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25 dias para a NBA: Toronto Raptors e o projeto para voltar a ser relevante

Toronto Raptors confia em Scottie Barnes para comandar a equipe Vaughn Ridley/NBAE via Getty Images com Arte ESPN

A série de apresentações dos times da NBA para a temporada 2024/25 chega ao Canadá. Cinco anos depois de ter sido campeão, o Toronto Raptors já não tem mais nenhum remanescente daquela conquista. A direção da equipe parece estar confiante de que as caras novas do atual elenco podem fazer os dias de glória voltarem. Será que já vai dar para ver essa aposta dar algum resultado?

Como foram os Raptors na última temporada

  • Campanha: 25 vitórias e 57 derrotas

  • Classificação: 12º lugar na Conferência Leste

  • O que aconteceu: ao envolver Pascal Siakam, OG Annunoby e Dennis Schroder em trocas no decorrer da temporada, o Raptors abraçou de vez o projeto de renovação em torno de Scottie Barnes, que acabou disputando o All-Star Game. O efeito imediato foi uma queda no nível de competitividade. A equipe canadense passou a ser presa fácil para a maior parte dos oponentes e, atrapalhada por algumas lesões, fechou o campeonato com 19 derrotas nos últimos 21 compromissos.

O elenco dos Raptors para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Ja'Kobe Walter (ala-armador, 19ª escolha), Jonathan Mogbo (ala, 31ª escolha), Jamal Shead (armador, 45ª escolha) e Ulrich Chomche (ala-pivô, 57ª escolha)

  • Quem mais chegou: Davion Mitchell (armador, Sacramento Kings), Bruno Fernando (ala-pivô, Atlanta Hawks) e Jared Rhoden (ala-armador, Detroit Pistons)

  • Quem foi embora: Gary Trent Jr (ala-armador, Milwaukee Bucks), Jalen McDaniels (ala, Sacramento Kings), Jordan Nwora (ala, Anadolu Efes/Turquia), Javon Freeman-Liberty (ala-armador, Manisa Basket/Turquia), Malik Williams (pivô, sem time), Mouhamadou Gueye (ala, sem time) e Jontay Porter (ala-pivô, sem time)

  • Provável time titular: Immanuel Quickley, Bruce Brown, RJ Barrett, Scottie Barnes e Jakob Poeltl

  • Reservas: Davion Mitchell, Jamal Shead, DJ Carton (armadores), Gradey Dick, Ochai Agbaji, Garrett Temple, Ja'Kobe Walter, Jared Rhoden (alas-armadores), Jonathan Mogbo, Jamison Battle (alas), Kelly Olynyk, Chris Boucher, Bruno Fernando, Ulrich Chomche (alas-pivôs) e Branden Carlson (pivô)

  • Técnico: Darko Rajaković

O clima para a temporada

As trocas que aconteceram ainda no meio da temporada passada escancaram o que a franquia estava fazendo: uma virada de página em sua história. Não restou nenhum remanescente do título de 2019. O rosto mais familiar passou a ser o de Scottie Barnes, vencedor do prêmio de melhor calouro em 2022 e que alcançou o status de all-star no último ano. De resto, o elenco reuniu um monte de gente que ainda busca consolidação na liga.

O gerente-geral da franquia, Masai Ujiri, chegou a dar uma entrevista coletiva em que bateu na tecla sobre os Raptors estarem vivendo o início de uma nova história. Exaltou confiança e otimismo com o que pode vir pela frente. Mas fez questão de advertir com toda clareza: é bom ter paciência, pois esse processo que está começando agora vai levar um tempo para dar resultados.

Um sinal claro do quanto Ujiri acredita neste núcleo foi a decisão de acertar extensões contratuais de Barnes e Immanuel Quickley, por cinco anos cada um. Em termos de mudanças no elenco, a única que chama um pouco mais a atenção foi a saída de Gary Trent Jr, que aceitou um contrato no valor mínimo para se juntar ao Milwaukee Bucks. Abriu-se, portanto, uma lacuna no time titular dos Raptors que precisa ser ocupada por alguém que consiga substituí-lo mais ou menos à altura. Bruce Brown e Gradey Dick devem brigar por esses minutos que surgiram.

Abre aspas

“Immanuel Quickley personifica uma série de coisas que são importantes para nosso time. Ele tem o desejo de ser vitorioso e será um atleta dos Raptors por muitos anos ainda. Estamos muito animados com ele, o nosso armador em futuro. Ele e Scottie Barnes são a nossa base. São o começo de algo por aqui. Esperamos que realmente possamos começar a crescer e construir uma equipe forte a partir deles. Queremos voltar a ser o que éramos.”

Masai Ujiri, gerente-geral dos Raptors, deu essa declaração na entrevista coletiva em que anunciou as extensões de contrato de Quickley e Barnes — ambos por cinco anos extras. Ao falar em “voltar ser o que éramos”, referiu-se aos anos em que o time canadense se acostumou a disputar os playoffs ano após ano, tendo como grande momento o título de 2019.

Uma esperança

Há um ano, quando foi contratado como novo técnico dos Raptors, Darko Rajakovic chegou dizendo que pretendia colocar em prática um sistema ofensivo de ritmo frenético e muita coesão entre as peças. Seria um esquema que busca mais os passes do que deixar a bola parada tempo demais nas mãos de alguém, além de exigir a capacidade de se tomar decisões acertadas sob pressão.

Não deu tão certo assim logo de cara porque os Raptors tiveram a sexta pior eficiência ofensiva da temporada passada, com uma média de 111,8 pontos anotados a cada 100 posses de bola. Mas é importante lembrar que o elenco foi se desfazendo ao longo da campanha, em meio a trocas que modificaram bastante a estrutura do grupo à disposição de Rajakovic.

E ainda assim, há um dado curioso que merece ser apontado nesta história: 67,4% de todas as cestas vieram após uma assistência, o que representa o segundo maior índice de toda a liga.

Se for para olhar o copo meio cheio, dá para acreditar que a essência desse sistema ofensivo já foi assimilada. Com entrosamento dos recém-chegados e o desenvolvimento natural dessas peças, é possível se ter esperança de que o ataque tão idealizado pelo treinador vai se tornar realidade.

Um medo

RJ Barrett tem contrato até 2026, pois tinha assinado uma extensão quando ainda estava em Nova York, antes de ser mandado para Toronto. Nas férias, Immanuel Quickley e Scottie Barnes também alongaram seus acordos e estão agora amarrados com os Raptors até 2028 e 2029, respectivamente.

As movimentações significam que os Raptors confiam muito neste trio para voltar a ser figurinha carimbada nos playoffs do Leste. Agora a bola está com eles. Será que vão conseguir se desenvolver o bastante para justificar esse investimento? Se a resposta for positiva, maravilha. Mas se não forem capazes de atender às expectativas, então a aposta terá sido um grande desperdício de tempo e ainda vai engessar consideravelmente as possibilidade de negociações futuras.

O cara

Scottie Barnes conseguiu se tornar um all-star na temporada passada. As médias de 19,9 pontos, 8,2 rebotes, 6,1 assistências, 1,5 toco e 1,3 roubo de bola por partida são as mais altas da carreira até agora. O mesmo pode ser dito sobre o aproveitamento de 34,1% nas bolas de três -- algo que passa longe de sugerir um especialista nestes arremessos, mas que indica uma evolução sólida em relação a anos anteriores.

Com a bola nas mãos, Barnes também se mostrou cada vez mais confortável para comandar jogadas de "pick and roll" e para fazer infiltrações. Na defesa, tem chamado mais a atenção em coberturas e na proteção da cesta do que em marcações individuais no perímetro.

Diante disso tudo, não houve nem um pouco de hesitação dos Raptors para acertar uma extensão de contrato com Barnes por US$ 225 milhões ao longo de mais cinco anos.

Também vale a pena ficar de olho

Nos 38 jogos que fez pelos Raptors na temporada passada, depois de ter sido trocado pelo New York Knicks, Immanuel Quickley teve médias de 18,6 pontos, 6,8 assistências e 4,8 rebotes por partida, com ótimo índice de 40% nas bolas de três. Aí quando chegaram as férias, o que aconteceu? Ele assinou extensão de contrato por mais 5 anos, período pelo qual receberá US$ 175 milhões.

Esse valor dá uma média de US$ 35 milhões por temporada. Por mais que seja pertinente lembrar que o teto salarial vai aumentar progressivamente nos próximos anos, não deixa de ser um investimento importante. Fica bem claro que os Raptors estão apostando nele para ser o dono da armação desta equipe.

Nos tempos de Knicks, havia quem o visse como um jogador subvalorizado, sem minutos o bastante para explorar todo o potencial que tem. A primeira amostragem com mais espaço para jogar foi positiva. Além de elevar os números no ataque, chegou até a receber elogios de Jrue Holiday, do Boston Celtics, sobre a capacidade defensiva.

Resta saber como serão os capítulos que virão nesta ainda jovem carreira depois desse reajuste de salário e de toda a pressão que isso inevitavelmente traz.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

2 (baixo) - Tem muita incógnita neste elenco. Pode até ser interessante dar uma olhada de vez em quando quais apostas estão funcionando e como. Mas ainda é pouco perto do entretenimento que várias outras equipes podem oferecer.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Raptors

No cenário mais otimista: impulsionado por um ataque envolvente, os Raptors conseguem melhorar ao ponto de passar da casa das 30 vitórias e beliscam uma vaga no play-in.

No cenário mais pessimista: muita confusão em quadra e acúmulo de derrotas, em um ritmo até maior do que na temporada passada, colocando os Raptors como candidato a lanterna do Leste.

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