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27 dias para a NBA: Charlotte Hornets sonha com recuperação de LaMelo Ball para voltar a ser competitivo

Charlotte Hornets contam com LaMelo Ball para ter dias melhores na NBA Matt Kelley/Getty Images com Arte ESPN

O Charlotte Hornets chega para a temporada 2024/25 da NBA com um novo treinador. Há também muita expectativa em torno do segundo ano de Brandon Miller, que chamou a atenção como novato. Mas nada parece tão determinante para os rumos que esse time pode tomar, pelo menos a curto prazo, do que o estado físico de LaMelo Ball. Será que o armador vai superar as lesões e voltar a ser um “all-star”?

Como foram os Hornets na última temporada

  • Campanha: 21 vitórias e 61 derrotas

  • Classificação: 13º lugar na Conferência Leste

  • O que aconteceu: a exemplo do que já tinha acontecido no ano anterior, LaMelo Ball passou mais tempo lesionado do que à disposição. E não foi só ele. O departamento médico esteve bastante movimentado, o que atrapalhou bastante a missão do então treinador Steve Clifford de dar algum padrão à equipe. Diante desse cenário, não chega a surpreender que os Hornets tenham tido o terceiro ataque menos eficiente e a segunda pior defesa da liga. Mas nem tudo foi desastre: Brandon Miller teve um ótimo ano de calouro e parece ter um futuro intrigante.

O elenco dos Hornets para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Tidjane Salaun (ala-pivô, 6ª escolha) e KJ Simpson (armador, 42ª escolha)

  • Quem mais chegou: Josh Green (ala-armador, Dallas Mavericks), Taj Gibson (ala-pivô, Detroit Pistons), Keyontae Johnson (ala, Oklahoma City Thunder), Harry Gilles (pivô, Los Angeles Lakers), Moussa Diabaté (pivô, Los Angeles Clippers), Caleb McConnell (ala-armador, sem time) e Marcus Garrett (ala-armador, sem time)

  • Quem foi embora: Amari Bailey (armador, Brooklyn Nets), Bryce McGowens (ala-armador, Portland Trail Blazers), JT Thor (ala-pivô, Cleveland Cavaliers), Davis Bertans (ala-pivô, Dubai/Emirados Árebes), Aleksej Pokusevski (ala, Partizan Mozzart Bet/Sérvia), Theo Maledon (armador, LDLC Asvel/França), Marques Bolden (pivô, sem time), James Bouknight (ala-armador, sem time) e Leaky Black (ala, sem time)

  • Provável time titular: LaMelo Ball, Josh Green, Miles Bridges, Brandon Miller e Mark Williams

  • Reservas: Seth Curry, Tre Mann, KJ Simpson, Vasilije Micic (armadores), Marcus Garrett, Nick Smith JR, Caleb McConnell (alas-armadores), Grant Williams, Cody Martin, Keyontae Johnson (alas), Tidjane Salaun, Taj Gibson (alas-pivôs), Harry Gilles, Moussa Diabaté e Nick Richards (pivô).

  • Técnico: Charles Lee

O clima para a temporada

A grande novidade dos Hornets na offseason foi a troca no comando. Steve Clifford deu lugar a Charles Lee, que foi assistente técnico do campeão Boston Celtics e chega agora para sua primeira experiência como treinador principal de uma equipe. Jeff Peterson, gerente-geral da equipe, diz que a conversa na entrevista de emprego foi extremamente animadora em termos de ideias para tirar o melhor do grupo de jogadores à disposição.

A sexta escolha do Draft foi usada para uma aposta a médio/longo prazo: o ala-pivô francês Tidjane Salaun. Josh Green veio de Dallas para oferecer boa defesa e chutes de três pontos, combinação que pode fazê-lo ganhar um lugar entre os titulares.

Mas quem deverá determinar até onde esse time terá sucesso são os jogadores que já estavam lá. LaMelo Ball já foi all-star e Mark Williams tem enorme potencial defensivo, mas ambos jogaram muito pouco na temporada passada. Será que as lesões vão permitir uma maior contribuição deles?

Abre aspas

"Ele definitivamente traz consigo um currículo pesado, de muito respeito. Porque ele sabe o que é preciso ser feito para se chegar a um título. Ele participou de dois recentemente. Teve impacto direto no desenvolvimento e no estilo de jogo destas equipes e trabalhou de perto com vários jogadores especiais. Vai poder ajudar demais agora gente como LaMelo Ball e Brandon Miller, que estão tentando se tornar jogadores especiais também."

Foi isso o que o ala Grant Williams disse sobre Charles Lee, novo treinador dos Hornets. Ele chegou para substituir Steve Clifford no cargo poucos dias depois de ter ajudado o Boston Celtics a conquistar o título, como integrante da comissão técnica. Três anos antes, fez o mesmo com o Milwaukee Bucks.

Uma esperança

Charles Lee chegou para comandar esse time depois de ter construído a reputação de ser um dos melhores assistentes técnicos da NBA. Pelo o que foi falado até agora por parte de quem decidiu contratá-lo, parece se tratar de alguém cheio de ideias interessantes. Seria ótimo para os Hornets se boa parte delas funcionassem.

O que isso poderia significar na prática? Talvez uma evolução considerável do sistema ofensivo com um LaMelo Ball revitalizado, em condições de potencializar as suas virtudes. Mas também o desenvolvimento de outras peças, ao ponto que o time não se encontraria totalmente perdido caso o armador não consiga deixar as lesões totalmente para trás.

Um medo

Não tem muito como fugir: o maior medo dos Hornets é que o tornozelo direito de LaMelo Ball não deixe de atormentá-lo daqui para frente. Seria muito doloroso se isso acontecesse com alguém que foi escolhido em uma posição tão alta do Draft, chegou a ser all-star e tanto empolgou em seus melhores momentos.

Mas esse temos fica ainda maior diante de uma outra questão: o contrato do armador. Ball tem acordo com os Hornets até o final da temporada 2028/29, ano em que receberá cerca de US$ 46 milhões.

Por enquanto, não chega a ser um problema tão grande porque a folha salarial da equipe ainda não é das mais maiores da liga e não está longe do teto. Mas pode vir a ser pelos próximos cinco anos se ele não conseguir voltar a jogar com regularidade. Neste caso, o contrato dele viraria um peso gigantesco e deixaria a diretoria bastante engessada para fazer movimentações de elenco.

O cara

LaMelo Ball teve médias de 23,9 pontos, 8,1 assistências, 5,1 rebotes e 1,8 roubo de bola por jogo na temporada passada. São números que chamam a atenção e que o pintam como referência ofensiva deste time. O problema é que essa produção toda se deu em apenas 22 partidas.

Em 2022, aos 20 anos de idade, foi selecionado para o All-Star Game. Um justo reconhecimento em uma temporada na qual liderou os Hornets a 43 vitórias e uma vaga no play-in. Mas as seguidas lesões no tornozelo direito o fizeram disputar apenas 58 dos 162 jogos nos dois últimos campeonatos somados.

Com base no que já mostrou, não há muita dúvida de que Ball é o líder técnico desta equipe, além de um dos jogadores mais empolgantes se de assistir quando tem a bola nas mãos. Mas diante dos acontecimentos recentes, é justo questionar se voltaremos a ver esse mesmo jogador com frequência.

Também vale a pena ficar de olho

Segunda escolha do Draft de 2023, Brandon Miller foi uma das poucas boas notícias para o Hornets na temporada passada. Titular em 68 das 74 partidas que disputou, o ala teve médias de 17,3 pontos por jogo, além de 4,3 rebotes e 2,4 assistências. Foi o bastante para deixá-lo em terceiro lugar na corrida pelo prêmio de melhor novato — atrás de Victor Wembanyana (San Antonio Spurs) e Chet Holmgren (Oklahoma City Thunder).

O aproveitamento de 37% nas bolas de três talvez não o coloque ainda entre os mais brilhantes no quesito, mas é bom o bastante para despertar preocupações das defesas rivais, que certamente não vão querer deixá-lo com espaço para finalizar. Há margem para melhora nisso, claro.

Mas também vale acompanhar o comportamento dele na média distância. Miller chutou bastante dessa região em seu ano de novato. Arremessos do tipo não são muito bem vistos por quem analisa as estatísticas avançadas — tendo em vista que o grau de dificuldade é semelhante ao de um tiro de três, mas valendo um ponto a menos. Podem até valer a pena em casos de desempenho muito fora da curva, o que definitivamente não foi o caso de Miller. Portanto, selecionar melhor as finalizações, especialmente para quem tem bom chute de três e capacidade atlética para entrar mais no garrafão, seria uma correção muito bem-vinda.

É justo também citar Mark Williams por aqui. O pivô é mais um jovem do elenco dos Hornets que tem sido assombrado por lesões. Se estiver recuperado daquela que o afastou da última temporada, tem tudo para retomar o nível que vinha apresentando, dando pinta de ser um ótimo reboteiro e um defensor de enorme potencial.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

3 (médio) - LaMelo Ball já se mostrou capaz de levar muito entretenimento a quem decide vê-lo em quadra. Para isso, é claro, ele precisa ter condições de atuar. Com força máxima, considerando ainda o que fez Brandon Miller como novato, dá para ter boas expectativas com os Hornets em termos de diversão ao longo da temporada.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Hornets

No cenário mais otimista: sem grandes problemas com lesões envolvendo os principais jogadores, o time consegue passar da marca das 30 vitórias e consegue beliscar uma vaga no play-in.

No cenário mais pessimista: novamente um ano recheado de lesões e reforçando dúvidas sobre a durabilidade de LaMelo Ball, Brandon Miller dá uma estagnada depois de um bom primeiro ano, Cherles Lee se vê forçado a fazer muito mais experiências do que gostaria, e o time bate de novo na casa das 60 derrotas.

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