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6 dias para a NBA: Boston Celtics economiza em temporada sem Tatum para voltar a brigar pelo título no futuro

Campeão da NBA em 2023/24, o Boston Celtics programou o fim do ciclo do elenco vencedor para 2025/26, quando boa parte dos contratos dos principais jogadores terminaria. Mas a lesão de Jayson Tatum nos playoffs da última temporada fez a equipe abrir mão de disputar o título neste ano, antecipando a remontagem e realizando uma série de trocas para aliviar a folha salarial. Ainda assim, o time tem qualidade, jogadores de nível all-star e pode fazer um barulho na Conferência Leste enquanto aguarda seu astro se recuperar para voltar as quadras. Mas também há a possibilidade, ao menor sinal de instabilidade, de abrir mão de qualquer tipo de competição para tentar uma boa escolha no Draft do ano que vem. Qual será o caminho dos Celtics?

Como foram os Celtics na última temporada

  • Campanha: 61 vitórias e 21 derrotas

  • Classificação: 2° lugar na Conferência Leste

  • Nos playoffs: Eliminado na semifinal de conferência para o New York Knicks por 4 a 2 após vencer o Orlando Magic na primeira rodada por 4 a 1

  • O que aconteceu: a defesa do título de 2024 teve vários altos e baixos. Apesar de ter passado novamente da marca das 60 vitórias, sofreu algumas derrotas dignas de se ligar o sinal de alerta nos torcedores e ficou o tempo todo atrás do Cleveland Cavaliers na classificação do Leste. Quem imaginava que os Celtics estavam se guardando para os playoffs e que elevariam o nível na hora mais importante da temporada acabou se enganando. O sonho do bicampeonato acabou em seis jogos diante do New York Knicks na semifinal de conferência. E como nada é ruim o bastante que não possa piorar, Jayson Tatum rompeu o tendão de Aquiles na série e pode ficar fora de combate por toda a próxima temporada.

O elenco dos Celtics para a temporada 2025/26

  • Escolhas de Draft: Hugo González (ala-armador, 28ª escolha), Amari Williams (pivô, 46ª escolha) e Max Schulga (ala-armador, 57ª escolha)

  • Quem mais chegou: Anfernee Simons (ala-armador, Portland Trail Blazers), Josh Minnott (ala-pivô, Minnesota Timberwolves), Chris Boucher (ala-pivô, Boston Celtics) e Luka Garza (pivô, Minnesota Timberwolves)

  • Quem foi embora: Jrue Holiday (armador, Portland Trail Blazers), Kristaps Porzingis (pivô, Atlanta Hawks), Al Horford (ala-pivô, Golden State Warriors), Luke Kornet (pivô, San Antonio Spurs), JD Davison (armador, Houston Rockets), Torrey Craig (ala), Miles Norris (ala-pivô) e Drew Peterson (ala-pivô, Charlotte Hornets)

  • Provável time titular: Anfernee Simons, Derrick White, Jaylen Brown, Chris Boucher e Neemias Queta

  • Reservas: Payton Pritchard (armador), Baylor Scheierman, Hugo González, Max Schulga, (alas-armadores), Jayson Tatum*, Jordan Walsh (ala), Sam Hauser, Tillman, Josh Minott (alas-pivôs), Luka Garza e Amari Williams (pivôs)
    *desfalque por lesão por tempo indeterminado

  • Técnico: Joe Mazzulla

O clima para a temporada

A ruptura no tendão de Aquiles de Jayson Tatum e a provável ausência dele por toda a próxima temporada fez os Celtics acelerarem uma série de movimentações no elenco com o objetivo de diminuir a folha salarial e evitar as punições que a NBA impõe a quem fica muito acima do limite.

Resultado: três dos seis jogadores mais utilizados na campanha do título de 2024 não estão mais em Boston. Kristaps Porzingis e Jrue Holiday foram enviados para Atlanta Hawks e Portland Trail Blazers, respectivamente, em negociações que levaram aos Celtics contratos de valores e duração menores. Já Al Horford assinou como agente livre com o Golden State Warriors.

Anfernee Simons, que veio nesta troca com os Blazers, é um arremessador que será bastante tempo ao longo da temporada, mas que tem como maior atrativo o fato de que será agente livre daqui a um ano. Chris Boucher é uma outra novidade que deverá receber muitos minutos na rotação.

Nesse laboratório de experiências que será feito enquanto espera pela volta de Tatum, Joe Mazzula também deverá explorar mais quem já estava lá. A tendência é que o armador Payton Pritchard, melhor reserva da temporada passada, assuma uma fatia ainda maior do protagonismo ofensivo do time, assim como Sam Hauser. Já o pivô Neemias Queta, que vinha sendo pouco utilizado, provavelmente será alçado ao posto de titular. De falta de oportunidade, ele não poderá reclamar.

Abre aspas

"Estou muito animado. Resolver esse quebra cabeça será um desafio. Tirar o máximo de si mesmo e de todos os outros ao redor será um desafio enorme em cada uma das nossas partidas. Vai ter altos e baixos que as pessoas podem não estar esperando, mas faz parte. Temos novos jogadores e um novo time. Temos muito potencial. Agora precisamos transformar isso em realidade."

Foi assim que Jaylen Brown definiu o estado de espírito em que se encontra às vésperas do início de mais uma temporada com o Boston Celtics.

Uma esperança

A partir do momento que os Celtics avaliaram que a janela da briga pelo título terminou junto da lesão de Jayson Tatum, as movimentações no sentido de baratear o elenco e limpar a folha para quando o astro voltar, baixaram o nível da equipe, como esperado. Mas também resultaram em peças interessantes que podem ser usadas no futuro.

O nome mais óbvio, num primeiro momento, é Anfernee Simons. O armador de 26 anos é um exímio pontuador, capaz de vencer os marcadores a partir da velocidade, sem deixar de lado o alto volume nos chutes para três pontos. Mas tem um contrato alto, de 26 milhões de dólares, que expira nesta temporada. Os rumores, por ora, dão conta que ele pode ser envolvido em novas trocas nos próximos meses.

Outra novidade é Chris Boucher. Ala/pivô de 33 anos, também está em último ano de contrato, mas no valor mínimo de veteranos. Atlético, ainda ágil e com volume do perímetro, pode se tornar uma peça útil e ter o contrato renovado. Josh Minott e Luka Garza também poderão aproveitar seus minutos para se mostrarem mais do que em temporadas anteriores.

Além deles, os calouros Amari Williams, Max Schulga e, principalmente, Hugo González, terão muito mais tempo que teriam em uma campanha visando o título. Isso sem contar nomes.

Assim, para além dos resultados em quadra (que ainda podem render uma boa escolha no Draft do ano que vem), os Celtics já estão de olho no futuro e em quem poderá ser aproveitado a partir do retorno de Tatum e novas tentativas de vencer o campeonato.

Um medo

Por mais que o novo Boston Celtics abra espaço para novos rostos no TD Garden, o desmonte parcial ficou ainda mais latente no garrafão. A rotação, que já não era das maiores, ficou ainda mais curta. Apenas Neemias Queta e Luka Garza são pivôs mais pesados, os centers, para fazer um trabalho mais constante de disputa por rebotes e proteção de aro.

Xavier Tilmann, Josh Minott e, em menor escala, Chris Boucher, até podem fazer a função, mas não é a função que desempenham melhor, em tese.

Além do sempre presente risco de lesões sobrecarregar os atletas que permaneceram saudáveis, a rotação de pivôs dos Celtics também vai no sentido contrário ao das últimas temporadas, quando Horford e Porzingis espaçavam a quadra em quase todas as posses. Luke Kornet e Queta eram a variação necessária. Agora, o português será a regra, sem que outro nome além de Boucher auxilie nos chutes do perímetro.

O cara

Com a lesão de Jayson Tatum, não resta muita dúvida sobre quem é o principal jogador deste time. Ficará a cargo de Jaylen Brown liderar os Celtics ao longo dos próximos meses sem um outro all-star ao lado.

Os 22,2 pontos por jogo na temporada passada representaram um discreto passo para trás em relação ao ano anterior. O aproveitamento nas bolas de três e o índice de eficiência de arremessos também caíram. De 35,4% e 55,7%, respectivamente, para 32,4% e 51,5%. Mas Brown ainda teve médias de 5,8 rebotes, 4,5 assistências e 1,2 roubo de bola por partida, números que renderam um lugar no All-Star Game pela quarta vez.

Se nos últimos anos o torcedor dos Celtics se acostumou a ver uma dupla de jovens estrelas em ação, agora as coisas serão diferentes. Sem Tatum para dividir a responsabilidade de definir a maior parte dos ataques, é de se esperar que o volume ofensivo de Brown aumente consideravelmente. As médias nos principais fundamentos das estatísticas devem subir bastante. Se os níveis de eficiência vão acompanhar esses números, aí já é outra história.

Também vale a pena ficar de olho

O nome mais 'graúdo' que chegou aos Celtics é o de Anfernee Simons. O armador se desenvolveu no Portland Trail Blazers nos sete primeiros anos de carreira como alguém de muito impacto ofensivo e uma melhora defensiva recente, na última temporada. Com médias de 21,7 pontos e 38% de aproveitamento nos chutes de três pontos nos últimos três anos, Simons é um grande motorzinho, que pode ganhar partidas a partir de atuações individuais sem tanta dificuldade. Mas o contrato alto, défict defensivo e número considerável de desfalques recentes pode fazer com que ele seja trocado ainda na temporada regular.

Por isso, quem mais pode aproveitar a chance nesta temporada de 'hiato' na briga pelo título é Neemias Queta. Aos 26 anos, o português irá para sua quinta temporada na NBA com a chance da vida. Atlético, com boa defesa de aro e cortes explosivos em direção à cesta após o pick'n roll, Queta viu a vaga de pivô titular cair em seu colo. No EuroBasket, pela seleção de Portugal, teve boas médias de 15,5 pontos, 8 rebotes e até arriscou alguns arremessos longos, embora ainda com aproveitamento baixo.

Com contrato até 2026/27, pode se mostrar uma peça valiosa para compor o elenco a partir do próximo ano, enquanto consegue um 'desenvolvimento de luxo' sendo titular de uma equipe competitiva, mas de menor pressão por uma circunstância específica.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

3,5 (médio para alto) - Vale pela curiosidade de ver um time praticamente novo que se formou, pela possibilidade de alguma mudança tática com o perfil diferente dos homens de garrafão em relação à temporada passada e, principalmente, por como Jaylen Brown irá se comportar nesse papel de líder absoluto dentro de quadra. Chato de se ver não será, longe disso. Mas nada imperdível, também.

Palpite para a temporada 2025/26 dos Celtics

No cenário mais otimista: mesmo sem a força dos últimos anos, consegue manter campanha bem acima dos 50% de aproveitamento e conquista mando de quadra na primeira rodada dos playoffs. Dependendo do cruzamento, pode até passar para a semifinal de conferência.

No cenário mais pessimista: mais derrotas do que vitórias, mais trocas ao longo da temporada buscando economia e ativos futuros, zona do play-in e nada muito além disso.

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