Foram 56 vitórias, a melhor defesa da NBA, Anthony Edwards cada vez mais inspirado e uma campanha que alcançou as finais de conferência. A temporada passada mostrou um caminho animador para o Minnesota Timberwolves. Uma troca grande às vésperas do novo campeonato fez o elenco passar por uma mudança importante. Será que dá para voltar a competir pelo topo do Oeste?
Como foram os Wolves na última temporada
Campanha: 56 vitórias e 26 derrotas
Classificação: 3º lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: eliminação na final de conferência pelo Dallas Mavericks por 4 a 1, depois de ter passado pelo Phoenix Suns por 4 a 0 e pelo Denver Nuggets por 4 a 3
O que aconteceu: os Timberwolves tiveram um forte começo de campanha, se instalaram na briga pela liderança do Oeste e não se afastam dali em momento nenhum. Quem esperava uma queda de rendimento, desta vez, se deu mal. Com uma defesa fortíssima e um Anthony Edwards cada vez mais imparável com a bola nas mãos, a equipe alcançou aa 56 vitórias — segunda maior marca em toda a história dos Timberwolves. A caminhada nos playoffs teve varrida em cima do Phoenix Suns e uma incrível vitória em sete jogos contra os então campeões Denver Nuggets. Mas na final de conferência, não teve forças para segurar o Dallas Mavericks.
O elenco dos Wolves para a temporada 2024/25
Escolhas de Draft: Rob Dillingham (armador, 8ª escolha) e Terrence Shannon Jr (ala-armador, 27ª escolha)
Quem mais chegou: Julius Randle (ala-pivô, New York Knicks), Donte DiVincenzo (ala-armador, New York Knicks), Joe Ingles (ala, Orlando Magic), Keita Bates-Diop (ala-pivô, Brooklyn Nets), Eugene Omoruyi (ala, Minnesota Timberwolves), Skylar Mays (ala-armador, Los Angeles Lakers), PJ Dozier (ala-armador, Partizan/Sérvia) e Jesse Edwards (pivô, sem time)
Quem foi embora: Karl-Anthony Towns (pivô, New York Knicks), Kyle Anderson (ala, Golden State Warriors), Jordan McLaughlin (armador, Sacramento Kings), TJ Warren (ala, New York Knicks), Monte Morris (armador, Phoenix Suns) e Wendell Moore Jr (ala-armador, Detroit Pistons)
Provável time titular: Mike Conley, Anthony Edwards, Jaden McDaniels, Julius Randle e Rudy Gobert
Reservas: Rob Dillingham, Daishen Nix (armadores), Donte DiVincenzo, Nickeil Alexander-Walker, Terrence Shannon Jr, PJ Dozier, Skylar Mays (ala-armador), Joe Ingles, Keita Bates-Diop, Leonard Miller, Josh Minott, Eugene Omoruyi (alas), Luka Garza (ala-pivô), Naz Reid e Jesse Edwards (pivôs)
Técnico: Chris Finch
O clima para a temporada
Dá para dizer que os Timberwolves foram criativos na tentativa de fazer melhorias no elenco durante a offseason. A primeira cartada foi uma movimentação no dia do Draft para subir para a oitava posição e selecionar o armador Rob Dillingham. Existe já bastante expectativa sobre o jovem como líder de uma segunda unidade e, até mesmo, para substituir Mike Conley em um futuro não muito distante.
Mas a maior mudança veio bem depois, já às vésperas do início da temporada, em uma troca com o New York Knicks. Chegaram Julius Randle e Donte DiVincenzo, foi embora Karl-Anthony Towns. A transação teve seus motivos financeiros, já que o contrato de Towns era maior e mais longo, o que custaria muita grana em multas para uma equipe já bem acima do teto salarial. Mas é possível também ver sentido nisso dentro de quadra.
Randle pode não ter o arremesso de Towns, mas é capaz de oferecer ao ataque uma segunda opção de jogador capaz de criar o próprio arremesso. Deve até ser bem útil para comandar o sistema ofensivo nos momentos em que Anthony Edwards for para o banco. Já DiVincenzo tem um conjunto de habilidades de tão fácil de encaixar que fica impossível não imaginá-lo dando certo neste elenco.
Se Randle conseguir ser ainda mais útil que Towns neste esquema tático, perfeito para os Timberwolves. Mas também não é que eles estejam reféns desta possibilidade. Pode-se pensar em Naz Reid, melhor sexto homem da temporada passada, assumindo a titularidade. Ou até mesmo promover a entrada de DiVincenzo se for o caso de tentar emplacar uma formação mais baixa.
O fato é que este time parece ter boas alternativas para fazer experiências ao longo da temporada. O desafio é usar a frustração de ter batido na trave no ano passado como aprendizado e evoluir.
Abre aspas
"Ele tem sido realmente impressionante como criador de jogadas. No nosso sistema, ele naturalmente tem encontrado mais oportunidades para mostrar esse aspecto do jogo dele. Nós sabíamos que ele era ótimo fazendo cortes sem a bola e que funcionava muito bem em Nova York como alguém que recebia os passes e chutava de três. Mas ele tem me impressionado bastante como um todo, ao olhar todas as características dele no geral."
A declaração é do técnico Chris Finch. O alvo dos elogios? Donte DiVincenzo, uma das peças novas no elenco depois da troca que envolveu a saída de Karl-Anthony Towns
Uma esperança
A defesa dos Timberwolves limitou os oponentes a 108,4 pontos a cada 100 posses de bola. Foi, com alguma folga, a mais eficiente na temporada passada. O aproveitamento de arremessos dos adversários foi de apenas 45%, número mais baixo de toda a liga.
Em outras palavras: é extremamente difícil fazer cesta contra esta equipe. O sistema ofensivo ainda precisa dar algumas respostas, em que pese o alto nível de Anthony Edwards. Mas enquanto forem capazes de reproduzir uma defesa tão eficiente, agressiva e organizada como a que se viu ao longo do último ano, os Timberwolves estarão em condição de sonhar alto. Mesmo em uma Conferência Oeste tão acirrada.
Um medo
Anthony Edwards foi incrível durante o último ano, todo mundo viu e se encantou. Parece que a experiência com a seleção dos EUA na Copa do Mundo de 2023 foi um laboratório e tanto para ele continuar aperfeiçoando seu jogo. Pouca gente vai contestar tudo isso. Só que, ainda assim, os Timberwolves tiveram apenas o 17º ataque mais eficiente da temporada passada, com média de 114,6 pontos anotados a cada 100 posses de bola.
É que a defesa foi a melhor de todas no ranking de eficiência, o que acabou garantindo o nível alto de competitividade da equipe ao longo do campeonato, até mesmo durante os playoffs. Mas a série contra o Dallas Mavericks na final do Oeste mostrou que o time precisa de um pouco mais do que apenas o brilho individual de Edwards e bolas de três arremessadas sem antes alguém desequilibrar a defesa.
Sem esse tipo de melhora, fica muito difícil pensar em dar o passo que faltou no último ano. Na esteira disso, vale ficar de olho em como a saída de Karl-Anthony Towns vai influenciar nesta história. Bem ou mal, ele ao menos era um arremessador de longe respeitado, que demandava atenção das defesas e ajudava a abrir espaços desta maneira.
O cara
A bola que Anthony Edwards jogou ao longo do último ano, especialmente nos playoffs, o colocou na prateleira de jogadores mais legais de se acompanhar na NBA nos dias de hoje.
Aos 22 anos, em sua quarta temporada na liga, Edwards teve médias de 25,9 pontos, 5,4 rebotes, 5,1 assistências e 1,3 roubo de bola por partida. Além disso tudo, subiu para 6,4 lances livres cobrados por partida, o que ajuda a mostrar o quanto tem batido mais vezes para dentro do garrafão e cavado faltas.
Edwards não só foi all-star pela segunda vez, como acabou conquistando uma vaga no segundo quinteto ideal da liga. Chegou a receber votos na corrida pelo prêmio de MVP e ficou em sétimo lugar nesta disputa.
Se durante a fase de classificação já foi interessante acompanhá-lo, as atuações nos playoffs atingiram um novo patamar. Diante de marcações duplas e outras estratégias defensivas desenvolvidas especialmente para tentar contê-lo, Edwards teve respostas para praticamente tudo. Chegou em um nível altíssimo de performance ofensiva. Não chega a ser exagero colocá-lo como uma das grandes atrações individuais da NBA para a próxima década.
Também vale a pena ficar de olho
Julius Randle já trabalhou com Chris Finch quando o treinador dos Wolves fazia parte da comissão técnica do New Orleans Pelicans. De acordo com o que ele próprio falou, jogar basquete nunca foi tão fácil quanto nesta época.
Sinal animador, sem dúvidas. Apesar de Randle não ter um arremesso de longe que ajude a espaçar a quadra como Karl-Anthony Towns, ele tende a se virar melhor em situações de dobras de marcação, soltando a bola mais rapidamente para quem estiver com espaço. Pode ser um tipo de arma nova que caia bem para uma tão necessária melhora ofensiva dos Timberwolves.
Vale também menção por aqui Jaden McDaniels. Não se discute o tanto que ele entrega defensivamente. Mas nos dias em que conseguiu colaborar de maneira mais forte para o ataque, sobretudo com arremessos de longe, os Timberwolves ficaram um time muito melhor.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
5 (máximo) - O time é muito bom, conta com uma defesa capaz de infernizar qualquer ataque e traz mudanças interessantes de serem observadas em relação à temporada passada. Como se tudo isso já não fosse o bastante, tem Anthony Edwards. Quem é que vai querer desperdiçar oportunidades de seguir acompanhando o desenvolvimento a passos largos de uma das maiores estrelas jovens da atualidade?
Palpite para a temporada 2024/25 dos Wolves
No cenário mais otimista: mostra evoluções em relação ao último ano e, desta vez, vence o Oeste.
No cenário mais pessimista: vai aos playoffs, mas cai na primeira rodada para algum outro concorrente do Oeste que se reforçou melhor em relação à temporada passada.
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