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24 dias para a NBA: Memphis Grizzlies tenta deixar problemas para trás e se provar time de elite

Memphis Grizzlies conta com Ja Morant para ser sua estrela na NBA Sean Gardner/Getty Images com Arte ESPN

Não faz muito tempo que o Memphis Grizzlies passava a impressão de ser um dos times mais promissores da NBA. Até que ponto as lesões e a suspensão de Ja Morant no último ano poderão comprometer esse sonho de alcançar um futuro glorioso?

Como foram os Grizzlies na última temporada

  • Campanha: 27 vitórias e 55 derrotas

  • Classificação: 13º lugar na Conferência Oeste

  • O que aconteceu: Ja Morant passou os primeiros 25 jogos da temporada suspenso. Sem a sua grande estrela, os Grizzlies perderam 19 destas partidas. Ele até voltou, mas não demorou muito para que um problema no ombro surgisse e o fizesse passar por cirurgia. Foi só uma das várias lesões que assombraram o elenco. O departamento médico dos Grizzlies ficou tão movimentado que acabou levando a uma série de contratações para tapar buraco. Ao longo da temporada, 33 jogadores chegaram a entrar em quadra com o uniforme da equipe. Não há ambição que resista a uma situação como essa.

O elenco dos Grizzlies para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Zach Edey (pivô, 9ª escolha), Jaylen Wells (ala, 39ª escolha), Cam Spencer (ala-armador, 53ª escolha)

  • Quem mais chegou: Yuki Kawamura (armador, sem time) e Armando Bacot (ala-pivô, sem time)

  • Quem foi embora: Derrick Rose (armador, aposentadoria), Ziaire Williams (ala-pivô, Brooklyn Nets), Trey Jamison (pivô, New Orleans Pelicans), Lamar Stevens (ala, Detroit Pistons) e Yuta Watanabe (ala, Chiba Jets Funabashi/Japão)

  • Provável time titular: Ja Morant, Marcus Smart, Desmond Bane, Jaren Jackson Jr e Brandon Clarke

  • Reservas: Scottie Pippen Jr, Yuri Kawamura (armador), Luke Kennard, John Konchar, Vince Williams Jr, Cam Spencer, Miye Oni (alas-armadores), Jaylen Wells (alas), Santi Aldama, GG Jackson, Jake LaRavia, Armando Bacot, Mãozinha (alas-pivôs), Zach Edey e Jay Huff (pivôs)

  • Técnico: Taylor Jenkins

O clima para a temporada

É hora de enterrar a temporada passada e tudo de estranho que a marcou. O que significa ter as principais peças saudáveis novamente e, claro, contar com Ja Morant totalmente focado dentro de quadra. As poucas mudanças no elenco sugerem que os Grizzlies apostam terem o necessário para brigar entre as maiores forças do Oeste.

Antes de sofrer com as lesões já nos playoffs de 2023, o time teve a segunda melhor campanha da conferência. Voar tão alto assim depois do salto que outras equipes deram talvez seja uma ambição grande demais, até porque há ainda algumas questões em relação a como os minutos na posição de pivô serão distribuídos. Mas é difícil imaginar que alguém nos Grizzlies não esteja pensando pelo menos em voltar aos playoffs.

Abre aspas

"Novato do ano. E com facilidade. Ele já apareceu pronto para trabalhar e veio me procurar. A minha preparação nessa época do ano, antes do início da temporada, é com treinos bastante exigentes. O fato de ele ter desejado se juntar a mim e passado o tempo todo encarando os exercícios junto comigo me deixou ainda mais animado em tê-lo na equipe."

Foi isso o que disse Ja Morant sobre as expectativas que tem para o ano de estreia de Zach Edey. Se muita gente ainda tem dúvidas se o pivô calouro conseguirá mostrar na NBA o impacto que teve no torneio universitário, o grande astro dos Grizzlies parece confiante de que tudo vai dar certo para ele.

Uma esperança

Marcus Smart foi mais um dos jogadores que tiveram a temporada passada bastante comprometida por lesão. Foram apenas 20 partidas disputadas. E mesmo nas vezes em que entrou em quadra, o resto do time estava todo desfigurado.

Quando o ala-armador chegou de Boston, havia uma grande expectativa em Memphis para que ele virar um líder do elenco, contribuindo de imediato com a defesa de altíssimo nível que apresentou a carreira inteira e transmitindo a experiência que carrega por já ter feito de uma equipe vencedora e ido a até a uma final de NBA.

Diante de tudo o que aconteceu de estranho em Memphis na temporada passada, é praticamente como se Smart ainda não tivesse estreado. A expectativa para ver o tanto que ele pode ajudar esse elenco continua viva.

Um medo

É justo apontar por aqui todos os fatores que tanto comprometeram o rendimento do último ano. Não se pode cravar que é zero o risco de o departamento médico não continuar movimentado e de Ja Morant não voltar a ter problemas extra-quadra. São medos bem razoáveis, portanto.

Mas mesmo que essas coisas não se repitam, talvez o impacto que elas já causaram seja grande demais.

Antes de as lesões se acumularem e dos episódios não relacionados a basquete de Morant, os Grizzlies pareciam destinados ao protagonismo e à luta pelo topo da liga. Essa série de problemas afastou o time desse caminho na última temporada, ao mesmo tempo em que outros concorrentes no Oeste subiram de patamar e fizeram a conferência alcançar um nível elevadíssimo de equilíbrio e competitividade.

E se esse tempo perdido acabar custando caro demais? Seria péssimo para os Grizzlies se perceberem agora alcançados ou até superados por outros concorrentes que pareciam inferiores dois anos atrás. Se precisar remar de novo já não é uma ideia agradável, fazer isso neste momento específico da NBA de tantos candidatos fortes no Oeste seria muito pior.

O cara

Em condições normais, Ja Morant não só é o principal jogador deste elenco. É também uma das grandes estrelas da liga. As duas convocações para o All-Star Game e a presença no segundo quinteto ideal da NBA em 2022 ajudam a comprovar isso.

A lesão no ombro e a suspensão que levou por ter exibido uma arma durante uma live em sua conta no Instagram o limitaram a apenas nove jogos disputados na temporada passada. Na anterior, teve médias de 26,2 pontos, 8,1 assistências e 5,9 rebotes por partida.

É torcer para o ombro estar recuperado após a cirurgia e que os problemas extra-quadra cessem.

Também vale a pena ficar de olho

Quando se pensa no que poderia ser o quinteto mais forte dos Grizzlies, assumindo que todas as peças estejam à disposição, parece existir ainda um grande ponto de interrogação. Ja Morant, Marcus Smart e Desmond Bane são certeza. Jaren Jackson Jr também, mas de que jeito exatamente? Ele será usado prioritariamente como pivô ou a ideia será tê-lo ao lado de outro homem de garrafão?

A melhor versão recente dessa equipe foi com Morant atacando espaços que eram criados pelos bloqueios de Steven Adams, pivô que fazia isso muito bem, que pouco precisava pegar na bola no ataque, mas que já não está mais em Memphis. Jackson Jr até registrou números interessantes como pivô principal na temporada passada, mas vale sempre a ressalva de que Morant praticamente não jogou. A forma como ele se encaixaria com o armador nesse papel é uma questão pertinente. Ao contrário de Adams, é um jogador que gosta de receber a bola para tentar colocá-la na cesta, mas não é grande coisa como reboteiro.

De acordo com o técnico Taylor Jenkins, o plano é continuar dando minutos a Jackson Jr como pivô. O que abriria a possibilidade para experimentar a entrada de um jogador de perímetro que pudesse ajudar a abrir a quadra com arremessos de três.

Mas continuar dando minutos não significa necessariamente que será esse o principal caminho. Para quando optar por completar o quinteto com um outro jogador com mais características de garrafão, uma possibilidade seria Brandon Clarke. Não foram raras as vezes que ele chegou a fazer as vezes de Adams no passado, até por também ter suas limitações ofensivas com a bola nas mãos. Só que sem o mesmo tamanho, força física e inferior também na capacidade de lutar pelos rebotes.

Não dá para esquecer também Zach Edey, pivô de 2,24m selecionado na 9ª escolha do Draft. Foi uma aposta alta dos Grizzlies. De fato, Edey soube usar seu tamanho para fazer pontos no basquete universitário, mas sem deixar de despertar dúvidas sobre a sua defesa e a capacidade de render em um ritmo de jogo mais acelerado como o da NBA.

Outro fator importante na montagem deste quebra-cabeça passa pela defesa. Desde que Morant chegou aos Grizzlies, os ataques em transição têm sido fundamentais para a produção de pontos — compensando uma certa limitação em ataques de meia quadra. Claro que as coisas no sistema ofensivo podem mudar para melhor. Mas, no momento, para iniciar os trabalhos, parece claro que os Grizzlies vão precisar de uma defesa forte para gerar as melhores oportunidades de pontuar.

São muitas possibilidades e incertezas que Jenkins vai precisar avaliar. Quanto mais rápido encontrar um caminho para completar esse quinteto principal, maiores serão as chances do Grizzlies de voltar a competir entre as forças do Oeste.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4 (alto) - Ja Morant é uma das maiores garantias de diversão com uma bola de basquete nas mãos. Nem sempre toma as melhores decisões, o que logicamente atrai olhares críticos, mas até isso acaba sendo uma experiência interessante. Há também toda uma expectativa para ver se os Grizzlies conseguem retomar aquela ascensão que demonstravam dois anos atrás. Conferir se Zach Edey tem bola e físico para se criar na NBA também é um bom argumento para fortalecer o grau de apelo deste time para os fãs de basquete.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Grizzlies

No cenário mais otimista: os Grizzlies retomam mais ou menos o nível que estavam dois anos atrás, se colocam ali em uma segunda prateleira de forças do Oeste e acabam ficando com uma das últimas vagas diretas aos playoffs.

No cenário mais pessimista: o time sofre diante de outros concorrentes mais estruturados do Oeste, tem dificuldades para manter uma campanha acima dos 50% de aproveitamento e acaba ficando fora até mesmo do play-in.

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