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12 dias para a NBA: Los Angeles Lakers aposta alto em novo técnico para fazer LeBron sonhar com mais um título

LeBron agora joga ao lado do filho Bronny nos Lakers Atiba Jefferson/NBAE via Getty Images com Arte ESPN

LeBron James e Anthony Davis brilharam na temporada passada da NBA. O resto do Los Angeles Lakers, nem tanto. Sem mudar muitas peças no elenco de apoio, a grande aposta do time para se colocar entre os candidatos ao topo do Oeste foi na troca do comando: quem chegou foi o JJ Redick, ex-jogador e amigo de LeBron, que terá nos Lakers a sua primeira experiência como treinador. O que dá para se esperar disso?

Como foi os Lakers na última temporada

  • Campanha: 47 vitórias e 35 derrotas

  • Classificação: 7º lugar na Conferência Oeste; no play-in, passou pelo New Orleans Pelicans

  • Nos playoffs: eliminação na primeira rodada pelo Denver Nuggets por 4 a 1

  • O que aconteceu: LeBron James e Anthony Davis brilharam, mas foram os únicos pontos constantes dos Lakers. De resto, foi um festival de altos e baixos. As duas estrelas em grande fase bastaram para levar o time ao play-in, mas mesmo essa vaga só foi confirmada na reta final da temporada regular. Houve, sim, um risco considerável de a temporada ficar restrita a apenas 82 partidas. No fim, a classificação veio depois de uma vitória sobre o New Orleans Pelicans no play-in. Mas a caminhada logo foi interrompida pelo Denver Nuggets, mesmo algoz do ano anterior, em cinco jogos.

O elenco dos Lakers para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Dalton Knecht (ala, 17ª escolha) e Bronny James (ala-armador, 55ª escolha)

  • Quem mais chegou: Jordan Goodwin (armador, Memphis Grizzlies), Armel Traoré (ala, ADA Blois/França), Kylor Kelley (ala-pivô, sem time), Christian Koloko (pivô, sem time) e Quincy Olivari (armador, sem time)

  • Quem foi embora: Taurean Prince (ala, Milwaukee Bucks), Spencer Dinwiddie (armador, Dallas Mavericks), Harry Giles (pivô, Charlotte Hornets), Skylar Mays (ala-armador, Minnesota Timberwolves), D'Moi Hodge (ala-armador, Aris Thessaloniki/Grécia) e Alex Fudge (ala, sem time)

  • Provável time titular: D’Angelo Russell, Austin Reaves, LeBron James, Rui Hachimura e Anthony Davis

  • Reservas: Gabe Vincent, Jordan Goodwin, Quincy Olivari (armadores), Max Christie, Bronny James, Jalen Hood-Schifino (alas-armadores), Cam Reddish, Maxwell Lewis, Dalton Knecht, Armel Traoré (alas), Jarred Vanderbilt, Kylor Kelley (alas-pivôs), Christian Wood, Jaxson Hayes, Colin Castleton e Christian Koloko (pivôs)

  • Técnico: JJ Redick

O clima para a temporada

O elenco não teve grandes mudanças em relação à temporada passada, em que o time não pareceu pertencer ao primeiro escalão de forças do Oeste em momento algum. A grande esperança dos Lakers para mudar as coisas e chegar lá foi trocando o treinador. JJ Redick chegou para o lugar de Darvin Ham.

Redick, para quem não se lembra, jogou na NBA até pouco tempo atrás. Dentro de quadra, sempre se mostrou muito inteligente, com incansáveis movimentações sem bola que ajudavam o ataque a punir os espaços que as defesas deixavam. Essa inteligência para o basquete ficou ainda mais evidente no pós-carreira, como apresentador de podcast e comentarista de televisão.

A partir do momento em que os Lakers o incluíram no processo seletivo para novo treinador, a candidatura dele sempre pareceu bem forte. Como se as ideias apresentadas fossem muito maiores do que qualquer hesitação.

Ainda há uma certa atmosfera de encantamento após a contratação de Redick. Mas é de se esperar que, a partir do momento em que a temporada começar, ele terá uma pressão grande para transformar essas visões interessantes na teoria em melhorais práticas. Já seria difícil para qualquer treinador. Para quem está estreando na profissão, mais complicado ainda.

Abre aspas

"Quando se fala que LeBron vai jogar sem a bola, isso não significa que ele não vai mais tê-la nas mãos em nenhum momento. LeBron é um dos jogadores mais inteligentes da história. Acredito que dá para usá-lo como alguém que faz bloqueios e que recebe o passe em situações específicas, em lugares da quadra em que pode tanto pontuar como acionar um companheiro em melhor condição. É isso o que imagino quando falo dele jogando mais sem a bola. Eu só não quero que ele seja mais aquele cara que conduz a bola da defesa, é pressionado desde a quadra inteira por um marcador e chama o 'pick and roll' toda hora. Não é desta maneira que ele vai jogar daqui para frente."

Foi assim que JJ Redick, novo técnico dos Lakers, ofereceu um pouco do que tem em mente sobre a forma de utilizar LeBron James no sistema ofensivo.

Uma esperança

Ficou bem claro por toda a offseason dos Lakers: a grande esperança de dias melhores — ou, pelo menos, mais competitivos — atende pelo nome de JJ Redick.

As entrevistas durante o processo seletivo foram sedutoras. Nas entrevistas antes da temporada, ele tem compartilhado um pouco mais das ideias que tem para melhorar o time. De fato, parecem mesmo interessantes. Já tornam os Lakers, no mínimo, um time curioso para se observar com atenção ao longo dos próximos meses.

Se as convicções de Redick renderem bons resultados, muitos jogadores do elenco de apoio em torno de LeBron James e Anthony Davis podem viver suas melhores versões. O que seria muito bem vindo depois da última temporada.

Um medo

O mesmo fator que serve de esperança também alimenta um medo dos Lakers para esta temporada. A aposta em JJ Redick foi alta. Pareceu até uma escolha bem convicta. Mas e se não der certo?

Pode acontecer, claro. Vida de treinador nenhum na NBA é tranquila. A de um novato, e no comando especificamente dos Lakers, tem níveis de pressão ainda maiores. Então vai saber se ele conseguirá mesmo fazer o grupo comprar tudo o que acredita.

Mas tem algo que poderia ser ainda pior: a temporada mostrar que só um novo técnico não basta para competir pelo título.

Pode até ser que Redick consiga implantar mudanças que tanto planeja. Na esteira disso, nem chega a ser difícil imaginar elas melhorando um sistema ofensivo que foi apenas o 15º mais eficiente da última temporada. Dá também para acreditar em alguma evolução da defesa, a 17ª neste ranking de eficiência. Tudo isso pode acontecer e, ainda assim, os Lakers se enxergarem um ou dois passos atrás das maiores forças do Oeste.

É um cenário que assusta mesmo o torcedor dos Lakers. Pior ainda: parece perfeitamente plausível.

O cara

Maior símbolo de longevidade em alto nível da história do basquete, LeBron James está prestes a entrar em seu 22º ano como profissional e ainda pertence ao grupo das maiores estrelas da NBA. Na temporada passada, foi o cestinha dos Lakers com 25,7 pontos por jogo. Teve ainda médias de 8,3 assistências e 7,3 rebotes por partida.

São números que dão uma boa noção do quanto ele ainda é capaz de concentrar as ações do time, uma ameaça constante de triplo-duplo. Chama muito a atenção também o aproveitamento de 41% nas bolas de três.

Mais do que um recorde pessoal, o índice está à altura de um especialista em arremessos de longa distância. Alguém ainda se lembra de quando isso era uma deficiência no leque ofensivo de LeBron? Quando as defesas pagavam para ver os chutes dele de fora do garrafão? Pois é, as coisas não são mais assim.

Foi assim que o camisa 23 encerrou o campeonato passado com uma vaga no terceiro quinteto ideal da liga. Mas vale também destacar por aqui a outra estrela dos Lakers, que pegou um lugar no segundo quinteto: Anthony Davis.

Pela primeira vez desde que chegou à NBA, em 2012, ele disputou 76 jogos dos 82 da temporada regular. O que, certamente, deu uma boa espantada no fantasma das lesões, que tanto o assombrou em outros momentos da carreira.

Saudável, Davis teve médias de 24,7 pontos, 12,6 rebotes e 2,3 tocos por partida. Em condição de fazer o que sabe muito bem, mostrou-se um gigante para proteger a cesta, o que ajuda a explicar o quarto lugar na corrida pelo prêmio de melhor defensor — e há até quem argumente que foi pouco.

Também vale a pena ficar de olho

Gabe Vincent chegou no ano passado depois de assinar um contrato de três temporadas. Em sua primeira com os Lakers, entrou em quadra apenas 11 vezes, prejudicado por uma lesão no joelho que o levou à cirurgia. Se conseguir voltar sem limitações e lembrar o jogador que era em Miami, então o técnico JJ Redick ganhará uma ótima opção para os dois lados da quadra, que o permitirá fazer experiências.

Quem também merece menção por aqui é Rui Hachimura. Quando viveu seus melhores momentos, funcionando como uma peça confiável na defesa e mais eficiente nos arremessos, os Lakers também foram melhores. O problema é a constância.

Uma das ideias de JJ Redick para as mudanças no sistema ofensivo envolvem um uso bem maior de Hachimura como opção de passe em cortes sem bola para a cesta, coisa que ele fez pouco na temporada passada. O treinador também quer vê-lo fazendo mais bloqueios que podem render situações para ele atacar contra defensores mais baixos.

Será que tudo isso vai deixar o campo da teoria para virar realidade?

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4 (alto) - Prestes a bater os 40 anos, LeBron James ainda é um jogador de alto nível. Só isso já é um atrativo e tanto para ver os Lakers. As mudanças que o novo treinador sugere fazer na forma de utilizar seu principal jogador também despertam curiosidade. Pode não ser o time mais forte da temporada, mas os jogos devem quase sempre ser interessantes.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Lakers

No cenário mais otimista: primeira rodada dos playoffs novamente, seja pegando uma das últimas vagas diretas ou passando mais uma vez pelo play-in.

No cenário mais pessimista: fora até do play-in. Neste Oeste de competitividade tão insana, nem precisa de uma grande queda para isso acontecer. Uma ou duas vitórias a menos na campanha já poderiam ser o bastante para os Lakers serem buscados por outras equipes que não terminaram a temporada passada tão longe.

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