O Houston Rockets chega para a temporada 2024/25 da NBA com praticamente o mesmo elenco que terminou a anterior. Depois de quase beliscar uma vaga no play-in em uma Conferência Oeste tão acirrada, como serão os próximos passos desta equipe?
Como foram os Rockets na última temporada
Campanha: 41 vitórias e 41 derrotas
Classificação: 11º lugar na Conferência Oeste
O que aconteceu: a aposta em jogadores mais rodados, como Fred VanVleet e Dillon Brooks, para encorpar um elenco recheado de gente inexperiente deu certo. Os Rockets tiveram um salto de qualidade e alcançaram 41 vitórias — 19 a mais em relação à temporada anterior. O grande momento veio na série invicta de 11 partidas, já na reta final da fase de classificação. Assim, alimentou-se a esperança de vaga no play-in. Não deu, mas foi por bem pouco.
O elenco dos Nets para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Reed Sheppard (armador, 3ª escolha)
Quem mais chegou: Jack McVeigh (ala-pivô, Tasmania JackJumpers/Austrália) e N’Faly Dante (pivô, sem time)
Quem foi embora: Boban Marjanovic (pivô, Fenerbahce/Turquia) e Reggie Bullock (ala, sem time)
Provável time titular: Fred VanVleet, Jalen Green, Dillon Brooks, Jabari Smith Jr e Alperen Sengun
Reservas: Reed Sheppard e Aaron Holiday (armadores), Nate Hinton, Jeenathan Williams (alas-armadores), Amen Thompson, Cam Whitmore, Jae’Sean Tate, Tari Eason, Jermaine Samuels (alas), Jeff Green, Jack McVeigh (alas-pivôs), Steven Adams, Jock Landale e N’Faly Dante (pivôs)
Técnico: Ime Udoka
O clima para a temporada
Continuidade foi a palavra de ordem para a direção dos Rockets na preparação para a temporada 2024/25. Com exceção da chegada do armador Reed Sheppard, terceira escolha do Draft, o elenco é praticamente o mesmo do último campeonato.
As 41 vitórias foram uma melhora e tanto em relação ao ano anterior e quase renderam uma vaga no play-in. A briga com o Golden State Warriors pelo 10° lugar do Oeste foi boa e deixou uma sensação de que as coisas estão caminhando em um ritmo satisfatório.
Agora o desafio para esse elenco é chegar a um nível ainda mais alto. Não será fácil, considerando o volume de equipes no Oeste capazes de lutar por playoffs. Transformar o sistema ofensivo em uma força consistente ajudaria bastante essa difícil missão. As melhores versões de Alperen Sengun e Jalen Green serem capazes de aparecerem ao mesmo tempo, também.
Abre aspas
"Jogar os playoffs é a nossa meta. Já era no ano passado e nós falhamos em alcançá-la."
A declaração é do técnico Ime Udoka, que aparentemente não compartilha do sentimento de que a temporada passada do Rockets foi positiva.
Uma esperança
Apesar de algumas das principais peças do elenco serem ainda jovens e com certas limitações defensivas, os Rockets conseguiram entregar um ótimo trabalho ao longo do último ano no que diz respeito a conter os ataques rivais. A média de 112,8 pontos sofridos a cada 100 posses de bola fez da defesa a 10ª mais eficiente da liga na temporada passada.
Trata-se de um feito e tanto do técnico Ime Udoka em seu primeiro ano à frente desta equipe. Os Rockets têm ainda um quebra-cabeça para continuar sendo resolvido em relação ao ataque, que ficou apenas no 20° lugar no ranking dos mais eficientes. Mas saber que o sistema defensivo já funciona é um grande alento para seguir o processo.
Um medo
Fred VanVleet, Jalen Green, Dillon Brooks, Jabari Smith Jr e Alperen Sengun ficaram juntos em quadra por 754 minutos durante a temporada passada. Foi o terceiro quinteto mais utilizado da liga. Resultado: fizeram, em média, 112,2 pontos a cada 100 posses de bola e sofreram 111,7. Saldo de 0,5 ponto, portanto.
O segundo quinteto que os Rockets mais utilizaram no ano teve Amen Thompson no lugar de Sengun. Foram 183 minutos ao todo, sendo a maior parte durante a reta final da campanha, quando o pivô turco foi desfalque por lesão. E o resultado dessa formação foi mais expressivo: saldo de 4,8 pontos a cada 100 posses de bola.
Para além destes números, o que chamou a atenção na utilização deste segundo quinteto foi a mudança em torno de Jalen Green. O ala-armador pareceu mais confiante, atacando a cesta com maior agressividade, sem hesitação, e acertando arremessos de longe.
É sinal de que necessariamente Sengun e Green não conseguem fazer suas melhores versões existirem ao mesmo tempo? Não. A amostragem do segundo quinteto mais usado pelos Rockets na temporada passada é bem menor que a do primeiro, que foi testado diante de uma quantidade de adversários maior.
Também não se pode descartar a hipótese de que esse salto de Green foi consequência de um desenvolvimento natural. Ou seja: apareceria de qualquer forma. Mas o alerta é válido. Não há dúvidas de que Sengun é ótimo, cheio de características que o tornam um pivô peculiar e com boas chances de virar all-star. Mas seria uma grande dor de cabeça para os Rockets se ficasse claro que o time funciona melhor sem ele.
O cara
Na temporada passada, sua terceira na NBA, Alperen Sengun teve médias de 21,1 pontos, 9,3 rebotes e 5,0 assistências por partida. O nível das atuações chamou tanto a atenção que houve até quem defendesse uma convocação para o All-Star Game em 2024. Não aconteceu, mas ele deixou a impressão de não estar muito longe disso.
A defesa dele, apesar de ter mostrado alguns flashes de melhora, ainda é um aspecto que não inspira tanta confiança. Sobretudo quando se vê envolvidos pelos oponentes em jogadas de “pick and roll”.
Mas, no ataque, Sengun tem brilhado. É um ótimo alvo para receber os passes de Fred VanVleet e pontuar perto da cesta. Funciona também como um segundo articulador de jogadas, quando recebe a bola um pouco mais afastado da cesta e aciona algum companheiro em melhor condição para finalizar, mostrando o quanto é especial em termos de visão de jogo e passes.
Também vale a pena ficar de olho
Qual Jalen Green os Rockets terão à disposição? O jogador discreto do começo da temporada passada ou o intrigante que se viu na reta final? Mais ainda: essa melhor versão aparecerá nos momentos em que ele dividir a quadra com Alperen Sengun?
Em 19 partidas disputadas na ausência do pivô turco, Green teve médias de 24,3 pontos, 6,9 rebotes e 4,6 assistências por jogo. Números bem superiores aos que registrou na temporada como um todo: 19,6 pontos, 5,2 rebotes e 3,5 assistências.
Mais do que as estatísticas em si, chamou muito a atenção o comportamento de Green. Não só pareceu sem medo para infiltrar e arremessar, como fez tudo com mais qualidade do que antes.
Para o técnico Ime Udoka, o mérito é todo de Green. Segundo o comandante dos Rockets, o ala-armador se beneficiou de algo que ele estabeleceu como meta para o time nas últimas partidas do campeonato: aumentar a velocidade dos ataques e o número de tentativas de bolas de três. Ele disse ainda imaginar que Green e Sengun podem se complementar dentro de quadra. Fica a expectativa para ver se isso vai acontecer.
Pegando o gancho desta série de jogos sem Sengun na reta final da temporada passada, há outros dois jogadores que merecem citação aqui: Cam Whitmore e Amen Thompson. Os dois aproveitaram muito bem os minutos que receberam, especialmente Thompson. Será curioso acompanhar os próximos passos da caminhada da dupla.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
3,5 (médio para alto) - Tem sido cada vez mais interessante acompanhar Alperen Sengun com a bola nas mãos. Só que os Rockets tiveram algumas ótimas atuações ofensivas na temporada passada quando não teve o pivô turco à disposição. Vale a pena ficar de olho em como isso se desenrola.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Nets
No cenário mais otimista: a marca de 41 vitórias é superada e a equipe acaba brigando por uma das vagas diretas nos playoffs do Oeste.
No cenário mais pessimista: o time mostra que bateu no teto mesmo na temporada passada, faz campanha ligeiramente inferior e passa mais um ano sem beliscar nem mesmo uma vaga no play-in.
Veja as análises de todos os times da NBA:
* Clique no escudo para ler
