de Jalen Brunson, mas Karl-Anthony Towns chega também com status de all-star na última temporada. Foram 21,8 pontos e 8,3 rebotes por jogo, com aproveitamento de quase 42% em bolas de três -- o que é um ótimo desempenho.
Em Minnesota, cumpriu bem o papel de segunda arma ofensiva em um esquema que tinha Anthony Edwards como principal elemento. Dá para imaginá-lo fazendo algo semelhante ao lado de Brunson, ajudando a abrir espaços na quadra. Especialmente naquelas investidas que o armador tanto gosta, quando dá as costas para o marcador e começa a bater em direção ao garrafão, atraindo múltiplos defensores no processo.
Pensando em situações em que ele receberia o passe pronto para arremessar, Towns tem tudo para ser um desafogo e tanto para Brunson. Mas quando está com a bola nas mãos e resolve criar por conta própria, tem ainda certa tendência a se enrolar. Muitas vezes, acaba priorizando finalizações forçadas por não enxergar possibilidades de passes.
Também vale lembrar que, nos Timberwolves, Towns vinha jogando bastante ao lado de um outro pivô: Rudy Gobert. Em Nova York, a tendência é que ele volte a ser uma peça de garrafão cercada de jogadores de perímetro, algo que fez durante a maior parte da carreira. Mas, diante desta experiência recente em Minnesota, não dá para descartar também que ele seja testado em alguns minutos por partida ao lado de Mitchell Robinson.
Vale a pena observar os resultados desta experiência. Se funcionar mais ou menos como se viu em Minnesota, seria uma ótima opção de variação tática para a temporada. Mas se for para escolher alguma coisa para dar certo, é de se imaginar que o técnico Tom Thibodeau opte por Towns conseguindo corresponder defensivamente quando estiver jogando sozinho como pivô. Sem Gobert, ele será muito mais cobrado em termos de leitura de jogo, disciplina e paciência para contestar arremessos.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4,5 (alto para médio) - Já era um dos times mais legais de se ver no ano passado. As trocas para colocar Mikal Bridges e, principalmente, Karl-Anthony Towns ao lado de Jalen Brunson só aumentaram o grau de curiosidade em cima dos Knicks.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Knicks
No cenário mais otimista: o time fica mais forte, se consolida como a principal ameaça ao reinado do Boston Celtics e chega às finais de conferência em condições de bater os atuais campeões.
No cenário mais pessimista: vaga nos playoffs sem tantos problemas assim, mas sem mando de quadra e eliminação na primeira rodada para algum concorrente que realmente conseguiu se tornar um time mais forte em relação ao ano passado depois de se reforçar na offseason.
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