Na última temporada o Oklahoma City Thunder chegou até a final da NBA com cobras. donos da melhor campanha na fase regular, atropelaram todo mundo nos playoffs…exceto o Denver Nuggets.
Nikola Jokic e companhia ficaram muito perto de eliminarem os futuro campeões, mesmo com um elenco de pouquíssima rotação e que foi ficando ainda mais curto com o passar da série de sete jogos. O problema era claro: falta gente, números, mais braços e pernas em quadra. Problema, aparentemente, resolvido pela diretoria. Chegou a hora de vermos Jokic levantar mais um campeonato?
Como foram os Nuggets na última temporada
Campanha: 50 vitórias e 32 derrotas
Classificação: 4° lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: eliminado na semifinal de conferência para o Oklahoma City Thunder por 4 a 3, após vencer o Los Angeles Clippers na primeira rodada por 4 a 3
O que aconteceu: a equipe teve um início errático, mas logo se aprumou no campeonato. O melhor momento foi a partir de fevereiro, quando teve bons resultados contra adversários diretos no Oeste e chegou até a assumir a segunda posição por algumas semanas. Mas uma sequência de quatro derrotas já no mês de abril, quando Jamal Murray foi desfalque, fizeram os Nuggets caírem para o empate tríplice com Lakers e Clippers.
Neste meio tempo, tanto o técnico Michael Malone quando o General Manager Calvin Booth foram demitidos da franquia. Nos playoffs, passaram por uma série duríssima de sete jogos contra os Clippers, mesmo número de partidas contra o Thunder, mas dessa vez sem sucesso. Com Michael Porter Jr. jogando lesionado toda a série, e Aaron Gordon nos últimos jogos, a trajetória terminou na segunda rodada dos playoffs.
O elenco dos Nuggets para a temporada 2025/26
Escolhas de Draft: Denver não tinha escolhas no Draft 2025
Quem mais chegou: Bruce Brown (ala-armador, New Orleans Pelicans), Curtis Jones (ala-armador), Tamar Bates (ala-armador), Tim Hardaway Jr. (ala, Detroit Pistons), Cameron Johnson (ala, Brooklyn Nets), Kessler Edwards (ala-pivô, Dallas Mavericks) e Jonas Valanciunas (pivô, Sacramento Kings)
Quem foi embora: Russell Westbrook (armador), Michael Porter Jr. (ala-pivô, Brooklyn Nets), PJ Hall (pivô, Memphis Grizzlies) e Dario Saric (pivô, Sacramento Kings)
Provável time titular: Jamal Murray, Christian Braun, Cameron Johnson, Aaron Gordon e Nikola Jokic
Reservas: Bruce Brown (armador) Jalen Pickett, Curtis Jones, Tamar Bates (alas-armadores), Tim Hardaway Jr., Julian Strawther, Peyton Watson, Spencer Jones (alas), DaRon Holmes, Hunter Tyson, Zeke Nnaji, Kessler Edwards (alas-pivôs) e Jonas Valanciunas (pivô)
Técnico: David Adelman
O clima para a temporada
De certa maneira, a temporada 2025/26 dos Nuggets começou em abril, ainda com a anterior em andamento. A demissão do técnico Michael Malone e do GM Michael Booth ocorreu após uma série de desavenças entre os dois. Na visão da franquia, foi o que causou uma piora gradativa do elenco desde o título em 2023, culminando em um 2025 que Michael Malone, na prática, usava apenas seis ou sete jogadores por partida.
Agora, com David Adelman no comando técnico, e Ben Tenzer, como GM interino, os Nuggets foram às compras. A primeira grande movimentação foi a troca de Michael Porter Jr. por Cam Johnson, mantendo as características do time e aliviando a folha salarial do time.
Com este espaço criado, logo na sequência a equipe anunciou a volta do ala Bruce Brown. Fundamental no título de 2023, deixou os Nuggets por não chegar a oferta salarial desejada, mas desde então não conseguiu se firmar na liga. Quem também chegou foi Tim Hardaway Jr., para aumentar ainda mais a profundidade nas alas e o espaçamento da franquia, além de Jonas Valanciunas, resolvendo um histórico problema de ter um bom reserva para Jokic. E quem sabe até um companheiro, já que na pré-temporada eles têm jogado juntos em alguns momentos. Completando a rotação, o ala/pivô Kessler Edwards chega após um ano promissor em Dallas.
Mas talvez a grande expectativa venha de quem já está no elenco. Além de Christian Braun, os jovens pouco foram utilizados nos últimos anos, apesar de demonstrarem potencial. Por isso, a ideia é vermos mais de, principalmente, Julian Strawther e Peyton Watson em quadra, além de Jalen Pickett, Hunter Tyson e Zeke Nnaji.
Por fim, apesar de não terem escolhas de Draft em 2025, os Nuggets têm, sim, um calouro. O ala/pivô DaRon Holmes, 22ª posição do Draft de 2024, não chegou a jogar pois se machucou antes da temporada anterior começar. Agora, porém, está plenamente recuperado e deve ser peça ativa na rotação, com boas atuações na Summer League e na pré-temporada.
Abre aspas
"Bruce Brown está de volta. Nós fomos campeões com ele aqui. Agora preciso salvar a carreira dele de novo. Temos Cam Johnson, temos Jonas Valanciunas, temos alguns caras novos. Temos Da’Ron Holmes saudável. Vamos ver. Mas é uma energia nova, é um novo começo para nós. Espero que a gente consiga fazer algo de especial."
Foi isso o que Nikola Jokic declarou quando perguntado a respeito das impressões do elenco dos Nuggets para a próxima temporada, depois das mudanças da offseason.
Uma esperança
De seis jogadores utilizados à exaustão por quase toda a temporada, para um elenco com nove nomes de muita qualidade e punhado de jovens como Strawther, Edwards, Watson, Pickett, Nnaji e Tyson.
Os Nuggets, de fato, têm um plantel muito mais profundo em 2025/26. Tanto em número de atletas quanto em variedade tática. Muito embora ainda não saibamos ao certo qual é a filosofia de jogo de David Adelman, já que chegou praticamente nos playoffs meses atrás, a possibilidade de variar as formações para esquemas mais físicos, mais rápidos, mais altos, mais chutadores ou até com dois pivôs, é o desejo de qualquer técnico.
Jokic seguirá como um dos principais jogadores da história da NBA, mas tirar um pouco de responsabilidade das mãos do sérvio não o fará mal. Pelo contrário. Não foram poucas as vezes que o Joker terminou as partidas com as mãos no joelho, visivelmente exausto. A maior rotação não apenas facilitará o trabalho dele em quadra, como também o deixará ainda mais apto a jogar nos momentos decisivos das partidas.
Para um Nuggets que parecia estar a poucos passos de voltar a uma final, as movimentações parecem ser exatamente o que a franquia precisava.
Um medo
Os 120 pontos a cada 100 posses de bola da temporada passada (4° melhor em 24/25) colocam os Nuggets como um dos melhores ataques da história, especialmente quando Jokic está em quadra.
Mas os 116,1 pontos sofridos a cada 100 posses de bola deixaram a equipe com a oitava pior defesa de toda a liga. Para um elenco que se propõe a voltar para um carro de bombeiros segurando o troféu Larry O’Brien para toda a população de Denver, não é um bom sinal.
É bem verdade que as mudanças no elenco, e principalmente do treinador, devem modificar completamente tais números, ou pelo menos a forma como os Nuggets chegam até ele. Mas por melhores defensores que, especialmente, Bruce Brown e Jonas Valanciunas sejam, os titulares do time serão praticamente os mesmos, o que inspira muita atenção na hora de proteger a cesta.
O cara
Nikola Jokic, é claro. Tem como pensar em outro nome?
Foram 29,6 pontos e 10,2 assistências por partida na última temporada, números que representam as maiores marcas dele na carreira em ambos os fundamentos. E os 10,2 rebotes por partida o fizeram se tornar apenas o terceiro jogador na história da NBA a emplacar médias de triplo-duplo em um campeonato -- Russell Westbrook e Oscar Robertson foram os outros dois. Isso sem contar o histórico jogo de 31 pontos, 21 rebotes e 22 assistências, o primeiro 30-20-20 de todos os tempos na liga.
Não é incomum que jogadores consigam emplacar números individuais expressivos sem causarem impacto tão grande assim em suas equipes. Definitivamente não é o caso de Jokic. Nos minutos em que ele esteve em quadra ao longo da última temporada, os Nuggets tiveram um saldo médio de 10,5 pontos a cada 100 posses de bola. Sem ele, esse número foi negativo: -9,3 pontos.
Diante de tudo isso, é natural que Jokic tenha ido para o All-Star Game pela sétima vez na carreira e acabado com uma indicação para o quinteto ideal da liga. Na disputa pelo prêmio de MVP, ficou em segundo lugar, atrás apenas de Shai Gilgeous-Alexander.
Também vale a pena ficar de olho
O armador Jamal Murray é o segundo melhor jogador deste time já há algum tempo, mostrando-se um complemento de altíssimo nível de Jokic. Os 21,4 pontos por jogo na temporada passada foram a melhor marca dele desde que entrou na NBA. O fato de ter feito isso mantendo um aproveitamento de 39% nas bolas de três só melhora as coisas. Para completar, teve médias de 6,0 assistências, 3,9 rebotes e 1,4 roubo de bola por partida.
Mas há outros dois jogadores que merecem ser citados aqui por serem novidades e porque podem ser determinantes para os rumos do time, dependendo de como responderão dentro de quadra.
Um deles é o pivô Jonas Valanciunas, que tem sido testado pelo técnico David Adelman durante a pré-temporada em formações que o colocam ao lado de Jokic. Nessas horas, o que tem se observado é uma defesa por zona em que Valanciunas defende o meio do garrafão e Jokic passa a ser deslocado para mais longe da cesta. Vale a pena ficar de olho em como esse teste com dois pivôs se desenrola nos dois lados da quadra. Mas se der certo, seria uma variação tática diferente do que a maioria das equipes é capaz de oferecer.
Quem também merece citação por aqui é Cam Johnson, chegou do Brooklyn Nets na troca com o Michael Porter Jr. O antigo dono da posição costumava entregar bolas de três e boa movimentação sem bola para fazer o ataque fluir em torno de Jokic e Murray. Johnson teve bons momentos no campeonato passado, em que registrou ótimo aproveitamento em arremessos do perímetro. Muito da aspiração dos Nuggets para 2026 passa pela capacidade dele em assumir esse lugar que se abriu no quinteto principal.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4,5 (alto para máximo) - Os Nuggets têm um técnico novo que parece mais disposto a fazer experiências com o elenco que tem em mãos. E têm Nikola Jokic no auge da forma técnica, o que por si só já é garantia de entretenimento de alto nível para qualquer amante do basquete.
Palpite para a temporada 2025/26 dos Nuggets
No cenário mais otimista: os Nuggets conseguem se destacar em meio à pesada concorrência do Oeste, viram a principal ameaça ao Oklahoma City Thunder pelo topo do Oeste, conquistam a conferência e voltam às finais.
No cenário mais pessimista: as experiências em torno de Nikola Jokic não funcionam tão bem, e os Nuggets não conseguem se distanciar do bolo de times fortes o bastante para irem aos playoffs. Enquanto o sérvio estiver saudável, uma não classificação aos playoffs parece improvável, mesmo em um cenário mais pessimista. Mas uma eliminação na primeira rodada poderia acontecer.
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