Erick Spoelstra, mais uma vez, foi eleito o melhor técnico da NBA. Sem grandes novidades no elenco em relação ao último ano, o Miami Heat conta muito mais com ele do que com qualquer outro fator para encontrar sua melhor versão e voltar a competir pelo topo do Leste. Meta alcançável ou ambiciosa demais?
Como foi o Heat na última temporada
Campanha: 46 vitórias e 36 derrotas
Classificação: 8º lugar na Conferência Leste; depois de perder do Philadelphia 76ers e ganhar do Chicago Bulls no play-in
Nos playoffs: eliminado pelo Boston Celtics na primeira rodada por 4 a 1
O que aconteceu: foram algumas séries de vitórias intercaladas com sequências de derrotas. Assim, o Heat jamais conseguiu aparecer na luta pelas primeiras posições do Leste. Nem mesmo a troca em que abriu mão de Kyle Lowry para pegar Terry Rozier rendeu uma melhora considerável. Ainda havia uma esperança porque o time que fora vice campeão de 2023 havia se classificado aos playoffs na oitava posição, depois de passar pelo play-in. Foi exatamente o mesmo caminho que o Heat da última temporada percorreu. Só que, desta vez, não deu pra ir mais longe. Ficou claro que os Celtics, líderes da conferência, eram bons demais para serem novamente surpreendidos por Erick Spoelstra e companhia.
O elenco do Heat para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Kel'el Ware (pivô, 15ª escolha)
Quem mais chegou: Alec Burks (ala-armador, New York Knicks), Nassir Little (ala-pivô, Phoenix Suns), Josh Christopher (ala-armador, G-League), Caleb Daniels (ala-armador, G-League), Zyon Pullin (armador, sem time), Keshad Johnson (ala, sem time) e Isaiah Stevens (armador, sem time)
Quem foi embora: Kyle Lowry (armador, Philadelphia 76ers), Caleb Martin (ala, Philadelphia 76ers), Patty Mills (armador, Utah Jazz), Orlando Robinson (pivô, Sacramento Kings), Jamal Cain (ala, New Orleans Pelicans), Delon Wright (ala-armador, Milwaukee Bucks) e Cole Swider (ala, Indiana Pacers)
Provável time titular: Terry Rozier, Tyler Herro, Jimmy Butler, Nikola Jovic e Bam Adebayo
Reservas: Zyon Pullin e Isaiah Stevens (armadores), Duncan Robinson, Josh Richardson, Alec Burks, Josh Christopher, Dru Smith, Caleb Daniels (alas-armadores), Jaime Jaquez Jr, Haywood Highsmith, Keshad Johnson (alas), Kevin Love, Nassir Little (alas-pivôs), Kel'el Ware e Thomas Bryant (pivôs)
Técnico: Erik Spoelstra
O clima para a temporada
Não houve muita mudança no elenco que terminou a última temporada sendo eliminado na primeira rodada dos playoffs. Sem muita flexibilidade financeira para fazer grandes movimentações, a continuidade foi o caminho que restou ao Heat. A grande notícia foi a saída de Caleb Martin, que ficou sem contrato e assinou com o Philadelphia 76ers.
Houve até um certo barulho em torno da possibilidade de se negociar Jimmy Butler. Seria uma alternativa para tirar um contrato pesado da folha salarial em troca de alguns outros ativos que pudessem deixar o Heat menos engessado no mecado, ao mesmo tempo que o comando da equipe dentro de quadra seria passado para peças mais jovens. Não aconteceu. Mas vale ficar de olho se essa novela vai ter algum impacto no futuro.
O salário de Butler será de US$ 48,8 milhões durante a temporada 2024/25 e pode vir a ser de US$ 52,4 milhões na próxima, caso ele aceite exercer o último ano do atual contrato. Uma extensão do acordo poderia ser oferecida para segurá-lo por mais tempo, mas Pat Riley, presidente do Heat, não está convencido de que é uma boa ideia. Chegou, aliás, a falar publicamente que fica complicado comprometer uma fatia tão grande da folha salarial por alguém que ninguém sabe quantas vezes estará em quadra daqui para frente. Ou seja: deixou claro que não considera que Butler, já com 35 anos e algumas lesões aparecendo, daria retorno à altura do dinheiro que receberia.
Pode ser que o clima interno azede de vez e prejudique o time, mas pode ser também que Butler se encha de motivação para provar que ainda merece cada dólar que as regras salariais da NBA permitem que seja oferecido a ele. Se o foco estiver voltado totalmente para a quadra, já é uma grande notícia para Erick Spoelstra. Que tentará, mais uma vez, desenvolver os jogadores que tem à disposição e torná-los muito melhores do que se imaginava.
Abre aspas
"Eu preciso provar que sou um fator importante para as vitórias deste time. Já fiz isso antes, não vai ser algo tão diferente para mim. Essa será uma grande temporada para mim e para o grupo de jogadores que temos aqui. E isso aí vai acabar se resolvendo por conta própria quando a hora chegar."
Foi isso o que Jimmy Butler respondeu ao ser perguntado sobre o Heat ainda não ter lhe oferecido uma extensão contratual.
Uma esperança
Os 111,5 pontos sofridos a cada 100 posses de bola fizeram do Heat a quinta melhor defesa da temporada passada. Há de se ponderar que Caleb Martin saiu, que as lesões bagunçaram muito o elenco e que não foi possível deixar um quinteto em quadra por mais do que 181 minutos (o que é pouco). Ainda assim, não deixa de ser um ponto de animação para o que vem pela frente. Mas a grande esperança recai mesmo sobre Erick Spoelstra e tudo o que ele é capaz de fazer.
Em pesquisa recente feita com os gerentes-gerais das 30 franquias da NBA, o nome dele foi o mais votado quando perguntaram qual o melhor técnico da NBA. Algo que já tinha acontecido no ano anterior. E que parece bastante razoável diante das lembranças do vice campeonato de 2023, dos esquemas táticos que adotou para surpreender adversários considerados mais fortes e dos inúmeros casos de desenvolvimento de peças pouco -- ou nada, na maioria das vezes -- badaladas.
Além de fazer a defesa voltar a ser uma força da equipe, Spoelstra tem alguns outros desafios na busca de fazer o Heat competir em alto nível no Leste. Tyler Herro vai ser usado como titular ou sexto homem? Se estiver no quinteto principal, como será a distribuição do controle de bola entre ele, Jimmy Butler e Terry Rozier? Se for para o banco, a vaga que se abre ficará mesmo com Duncan Robinson? Se sim, qual versão dele veremos em quadra: o arremessador instável e de confiança abalada ou aquela espécie de cosplay de Klay Thompson nos tempos áureos? Nikola Jovic está pronto para assumir a titularidade de vez? E que espaço Jaime Jaquez Jr terá depois de um ótimo ano de calouro?
São muitas questões. Olhando para o elenco do Heat e para as características dos jogadores à disposição, constata-se uma certa situação espinhosa em termos de encaixe. Mas saber que Spoelstra estará no comando acaba atraindo um voto de confiança que possivelmente não existiria se fosse outro treinador.
Um medo
A ideia que abastecia o rumor sobre uma possível negociação envolvendo Jimmy Butler era aproveitar enquanto ele tem ainda algum valor de mercado para tentar receber bons ativos em troca. Não aconteceu, pelo menos até agora. Parece mesmo que o camisa 22 vai entrar em quadra pelo Heat. Assim, seria importantíssimo que todo o papo dele sobre chegar extramente motivado para jogar seja colocado em prática.
Butler completou recentemente 35 anos e já tem começado a sofrer com lesões. Se aquilo que se viu na temporada passada for, na verdade, o início de uma decadência, o Heat terá em mãos um jogador com salário altíssimo e um valor de troca consideravelmente menor do que tinha meses atrás. O que, obviamente, atrapalha os planos.
Claro que, no caso de Butler exercer a cláusula do último ano do atual contrato e permanecer até 2026, o Heat poderia esperar mais um pouco e vê-lo sair de graça para ter um refresco na folha salarial. Mas não parece ser o caminho mais sedutor para quem, ao que tudo indica, não está disposto a abandonar de vez a briga pelo topo do Leste em um futuro próximo.
O cara
Jimmy Butler foi o cestinha do time na temporada passada, com média de 20,8 pontos por jogo. Teve ainda 5,3 rebotes e 5,0 assistências por partida, acertando surpreendentes 41% nas bolas de três pontos -- algo pelo qual nunca passou perto de ser um especialista ao longo da carreira. Nas estatísticas avançadas, o índice do ala em PER (cálculo que busca medir a eficiência de um jogador em quadra) foi de 22,0, o maior de todo o elenco. Toda essa produção se deu ao mesmo tempo em que a defesa manteve-se em bom nível.
Mas é importante apontar que quem representou o Heat no último All-Star Game foi outro jogador: Bam Adebayo, dono de 19,3 pontos, 10,4 rebotes e 3,9 assistências por jogo durante o ano passado. É curioso notar também que o pivô teve um número de finalizações por partida até maior que Butler, o que sugere um nível de confiança crescente nele.
O que esses números não mostram é a inteligência para se movimentar sem bola no ataque para ajudar os companheiros e a maestria para defender a cesta. Não seria um grande choque se estivermos testemunhando uma passagem de bastão em termos de liderança dentro de quadra em Miami.
Também vale a pena ficar de olho
O quebra-cabeças nas posições um e dois pode virar uma novela em Miami.
Terry Rozier chegou no meio da temporada passada e acabou dividindo a quadra com Tyler Herro por apenas 187 minutos. Os resultados não foram animadores, mas a amostragem também é pequena. Será que Erick Spoelstra vai separá-los ou insistir mais um pouco com a experiência?
Herro, vale lembrar, foi limitado por lesões a apenas 42 jogos disputados. Nas vezes em que entrou em quadra, teve a mesma média de pontos por partida que Jimmy Butler (20,8) e concentrou mais finalizações. Em outras palavras: quando conseguiu atuar, foi ele o principal definidor do time.
Se Spoelstra entender que é melhor separar essa dupla, provavelmente isso vai significar a entrada de Duncan Robinson, que tem características mais amigáveis para o que o resto da equipe precisa: movimenta-se bastante sem bola e ajuda a abrir espaços nas defesas rivais com arremessos de três.
E quem ficaria com ele? Herro tem um perfil mais arremessador, Rozier parece se sentir um pouco mais confortável atacando a cesta.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
3 (médio) - não dá para desconsiderar o potencial de competitividade de um time comandado por Erick Spoelstra, sobretudo quando os playoffs chegarem. Mas, na temporada regular, o histórico recente mostra que o Heat não costuma ser tão divertido e empolgante.
Palpite para a temporada 2024/25 do Heat
No cenário mais otimista: faz uma temporada regular muito mais consistente do que as duas últimas, conquista vaga direta nos playoffs e só é eliminado quando encontrar o Boston Celtics, seja na fase que for. Mas não sem antes mostrar resistência e colocar alguns pontos de interrogação na cabeça dos atuais campeões.
No cenário mais pessimista: bate de novo no play-in, mas desta vez perde o último jogo e fica fora dos playoffs.
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