A queda no play-in pelo segundo ano consecutivo levou o Chicago Bulls a partir para uma reformulação. As trocas de DeMar DeRozan e Alex Caruso evidenciam esse novo momento. Faltou Zach LaVine, que andou lesionado e tem um contrato ruim. Enquanto ainda tenta despachá-lo para algum canto qualquer, a equipe chega para a temporada 2024/25 da NBA com alguns jovens a serem avaliados para o futuro. O que se pode esperar desta experiência?
Como foram os Bulls na última temporada
Campanha: 39 vitórias e 43 derrotas
Classificação: 9º lugar na Conferência Leste; no play in, ganhou do Atlanta Hawks, mas foi eliminado depois pelo Miami Heat
O que aconteceu: depois de um começo muito ruim, o time deu uma melhorada e passou praticamente a temporada inteira dentro da zona de classificação para o play-in, pouco abaixo da marca de 50% de aproveitamento. Essa leve subida de produção aconteceu depois da lesão de Zach LaVine e da consolidação de Coby White entre os titulares. DeMar DeRozan entregou algumas atuações decisivas, Alex Caruso teve mais um ano de elite como defensor, mas nada disso bastou para uma vaga nos playoffs. Os Bulls não resistiram ao Miami Heat no segundo duelo do play-in.
O elenco dos Bulls para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Matas Buzelis (ala, 11ª escolha)
Quem mais chegou: Josh Giddey (ala-armador, Oklahoma City Thunder), Chris Duarte (ala-armador, Sacramento Kings), Jalen Smith (pivô, Indiana Pacers), Talen Horton-Tucker (ala-armador, Utah Jazz), EJ LIddell (ala-pivô, New Orleans Pelicans), Kenneth Lofton Jr (ala-pivô, Utah Jazz), DJ Steward (ala-armador, sem time), Marcus Domask (ala, sem time)
Quem foi embora: DeMar DeRozan (ala-armador, Sacramento Kings), Alex Caruso (armador, Oklahoma City Thunder), Andre Drummond (pivô, Philadelphia 76ers), Javonte Green (ala, New Orleans Pelicans), Terry Taylor (ala-pivô, Sacramento Kings), Henri Drell (ala, sem time) e Andrew Funk (ala-armador, sem time)
Provável time titular: Coby White, Josh Giddey, Zach LaVine, Patrick Williams e Nikola Vucevic
Reservas: Lonzo Ball, Jevon Carter (armadores), Ayo Dosunmu, Dalen Terry, Onuralp Bitim, Chris Duarte, Talen Horton-Tucker, DJ Steward (alas-armadores), Matas Buzelis, Julian Phillips, Torrey Craig, Marcus Domask (alas), Kenneth Lofton Jr, EJ Liddell (alas-pivôs), Jalen Smith e Adama Sanogo (pivôs)
Técnico: Billy Donovan
O clima para a temporada
Os Bulls se recusaram a trocar seus principais jogadores na temporada passada porque o plano era conseguir uma vaga nos playoffs, em qualquer posição que fosse possível. A negociação que a diretoria estava mais do que disposta em fazer envolvia a saída de Zach LaVine, que vinha sendo cada vez menos importante dentro de quadra e tem um contrato pesado até 2027. No fim das contas, nada disso deu certo. Ninguém quis LaVine, e a derrota para o Miami Heat no play-in fez o time entrar de férias antes do desejado.
Diante da frustração por ter ficado fora dos playoffs mais um ano, os Bulls enfim partiram para uma reconstrução. DeMar DeRozan, que estava em final de contrato, acertou a ida para o Sacramento Kings. E Alex Caruso foi mandado para o Oklahoma City Thunder em troca de Josh Giddey, australiano de 22 anos que até já teve bons momentos por lá, mas estava em baixa e pode vir a se beneficiar de um recomeço na carreira.
A ideia de conseguir despachar o contrato de LaVine para algum outro canto não foi deixada de lado. Muito pelo contrário. Os Bulls tentaram bastante, mas simplesmente não conseguiram encontrar nenhum interessado. Não é difícil entender o motivo: além de ter salário acima dos US$ 45 milhões anuais por mais três temporadas, LaVine vem de uma cirurgia no pé direito que o limitou a apenas 25 partidas no campeonato passado.
Não restou outra escolha. Os Bulls terão de botar LaVine para jogar, torcer para ele funcionar em meio a um elenco modificado e esperar que o rendimento seja bom o bastante para atrair algum interessado. Seria uma etapa importante de um processo de reformulação que já começou.
Abre aspas
"Estou em ótima condição e com a cabeça muito boa. Estou totalmente saudável, coisa que eu valorizo bastante. Todas as coisas negativas que envolveram minha relação com a equipe -- os rumores, o drama ou qualquer coisa do tipo -- eu deixo para trás. Estou bastante focado neste período de preparação para a temporada, evoluir com esse time, ajudar, aprender e me divertir."
Foi isso o que disse o ala-armador Zach LaVine na reapresentação do time para a temporada 2024/25. Algo que só aconteceu porque os Bulls não conseguiram trocá-lo durante as férias. Bem que tentaram, e bastante, mas ninguém se interessou.
Uma esperança
Mesmo com DeMar DeRozan e Alex Caruso em boa forma, os Bulls não foram aos playoffs na temporada passada. Nem na anterior. Estava claro, portanto, que não havia mais sentido continuar insistindo naquele núcleo. Resultado: ambos foram trocados na offseason, evidenciando um movimento da equipe de olhar para o futuro.
Esse recomeço poderia ter começado antes? Até poderia. Mas já foi. Pelo menos existe agora um espaço para fatos novos surgirem.
Dentro deste cenário, surge Matas Buzelis. O garoto de 19 anos, natural de Chicago, ganhou a simpatia do torcedor na noite do Draft, quando chorou por ter sido selecionado pelo time do coração. Mas não é só por esse apelo emocional que ele aparece hoje como uma esperança para o futuro. Buzelis tem altura de pivô e controle de bola de armador. É ágil e parece gostar de fazer um pouco de tudo no ataque: organização de jogo, arremessos de longe e infiltrações. Quem o acompanhou antes do Draft aponta até alguns instintos defensivos que podem torná-lo muito bom também neste outro lado da quadra. Muita gente acreditou que ele seria escolhido bem antes da 11ª posição. E o desempenho na Summer League semanas depois só aumentou a expectativa em torno dele.
Por tudo isso, Buzelis é uma esperança que parece um pouco mais realista para os Bulls. Existe ainda uma mais ousada: a troca por Zach LaVine. É extremamente difícil, considerando a combinação de lesões e contrato ruim do jogador. Mas vai que ele volte agora e se mostre recuperado fisicamente, sem qualquer limitação nos seus arremessos ou naqueles arranques explosivos para a cesta, ao mesmo tempo em que alguma outra equipe durante a temporada sinta que está a uma peça de distância para brigar pelo título e tope fazer essa loucura. Sonhar não custa nada.
Um medo
E se não der mesmo para trocar Zach LaVine? Essa é uma pergunta que muitos torcedores dos Bulls se fazem há tempos. Porque a permanência significaria que o contrato ruim dele continuaria comprometendo boa parte da folha salarial até 2027, o que atrapalha consideravelmente qualquer plano de reconstrução.
Ainda pior do que isso seria atestar que esse planejamento de novo futuro começou mal. Em outras palavras: Josh Giddey precisa funcionar logo de cara. O australiano está em seu último ano de contrato de novato. Ao final da temporada, os Bulls vão ter que tomar uma decisão importante sobre o futuro dele. Se for para oferecer um novo acordo, que inevitavelmente será mais caro, é bom ter plena convicção de que vale a pena o investimento.
Vale até o paralelo com um outro caso relativamente recente. Há uns anos, os Bulls ficaram com medo de perder um jogador de graça e acabaram renovando por um valor bem mais alto, apostando que ele evoluiria com o tempo e acabaria justificando a aposta. O nome do jogador? Zach LaVine. Deu no que deu.
É claro que, no caso Giddey não dar certo em Chicago, existiria a possibilidade de simplesmente deixá-lo sair de graça no ano que vem. Seria uma estratégia bem menos arriscada pensando na flexibilidade salarial do futuro. Mas também atestaria que Alex Caruso, uma moeda de troca tão valiosa que os Bulls tinham nas mãos, foi embora por nada.
O cara
Por bem ou por mal, a maior parte dos holofotes estarão sobre Zach LaVine. Será ele a principal arma ofensiva dos Bulls. Não só por já ter sido all-star na vida ou porque foi quem mais comandou a pontuação com DeMar DeRozan ao longo dos últimos anos em Chicago. Mas também porque a diretoria quer mais é que ele registre números altos o bastante para atrair algum interessado no mercado. É de se imaginar, portanto, que ele terá toda liberdade do mundo no ataque.
Se for para considerar só quem a diretoria realmente deseja contar para o futuro, então dá para se eleger Josh Giddey como uma figura de maior destaque. Não por qualquer número que tenha registrado em Oklahoma, nem mesmo nos seus melhores dias por lá, mas pelo tamanho da aposta que ele representa.
Giddey chegou a Chicago sozinho, sem a companhia de nenhuma escolha de Draft ou outro ativo qualquer, na negociação que culminou na saída de Alex Caruso, a principal moeda de troca dos Bulls. É um movimento que mostra o quanto os Bulls estão confiantes de que o australiano pode se beneficiar de uma condição que já não tinha mais no Thunder.
Para isso, é importante que Giddey não seja um mero arremessador, como vinha sendo na reta final da última temporada. Ele precisa, sim, melhorar esse fundamento, mas não é seu cartão de visitas. Para que seja mesmo aproveitado em sua melhor versão e se torne o líder que os Bulls esperam, é de se imaginar que ele tenha a bola nas mãos para tomar decisões e encontrar passes para companheiros que se adequem ao seu estilo.
Há razões para otimismo ao imaginá-lo comandando jogadas de “pick and roll” com Nikola Vucevic. Ou então servindo as finalizações de Coby White, com quem dá pinta de que terá um bom encaixe. Em um time que o permita esse nível de liberdade, Giddey pode dar o salto que um dia se imaginou para ele Oklahoma.
Também vale a pena ficar de olho
Coby White ficou em segundo lugar na corrida pelo prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada passada. Foi, de fato, o ano em que ele teve uma consolidação. O armador soube agarrar a oportunidade que apareceu de se firmar como titular. Com mais minutos, levou suas médias para 19,1 pontos e 5,1 assistências por jogo, acertando mais de 37% dos tiros de três. Mais importante que isso: as hesitações diminuíram, as tomadas de decisão com a bola nas mãos pareceram mais acertadas e até a defesa melhorou. Fica a expectativa pelo próximo passo.
Vale também apontar por aqui Patrick Williams, que vai para o seu quinto ano como profissional. Em tese, é o que costuma-se chamar de “3 and D”: um defensor de bom nível que, no ataque, acerta bolas de três. De fato, já deu alguns flashes bem interessantes nesse sentido. O aproveitamento na casa dos 40% em arremessos de longe é animador.
O problema é a falta de consistência. Na última temporada, uma lesão no pé esquerdo, que até o fez passar por cirurgia, o limitou a apenas 43 jogos. Mas mesmo nas ocasiões em que esteve em quadra, não chegou a convencer quem ainda desconfia de sua regularidade. Será que Williams vai conseguir se firmar nesse sentido e justificar a insistência que os Bulls têm tido com ele?
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
2 (baixo) - A liberdade que Josh Giddey tende a ter com a bola nas mãos e o encaixe dele com Zach LaVine são fatores que até podem despertar curiosidade, mas também passam longe de estarem entre as histórias mais atraentes para a temporada 2024/25.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Bulls
No cenário mais otimista: Josh Giddey reencontra a boa fase que viveu nos seus melhores dias em Oklahoma, Matas Buzelis briga pelo prêmio de novato do ano, o time vence alguns jogos a mais do que poderia se esperar nos primeiros meses e atrai algum interessado em trocar por Zach LaVine. No fim das contas, fica sem vaga no play-in, mas pelo menos consegue se livrar de um contrato horroroso e ganha mais flexibilidade financeira para continuar tocando sua reconstrução.
No cenário mais pessimista: uma das piores campanhas do Leste, sem sinais de desenvolvimento das jovens apostas para o ano e sem conseguir passar para frente o contrato de Zach LaVine.
Veja as análises de todos os times da NBA:
* Clique no escudo para ler
