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5 dias para a NBA: Cleveland Cavaliers 'joga seguro' e mantém elenco que liderou o Leste, mas decepcionou nos playoffs

O Cleveland Cavaliers vem da segunda melhor temporada regular da história da franquia na NBA. Em 2024/25 foram 64 vitórias, atrás apenas das 66 de 2008/09, quando LeBron James estava em sua primeira passagem pela equipe.

Por isso, para 2025/26 o time fez poucas alterações e apostou na base que liderou a Conferência Leste de ponta a ponta, com a esperança que o desempenho nos playoffs seja melhor que o dos últimos anos, para, quem sabe, voltar às finais da liga.

Como foram os Cavs na última temporada

  • Campanha: 64 vitórias e 18 derrotas

  • Classificação: 1° lugar na Conferência Leste

  • Nos playoffs: eliminado nas semifinais de conferência para o Indiana Pacers por 4 a 1 após vencer o Miami Heat na primeira rodada por 4 a 0

  • O que aconteceu: liderou o Leste do início ao fim da temporada, com direito a uma das melhores largadas da história: 17 vitórias e apenas uma derrota até o fim de novembro, muito graças ao sistema ofensivo, o mais eficiente da liga com média de 121,0 pontos a cada 100 posses de bola. Três titulares (Donovan Mitchell, Evan Mobley e Darius Garland) foram para o “All-Star Game”. Mobley ganhou o prêmio de defensor do ano, e Kenny Atkinson foi eleito o melhor técnico. Mas depois de passar com facilidade pelo Miami Heat na primeira rodada dos playoffs, o sonho de vencer o Leste não resistiu à intensidade nos dois lados da quadra do Indiana Pacers na semifinal de conferência.

O elenco dos Cavs para a temporada 2025/26

  • Escolhas de Draft: Tyrese Proctor (armador, 48ª escolha) e Saliou Niang (ala, 58ª escolha)

  • Quem mais chegou: Lonzo Ball (armador, Chicago Bulls), Larry Nance Jr. (ala-pivô, Atlanta Hawks)

  • Quem foi embora: Ty Jerome (ala-armador, Memphis Grizzlies), Javonte Green (ala-armador, Detroit Pistons) e Isaac Okoro (ala, Chicago Bulls)

  • Provável time titular: Darius Garland, Donovan Mitchell, Max Strus, Evan Mobley e Jarrett Allen

  • Reservas: Lonzo Ball, Craig Porter Jr., Tyrese Proctor (armadores), Sam Merrill, Luke Travers (alas-armadores), De’Andre Hunter, Jaylon Tyson (alas), Dean Wade, Larry Nance Jr., Chuma Okeke e Nae’Qwan Tomlin (alas-pivôs)

  • Técnico: Kenny Atkinson

O clima para a temporada

Depois da frustrante queda nos playoffs, os Cavs juntaram os cacos com movimentos pontuais em torno da espinha dorsal do último ano. O ala Isaac Okoro, que não era tão usado assim, foi mandado para o Chicago Bulls em troca de Lonzo Ball, um armador mais alto do que a dupla do time titular, dono de uma defesa versátil, de passes rápidos e certeiros com a bola nas mãos e até um arremesso de três que evoluiu ao longo dos últimos anos. Sofreu bastante com lesões, é verdade, mas parece ainda ter gás no tanque e qualidade para ajudar em uma rotação que não exija dele muitos minutos por jogo.

É uma adição que pareceu ainda mais importante diante da saída de Ty Jerome, armador que foi um dos melhores reservas da liga na temporada passada e que resolveu assinar como agente livre com o Memphis Grizzlies depois de ter se valorizado tanto. Por outro lado, o ala-pivô Larry Nance Jr voltou, o que deixa o técnico Kenny Atkinson mais bem servido de alternativas para o garrafão quando precisar rodar o time.

Essa profundidade do elenco será requisitada nas primeiras semanas de caminhada, enquanto Darius Garland e Max Strus ainda se recuperam de lesão. Se tudo der certo, os substitutos seguram as pontas agora e fazem os Cavs continuarem brigando pelo topo do Leste. Mas o que a torcida espera mesmo é que o processo produza as respostas necessárias para sobreviver quando chegar a hora mais importante da temporada – os playoffs.

Abre aspas

"Eu nunca falo sobre ganhar campeonatos ou terminá-lo em uma determinada posição. Nunca faço isso com meus jogadores. É tudo questão do trabalho diário, do processo diário e do esforço diário. Sempre encarei as coisas dessa maneira. Você precisa se manter saudável para vencer nesta liga. Então parte de ser campeão é sorte. Mas a outra parte é preparação. Sabemos disso, mas é difícil. É difícil vencer nos playoffs. Demanda fazer um monte de coisas da maneira correta."

Foi essa a reflexão que o técnico Kenny Atkinson fez ao ser questionado sobre as aspirações dos Cavs para a temporada 2025/26.

Uma esperança

2024/25 foi o ano das Cavalanches. Os frequentes momentos de ataque frenético durante alguns minutos específicos da partida virou mania e até marca registrada (literalmente) em Cleveland. Não à toa, esses momentos renderam inúmeras vitórias aos Cavs, que garantiam uma grande diferença ainda no segundo ou terceiro período das partidas.

Mais que isso, tiveram o melhor ataque de toda a NBA, com 121 pontos a cada 100 posses de bola. Também foram o segundo melhor time com mais acertos para três pontos (15,9) e o segundo maior aproveitamento (38,3%).

São muitos os nomes que podem puxar a pontuação da equipe. Desde os astros Donovan Mitchell e Evan Mobley, passando por Darius Garland (quando estiver saudável), De'Andre Hunter, Jarrett Allen e até Lonzo Ball, que chegou para substituir Ty Jerome, um dos melhores reservas do último ano.

Ao menos neste aspecto, principalmente na temporada regular, os torcedores de Cleveland podem esperar um novo show em 2025/26.

Um medo

Os Cavs vão para a terceira temporada consecutiva com praticamente o mesmo elenco. No período, o técnico foi trocado, a atitude do time mudou, e a temporada regular a partir de março foi praticamente só para cumprir tabela, uma vez que a liderança estava muito bem encaminhada.

Mas mesmo nos cenários diferentes dos últimos anos, houve uma constante: a queda de rendimento nos playoffs. Tanto com J.B. Bickerstaff, quanto com Kenny Atkinson, a sensação após os jogos eliminatórios era de que os Cavs deveriam ter rendido muito mais do que o apresentado.

O diagnóstico após a eliminação para o Indiana Pacers meses atrás foi que os adversários eram muito mais físicos que Cleveland, e que essa deveria ser a grande preocupação da equipe na pré-temporada. O que faz sentido, uma vez que os Pacers garantiram três das quatro vitórias com viradas no segundo tempo, quando pareciam mais inteiros que os Cavs.

Considerando que o desempenho na primeira fase provavelmente será tão bom quanto ao da última temporada, a expectativa dos Cavs fica toda para os playoffs. Mas se mesmo com a mudança de comando e o desenvolvimento de alguns jogadores a situação não mudou no último ano, há uma grande pressão para o time ser mais imponente na hora decisiva.

O cara

Seis jogadores do atual elenco dos Cavs tiveram médias de dois dígitos na temporada passada, o que ajuda a mostrar como a produção ofensiva é mais distribuída do que a média. Mas nos momentos mais apertados dos jogos, em que a bola costuma ficar mais nas mãos do principal jogador de ataque, não existe muita dúvida: é Donovan Mitchell quem exerce esse papel.

O ala-armador foi o cestinha da equipe na temporada passada com 24,0 pontos por jogo. Teve ainda 5,0 assistências, 4,5 rebotes e 1,3 roubo de bola em pouco mais de 31 minutos por partida -- o que, aliás, foi o tempo de quadra mais baixo dele desde que entrou na NBA.

Os números, aliados à campanha de altíssimo nível dos Cavs durante a última temporada regular, fizeram de Mitchell um all-star pela sexta vez na carreira. Ao final do campeonato, terminou com uma vaga no quinteto principal da liga e em quinto lugar na disputa pelo prêmio de MVP.

Também vale a pena ficar de olho

Evan Mobley deu mais um passo em sua evolução durante a temporada passada, atingindo médias de 18,5 pontos, 9,3 rebotes, 3,2 assistências e 1,6 toco por jogo, passo em que manteve o aproveitamento de 37% nas bolas de três que tivera no ano anterior, mas com um volume de arremessos três vezes maior. Isso sem falar na maior naturalidade que apresentou nas vezes em que precisou se virar com o drible, criando infiltrações por conta própria diante de um marcador, e também como passador. Foi algo crucial, aliás, para permitir que o encaixe com Jarrett Allen funcionasse.

Do outro lado da quadra, o nível foi tão alto que o rendeu o prêmio de melhor defensor da liga. Mobley é realmente especial sob esse aspecto: é um pivô bem alto que protege o aro com eficiência, está sempre atento para fazer coberturas precisas e também é atlético o bastante para encarar trocas de marcação que o deixam diante de oponentes menores.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4,5 (alto para máximo) - Se as coisas forem mais ou menos como a gente viu na temporada passada, os Cavs serão um ótimo divertimento para quem gosta de basquete. Além de contarem com um Donovan Mitchell que sempre pode explodir de fazer pontos, são um time competitivo, bem treinado e versátil, capaz de apresentar variações táticas interessantes ao longo de uma mesma partida.

Palpite para a temporada 2025/26 dos Cavs

No cenário mais otimista: volta a liderar o Leste durante toda a temporada, assim como fez no ano passado, só que desta vez consegue transferir essa dominância toda para os playoffs, passa por cima de todo mundo dentro da conferência e avança para a decisão contra quem ganhar o Oeste.

No cenário mais pessimista: conquista menos vitórias do que na temporada passada, vê alguma outra equipe do Leste assumir a liderança, chega aos playoffs com mando de quadra, mas sem despertar tanta confiança, e não passa da segunda rodada.

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