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10 dias para a NBA: Los Angeles Clippers tenta se segurar entre as forças do Oeste após saída de Paul George

James Harden e Kawhi Leonard tentam levantar os Clippers Kevin C. Cox/Getty Images com Arte ESPN

Desde a eliminação na primeira rodada dos playoffs na temporada passada da NBA, o LA Clippers perdeu Paul George e tem visto Kawhi Leonard sofrer com uma lesão no joelho direito. Será que este time ficou para trás? Ou ainda dá para voltar a competir pelo topo do Oeste?

Como foram os Clippers na última temporada

  • Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas

  • Classificação: 4º lugar na Conferência Oeste

  • Nos playoffs: eliminação na primeira rodada pelo Dallas Mavericks por 4 a 2

  • O que aconteceu: durante um breve período, até pareceu que os Clippers deram liga e seriam o bicho papão do Oeste. O time dava a impressão de que enfim estava adaptado a James Harden, que chegou no começo do campeonato, e ao novo papel de Russell Westbrook, usado como reserva. Só que logo o ritmo caiu, a intensidade não era mais a mesma. Para piorar, surgiram lesões em jogadores importantes. Os Clippers até se seguraram ao ponto de irem aos playoffs com mando de quadra na primeira rodada, mas não conseguiram fazer frente ao Dallas Mavericks e logo deram adeus.

O elenco dos Clippers para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Cam Christie (ala-armador, 46ª escolha)

  • Quem mais chegou: Derrick Jones Jr (ala, Dallas Mavericks), Nicolas Batum (ala, Philadelphia 76ers), Mo Bamba (pivô, Philadelphia 76ers), Kris Dunn (armador, Utah Jazz), Kevin Porter Jr (ala-armador, PAOK/Grécia), Kai Jones (pivô, sem time), Nate Darling (ala-armador, sem time), RayJ Dennis (armador, sem time) e Trentyn Flowers (ala, sem time)

  • Quem foi embora: Paul George (ala, Philadelphia 76ers), Russell Westbrook (armador, Denver Nuggets), Daniel Theis (pivô, New Orleans Pelicans), Mason Plumlee (pivô, Phoenix Suns), Moussa Diabaté (pivô, Charlotte Hornets), Brandon Boston Jr (ala, San Antonio Spurs) e Xavier Moon (ala-armador, Zenit/Rússia)

  • Provável time titular: James Harden, Terrence Mann, Derrick Jones Jr, Kawhi Leonard e Ivica Zubac

  • Reservas: Kris Dunn, Bones Hyland, RayJ Dennis (armadores), Norman Powell, Amir Coffey, Kevin Porter Jr, Nate Darling, Cam Christe (alas-armadores), Nicolas Batum, PJ Tucker, Jordan Miller, Trentyn Flowers (alas), Kobe Brown (ala-pivô), Mo Bamba e Kai Jones (pivôs)

  • Técnico: Tyronn Lue

O clima para a temporada

Um grande temor que apareceu já durante a temporada passada acabou se confirmando: Paul George saiu como agente livre. Russell Westbrook também deixou os Clippers. Ainda que não esteja mais perto do jogador que foi em seus melhores dias, ele tinha sua parcela de importância para a rotação.

A principal peça de reposição que o time conseguiu no mercado foi Derrick Jones Jr, ala que estava no Dallas Mavericks e que assombrou defensivamente os Clippers no encontro entre as duas equipes nos playoffs. Também chegaram Nicolas Batum e Kris Dunn, nomes mais experientes que podem ser úteis na distribuição de minutos do técnico Tyronn Lue.

É difícil pensar que estes movimentos compensem a saída de George. O nível geral de talento parece, sim, mais baixo. Ainda assim, Harden parece animado e confiante de que continua sendo capaz de ser o armador de uma potência ofensiva. Kawhi Leonard, se as lesões permitirem, também estará à disposição.

Mas se nos anos anteriores os Clippers se acostumaram a começar uma temporada cercados de expectativas altas, desta vez o técnico Tyronn Lue tratou de seguir uma direção oposta. Disse que o time não está pronto para competir pelo topo do Oeste, que ainda há um longo caminho para se percorrer em termos de desenvolvimento e até que há muitos jovens no elenco que precisam entender melhor certos conceitos.

Abre aspas

“Não estou super animado. Como técnico do time, eu tenho a impressão de que estamos atrás (dos demais concorrentes). Ainda não estamos naquele ponto em que sabemos exatamente quando acelerar as coisas e quando ir mais devagar. Temos conceitos diferentes que precisamos adicionar ao nosso sistema, temos de garantir que todos entendam o estágio em que nos encontramos e o que desejamos ser capazes de executar.”

Essa foi a resposta de Tyronn Lue, técnico dos Clippers, ao ser questionado na reapresentação do elenco sobre as expectativas neste momento para a temporada da equipe.

Uma esperança

Nos melhores momentos da temporada passada, quando conseguiram competir em alto nível em meio a outras potências do Oeste e pareciam um dos melhores times da NBA, os Clippers tiveram índices ofensivos altíssimos. O ápice veio no mês de janeiro, quando registraram média de 124,6 pontos a cada 100 posses de bola. Foram 12 vitórias em 15 jogos neste período.

Sem Paul George, vai ficar mais difícil repetir isso e transformar esse pico em uma constante. Mas os Clippers têm agora Derrick Jones Jr, que oferece uma série de possibilidades defensivas ao time, tanto em marcações individuais como em zonas. Com ele e com Kawhi saudável, quem sabe Tyronn Lue não consiga fazer o time ser um dos melhores da liga do outro lado da quadra?

Tudo isso para dizer que a grande esperança dos Clippers está mesmo no banco de reservas. Tyronn Lue tem sido elogiado pelos seus pares pela capacidade de fazer ajustes. No ano passado, com o que tinha em mãos, conseguiu ensaiar algo especial. Vai que agora ele tenha sucesso em transformar o elenco em uma força defensiva?

Um medo

Tem time que enche tanto de estrela o elenco que, quando uma delas sai, acaba melhorando porque vê cada uma das outras renderem mais. É o que muita gente chama de evolução por subtração. Os Clippers realmente acumularam nomes pesados ao longo dos últimos tempos. O ápice deste processo veio com a chegada de James Harden. Mas, considerando as características de todo mundo que estava lá, fica difícil imaginar que Paul George seja essa peça que precisa sair para o resto melhorar.

Os Clippers estão investindo pesado já há um tempo. Ninguém acumula tantas estrelas — e abre mão de muitos ativos para o futuro ao longo do processo — sem que a mira esteja no título. Se a saída de George e o crescente nível competitivo da Conferência Oeste mostrarem que a equipe está alguns degraus mais distante das maiores forças da liga, seria um sinal de que tudo nestes últimos tempos foi feito em vão.

O cara

Enquanto esteve em quadra, Kawhi Leonard foi o principal definidor de jogadas e o cestinha dos Clippers na temporada passada, com médias de 23,7 pontos por partida. O aproveitamento de quase 42% nas bolas de três foi excelente.

Além disso, registrou ainda 6,1 rebotes, 3,6 assistências e 1,6 roubo de bola por jogo, com uma defesa que segue em bom nível. Assim, Kawhi foi all-star do Oeste e cravou um lugar no segundo quinteto ideal da NBA, feitos que dão uma ótima dimensão do quanto sua melhor versão ainda pertence ao grupo de grandes estrelas da liga.

O problema é que ele vem de uma situação meio estranha e que coloca um ponto de interrogação em sua condição física. Na série de playoffs em que os Clippers foram eliminados pelo Dallas Mavericks, Kawhi entrou em quadra apenas duas vezes por causa de uma lesão no joelho direito. Na offseason, passou por um procedimento neste joelho que acabou o tirando da disputa das Olimpíadas de Paris.

Às vésperas de uma nova temporada e depois de tudo isso, a comissão técnica dos Clippers jura que as dores e o inchaço diminuíram bastante, demonstra otimismo sobre a recuperação, mas ainda limita os minutos e as cargas dele nos treinos. O que desperta a pergunta: qual versão de Kawhi será possível testemunhar ao longo dos próximos meses?

Também vale a pena ficar de olho

Derrick Jones Jr chegou aos Clippers depois de um ótimo ano com o Dallas Mavericks. Não chega a ser exagero dizer que ele teve um papel importante na caminhada rumo ao título do Oeste, com grandes atuações defensivas e participações extremamente pontuais, mas precisas, no ataque.

Esse perfil de defensor de elite e que não precisa da bola nas mãos no ataque faz sentido para praticamente qualquer elenco. Para os Clippers, não é diferente. Jones deve ser usado bastante como o marcador da principal arma ofensiva do adversário. Tem corpo, capacidade atlética, visão e inteligência para cumprir uma série de outras funções em defesas por zona. No ataque, apesar de um grande momento ou outro em Dallas, não chega a ser um arremessador confiável. Mas pode ajudar com bloqueios, movimentações sem bola e cortes em direção à cesta para receber o passe no garrafão.

A não ser que algo muito inesperado aconteça no futuro, é um jogador que nunca vai passar perto de um dia sonhar em ser all-star. Mas tem características que o tornam uma peça chave para o bom funcionamento do time. Vai ser curioso acompanhá-lo neste sistema comandado por James Harden e Kawhi Leonard.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

3 (médio) - James Harden continua convicto de que é o sistema, Kawhi Leonard está lá também, então não tem como ser uma nota tão baixa. Mas os Clippers já mostraram na temporada passada que podem ser surpreendentemente desinteressantes em determinadas ocasiões, quando simplesmente não jogam com o máximo de intensidade. Agora, há o agravante de que o time parece inferior ao do último ano e com mais pontos de interrogações relacionados a lesões.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Clippers

No cenário mais otimista: nova classificação direta aos playoffs, sem passar por play-in, mas com eliminação na primeira rodada. Exatamente como no último ano.

No cenário mais pessimista: fora até do play-in, depois de ser ultrapassado por outros concorrentes do Oeste que evoluíram em relação ao último ano.

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