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8 dias para a NBA: Cleveland Cavaliers faz troca no comando para ver se dá para manter quarteto

Mitchell e Garland vão conseguir comandar juntos o ataque dos Cavs? Nick Cammett/Getty Images com Arte ESPN

A principal novidade do Cleveland Cavaliers para a temporada 2024/25 da NBA é o técnico Kenny Atkinson. Será que o novo comandante conseguirá fazer a equipe render com Jarrett Allen e Evan Mobley jogando juntos? E vai dar para insistir em Darius Garland ao lado de Donovan Mitchell?

Como foram os Cavs na última temporada

  • Campanha: 48 vitórias e 34 derrotas

  • Classificação: 4º lugar na Conferência Leste

  • Nos playoffs: eliminação na semifinal de conferência pelo Boston Celtics por 4 a 1, depois de ter passado pelo Orlando Magic por 4 a 3

  • O que aconteceu: em diferentes pontos da temporada, as lesões afetaram as principais peças do elenco. Ainda assim, os Cavs deram um jeito de se segurarem entre os primeiros do Leste o tempo todo. Muito graças a um esquema defensivo forte, capaz de manter o alto nível mesmo com a rotatividade de jogadores. O duelo na primeira rodada dos playoffs contra o Orlando Magic foi definido no último quarto do sétimo jogo. Na fase seguinte, diante dos futuros campeões, não deu para estender a série para mais do que cinco jogos.

O elenco dos Cavs para a temporada 2024/25

  • Escolhas de Draft: Jaylon Tyson (ala-armador, 20ª escolha)

  • Quem mais chegou: JT Thor (ala-pivô, Charlotte Hornets), Jacob Gilyard (armador, Brooklyn Nets), Jules Bernard (ala-armador, Washington Wizards) e Luke Travers (ala-armador, Melbourne United/Austrália)

  • Quem foi embora: Marcus Morris (ala, sem time), Isaiah Mobley (ala-pivô, Philadelphia 76ers), Damian Jones (pivô, Zhejiang Golden Bulls/China)

  • Provável time titular: Darius Garland, Donovan Mitchell, Max Strus, Evan Mobley e Jarrett Allen

  • Reservas: Craig Porter Jr, Jacob Gilyard (armadores), Caris LeVert, Ty Jerome, Sam Merrill, Zhaire Smith, Jaylon Tyson, Jules Bernard, Luke Travers (alas-armadores), Isaac Okoro, Emoni Bates (alas), Georges Niang, Dean Wade, JT Thor, Pete Nance (alas-pivôs) e Tristan Thompson (pivô)

  • Técnico: Kenny Atkinson

O clima para a temporada

É justo argumentar que JB Bickerstaff fez um bom trabalho na temporada passada ao comandar os Cavs ao quarto lugar da Conferência Leste, mesmo após uma série de lesões ter assolado as principais peças do elenco no decorrer da caminhada. Ainda assim, a diretoria optou por não mantê-lo no cargo e substituí-lo por Kenny Atkinson, que estava na comissão técnica do Golden State Warriors.

O elenco é idêntico ao da temporada passada. Com essa mesma estrutura, o novo comandante terá que responder algumas questões que pintaram ao longo do último ano. Como maximizar os rendimentos de Darius Garland e Donovan Mitchell quando os dois estiverem juntos em quadra? Jarrett Allen e Evan Mobley podem jogar ao mesmo tempo? Tem como fazer grandes evoluções ofensivas sem afetar o bom rendimento da defesa? E quem será o quinto elemento do quinteto principal desta equipe?

São várias respostas que Atkinson terá de encontrar para um time que não pensa em dar passos para trás em relação à última temporada.

Abre aspas

"Se estivermos saudáveis, somos candidatos ao título. Sinto que no ano passado nós crescemos sob vários aspectos. Jogamos de diferentes maneiras. Claro que tivemos lesões durante a caminhada. Mas encontramos algo que realmente pode nos levar ao próximo nível. Então o negócio agora é descobrir como podemos continuar implementando isso por 82 jogos e depois por mais 16 vitórias nos playoffs. Mas esse desenvolvimento todo que tivemos foi real e acabou sendo parte da razão pela qual decidi ficar. Acredito no que temos. Acredito na fome de vencer que existe neste grupo.”

A declaração é de Donovan Mitchell, confiante para uma nova temporada com os Cavs depois de ter assinado uma extensão de contrato na offseason por mais três anos com a equipe.

Uma esperança

O novo treinador, Kenny Atkinson, chegou dizendo o quanto considera importante o time manter a pegada defensiva que foi a identidade do time na última temporada. Mas admitiu que pretende implantar algumas mudanças no esquema tático do outro lado da quadra.

Segundo ele, a ideia é que os Cavs tenham um ritmo ofensivo mais acelerado. Atkinson deseja ver mais bloqueios sendo executados, com mais movimentações e cortes sem bola. Também é uma meta aumentar o número de arremessos de três pontos, principalmente nos primeiros oito segundos de posse de bola. Para isso, haverá uma exigência de que os jogadores sejam capazes de corram para as regiões certas da quadra, onde possam receber os passes para estes chutes.

Outro plano de Atkinson é usar Evan Mobley mais como um criador de jogadas e manipulador de bola para melhorar o espaço quando ele estiver em quadra ao mesmo tempo que Jarrett Allen. Seria uma saída para evitar que os dois juntos tornem o ataque estático.

Com uma média de 112,1 pontos anotados a cada 100 posses de bola, os Cavs ficaram apenas em 16º lugar no ranking dos ataques mais eficientes da temporada passada. Atkinson parece confiante de que algumas alterações podem fazer o sistema ofensivo ter uma fluidez maior. Se tiver razão, o torcedor em Cleveland poderá esperar uma equipe ainda mais competitiva.

Um medo

O quinteto mais usado na temporada passada pelos Cavs reuniu Jarrett Allen, Evan Mobley, Max Strus, Donovan Mitchell e Darius Garland. Resultado: saldo de 1,4 ponto a cada 100 posses de bola. Não é negativo, mas sobra pouco. E o índice de eficiência ofensiva é baixo: 112,7 pontos a cada 100 ataques — o que colocaria o time em 23º lugar no ranking geral da última temporada.

O segundo quinteto mais utilizado teve Isaac Okoro e Dean Wade nas vagas de Garland e Mobley. Tudo funcionou muito melhor; 121,4 pontos anotados e 101,8 sofridos a cada 100 posses de bola, o que gerou um saldo médio de incríveis 19,6 pontos.

Não significa necessariamente que Mobley e Garland sejam os problemas da equipe. Na verdade, se algum dos homens grandes titulares for trocado mesmo, é de se imaginar que Jarrett Allen seja o escolhido.

De qualquer maneira, há elementos que comprovam que a melhor versão dos Cavs não comporta os quatro principais jogadores do time ao mesmo tempo. O que pode levar a trocas no meio da temporada e que, por sua vez, trazem uma certa dose de incerteza. Para quem tanto mira o topo do Leste, seria melhor evitá-las.

O cara

Os Cavs tiveram seis jogadores que alcançaram média de dois dígitos em pontuação na temporada passada. Só um deles, no entanto, entrou na casa das duas dezenas: Donovan Mitchell, cestinha da equipe com 26,6 pontos por partida. Em cinco oportunidades, teve atuação que ultrapassou dos 40 pontos.

Além disso, teve médias de 6,1 assistência, 5,1 rebotes e 1,8 roubo de bola por jogo. Todos estes números representam recordes pessoais. Diante disso, não chega a ser difícil entender a ida dele para mais um All-Star Game. Ainda que, ao contrário do que ocorrera na edição anterior, tenha sido selecionado como reserva.

Mas houve um grande problema nesta trajetória de Mitchell na temporada passada: as lesões, que o limitaram a apenas 55 atuações. Desde que chegou à liga, ele nunca tinha jogado tão pouco assim.

Também vale a pena ficar de olho

Os Cavs já acertaram a extensão de contrato de Evan Mobley, que vai passar a contar a partir da temporada que vem. Não há nenhuma surpresa aqui. Era o que tinha de ser feito mesmo, especialmente se for considerado o impacto que ele é capaz de oferecer defensivamente.

Mas o técnico Kenny Atkinson tem planos de colocar um pouco mais de responsabilidades nas mãos de Mobley do outro lado da quadra, tornando-o uma peça importante para um melhor espaçamento ofensivo. Não tanto como arremessador de longe, apesar do aproveitamento em arremessos de três ter subido para aceitáveis 37% na última temporada. Mais como um articulador de jogadas, mesmo. Recebendo a bola em regiões mais afastadas com liberdade para tomar mais decisões.

São muitas ideias, mas ainda nenhuma certeza. O fato é que uma evolução ofensiva de Mobley, especialmente se ficar claro que não há problemas em dividir a quadra com Jarrett Allen, seria fundamental para os Cavs terem ambições maiores no futuro.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

3,5 (médio para alto) - Apesar de competitivo, não vinha sendo um time dos mais encantadores de se acompanhar. Mas tem um técnico novo, que pode mudar algumas coisas, e tem Donovan Mitchell, que é um fator e tanto. Quem parar para ver os Cavs em ação vai sempre correr o risco de testemunhar uma atuação de gala do ala-armador.

Palpite para a temporada 2024/25 dos Cavs

No cenário mais otimista: semifinais de conferência, tal qual a temporada passada. Se der muita sorte, dependendo dos cruzamentos e do quanto outros concorrentes ficarem aquém das expectativas, dá até para sonhar com uma ida à final do Leste. Mais do que isso já seria demais.

No cenário mais pessimista: vaga nos playoffs depois de passar por play-in e queda na primeira rodada.

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