Após variar entre ser um dos piores e um dos melhores times da Conferência Oeste em poucos meses, o Portland Trail Blazers espera, no mínimo, ter uma temporada mais estável na NBA.
O foco do time são os jovens: Scoot Henderson ainda tem 21 anos, mesma idade de Donovan Clingan. Shaedon Sharpe tem 22, Deni Avdija, 24, Toumani Camara e Kris Murray, 25 cada, além do novato sensação Hansen Yang, de apenas 20 anos de idade.
Em conjunto com as várias picks nos próximos Drafts, Portland se projeta como uma das franquias do futuro, mas sem esperar muito mais tempo para voltar a ser competitivo. Se estivesse no Leste, estaríamos falando de um candidato aos playoffs. No Oeste, talvez a concorrência soterre as ambições da equipe, mas não sem muita luta. E no final das contas, quem sabe?
Como foram os Trail Blazers na última temporada
Campanha: 36 vitórias e 46 derrotas
Classificação: 12° lugar na Conferência Oeste
O que aconteceu: com alguns desfalques entre os jogadores mais altos desde o início da temporada, os Blazers tiveram um início errático, rondando as últimas posições nos primeiros meses. Mas após meados de janeiro, e muita roupa suja lavada publicamente em entrevistas, a equipe engrenou e se tornou uma ótima defesa, até com campanhas positivas em alguns meses. Só que a distância para o play-in já era muito grande, e Portland ficou pelo caminho.
O elenco dos Trail Blazers para a temporada 2025/26
Escolhas de Draft: Yang Hansen (pivô, 16ª escolha)
Quem mais chegou: Jrue Holiday (armador, Boston Celtics), Damian Lillard (armador, Milwaukee Bucks), Caleb Love (ala-armador) e Blake Wesley (ala-armador, San Antonio Spurs)
Quem foi embora: Anfernee Simons (ala-armador, Boston Celtics) e DeAndre Ayton (pivô, Los Angeles Lakers)
Provável time titular: Jrue Holiday, Shaedon Sharpe, Deni Avdija, Toumani Camara e Donovan Clingan
Reservas: Scoot Henderson, Damian Lillard (armadores), Matisse Thybulle, Blake Wesley, Rayan Rupert, Caleb Love (alas-armadores), Kris Murray, Sidy Cissoko (alas), Jerami Grant, (ala-pivô), Hansen Yang, Robert Williams III e Duop Reath (pivôs)
Técnico: Chauncey Billups
O clima para a temporada
Qual será o Portland de 2025/26? O do início da temporada passada, ou o dos últimos meses? A resposta para essa pergunta vai ditar os rumos da temporada no estado de Oregon. Ainda assim, o clima é de otimismo. O elenco teve poucas, mas profundas alterações: chegada de Jrue Holiday e as saídas de Ayton e Simons, em movimentos feitos claramente para abrir espaço na rotação para Sharpe e Henderson na armação, e Clingan e Hang no garrafão.
Holiday chega a Portland (finalmente) para levar a experiência dos títulos por Bucks e Celtics, reforço na defesa e a fama de ser um dos melhores companheiros de vestiário de toda a liga.
Já Yang Hansen é uma incógnita. O pivô foi draftado em uma posição alta, como uma aposta da franquia no ‘Jokic chinês’. A comparação com um dos melhores jogadores da história, por conta do estilo de jogo semelhante e passes mirabolantes na cabeça do garrafão, também acende um alerta: a maturação, tal qual a do sérvio, pode levar várias temporadas. Mas fica por aí. Hansen ainda não tem o ritmo da NBA e está atrás de Clingan na hierarquia da equipe.
De qualquer maneira, os Trail Blazers fizeram as movimentações certas, que indicam uma disposição para brigar em posições mais altas do que nos últimos anos. Além de uma boa quantidade de jovens de qualidade, os veteranos Jerami Grant e Robert Williams III ainda têm valor na liga e podem ser envolvidos em trocas.
Além disso, a chegada de Damian Lillard mudou os ânimos da cidade, que vê o retorno do ídolo que nunca deveria ter saído. Ainda que não atue nesta temporada, a presença do astro na beira da quadra já será um atrativo e tanto.
Abre aspas
"Eu gosto muito da situação em que nos encontramos neste momento. E agora entendo quanto tempo leva para construir uma cultura. Sinto que conseguimos. Acho que o sinal disso, para qualquer treinador, é que, em algum momento, quando seu time assumir sua personalidade e a forma como você acredita que o jogo deve ser jogado, significa que você chegou lá."
A declaração é de Chauncey Billups, técnico dos Blazers, aparentemente bastante satisfeito com a evolução que viu do time ao longo da temporada passada. Ótimo sinal para quem há um ano era visto por muita gente que acompanha a NBA de perto como um treinador que parecia correr iminente de demissão.
Uma esperança
Os Trail Blazers tiveram uma campanha de 13 vitórias e 28 derrotas na primeira metade da temporada. Na segunda, 23 vitórias e 18 derrotas. A grande virada de chave foi defensiva: apenas 112,6 pontos sofridos a cada 100 posses de bola, a quarta melhor marca da liga no período. Na primeira metade, foram 119,3 pontos sofridos, a terceira pior marca.
Uma mudança e tanto para uma equipe que em várias oportunidades teve insatisfações internas tornadas públicas em entrevistas coletivas e vinha de três anos extremamente melancólicos.
Além da nova postura em quadra, que reacendeu a chama do treinador Chauncey Billups e o livrou de uma provável demissão, o time deu ainda mais espaço para os jovens, já que Grant e Ayton pouco atuaram nos últimos meses do ano.
Mantendo o ímpeto desde o início do ano, os Trail Blazers podem fazer bonito na temporada. Bons jogadores na defesa eles têm: Jrue Holiday, Toumani Camara, Mathisse Thybulle, os gigantes Clingan e Hansen e até Deni Avdija, que não deixa a desejar.
Um medo
Mas a defesa é o lado colorido da estrada. Na outra janela está um passado ainda recente de muita desorganização, jogadores insatisfeitos e desconfianças sobre Chauncey Billups. A aposta em Hansen Yang no Draft pode se virar contra Portland, caso o chinês não vingue e a franquia tenha desperdiçado a chance de qualificar o time a curto prazo.
O alto índice de rebotes ofensivos na última temporada foi um dos pontos fortes do time, mas esconde um número assustador: o aproveitamento nos arremessos foi o quinto pior da liga em praticamente todos os pontos da quadra.
Além disso, as lesões já estarão presentes desde a primeira rodada: Scoot Henderson sofreu um estiramento na coxa esquerda e deve perder o primeiro mês da temporada regular. Se a gana e a postura da segunda metade não se repetirem, o processo dos Trail Blazers podem ir por água abaixo novamente.
O cara
Deni Avdija teve dois anos discretos em sua chegada à NBA. Mas assim que estourou, na terceira temporada pelo Washington Wizards, Portland apostou na qualidade do ala israelense e o trocou por um valor considerado alto demais à época (Malcolm Brogdon, Bub Carrington e uma pick de primeira rodada).
O risco valeu a pena, e o ala de 2,06m se transformou em um dos grandes nomes da posição. Em 2024/25 foram 16,9 pontos, 7,3 rebotes, 3,9 assistências e 1 roubo por partida, com aproveitamento de 36,5% do perímetro (mas ótimos 42,6% na posição dos 45 graus).
Eficiente nos dois lados da quadra, com capacidade de organização quando necessário, e um habilidade para absorver contatos e forçar vários lances livres de bonificação ao receber faltas quando pontua, Avdija ainda dá a impressão de que está em uma crescente na carreira e pode render ainda mais.
No Eurobasket, liderou a seleção de Israel até as oitavas de final, quando foi eliminado para a Grécia de Giannis Antetokounmpo. Teve médias de 24 pontos (não ficou abaixo de 20 em nenhum jogo), 6,8 rebotes, 2,7 assistências e 2 roubos por partida.
Também vale a pena ficar de olho
52ª escolha no Draft de 2023, o belga Toumani Camara se tornou um dos grandes defensores da liga em pouquíssimo tempo. Não à toa, ficou em nono lugar na corrida pelo prêmio de defensor do ano, além de figurar no segundo quinteto ideal de defesa. No ataque também é uma ameaça, e subiu de 7,5 para 11,3 pontos nas últimas duas temporadas, com acréscimo relevante no aproveitamento do perímetro.
Mesmo com 2,03m (mais baixo que Avdija, por exemplo), tem muito êxito marcando jogadores mais altos, sem deixar de lado a explosão e envergadura necessárias para fazer um grande trabalho contra os mais baixos. Em suma, praticamente não existe mismatch contra ele.
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Olho também em Shaedon Sharpe. Cestinha da equipe (além de Simons, que não faz mais parte do elenco) com 18,5 pontos, o ala-armador terá maior liberdade para criar e seguir dando espetáculo com enterradas mirabolantes, marca registrada na liga. Se aprimorar os aspectos defensivos, principalmente com a ajuda de Holiday, e ter um arremesso do perímetro mais consistente, tem tudo para se tornar uma grande ameaça aos adversários. Tempo para isso há. Ele tem apenas 22 anos e já irá para quarta temporada na liga.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
3 (médio) - Defesas fortes, por si só, não são muito atrativas. Mas os Trail Blazers combinam com muita correria e contra-ataques finalizados em cestas acrobáticas, empolgando a torcida. O crescimento dos bons jovens, de certa forma, lembra um pouco do início do crescimento do Oklahoma City Thunder, e a equipe tem tudo para incomodar os times da parte de cima da tabela. Além disso, Hansen Yang promete ser uma atração à parte quando estiver em quadra.
Palpite para a temporada 2025/26 dos Trail Blazers
No cenário mais otimista: a defesa volta a ser a marca principal da equipe, os jovens continuam seu desenvolvimento e os Trail Blazers mantém o aproveitamento na casa dos 50% desde o início da temporada, sonhando com o play-in na competitiva Conferência Oeste. Dependendo do confronto, um espaço nos playoffs não seria sonhar tão alto, pavimentando o retorno triunfal de Damian Lillard.
No cenário mais pessimista: os problemas do início do ano passado voltam a acontecer, a confiança em Billups despenca e a temporada se torna mais uma vez melancólica, com Portland não sendo nada mais que um punhado de jovens jogadores com potencial num ambiente desconexo.
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