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29 dias para a NBA: O Washington Wizards e a busca por uma direção

Washington Wizards chega a temporada com Kyle Kuzma como astro - para brilhar em quadra ou ser trocado Patrick Smith/Getty Images com arte ESPN

O aquecimento para a temporada 2024/25 da NBA continua aqui no ESPN.com.br. Chegou a vez de apresentar ao fã de esportes mais um time que vem de uma campanha decepcionante e busca se reerguer: o Washington Wizards, que tem como principal novidade no elenco um francês de 19 anos escolhido na segunda posição do Draft.

Como foram os Wizards na última temporada

  • Campanha: 15 vitórias e 67 derrotas

  • Classificação: 14º lugar na Conferência Leste

  • O que aconteceu: começar uma temporada depois de negociar Bradley Beal e Kristaps Porzingis já indicava o início de um processo de reconstrução. Mesmo sem tanta ambição, o desempenho em quadra decepcionou. Os Wizards tiveram a pior campanha da sua história. Mais preocupante do que o número de derrotas em si foi a constatação de que o desenvolvimento dos jovens e o nível de competitividade do time estavam deixando a desejar. O que culminou na demissão do treinador Wes Unseld Jr ainda na metade do campeonato.

O elenco dos Wizards para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Alexandre Sarr (pivô, 2ª escolha), Carlton Carrington (ala-armador, 14ª escolha), Kyshawn George (ala, 24ª escolha)

  • Quem mais chegou: Saddiq Bey (ala, Atlanta Hawks), Malcolm Brogdon (armador, Portland Trail Blazers), Jonas Valanciunas (pivô, New Orleans Pelicans)

  • Quem foi embora: Deni Avdija (ala, Portland Trail Blazers), Tyus Jones (armador, Phoenix Suns), Jules Bernard (ala-armador, sem time)

  • Provável time titular: Malcolm Brogdon, Jordan Poole, Saddiq Bey, Kyle Kuzma e Jonas Valanciunas

  • Reservas: Jared Butler (armador), Bilal Coulibaly, Johnny Davis, Justin Champagnie, Corey Kispert, Carlton Carrington (alas-armadores), Patrick Baldwin Jr, Kyshawn George, Anthony Gill (alas), Marvin Bagley, Richaun Holmes (alas-pivôs), Alexandre Sarr e Tristan Vukcevic (pivôs)

  • Técnico: Brian Keefe

O clima para a temporada

Se a temporada passada começou sem grandes perspectivas em termos de número de vitórias, a atual não será diferente. A esperança é que, desta vez, seja possível enxergar alguma base para o futuro. Coisa que, até o momento, não parece existir nos Wizards.

A experiência com Jordan Poole começou desastrosa. Será que ainda tem como recuperá-la? Alex Sarr foi escolhido na segunda posição do Draft e, naturalmente, chega sob muita expectativa para o futuro, mas teve um desempenho assustador na Summer League. Será que o pivô francês conseguirá se desenvolver ao ponto de virar, pelo menos, um titular confiável? Malcolm Brogdon, Jonas Valanciunas e Kyle Kuzma, os três principais veteranos do elenco, serão envolvidos em trocas? Se sim, o que os Wizards poderão receber para continuar esse processo de reconstrução? Até que ponto Corey Kispert pode ser importante?

Não faltam questões em torno dos Wizards. A única certeza é que o foco no Draft de 2025 não mudará. O sonho é conseguir contar com Cooper Flagg, promissor ala da Universidade de Duke que já desponta como enorme favorito a primeira escolha. Mas mesmo se isso acontecer, a ideia é que esse novato chegue sem encontrar terra arrasada.

Abre aspas

"Brian tem uma habilidade ímpar de enxergar nas pessoas aquilo que elas podem ser, e não para onde elas estão agora ou o que são hoje. Considerando o time que temos e o estágio em que estamos, acho que essa característica dele é extremamente importante. É preciso mesmo ter essa crença nas pessoas e ver o que acontece a partir disso. Estamos ainda no começo de uma construção de algo para o futuro. Acho que podemos firmar algumas primeiras peças neste ano. Mas é uma fase de começo de construção leva um tempo mesmo, e ele sabe bem disso.”

A declaração é de Will Dawkins, gerente-geral dos Wizards, justificando a escolha pela efetivação de Brian Keefe como treinador da equipe, após ter encerrado a temporada anterior como interino.

Uma esperança

Encontrar uma direção para o futuro seria uma conquista e tanto para essa franquia. Porque uma coisa é ser ruim e acumular derrotas, mas sair de uma temporada sem clareza de que algo está funcionando minimamente é bem diferente.

Os Wizards até tiveram um indício aqui e ali, como a defesa de Bilal Coulibaly e o desempenho de Corey Kispert nos chutes de três pontos, mas foi pouco. Se esses dois fatores não estagnarem, já ajudaria bastante. Se os veteranos forem envolvidos em trocas que rendam bons ativos e se o sistema ofensivo sofrer cada vez menos com decisões equivocadas tomadas por Jordan Poole, melhor ainda.

Um medo

Não chega a ser uma raridade na história da NBA jogadores selecionados na segunda escolha do Draft acabarem decepcionando. Tudo o que os Wizards não precisam é Alex Sarr engrosse essa lista. O fraco na desempenho na Summer League pode até ser relativizado, mas ao menos mostrou que há um longo caminho de desenvolvimento técnico e físico a ser percorrido.

Para uma franquia como os Wizards, tão desesperada para encontrar gente com quem dê para contar no futuro, seria uma tragédia se Sarr não evoluir e se mostrar incapaz de ficar em quadra quando seu time precisar de uma vitória.

O cara

Kyle Kuzma foi o cestinha dos Wizards na última temporada, com 22,2 pontos por partida — melhor marca da carreira até agora. Teve também médias de 6,6 rebotes e 4,2 assistências por jogo. Está longe de ser uma estrela e, aos 29 anos, é improvável que tenha grande evolução e apresente algo muito diferente do que já se viu até agora. Mas é quem tem sido a principal referência ofensiva da equipe.

Dependendo do que a diretoria dos Wizards considerar ao longo da temporada em termos de reconstrução do elenco, Kuzma pode ser uma boa moeda de troca.

Também vale a pena ficar de olho

Jonas Valanciunas e Alex Sarr vão conseguir passar algum tempo juntos em quadra? A tendência é que isso não aconteça muito, e aí passará a ser curioso pensar em como Brian Keefe vai utilizá-los ao longo das partidas.

Há motivos de sobra para que os dois recebam minutos e sejam usados até com uma certa insistência, mesmo se não estiverem rendendo tão bem assim. Valanciunas, é de se imaginar, será usado como moeda de troca. E para que outras franquias tenham interesse em adquiri-lo, é bom que ele esteja na vitrine. Já Sarr foi a segunda escolha do Draft. É jovem e ainda bastante cru, mas é por isso mesmo que vai precisar de minutos em quadra para ir se lapidando.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

1 (mínimo) - É extremamente difícil imaginar esse time prendendo a atenção de alguém por muito tempo. Com enorme boa vontade, dá até para espiar como está um jogador ou outro de vez em quando. Mas, como entretenimento, é pouquíssimo.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Wizards

No cenário mais otimista: Alex Sarr deixa boa impressão em seu primeiro ano, Corey Kispert se consolida como um grande arremessador, Bilal Coulibaly emplaca um segundo ano ainda mais sólido do que o primeiro, os veteranos são negociados e rendem bons ativos para outras trocas futuras. Nada que mude o destino dos Wizards, que não vão pensar nem sequer em play-in, mas o bastante para mostrar que um caminho foi encontrado.

No cenário mais pessimista: mesmo ritmo de derrotas da temporada anterior e sensação de tempo perdido com o elenco, sem nada que possa ser usado como uma base para um futuro mais competitivo. E já que é para pensar no cenário mais pessimista, sem a primeira escolha do Draft.

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