A 30 dias do início de mais uma temporada da NBA, o ESPN.com.br dá início a uma série de textos para apresentar cada um dos 30 times e deixar o fã de esporte por dentro do que pode vir por aí na melhor liga de basquete do mundo.
A programação vai seguir uma ordem crescente de forças em relação ao que se viu na temporada anterior. Ou seja: terminará com o Boston Celtics, que conquistou o título, e começa com o time que teve a pior campanha da liga: o Detroit Pistons.
Como foram os Pistons na última temporada
Campanha: 14 vitórias e 68 derrotas
Classificação: 15º lugar na Conferência Leste
O que aconteceu: foi a pior campanha dos Pistons em quase oito décadas de história. Muito desse feito passou pela série de 28 derrotas consecutivas que o time atravessou na reta final de 2023, maior período sem vitórias já registrado na NBA em todos os tempos. Muitas trocas e experiências foram feitas no elenco, mas nada pareceu funcionar.
O elenco dos Pistons para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Ron Holland (ala, 5ª escolha), Bobi Klintman (ala-pivô, 37ª escolha)
Quem mais chegou: Tobias Harris (ala, Philadelphia 76ers) Daniss Jenkins (armador, sem time), Wendell Moore Jr (ala-armador, Minnesota Timberwolves)
Quem foi embora: Quentin Grimes (armador, Dallas Mavericks), Malachi Flynn (armador, San Antonio Spurs), Evan Fournier (ala-armador, Olympiacos/Grécia), Taj Gibson (ala-pivô, Charlotte Hornets), Chimezie Metu (ala-pivô, Barcelona/Espanha), James Wiseman (pivô, Indiana Pacers), Jared Rhoden (ala-armador, Toronto Raptors) e Troy Brown Jr (ala, sem time).
Provável time titular: Cade Cunningham, Jaden Ivey, Ausar Thompson, Tobias Harris e Jalen Duren
Reservas: Marcus Sasser, Daniss Jenkins (armadores), Tim Hardaway Jr, Malik Beasley, Wendell Moore Jr (alas-armadores), Ron Holland, Simone Fontecchio, Tosan Evbuomwan (alas), Paul Reed, Bobi Klintman (alas-pivôs) e Isaiah Stewart (pivô)
Técnico: J.B. Bickerstaff
O clima para a temporada
Depois da pior campanha da história, sobrou para o técnico. Monty Williams foi demitido um ano depois de ter chegado, mesmo tendo ainda mais cinco anos de contrato pela frente. O substituto é J.B. Bickerstaff, que chega depois de dois anos levando o Cleveland Cavaliers para os playoffs. A grande missão dele é desenvolver os jovens jogadores do elenco e construir um ambiente que favoreça um nível de competitividade mais alto.
Em cada uma das últimas cinco temporadas, os Pistons não conseguiram vencer mais do que 23 jogos. É uma situação que demanda um certo nível de urgência, que não permite mais iniciar um novo campeonato já pensando em acumular derrotas para concorrer à primeira escolha do Draft seguinte.
O que também não quer dizer que exista perspectiva de brigar lá em cima e sonhar alto, é claro. Competir mais, desenvolver os jovens, criar uma identidade enquanto time e conseguir estabelecer uma fundação para o futuro seriam grandes conquistas e acabariam rendendo mais vitórias do que nos últimos anos. Mas não o bastante para sonhar em fazer mais do que 82 partidas na temporada.
Abre aspas
“Se o seu time não tiver uma base defensiva forte, ele vai ter dificuldades para dar passos na direção em que você deseja levá-lo. Você pode falar o quanto quiser sobre sistema ofensivo, mas quando olhar para as equipes de elite da liga, vai encontrar jogadores que entregam rendimento nos dois lados da quadra e caras que se orgulham em defender a cesta.”
Foi o que disse o técnico J.B. Bickerstaff, logo em seus primeiros dias à frente dos Pistons, já com uma ideia sobre o que deseja ver para comandar uma evolução da equipe. A média de 118,0 pontos sofridos a cada 100 posses de bola representaram a sexta pior eficiência defensiva da temporada passada.
Uma esperança
Se a defesa dos Pistons realmente não funcionou na última temporada, o ataque foi ainda pior. A equipe teve a quarta pior eficiência ofensiva, com média de 109,0 pontos anotados a cada 100 posses de bola. Os arremessos foram pouco eficientes, com um volume muito concentrado em tiros de média distância e aproveitamento fraco na linha de três.
Uma evolução no aproveitamento destes chutes de longe seria crucial para destravar esse ataque e fazê-lo render bem mais. Seja pelo desenvolvimento dos jovens, seja pela ajuda de alguns veteranos que chegaram. Cade Cunningham certamente agradeceria bastante se encontrasse mais espaços em quadra com a bola nas mãos.
Um medo
Ausar Thompson já deixou claro que é um defensor de elite, mas apresenta sérias limitações como arremessador. Jaden Ivey e Jalen Duren, que estão há mais tempo entre os profissionais, ainda não deram um grande salto em seus processos de evolução. Se ficar claro que esses jovens não têm mesmo mais muito para onde crescerem, então o Pistons terá um grande problema nas mãos.
O cara
Cade Cunningham é, sem dúvida, o maior talento do elenco. Foram 22,7 pontos, 7,5 assistências e 4,3 rebotes por jogo na temporada passada, com aproveitamento de 35,5% nos chutes de três. O rendimento foi ainda mais impressionante depois da pausa para o All-Star Game, em fevereiro.
O armador tem lido cada vez melhor as defesas adversárias, usando isso a favor dos dribles, e deu sinais de que pode se consolidar como um bom arremessador. Acompanhar o desenvolvimento dessa história vai ser interessante.
Também vale a pena ficar de olho
Simone Fontecchio chegou na reta final da temporada passada e deixou boa impressão. Jogou pouco, é verdade, mas teve média de 15,0 pontos por partida e aproveitamento de 43% nas bolas de três. Não é difícil entender por que os Pistons logo trataram de renovar o contrato dele. A combinação de arremesso, movimentação sem bola e até de bom potencial defensivo pode torná-lo uma peça estratégica na busca do técnico J.B. Bickerstaff pela melhor formação do time.
Quem também merece menção aqui é Tobias Harris, que volta para uma segunda passagem por Detroit depois de não ter deixado saudade nenhuma no Philadelphia 76ers. Acontece que a pressão em cima dele agora será bem menor. É difícil imaginar que alguém esteja esperando o desabrochar de um “all-star”. Se ele simplesmente funcionar como um bom apoio para Cade Cunningham, acertar arremessos sem marcação e ajudar os jovens, já será uma adição bem vinda.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
2 (baixo) - Há grandes chances de esse time continuar sendo um dos piores da NBA. Mas existe o fator Cade Cunningham, que impede que essa nota seja menor. Vez ou outra, vai valer a pena separar uns minutos para prestar atenção no que o armador estiver fazendo em quadra. Principalmente se quem estiver ao redor for capaz de acertar bolas de três pontos em um ritmo um pouco mais consistente.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Pistons
No cenário mais otimista: Cade Cunningham vira candidato à vaga no All-Star Game, o time passa a defender um pouco melhor e a acertar mais bolas de longa distância, alcança a casa das 30 vitórias e chega a sonhar com um lugar no play-in.
No cenário mais pessimista: os jovens não apresentam tanta evolução, os jogadores mais veteranos ajudam pouco, a campanha bate novamente na casa das 60 derrotas, e o Pistons passa mais um ano sem mostrar qualquer perspectiva de futuro melhor.
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