Campeão da NBA em 2023, o Denver Nuggets viu o sonho do bi terminar na segunda rodada dos playoffs na temporada passada. Nikola Jokic é o atual MVP e segue em altíssimo nível, mas tem ao seu redor cada vez menos remanescentes da campanha do título. Em meio a tantas baixas e apostas para tentar compensá-las, ainda dá para colocar a equipe entre as potências da liga?
Como foram os Nuggets na última temporada
Campanha: 57 vitórias e 25 derrotas
Classificação: 2º lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: eliminação na semifinal de conferência pelo Minnesota Timberwolves por 4 a 3, depois de ter passado pelo Los Angeles Lakers por 4 a 1
O que aconteceu: se defender um título já é difícil para qualquer campeão, para os Nuggets a coisa parecia um pouco mais complicada, diante de algumas baixas no elenco vitorioso de 2023. Ainda assim, o time manteve-se o tempo todo nas cabeças do Oeste. Até dava pinta de que, quando chegassem os playoffs, teria estofo para levar o bi. Mas a caminhada foi interrompida nas semifinais diante de um Minnesota Timberwolves que conseguiu, de algum jeito, impor uma defesa que incomodou Jokic e companhia.
O elenco dos Nuggets para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: DaRon Holmes (ala-pivô, 22ª escolha)
Quem mais chegou:Russell Westbrook (armador, Los Angeles Clippers), Dario Saric (ala-pivô, Golden State Warriors), Trey Alexander (ala-armador, sem time), Jaylin Williams (ala-pivô, sem time), Gabe McGlothan (ala-pivô, sem time), Jahmir Young (armador, sem time), PJ Hall (pivô, sem time) e Spencer Jones (ala, sem time)
Quem foi embora: Kentavious Caldwell-Pope (ala-armador, Orlando Magic), Reggie Jackson (armador, Philadelphia 76ers), Collin Gillespie (armador, Phoenix Suns), Jay Huff (pivô, Memphis Grizzlies), Justin Holiday (ala-armador, sem time) e Braxton Key (ala-pivô, sem time)
Provável time titular: Jamal Murray, Christian Braun, Michael Porter Jr, Aaron Gordon e Nikola Jokic
Reservas: Russell Westbrook, Jahmir Young (armadores), Peyton Watson, Jalen Pickett, Trey Alexander (alas-armadores), Julian Strawther, Spencer Jones (alas), Dario Saric, Hunter Tyson, DaRon Holmes, Vlatko Cancar, Zeke Nnaji, Jaylin Williams, Gabe McGlothan (alas-pivôs), DeAndre Jordan e PJ Hall (pivôs)
Técnico: Michael Malone
O clima para a temporada
Após o sonho do bicampeonato ser desfeito nas semifinais de conferência, os Nuggets entraram na offseason e não demoraram muito para terem uma péssima notícia: a saída de Kentavious Caldwell-Pope, que virou agente livre e optou por assinar contrato com o Orlando Magic.
Para um elenco que já não parecia tão repleto de peças confiáveis na temporada passada, foi especialmente duro perder um titular valioso, acostumado a defender grandes jogadores e a colaborar com bolas de três pontos do outro lado da quadra. O mais provável é que Christian Braun assuma a posição que acabou de vagar. Será que ele vai conseguir render à altura? E com a mesma regularidade? Parece difícil. Não deixa de ser uma aposta alta.
Alguns nomes mais veteranos, como Dario Saric e, principalmente, Russell Westbrook foram contratados no mercado de agentes livres, em uma tentativa de dar um pouco mais de opções para o técnico Michael Malone experimentar ao longo da temporada. O objetivo continua sendo o de brigar pelo título. Mas para conseguir chegar lá será preciso passar por concorrentes do Oeste que estão se reforçando cada vez mais. Será que os Nuggets ainda têm o que é preciso para se sobressaírem em meio aos demais?
Abre aspas
"Não é sobre quem tem as melhores estatísticas, mas de quem vai complementar melhor o resto neste quinteto principal. Já sabemos que temos Nikola Jokic, Aaron Gordon, Michael Porter Jr e Jamal Murray. É um ótimo quarteto. Quem vai se encaixar melhor ao lado destes caras? E quem vai ajudar mais na segunda unidade, vindo do banco? Tanto Christian Braun quanto Julian Strawther terão oportunidades nestas duas situações. Eu não acredito que seja bom simplesmente dar algo a um deles. Quero os caras lutando por algo e fazendo por merecer. A competição é saudável. Sorte a minha, que terei dois jovens jogadores que tornarão a minha decisão muito difícil de ser tomada."
Foi essa a reflexão que o técnico Michael Malone fez sobre a vaga aberta no quinteto principal da equipe depois da saída de Kentavious Caldwell-Pope. Braun foi elogiado pelo comandante, principalmente, pela defesa que entregou na série contra o Minnesota Timberwolves na temporada passada, apesar da eliminação dos Nuggets. Já Strawther ganhou reconhecimento pelos treinos duros que fez por conta própria durante a offseason.
Uma esperança
Esse time foi campeão em 2023. Mais do que isso: não deu muita margem para quem ousou passar pelo caminho. Sabemos que a campanha na temporada passada parou nas semifinais de conferência, diante de um Minnesota Timberwolves que tirou forças para virar depois de estar perdendo a série por 3 a 2. Mas os Nuggets foram o único time que, na fase de classificação, venceram todos os confrontos que fizeram com o Boston Celtics, que acabou com o título.
E se essa queda para os Timberwolves tiver sido apenas uma espécie de acidente de percurso? E se, na verdade, a distância para quem foi mais longe na última temporada não for tão grande assim?
Claro, Bruce Brown foi embora depois do título, Kentavious Caldwell-Pope saiu agora. São duas perdas expressivas, mas os principais jogadores ainda estão lá e Nikola Jokic é o atual MVP. Quem pode garantir que os Nuggets não estão mais no bolo?
Um medo
O quinteto que teve Kentavious Caldwell-Pope ao lado de Nikola Jokic, Aaron Gordon, Michael Porter Jr e Jamal Murray foi o mais usado pelos Nuggets na temporada passada. Em 958 minutos, produziu eficiência ofensiva de 125,9 pontos e teve 112,3 pontos de eficiência defensiva. O que representa um saldo de 13,6 pontos. Excelente resultado.
Se pegar essa mesma formação e trocar Caldwell-Pope por Christian Braun, o cenário foi bem diferente: a eficiência ofensiva despencou para 93,7 pontos, e o saldo foi de -5,0 pontos.
É um problema sério porque, como se sabe, Caldwell-Pope foi embora. Alguém vai ter de entrar nesta vaga, e a experiência com quem mais fez isso na temporada passada não deu muito certo.
É justo ponderar que essa formação com Braun jogou por apenas 78 minutos, distribuídos por 15 partidas. A amostragem é pequena. E Braun está indo apenas para o seu terceiro ano como profissional, deve ainda melhorar e ser mais consistente. Mas disso apaga o alerta.
O cara
Pela terceira vez em um intervalo de quarto anos, Nikola Jokic ganhou o prêmio de MVP da NBA. Suas médias na temporada passada foram de 26,4 pontos, 12,4 rebotes e 9,0 assistências por partida.
Como tem sido nos últimos anos, o sérvio foi o cérebro do quinto sistema ofensivo mais eficiente da liga. Claro que não era difícil ver posses de bola em que Jamal Murray definia no um contra um, o que também é muito bonito de se ver. Mas a maioria dos ataques passam pelas mãos de Jokic. Alguns até começam com ele pegando rebote de defesa e puxando a transição. Em outros, recebe na cabeça em garrafão e precisa de muito pouco espaço para conseguir fazer passes incríveis para algum companheiro que apareceu livre depois de se mexer sem bola.
Assisti-lo em quadra é, sem dúvidas, uma das coisas mais legais que a NBA proporciona atualmente. E quando as bolas de três pontos estão caindo com regularidade, Jokic parece simplesmente imparável.
Também vale a pena ficar de olho
Já faz algum tempo que Russell Westbrook não é mais aquele jogador dos tempos de Oklahoma City Thunder, que entrou para a história da NBA com uma média de triplo-duplo em uma temporada e até troféu de MVP. Ele não tem mais um time que o permita monopolizar tanto a bola e comandar o ataque como bem entender.
A situação o forçou a uma adaptação sem bola nos últimos anos. É justo reconhecer que nos Clippers, por exemplo, ele mostrou bem isso. Foram mais bloqueios e cortes em direção à cesta nas costas dos marcadores para se mostrar opção de passe a quem estivesse com a bola.
Nos Nuggets, quem se movimenta sem bola e consegue se desmarcar, mesmo que seja por alguns poucos instantes, acaba sendo encontrado por Nikola Jokic. O pivô, inclusive, fez campanha pela contratação de Westbrook na offseason. Deve já imaginar que essa nova característica do armador tem boas chances de se encaixar com o que ele está acostumado a comandar na equipe.
Em um elenco de rotação ainda enxuta e carente de peças confiáveis, Westbrook provavelmente receberá minutos do técnico Mike Malone. Talvez não como titular, porque a falta de um bom arremesso de longa distância dificulta o encaixe. Ainda assim, pode funcionar bem saindo do banco.
Deve, sim, ter espaço para comandar jogadas como nos velhos tempos, quando Jokic e Jamal Murray estiverem descansando. Mas quando dividir a quadra com o MVP, terá uma excelente oportunidade para triunfar nesta versão que assumiu nos últimos anos da carreira, de se mostrar mais colaborativo sem a bola nas mãos.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4,5 (alto para médio) - Por mais que exista uma razoável chance de os Nuggets terem ficado uns passos para trás depois de terem sido campeões em 2023, o time ainda conta com Nikola Jokic. Toda vez que ele estiver com a bola nas mãos, com gente correndo pela quadra na esperança de ser acionada com um passe certeiro, dá para esperar algo mágico acontecer. Sem falar em Jamal Murray, outro grande provedor de entretenimento quando desanda a acertar arremessos de tudo quando é jeito.
Palpite para a temporada 2024/25 dos Nuggets
No cenário mais otimista: com o aparecimento de novas opções confiáveis para a rotação, os Nuggets se recuperam do acidente de percurso da última temporada, voltam à final de conferência e retomam o topo do Oeste. Conquistam, assim, a chance de disputar mais um título da NBA com quem sair da outra conferência.
No cenário mais pessimista: queda na primeira rodada dos playoffs.
Veja as análises de todos os times da NBA:
* Clique no escudo para ler
