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Opinião | Com transmissão mais leve, CBLoL acerta em cheio em seu retorno

Elenco de transmissão do CBLoL 2022 reunido Bruno Alvares

O CBLoL 2022 começou no último fim de semana e trouxe aos espectadores uma transmissão mais leve, com esses sendo recebidos de braços abertos com muito conteúdo de qualidade e piadas


O Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) está de volta. No último fim de semana, diretamente de um estúdio na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, o principal torneio da modalidade retornou para a temporada de 2022 em uma série de jogos eletrizantes para colocar um sorriso no rosto da comunidade, que a meses esperava acompanhar o cenário competitivo do MOBA da Riot Games.

Mas sinceramente, não foram os jogos que mais chamaram atenção nesse fim de semana. Deixando de lado comentários sobre o cenário montado pela empresa - que diga-se de passagem ficou lindo - para receber seu produto de maior sucesso em solo nacional, escrevo esse texto para falar um pouco sobre a repaginada que a transmissão do CBLoL recebeu para este ano quando falamos sobre comunicação.

Uma coisa é fato: o CBLoL sempre foi um produto engessado. De transmissões que não traziam muitas novidades, a narradores que não podiam arriscar muito devido aos modelos da empresa e até mesmo algo que pode parecer irrelevante, como os ternos, dos quais nos livramos apenas recentemente e que é algo super importante para a comunicação não verbal - e também para mostrar ao público um pouco da personalidade daqueles que estão em frente às câmeras.

Além de trazer mais estabilidade, foi a chegada das franquias que trouxe uma roupagem mais leve para o campeonato. Assim como a virada de 2021 para 2022.

Sempre tivemos talentos competentes e cativantes nas mesas de transmissão do campeonato, isso não é novidade para ninguém. No entanto, a abordagem destes em relação a como se comunicam com o público do CBLoL não é algo que considero ter sido feito de uma forma interessante (e nem eficiente) nos últimos anos e parece que a Riot está disposta a mudar isso.

Aproveitando o sucesso de outros produtos como o CBolão, que acredito ser o maior exemplo disso, a empresa buscou entender as necessidades de seus espectadores e viu que, uma linguagem mais descontraída em uma transmissão mais solta, mesclando um conteúdo extremamente profissional com entretenimento, é muito mais atrativa que uma travada e guiada aos moldes de campeonatos transmitidos em canais de TV.

O que ela esqueceu com o passar dos anos é que, apesar de já ter sido transmitido na TV por diversas vezes, o CBLoL cativa um público muito diferente do desse tipo de mídia. Mas trouxe mudanças para este ano: pegou os pontos positivos de diversos eventos realizados pela comunidade para introduzir a seu próprio campeonato e tornou a transmissão ainda mais interessante.

Alguns meses atrás, quem diria que um dia veríamos Schaeppi, um cara sempre sério que preza muito pela técnica quando o assunto é narração, se desvinculando desse caminho e misturando em sua narração acalorada uma pitada de entretenimento, fazendo diversas piadinhas e arrancando gargalhadas de seus companheiros de mesa?

Quem diria que veríamos Revolta chegando à mesa de transmissão (mesmo que como convidado) destilando seus conhecimentos aprofundados sobre League of Legends aos espectadores, formando novamente uma dupla perfeita com Mylon, ao mesmo tempo em que traz uma porção de comentários ácidos e memes?

Boa tarde pra mãe do chat? Teve também.

Quem diria que veríamos Fogueta assumindo as entrevistas da transmissão principal sempre pronta para soltar seus bordões, munida de brincadeirinhas e com uma sacada rápida para aproveitar os ganchos deixados pelos outros membros para fazer alguma zoeira?

(Inclusive, vejo a adição dela ao elenco do CBLoL como uma jogada ótima por parte da Riot, uma vez que ela não só traz uma diversidade e representatividade necessária, mas também de todos os presentes na transmissão, considero ela como uma das melhores em se comunicar com o tipo de público que o campeonato acolhe).

Tudo isso sem contar a preocupação da empresa com a inclusão de PCDs ao adicionar as interpretações em Libras - que demorou, mas chegou - e também a continuação na diversificação de sua equipe com a chegada de novos talentos muito talentosos, como é o caso de Tabata, que chega ao elenco do Academy para a função de caster.

Pois é, foi o que vimos no primeiro fim de semana do CBLoL e, sinceramente, nunca me senti tão próximo do campeonato quanto nesses momentos. Tá, algumas dessas brincadeirinhas e comentários sem dúvidas saíram do script da Riot, mas isso não é necessariamente algo ruim.

Ao assistir o CBLoL nesse primeiro fim de semana, junto de outra centena de milhar de espectadores, me senti mais próximo da transmissão. Senti como se estivesse no meio de uma roda de amigos, onde uma discussão séria acontece ao mesmo tempo em que piadas e brincadeiras são largadas ao vento, tornando tudo mais descontraído e acolhedor. Mais leve.

Isso não só é um atrativo para os fãs de longa data, mas também facilita a introdução de novos espectadores que passaram a acompanhar o campeonato recentemente.

Infelizmente ainda não é o momento para casters, jogadores e torcida se encontrarem no estúdio e presenciar o show acontecendo de perto. Mas, pensando enquanto escrevo esse texto, fico curioso para saber como a Riot aproveitará a presença do público para trazê-los para essas brincadeiras e como a transmissão incluirá os fãs nesse estilo mais “solto”.

O caminho que a empresa começa a trilhar me parece promissor, só falta se manter nele e claro, sabendo dosar bem o que pode ser falado ou não, de forma que mantenha a transmissão respeitosa e leve, mas que também não a faça voltar ao formato engessado.