Depois de uma campanha decepcionante, o Atlanta Hawks tomou algumas decisões importantes para tentar voltar aos playoffs da NBA na temporada 2024/25. A primeira foi trocar Dejounte Murray, separando uma dupla de armação com Trae Young que não funcionou como se imaginava. A outra foi usar a escolha número 1 do Draft para selecionar Zaccharie Risacher, francês de 19 anos. Será o bastante para corrigir a rota e recolocar o time nos trilhos?
Como foram os Hawks na última temporada
Campanha: 36 vitórias e 46 derrotas
Classificação: 10º lugar na Conferência Leste; derrotado no play-in pelo Chicago Bulls
O que aconteceu: os Hawks decidiram manter a aposta na dupla Dejounte Murray e Trae Young por mais um ano, na esperança de que os dois finalmente encontrassem o melhor encaixe dentro de quadra e alavancassem o time. Não foi o que aconteceu. As vitórias aconteceram em um ritmo menor do que na temporada anterior, o que resultou em campanha bem abaixo dos 50% de aproveitamento. Ainda assim, pintou uma vaga no play-in, mas não demorou muito para a eliminação acontecer. A única grande notícia veio na loteria do Draft, que garantiu o direito à primeira escolha.
O elenco dos Hawks para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Zaccharie Risacher (ala, 1ª escolha)
Quem mais chegou: Cody Zeller (pivô, New Orleans Pelicans), Dyson Daniels (armador, New Orleans Pelicans), Larry Nance Jr. (ala-pivô, New Orleans Pelicans), David Roddy (ala, Phoenix Suns), Kevon Harris (ala-armador, Orlando Magic), Keaton Wallace (armador, sem time) e Daeqwon Plowden (ala-armador, G-League)
Quem foi embora: Dejounte Murray (ala-armador, New Orleans Pelicans), Saddiq Bey (ala, Washington Wizards), Bruno Fernando (pivô, Toronto Raptors), Wesley Matthews (ala-armador, sem time), Trent Forrest (armador, Baskonia/Espanha), AJ Griffin (ala, sem time) e Dylan Windler (ala, Perth Wildcats/Austrália)
Provável time titular: Trae Young, Bogdan Bogdanovic, Zaccharie Risacher, Jalen Johnson e Clint Capela
Reservas: Dyson Daniels, Vit Krejci, Keaton Wallace (armadores), Garrison Mathews, Kevon Harris, Kobe Bufkin, Daegwon Plowden (alas-armadores), De’Andre Hunter, David Roddy, Seth Lundy, Dominick Barlow (alas), Larry Nance Jr, Mouhamed Gueye (alas-pivôs), Onyeka Okongwu e Cody Zeller (pivôs)
Técnico: Quin Snyder
O clima para a temporada
Após uma temporada decepcionante, a offseason começou com a separação da dupla de armadores. Trae Young foi o escolhido para ficar. Sobrou para Dejounte Murray, enviado ao New Orleans Pelicans em troca de um pacote que incluiu o ala-pivô Larry Nance Jr, o armador Dyson Daniels e duas escolhas futuras de primeira rodada de Draft. Nas palavras de Landry Fields, gerente-geral dos Hawks, ficou evidente que o elenco precisava mesmo passar por mudanças.
Teve também a primeira escolha do Draft. Algo que nunca é má notícia para ninguém, é claro, mas que apareceu para os Hawks justamente em um ano no qual os especialistas em calouros julgavam que havia apostas demais e que não havia um claro favorito a essa primeira posição. O selecionado foi o ala Zaccharie Risacher, jovem francês que tem uma interessante combinação de tamanho e agilidade e que mostra algum potencial como arremessador.
Talvez Risacher nem tenha nível ainda para ser titular na NBA, mas também não faria sentido gastar uma primeira escolha de Draft com um reserva. Se tomou a decisão de selecioná-lo, então os Hawks vão usá-lo e muito. Mas só dar minutos não vai bastar. Será necessário também decifrar em que posição e em volta de quais outros jogadores Risacher é capaz de render melhor.
A lista de dúvidas no elenco não para por aí. Gente como De'Andre Hunter e Onyeka Okongwu também serão avaliados para se entender quais outras mudanças podem ser feitas no grupo à disposição de Quin Snyder. Apesar desse cenário, o que jogadores, comissão técnica e diretoria dos Hawks colocam como foco para a temporada é voltar aos playoffs. Algo que não deverá ser fácil, especialmente diante desse desafio de decifrar tantos encaixes.
Abre aspas
"Eu não jogo basquete só por jogar. Meu objetivo é vencer. Em todas as vezes que entramos em quadra, sinto que somos capazes de fazer isso. Quero que as coisas sejam melhores do que na última temporada. Ficamos fora dos playoffs no ano passado. Precisamos voltar. Independentemente de como as pessoas olhem para nosso time, sinto que nós temos de estar lá. É meu trabalho fazer tudo o que estiver ao meu alcance e levantar os meus companheiros o máximo que puder para garantir que estejamos prontos para cada uma das partidas que fomos disputar."
A declaração, que combina doses generosas de otimismos com uma certa cobrança e um senso de liderança sobre o elenco, é do armador Trae Young.
Uma esperança
A evolução de Jalen Johnson tem sido vista com muita empolgação dentro dos Hawks. Na temporada passada, sua terceira na liga, ele teve médias de 16,0 pontos, 8,7 rebotes, 3,6 assistências e 1,2 roubo de bola por jogo, com aproveitamento de 51% nas finalizações em geral e 35% nas bolas de três.
Praticamente tudo no ataque dele melhorou: as infiltrações, os arremessos, a visão de jogo, as tomadas de decisão com a bola nas mãos, os passes e a defesa. Mas talvez o grande salto tenha sido dado no outro lado da quadra: na defesa, onde se mostra inteligente e bem versátil.
Mais do que uma notícia animadora em meio a uma temporada que deixou um gosto amargo para o torcedor dos Hawks, esse ritmo de evolução ao longo dos últimos anos faz de Johnson uma esperança para o futuro da equipe. Há até quem veja potencial nele para um dia virar all-star. Se vai chegar a tanto, só o tempo dirá. Mas, com base no que vem apresentando, já aparece como uma boa história de se acompanhar.
E não há como deixar de mencionar aqui Zaccharie Risacher. Por mais que a safra de calouros deste ano não tenha empolgado os especialistas e que nenhum desponte como uma certeza de futura estrela, nenhum time escolhe alguém na primeira posição do Draft sem esperança. O francês tem uma boa combinação de tamanho e mobilidade, e os olheiros que o acompanharam de perto veem potencial no arremesso e na defesa.
Um medo
Existe um nível considerável de pressão em cima dos Hawks. Como resultado da troca que fez com o San Antonio Spurs em 2022 pelos serviços de Dejounte Murray, o time não terá escolhas próprias de primeira rodada de Draft pelos próximos três anos.
Em outras palavras, o “tank” não é um caminho possível. É como se os Hawks precisassem dar certo do jeito que estão. Qualquer subida de patamar terá de ser feita a partir das peças que hoje se encontram no elenco -- seja pelas contribuições dentro de quadra, seja como moedas de troca.
Mas se as coisas não funcionarem, o problema será enorme. Porque qualquer reconstrução fica muito mais complicada de se fazer sem escolhas de primeira rodada de Draft por tanto tempo.
O cara
Desde que chegou à NBA, em 2018, Trae Young é a peça central dos Hawks. Na temporada passada, limitado por algumas lesões, disputou somente 54 partidas. Teve médias por jogo de 25,7 pontos, 10,8 assistências (melhor marca da carreira), 2,8 rebotes e 1,3 roubo de bola (também melhor marca da carreira). Acabou disputando o All-Star Game pela terceira vez.
Alguns dados relacionados às bolas de três pontos chamaram a atenção na temporada de Young. O aproveitamento geral foi de 37,3%, segunda melhor marca dele em seis anos de NBA e que mostra uma boa recuperação depois dos 33,5% do campeonato anterior. Além disso, o volume desses tiros de longe nunca foi tão alto: representaram 46,5% de todas as suas finalizações.
Em outras palavras: Young chutou mais e melhor de trás da linha dos três pontos. Tudo isso enquanto estabelecia um recorde pessoal de assistências por partida. É um cenário que deixa claro o quanto ele é capaz de punir os espaços que as defesas adversárias eventualmente abrem.
Os desafios para ele agora passam por fazer esse tipo de desempenho vir acompanhado de maior consistência e, principalmente, pela defesa. Ninguém espera que Young se torne um marcador de elite, mas qualquer melhora em relação ao que se vê hoje já ajudaria consideravelmente.
Também vale a pena ficar de olho
O sistema ofensivo dos Hawks ficou em 12º lugar no ranking dos mais eficientes da temporada passada. Não chega a ser uma posição de elite, mas está acima da média, superior a vários outros times que tiveram campanhas melhores. Pode ser visto tranquilamente com bons olhos.
O problema foi o que aconteceu no outro lado da quadra. A média de 118,4 pontos tomados a cada 100 posses de bola fez dos Hawks a quarta pior defesa da liga.
Por mais sabidas que sejam as limitações defensivas de Trae Young à essa altura da vida, não seria justo atribuir todo o caos apenas a ele. Não chega a ser raro de se ver na NBA times que conseguem, de algum jeito, desenvolver uma defesa arrumada o bastante para esconder as deficiências de jogadores desse tipo.
É isso o que os Hawks vão precisar fazer. Do contrário, vai ficar bem mais complicado transformar em realidade o objetivo de voltar aos playoffs.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
3 (médio) - Mesmo que os Hawks não deslanchem, algum grau de entretenimento sempre existe quando Trae Young está em quadra. Além disso, todo time que coloca uma primeira escolha de Draft para jogar acaba desperando uma curiosidade natural.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Hawks
No cenário mais otimista: Risacher se mostra mais pronto do que se imaginava, Jalen Johnson oferece mais ajuda a Trae Young, a campanha passa da marca das 40 vitórias e os Hawks beliscam uma das últimas vagas nos playoffs do Leste, depois de passarem pelo play-in.
No cenário mais pessimista: as experiências com as peças do elenco não se mostram muito claras, o time não consegue render melhor do que na temporada passada e fica fora até mesmo do play-in.
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