Desde a temporada seguinte ao título do Milwaukee Bucks na NBA, a franquia nunca mais venceu uma série de playoffs. São três anos consecutivos sendo eliminada na primeira fase da pós-temporada, o que tem causado um grande incômodo em Giannis Antetokounmpo, um dos maiores astros da liga.
A lesão de Damian Lillard foi desastrosa para as pretensões da equipe, que precisou ser criativa ao encontrar soluções para manter o time minimamente competitivo e não perder Antetokounmpo - o que ainda pode acontecer em breve. Alguns bons nomes chegaram, mas o quanto o elenco é confiável?
Como foram os Bucks na última temporada
Campanha: 48 vitórias e 34 derrotas
Classificação: 5° lugar na Conferência Leste
Nos playoffs: Eliminado na primeira fase para o Indiana Pacers por 4 a 1
O que aconteceu: o título na Copa NBA, conquistado depois de uma vitória na final sobre o Oklahoma City Thunder em que a defesa teve papel determinante para o resultado, foi o ponto alto da temporada. Os Bucks em nenhum momento pareceram capazes de decolar e brigar pelo topo do Leste, mesmo com mais um ano de rendimento expressivo por parte de Giannis Antetokounmpo. Por mais que o grego tenha brilhado, o entorno pouco acrescentou para sustentar aspirações maiores. E aí os playoffs vieram com mais uma eliminação na primeira rodada e uma lesão no tendão de Aquiles que deixará Damian Lillard fora de combate por até um ano.
O elenco dos Bucks para a temporada 2025/26
Escolhas de Draft: Bogolijub Markovic (ala-pivô, 47ª escolha)
Quem mais chegou: Cole Anthony (armador, Orlando Magic), Mark Sears (armador), Cormac Ryan, Gary Harris (ala-armador, Orlando Magic), Amir Coffey (ala, Los Angeles Clippers), Thanasis Antetokounmpo (ala-pivô) e Myles Turner (pivô, Indiana Pacers)
Quem foi embora: Damian Lillard (armador, Portland Trail Blazers), Pat Connaughton (ala, Charlotte Hornets) e Brook Lopez (pivô, Los Angeles Clippers)
Provável time titular: Kevin Porter Jr., Gary Trent Jr., Kyle Kuzma, Giannis Antetokounmpo e Myles Turner
Reservas: Cole Anthony, Ryan Rollins, Mark Sears, Jamaree Bouyea, Cormac Ryan (armadores), Gary Harris, AJ Green, Andre Jackson Jr. (alas-armadores), Taurean Prince, Amir Coffey (alas), Bobby Portis, Chris Livingston, Thanasis Antetokounmpo, Tyler Smith (alas-pivôs), Jericho Sims e Pete Nance (pivôs)
Técnico: Doc Rivers
O clima para a temporada
Giannis Antetokounmpo não tem escondido que deseja estar em um lugar onde possa disputar o título. Os Bucks então tentaram fazer o que estava ao alcance para dar alguma satisfação a ele. Um sinal, pelo menos, de que não estavam de braços cruzados, de que algo estava sendo feito.
Se no passado o time foi ousado em bater o martelo em uma troca que rendeu a chegada de Damian Lillard, nesta offseason o choque se deu pela saída dele. Os Bucks o dispensaram por meio de uma stretch (que permite o pagamento do valor restante de um contrato em um tempo maior, o que suaviza as parcelas e, consequentemente, ocupa menos espaço no teto salarial). O armador, vale lembrar, sofreu uma lesão no tendão de Aquiles ainda na reta final da temporada passada e deve ficar um ano fora de combate.
Outras duas saídas importantes, ambas como agentes livres, foram as do pivô Brook Lopez, que assinou com o Los Angeles Clippers, e do ala Pat Connaughton, que se juntou ao Charlotte Hornets.
Em contrapartida, chegou o pivô Myles Turner, vice-campeão da última temporada com o Indiana Pacers. Não deixa de ser uma contratação de impacto, mas o problema é que a reposição para a armação parece ter sido discreta. Cole Anthony chegou, mas a tendência é que ele seja usado como reserva. Se for isso mesmo, Kevin Porter terá então a oportunidade da vida. Se quiserem sonhar em competir entre as potências da liga e agradar Giannis, os Bucks precisam que esse e todos os outros experimentos deem certo.
Abre aspas
"Acredito que comuniquei meus companheiros e todas as pessoas que eu respeito e amo que a partir do momento em que entrar em quadra pelos Bucks, ou que estiver dentro das instalações da equipe, que estiver vestindo essa camisa, nada mais importa. Estou focado para encarar o que vier pela frente. Mas se eu mudar de ideia daqui a seis ou sete meses, acredito que isso também vai ser humano. É permitido que você tome qualquer decisão que quiser. Só que agora eu estou fechado com esse time. Com meus companheiros, com essa comissão técnica e comigo mesmo."
As palavras são de Giannis Antetokounmpo, que tratou de reafirmar o foco nos Bucks, ao mesmo tempo em que não deixou as portas do futuro tão fechadas assim.
Uma esperança
Mesmo com todos os problemas do último ano, incluindo as lesões ao longo da temporada regular de Lillard, Bobby Portis, troca frustrada por Kuzma, etc., os Bucks conseguiram 48 vitórias na primeira fase. Efeito de ter um jogador do nível de Antetokounmpo por quase 70 das 82 partidas - além de Lillard, claro.
Assim, apesar da remodelagem parcial do elenco, é possível imaginar que, em uma temporada mais estável, com o plantel não sofrendo tantas baixas pelos mais diversos fatores, Milwaukee pode repetir a dose ou ir até além, principalmente se superar os concorrentes diretos, como Hawks, Magic e Pistons (já tratando Cavs e Knicks como um patamar acima no Leste).
Para isso, os Bucks precisam…competir. É o verbo mais repetido por Antetokounmpo na offseason e na temporada passada. Ele declarou inúmeras vezes que o grande objetivo é vencer mais um título. E para isso, quer estar em um lugar onde isso seja possível por motivos adicionais ao da simples presença dele.
Pode não ser o melhor elenco do mundo, mas bom material humano os Bucks têm. Myles Turner, Bobby Portis, Gary Trent Jr., até Kevin Porter Jr. e Kyle Kuzma: todos têm como argumentar que podem fazer parte de um time campeão, principalmente jogando de Giannis. Mas isso nos leva ao tópico abaixo.
Um medo
Com parte considerável da folha salarial destinada a Antetokounmpo, Myles Turner, Kyle Kuzma e ao primeiro dos cinco anos de pagamento a Damian Lillard, os Bucks precisaram montar o restante do elenco com jogadores que topassem receber pouco para os padrões da NBA.
O atrativo é claro: jogar ao lado de Giannis, o que, em tese, automaticamente te dá condições de estar em um time minimamente competitivo. Se movimentando pelas beiradas do mercado, Milwaukee fez o que foi possível.
O resultado é a reunião de um punhado de jogadores que estão muito longe do melhor momento das respectivas carreiras. E isso inclui até alguns dos maiores orçamentos: Kuzma teve uma das piores temporadas da carreira (a pior nos arremessos);
Turner foi fundamental na defesa dos Pacers nos playoffs, mas um elo fraco no ataque, principalmente contra o Thunder; Gary Trent Jr., viveu de extremos: ou fez partidas excelentes (como os jogos 3 e 5 nos playoffs contra os Pacers, quando combinou 17 acertos do perímetro), ou pouco apareceu ofensivamente; O mesmo é possível dizer de Kevin Porter Jr., que agora será o armador titular dos Bucks.
Entre as chegadas, Cole Anthony e Gary Harris há muito tempo não eram parte efetiva da rotação de suas equipes. Amir Coffey até foi bem nos Clippers, mas não é mais que um bom chutador competente de rotação.
Isso não seria necessariamente um problemanas mãos de outras comissões técnicas. Afinal, inúmeras histórias de superação partiram de elencos desacreditados, longe do auge técnico. Mas Doc Rivers não é conhecido por realizar este tipo de trabalho com seus jogadores, e a temporada passada foi caótica o suficiente para temermos a adição de mais nomes que não têm a regularidade como ponto forte.
O cara
Em quaisquer circunstâncias, Giannis Antetokounmpo seria apontado como o grande farol dos Bucks por conta das maravilhas que é capaz de fazer em quadra. Praticamente impossível de ser parado após as primeiras passadas, o grego foi o segundo maior pontuador da última temporada, com média de 30,4 tentos por jogo.
Ele pode fazer praticamente tudo: ser o cara da criação de jogadas, ficar embaixo da cesta, servir como peça em um dos pick’n rolls potencialmente mais perigosos de toda a liga.
A única coisa que ele ainda não consegue ser realmente uma ameaça é nos chutes longos, apesar das declarações de que está tentando acabar com essa fraqueza em seu jogo. De fato, no último ano, aumentou um pouco a distância média que tenta os chutes. A maior parte (51%), claro, ainda é extremamente próxima à cesta. Mas os chutes longos para dois pontos viraram uma arma mais utilizada, com bom aproveitamento. Já os do perímetro seguem com números baixos.
Tecnicamente, Giannis é indiscutível. Sua entrega em quadra, idem. Porém, o futuro é incerto. E quando a estrela da equipe não está garantida nem até o fim da temporada, a dúvida e a incerteza invariavelmente tomam conta das análises a cada semana.
Também vale a pena ficar de olho
O segundo melhor jogador do time é Myles Turner. O pivô, que fez carreira no Indiana Pacers, chega para trazer força defensiva e um ótimo aproveitamento do perímetro: ficou muito perto dos 40% na última temporada. Mas aos 29 anos de idade, é difícil imaginar uma grande mudança no seu jogo (por mais que Brook Lopez tenha feito exatamente isso nos Bucks). É um jogador muito bom. Mas no final das contas, é o que é. Sabemos o que esperar.
Quem pode de fato representar um salto nas expectativas da equipe é Kevin Porter Jr. O errático armador vagou pela NBA sempre demonstrando muito talento por onde passou, principalmente na capacidade de atacar no um contra um e gerar o próprio arremesso, além de não fazer feio nos chutes do perímetro nos últimos anos.
Mas sempre foi muito inconstante. E mesmo quando estava bem individualmente, não necessariamente fazia o restante do time jogar melhor. O alto índice de erros e tomadas de decisões questionáveis sempre o deixaram longe de ser uma peça confiável nos elencos por onde passou.
O comportamento errático também foi notório fora das quadras, com uma prisão em 2023 após acusação de violência doméstica, que o afastou das quadras por uma temporada. No início do ano, a justiça retirou a acusação, e ele não tem mais pendências legais.
E agora deverá ter o controle do jogo dos Bucks em suas mãos, ao menos no início da temporada 2025/26. Se conseguir um equilíbrio maior e ser um jogador mais estável, pode virar um dos grandes nomes da equipe. Caso contrário, será um dos primeiros apontados pela permanência da desorganização do time em quadra.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4 (alto) - Enquanto estiver em quadra um jogador chamado Giannis Antetokounmpo, não tem como a nota ser baixa. Nem mesmo se esse time acabar não se mostrando uma potência do Leste.
Palpite para a temporada 2025/26 dos Bucks
No cenário mais otimista: entram no miolo do segundo escalão de forças do Leste, atrás de Cleveland Cavaliers e New York Knicks, brigam por mando de quadra na primeira rodada dos playoffs e, se tudo der realmente muito certo, até chegam nas semifinais de conferência.
No cenário mais pessimista: até vai para os playoffs, mas só porque é extremamente difícil imaginar um time com Giannis Antetokounmpo perdendo tanto ao ponto de nem sequer beliscar uma vaga de play-in em um enfraquecido Leste. Mas não passa da primeira rodada e dá adeus sem incomodar quem estiver do outro lado. Isso, claro, considerando o cenário em que Antetokounmpo termina a temporada em Milwaukee. Caso isso não aconteça, é impossível imaginar o tamanho do estrago na franquia.
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