A defesa forte, ataque limitado. Foi essa a história do Orlando Magic na temporada passada, quando conseguiu chegar aos playoffs. Os jovens Paolo Banchero e Franz Wagner, líderes daquela campanha, ganharam a companhia de Kentavious Caldwell-Pope, jogador que tem dois títulos da NBA no currículo. Até onde esse reforçado time pode chegar?
Como foram o Magic na última temporada
Campanha: 47 vitórias e 35 derrotas
Classificação: 5º lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: eliminação na primeira rodada pelo Cleveland Cavaliers por 4 a 3
O que aconteceu: a defesa foi tão boa que compensou as dificuldades que o ataque teve durante toda a temporada para criar arremessos em situações de meia quadra. Com muita organização, uma capacidade fora da curva de limitar a produção dos pontos dos adversários e as evoluções individuais de Paolo Banchero – que virou all-star – e Franz Wagner, o Magic voltou aos playoffs e ficou bem perto de avançar à segunda rodada. O Cleveland Cavaliers não deixou. Mas a queda não apagou a sensação de que muita coisa boa pode surgir no horizonte desta equipe.
O elenco do Magic para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Tristan da Silva (ala, 18ª escolha)
Quem mais chegou: Kentavious Caldwell-Pope (ala-armador, Denver Nuggets) e Ethan Thompson (ala-armador, Osos de Manatí/Porto Rico), Jarrett Culver (ala-armador, G-Legue), Jalen Slawson (ala, Sacramento Kings) e Javonte Smart (armador, sem time)
Quem foi embora: Joe Ingles (ala, Minnesota Timberwolves), Kevon Harris (ala-armador, Atlanta Hawks), Chuma Okeke (ala-pivô, New York Knicks), Markelle Fultz (armador, sem time) e Admiral Schofield (ala, LDLC Asvel/França)
Provável time titular: Jalen Suggs, Kentavious Caldwell-Pope, Franz Wagner, Paolo Banchero e Wendell Carter Jr
Reservas: Cole Anthony, Cory Joseph, Javonte Smart, Anthony Black (armadores), Gary Harris, Jarrett Culver, Travelin Queen, Ethan Thompson (alas-armadores), Tristan da Silva, Caleb Houstan, Jalen Slawson, Jett Howard (alas), Jonathan Isaac, Moritz Wagner (ala-pivôs) e Goga Bitadze (pivô)
Técnico: Jamahl Mosley
O clima para a temporada
É inevitável que haja um otimismo em torno do Magic, depois do salto na temporada passada que culminou em vaga nos playoffs na temporada passada. Aliás, vale lembrar que o time chegou até a brigar pela segunda posição do Leste em um determinado momento. Então foi mesmo um ano bastante positivo. Principalmente pela defesa -- a terceira mais eficiente da liga, com média de 110,8 pontos sofridos a cada 100 posses de bola, atrás apenas de Minnesota Timberwolves e Boston Celtics.
O problema foi que o ataque ficou com a nona pior posição em termos de eficiência. A média de 112,9 pontos a cada 100 posses de bola só foi superior a de outros oito times que não foram para os playoffs.
As esperanças para começar a melhorar isso sem deixar cair o nível na defesa passa pelo desenvolvimento natural das jovens peças que carregam o time, mas também pela chegada de Kentavious Caldwell-Pope. Peça importante do Denver Nuggets campeão duas temporadas atrás, ele traz essa valiosa experiência para um elenco jovem que busca aumentar ainda mais o nível competitivo nos próximos anos.
Abre aspas
"O que eu percebi nos playoffs é que, para conseguir ir longe, você precisa estar no auge da forma física. Depois daquele Jogo 7, eu fiquei pensando que os Cavs iriam entrar em quadra para pegar o Boston Celtics dois dias depois. Se eu já estava me sentindo cansado assim na primeira rodada, como eu iria me recuperar para encarar a segunda e as outras fases depois para chegar até o fim? Isso me fez entender que preciso estar em melhor forma física, então foi nisso que trabalhei durante as férias. Fiz exercícios três ou quatro dias por semana. Às vezes levantando peso, às vezes desenvolvendo minha agilidade e o condicionamento físico. A meta era chegar para a temporada na minha melhor forma física. E aí, obviamente, manter os bons hábitos na medida em que a temporada se desenrolar para dar um novo gás quando os playoffs chegarem.”
Quem falou isso foi Paolo Banchero. Nada como uma primeira vez nos playoffs para encher de motivação uma jovem estrela em ascensão.
Uma esperança
Olhar para a temporada passada já representa uma esperança por si só ao Magic. Como não ficar animado depois de um quinto lugar no Leste e um quase avanço às semifinais de conferência, tudo comandado por gente em seus 20 e poucos anos? Difícil mesmo.
Levando em conta toda essa juventude, é ainda mais impressionante notar que o time teve a terceira defesa mais eficiente da temporada passada. Não há sistema defensivo que se crie sem coletividade, entrosamento e organização. O Magic é muito bem treinado e parece já ter um traço forte em sua identidade. Não é pouca coisa.
Com espaço na folha salarial na offseason, teve quem chegou a sonhar com um desembarque de Paul George em Orlando. Não aconteceu. Quem se juntou ao time foi Kentavious Caldwell-Pope. Não é uma estrela, mas é um reforço a ser bastante celebrado. Trata-se de um “3 and D” com dois títulos no currículo e participação importante em cada um deles. Tem o perfil ideal para se enquadrar com todas as forças que o Magic já tinha e colaborar com o que ainda precisa ser melhorado.
A aquisição anima. A lembrança de que os principais jogadores ainda estão dando os primeiros passos na NBA, também. Mais do que marcar presença nos playoffs de maneira frequente daqui para frente, o Magic vislumbra ameaçar cada vez mais quem está nas cabeças da conferência.
Um medo
A campanha na temporada passada mostrou um ótimo salto para o núcleo jovem do Magic. Poucas semanas depois da eliminação para o Cleveland Cavaliers nos playoffs, veio um reconhecimento em forma de extensão contratual a uma das principais peças do elenco: Franz Wagner, que passará a receber salário na casa dos US$ 40 milhões a partir da 2025/26.
Paolo Banchero ainda está em seu contrato de novato, mas inevitavelmente vai ganhar uma extensão em breve também. Aliás, quando isso acontecer, será o jogador mais bem pago da equipe.
Tudo isso mostra que o Magic já estabeleceu que o futuro será desenhado em torno desta dupla. É natural que tanto Wagner quanto Banchero ainda estejam longe de suas melhores versões. Dá para esperar um desenvolvimento deles. Mas e se ofensivamente os dois não conseguirem se encaixar?
Se quiser ir para algum lugar mais alto do que já foi, o Magic vai precisar de um sistema ofensivo mais eficiente. O que vai passar por Banchero e Wagner sendo capazes de fazer os defensores pararem de pagar para ver os arremessos de longe deles.
O cara
Primeira escolha do Draft de 2022, Paolo Banchero virou all-star na temporada passada, a sua segunda na NBA. O ala teve médias de 22,6 pontos, 6,9 rebotes, 5,4 assistências por jogo, além de uma discreta melhora em eficiência dos arremessos (eFG): de 46,5% como calouro para 49,7%.
O aproveitamento ainda não é grande coisa. Aliás, uma deficiência ainda clara no jogo de Banchero são os arremessos de média e longa distância. Quando ele conseguir colocar a bola na cesta de maneira mais consistente sem entrar no garrafão, será um pesadelo para os oponentes.
Nada disso impede que sejam notadas algumas qualidades que Banchero já tem desenvolvido enquanto ocupa o papel de principal arma ofensiva do Magic. Ao longo da última temporada, a quantidade de vezes em que ele sofreu marcação dupla cresceu bastante em relação ao ano de novato. E deu para vê-lo se virando bem nestas situações, identificando rapidamente o que estava acontecendo e fazendo passes certeiros para algum companheiro com mais espaço.
A experiência na Copa do Mundo do ano passado com a seleção norte-americana e a estreia em playoffs na última temporada deram uma boa bagagem a Banchero. Vai ser interessante continuar acompanhando esse desenvolvimento.
Também vale a pena ficar de olho
Se não houve dúvidas de que Paolo Banchero foi o principal jogador do Magic na temporada passada, ficou bem claro também que Franz Wagner foi o segundo melhor. Foram 19,7 pontos, 5,3 pontos e 3,7 assistências por jogo, com uma postura de frequentemente parecer o armador de fato da equipe, organizando e construindo as jogadas para os outros e também para si mesmo.
Assim como Banchero, ficou devendo em arremessos de longa distância -- e o fato de os dois apresentarem essa deficiência diz muita coisa sobre as limitações ofensivas que o Magic teve como equipe na temporada passada. O aproveitamento nas bolas de três pontos ficou em 28%. Baixo o suficiente para deixar as defesas mais do que confortáveis em oferecer espaço para ele chutar de longe.
Para o Magic dar o próximo passo em seu processo de evolução mirando as cabeças do Leste, é fundamental que pelo um deles consiga preocupar os defensores quando receber a bola atrás da linha de três. Quem conseguiu dar um salto nesse sentido foi Jalen Suggs, que teve 40% de aproveitamento em chutes de três na temporada passada e se consolidou como uma boa válvula de escape para Banchero e Wagner. Do outro lado da quadra, mostrou-se imprescindível para o bom funcionamento do sistema defensivo.
Falando em "3 and D", é importante também mencionar por aqui a principal aquisição do Magic na offseason: Kentavious Caldwell-Pope, acostumado a marcar o melhor jogador do time adversário enquanto entrega pelo menos 40% de aproveitamento em bolas de três. É um excelente encaixe para este time, e o Denver Nuggets vai ter um desafio grande pela frente para tentar substituí-lo.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
3,5 (médio para alto) - O Magic escreveu uma história muito legal na temporada passada, mas não foi exatamente um time tão bonito assim de se ver. É bem possível que as coisas sejam um pouco mais agradáveis agora, com o elenco um pouco mais reforçado e com o desenvolvimento natural de algumas peças. Mas ainda não dá para colocar entre os maiores proporcionadores de entretenimento na temporada.
Palpite para a temporada 2024/25 do Magic
No cenário mais otimista: mais um salto em relação à temporada passada, o que resultaria em mando de quadra na primeira rodada dos playoffs e até em avanço às semifinais de conferência, dependendo de quem cruzar o caminho. Mais do que isso, ainda fica muito difícil imaginar.
No cenário mais pessimista: classificação aos playoffs via play-in e eliminação precoce, sem oferecer tanta resistência a quem aparecer na primeira rodada.
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