Bicampeão da NBA em 1994 e 1995, o Houston Rockets já teve vários outros elencos com qualidade o suficiente para erguer o troféu Larry O'Brien (Moses Malone, Yao Ming e James Harden que o digam). A temporada 2025/26 parece ser mais uma dessas, mas que já começa com um duro golpe: a lesão de Fred VanVleet e a necessidade de que a armação fique na mão de atletas muito jovens. Para compensar, porém, o astro Kevin Durant desembarcou em Houston para dar tração no foguete comandado por Ime Udoka. Vai dar liga?
Como foram os Rockets na última temporada
Campanha: 52 vitórias e 30 derrotas
Classificação: 2° lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: Eliminado na primeira rodada para o Golden State Warriors por 4 a 3
O que aconteceu: logo de cara os Rockets demonstraram que haviam evoluído consideravelmente em relação à temporada anterior. No fim de novembro, já estavam na segunda posição do Oeste, atrás apenas do Thunder. Em fevereiro, com uma lesão de Fred VanVleet, chegou a cair para o quinto lugar, mas recuperou a vice-liderança quando o armador voltou às quadras. Nos playoffs, porém, deram o azar de enfrentar logo de cara um embalado Golden State Warriors.
O elenco dos Rockets para a temporada 2025/26
Escolhas de Draft: Trocaram as escolhas de draft para obter Kevin Durant
Quem mais chegou: JD Davison (armador, Boston Celtics), Josh Okogie (ala, Charlotte Hornets), Isaiah Crawford (ala, Sacramento Kings), Kevon Harris (ala, College Park Skyhawks/G League), Kevin Durant (ala-pivô, Phoenix Suns), Dorian Finney-Smith (ala-pivô, Los Angeles Lakers) e Clint Capela (pivô, Atlanta Hawks)
Quem foi embora: Jalen Green (ala-armador, Phoenix Suns), Nate Williams Jr. (ala-armador), Dillon Brooks (ala, Phoenix Suns), Cam Whitmore (ala-pivô, Washington Wizards), David Roody (ala-pivô, Toronto Raptors), Jock Landale (pivô, Memphis Grizzlies) e N’Faly Dante (pivô, Atlanta Hawks)
Provável time titular: Reed Sheppard, Amen Thomson, Jabari Smith Jr., Kevin Durant e Alperen Sengun
Reservas: Fred VanVleet*, Aaron Holiday, JD Davison (armadores), Jae’Sean Tate, Josh Okogie, Isaiah Crawford, Kevon Harris (alas), Tari Eason, Dorian Finney-Smith, Jeff Green (alas-pivôs), Steven Adams e Clint Capela (pivôs)
*desfalque por lesão por tempo indeterminado
Técnico: Ime Udoka
O clima para a temporada
A euforia após a troca por Kevin Durant deu lugar à incerteza quando Fred VanVleet rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho nos treinamentos da pré-temporada. O armador não deve jogar em 2025/26, o que abre uma série de questionamentos sobre o funcionamento do time. Além de perderem um dos líderes do elenco, os Rockets têm apenas o ainda pouco experimentado Reed Sheppard e Aaron Holiday para suprir o espaço deixado por VanVleet.
Ainda assim, as expectativas são altas em Houston. Afinal, Kevin Durant chegou, o que por si só já seria motivo de olhar para a equipe de um jeito diferente. Mas o fato dos Rockets terem perdido ‘pouco’, anima ainda mais. Jalen Green, principal peça de troca da equipe, se mostrou ainda mais deslocado nos playoffs do que na temporada regular. Já Dillon Brooks, embora fosse fundamental na defesa e na liderança da equipe, seria quem mais perderia espaço com a chegada de KD. E as escolhas de Draft são o sinal que os Rockets querem disputar o título agora, não no futuro. A saída de Cam Whitmore, mesmo não sendo na troca por Durant, segue o mesmo raciocínio.
Mas as chegadas além do astro também animam. Dorian Finney-Smith é um dos defensores mais versáteis da posição, e pode até atuar ao lado de Durant, se necessário. Clint Capela volta para os Rockets num momento em que o técnico Ime Udoka abertamente arrisca formações com dois pivôs e também deve ter seus minutos ao longo dos jogos, ainda que atrás de Steven Adams na hierarquia. E Josh Okogie vem da melhor temporada da carreira nos chutes do perímetro, com destaque para os 38% de acerto quando ainda jogava pelos Suns. Para alguém que não deve ter mais que 15 minutos por jogo, é o suficiente.
Por outro lado, há uma pressão que não existia na última temporada, quando se esperava, sim, uma evolução dos Rockets, mas não a ponto de brigarem pela ponta do Oeste. Agora, com a adição de Durant, todos os olhos estão voltados para Houston, que entrará em uma briga ferrenha com vários rivais que também se reforçaram na conferência.
Abre aspas
"Temos um jogador da posição cinco que é capaz de sair de perto da cesta e construir jogadas da cabeça do garrafão. Só esse posicionamento já abre bastante espaço para todo mundo. Isso nos torna imprevisíveis porque ele pode atacar no mano a mano, fazer corta-luz, trabalhar os passes a partir dos 'handoffs'. E nós podemos fazer corta-luzes para ele também. Quando a bola está nas mãos dele, ele confunde a defesa. E nós confiamos sempre que ele vai tomar a decisão correta."
Foram essas as primeiras impressões de Kevin Durant a respeito de Alperen Sengun.
Uma esperança
A campanha que culminou na segunda posição do Oeste na temporada regular passada teve como grande ponto forte a defesa. A média de 110,3 pontos sofridos a cada 100 posses de bola colocou os Rockets em quinto lugar no ranking de eficiência da liga.
Seria um erro não dar crédito a Dillon Brooks por parte desse sucesso defensivo. Mas também há muitas razões para acreditar que o sistema como um todo poderá continuar se saindo muito bem sem ele. E claro: ninguém em sã consciência perderia a oportunidade de poder passar a contar com Kevin Durant, que veio na troca por Brooks.
Mesmo em idade mais avançada, Durant é perfeitamente capaz de se encaixar em uma defesa de alto nível. E do outro lado da quadra, a grande esperança em Houston é que ele consiga resolver os problemas que tanto atrapalharam esse time nas horas decisivas.
A defesa carregou os Rockets para o mando de quadra na primeira rodada dos playoffs, o que já é um feito e tanto no Oeste de hoje em dia, mas o ataque simplesmente derreteu nos momentos em que ninguém parecia capaz de colocar a bola na cesta em momentos mais delicados. Se tudo correr mais ou menos como o esperado, Durant não compromete o primeiro cenário e resolve o segundo. O que permitiria aos Rockets sonharem bem alto.
Um medo
Em 2024/25 os Rockets foram um com Fred VanVleet em quadra: quase 70% de aproveitamento, com todos os atletas jogando o melhor basquete possível na temporada e indo bem nos momentos decisivos.
Sem ele, porém, o aproveitamento foi de apenas 50%. O ataque ficou mais travado, Jalen Green não foi capaz de assumir as ações ofensivas, e pior: nenhuma vitória contra os principais oponentes da Conferência Oeste, exceto uma contra os Timberwolves sem Gobert e Randle.
Ao mesmo tempo, Reed Sheppard, em tese um dos principais calouros da última classe, e substituto mais óbvio para FVV, foi pouco utilizado, mesmo tendo boas atuações quando teve oportunidades no time principal. Na G-League, enquanto isso, mostrou estar bem acima do nível disputado.
Mas com a lesão de VanVleet, o agora segundoanista foi jogado aos leões. Com apenas Aaron Holiday dividindo a posição, Sheppard deverá ter uma minutagem - e responsabilidade - muito maior em um Houston que já espera brigar pelo título da Conferência.
Ainda que Amen Thompson, Sengun, e principalmente Kevin Durant irão auxiliá-lo na condução da equipe, Sheppard será quase obrigado a mostrar algo que ainda não teve tempo em sua curta trajetória no basquete profissional, sem tempo para cometer erros.
O cara
Poderíamos encerrar este tópico com apenas duas palavras: Kevin Durant. Aos 37 anos, o astro segue como um dos principais nomes da liga mesmo passando por elencos conturbados nas últimas temporadas. Em 2024/25, pelos Suns, foram 26,6 pontos de média, incríveis 43% de aproveitamento do perímetro, 6,0 rebotes, 4,2 assistências e 1,2 toco por partida, o que lhe rendeu mais uma ida ao All-Star Game.
E mais do que a nova principal opção ofensiva do elenco, os Rockets ganharam em Durant alguém com uma característica que fez muita falta nos playoffs contra os Warriors: jogo de meia quadra e alguém de ‘alta gravidade’, para chamar a atenção da defesa. A partir do momento que Sengun foi parado por Draymond Green, e Jalen Green foi parado por ele mesmo, o ataque de Houston travou.
Alguém com as características de Durant não apenas daria novas possibilidades de agredir a defesa adversária, como também, em tese, poderia facilitar e aliviar a pressão do que estava dando errado para seus companheiros. Adicionando toda a qualidade de KD à equação, o casamento teria tudo para ser perfeito, ao menos até a lesão de VanVleet.
Ainda assim, as expectativas seguem altas. Na defesa, Durant também tem muita capacidade para contribuir de diversas maneiras, ainda mais num elenco que não será o principal defensor, papel que precisou exercer nos últimos anos. Com pelo menos 2,11m de altura (já que sempre parece estar na mesma altura de outros jogadores em tese mais altos), consegue disputar em praticamente todas as posições e, principalmente, nas coberturas.
Também vale a pena ficar de olho
Alperen Sengun se tornou all-star pela primeira vez em 2025. Foi uma espécie de prêmio ao principal jogador de um time que brigava nas cabeças da concorridíssima Conferência Oeste, mas também é importante notar que a temporada do pivô turco apresentou uma leve queda em pontuação e, principalmente, em eficiência nos arremessos em relação ao ano anterior.
Para piorar, nos playoffs ele apresentou sérias dificuldades para fazer cestas no mano a mano diante da marcação de Draymond Green, o que acabou sendo um dos fatores determinantes para a eliminação diante do Golden State Warriors. Alguns meses mais tarde, Sengun deu uma excelente resposta com a seleção do seu país no EuroBasket. Foi um dos melhores jogadores da competição, se não o melhor, e muito disso graças ao estrago que causou nos adversários quando teve a bola nas mãos. Vai ser curioso acompanhar os próximos passos desse processo, agora na NBA.
Mas seria um erro passar por essa seção sem citar outros dois nomes que já têm atraído os holofotes nos Rockets antes mesmo de a temporada começar. Um deles é Amen Thompson, um jovem extremamente atlético, que já é seguramente um dos melhores defensores da liga e que tem dado passos interessantes ofensivamente, em alguns momentos até fazendo as vezes de armador
E por falar em armação, o outro nome que precisa aparecer por aqui é Reed Sheppard. Depois de ter tido pouco espaço no ano de calouro, ele agora deve ser muito mais requisitado na rotação por causa da lesão de Fred VanVleet. O técnico Ime Udoka jura que já planejava utilizá-lo mais, mesmo antes de o antigo titular da posição virar ausência por tempo indeterminado, por causa da dedicação em melhorar a defesa e pelo conjunto de habilidades ofensivas que carrega. Oportunidades para vermos isso tudo dentro de quadra não faltarão. E os Rockets se beneficiarão bastante que ele consiga responder à altura do chamado.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4,5 (alto para máximo) - Os Rockets já eram um time competitivo, com uma defesa forte e com um Alperen Sengun que vez ou outra tirava da cartola lances muito empolgantes quando tinha a bola nas mãos. E agora Kevin Durant chegou. Tem muito motivo pra prestar atenção nos Rockets.
Palpite para a temporada 2025/26 dos Rockets
No cenário mais otimista: os Rockets se consolidam como a maior ameaça ao Oklahoma City Thunder pelo topo do Oeste. E se for para pensar em um cenário bem otimista mesmo, a combinação de defesa forte e talento ofensivo gigantesco de Kevin Durant faz o time triunfar em um confronto direto e chegar às finais.
No cenário mais pessimista: o time não consegue acompanhar o ritmo de crescimento de outros concorrentes fortes do Oeste. Até volta aos playoffs, mas não sem antes precisar disputar o play-in. E ao chegar lá, não passa da primeira rodada.
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