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3 dias para a NBA: New York Knicks troca o técnico e reforça o banco para sonhar com o título

Principal franquia da cidade mais famosa do mundo, o New York Knicks é uma das equipes de maior visibilidade na NBA, mesmo sem grandes resultados há décadas. Os dois títulos são da década de 1970, e a última final disputada foi na longínqua temporada 1998/99. Em 2024/25, chegaram perto de repetir a dose, mas não conseguiram passar pelo Indiana Pacers. A diretoria, entretanto, parece ter atacado os principais problemas do time e aposta no melhor resultado do século para a franquia.

Como foram os Knicks na última temporada

  • Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas

  • Classificação: 3° lugar na Conferência Leste

  • Nos playoffs: Eliminado na final de conferência para o Indiana Pacers por 4 a 2 após vencer o Boston Celtics (4 a 2) e o Detroit Pistons (4 a 2) nas fases anteriores

  • O que aconteceu: a troca de Julius Randle e Donte DiVincenzo por Karl-Anthony Towns deu frutos rápidos aos Knicks. A fase regular foi tranquila, próximo a vice-liderança até meados de março. Em determinado momento, New York teve o melhor ataque da competição, mas o ímpeto caiu na reta final da primeira fase. Nos playoffs, foi bem superior aos Pistons e aos Celtics, mas foi surpreendido pela intensidade física dos Pacers na final de conferência.

O elenco dos Knicks para a temporada 2025/26

  • Escolhas de Draft: Mohamed Diawara (ala-pivô, 51ª escolha)

  • Quem mais chegou: Jordan Clarkson (ala-armador, Utah Jazz), Tosan Evbuomwan (ala, Brooklyn Nets), Guerschon Yabusele (ala-pivô, Philadelphia 76ers) e Trey Jemison (pivô, Los Angeles Lakers)

  • Quem foi embora: Precious Achiuwa (ala-pivô, Miami Heat), Cameron Payne (armador, Indiana Pacers) e Delon Wright (armador, sem time)

  • Provável time titular: Jalen Brunson, Mikal Bridges, Josh Hart, OG Anunoby e Karl-Anthony Towns

  • Reservas: Tyler Kolek (armador), Jordan Clarkson, Miles McBride (alas-armadores), Pacome Dadiet, Tosan Evbuomwan (alas), Guerschon Yabusele, P.J. Tucker (alas-pivôs), Mitchell Robinson e Ariel Hukporti (pivôs)

  • Técnico: Mike Brown

O clima para a temporada

Os Knicks entraram na offseason com o sentimento de que precisavam tentar fazer alguma coisa que os permitissem dar o passo que faltou na última temporada e vencer o Leste.

Se no passado não pouparam esforços para adquirirem Mikal Bridges e Karl-Anthony Towns, em trocas que deixaram bem claro o investimento no presente, a chave agora para tentar fazer esse time voltar a uma final da NBA foi trocar o técnico. Tom Thibodeau foi demitido logo depois da eliminação para o Indiana Pacers. O escolhido para substituí-lo foi Mike Brown, que chega com a incumbência de aprimorar ainda mais o sistema ofensivo, deixando-o mais versátil do que o que se viu até o último campeonato, ao mesmo tempo em que pudesse manter a reputação de organizador de boas defesas.

Outra área atacada pela direção da equipe foi a profundidade do elenco. Se o comandante antigo não era muito afeito a explorar o banco de reservas, ao ponto de sobrecarregar os titulares ao longo da temporada, a troca no comando fez com que fizesse mais sentido buscar gente para contribuir a partir do banco. Jordan Clarkson e Guerschon Yabusele foram contratados já a partir dessa orientação e deverão ser peças sólidas na rotação.

Se isso tudo será o bastante para fazer o que todo fã de basquete em Nova York tanto espera? O tempo vai dizer. Mas a atmosfera em torno dos Knicks e todas as ações dos últimos tempos escancaram ambições altíssimas.

Abre aspas

"Nós vamos ter nossos altos e também vamos ter nossos baixos. Não podemos ficar empolgados demais com os altos, mas não podemos nos abater além da conta com os baixos. Precisamos manter a calma e saber que, no fim das contas, trata-se de uma maratona, não de um sprint."

Foi isso o que Mike Brown, novo técnico dos Knicks, falou ao ser perguntado às vésperas do início da temporada sobre o que espera para os próximos meses.

Uma esperança

A grande ressalva quanto aos Knicks da última temporada era a rotação da equipe. Seja pelas poucas opções de destaque além do quinteto titular (encurtadas ainda mais pela longa ausência de Mitchell Robinson), seja pela pouca confiança de Tom Thibodeau nos jovens do elenco. Não à toa, a rotação dos playoffs tinha apenas sete jogadores, sendo que, na prática, era apenas para descanso dos titulares ou remanejamento por faltas.

Mas para 2025/26 a profundidade do elenco foi a grande preocupação da diretoria dos Knicks. A troca de Thibodeau por Mike Brown indica uma mudança de postura na gestão do plantel. Mas o número de opções também aumentou.

As chegadas de Jordan Clarkson e Guershon Yabusele, aliadas às permanências de Mitchell Robinson e Miles McBride, aumentam as possibilidades do elenco, que pode tanto ganhar em variação de estilos, quanto em poupar o forte quinteto titular com maior frequência ao longo das partidas, evitando sobrecargas.

Também há a expectativa de que os jovens Tyler Kolek, Pacome Dadiet e Ariel Hukporti sejam mais utilizados do que na temporada anterior.

O único pesar às vésperas do início da temporada foi a aposentadoria repentina de Malcom Brogdon. O armador de 33 anos, eleito melhor sexto homem da NBA há três temporadas, encerrou a carreira profissional após entrar em quadra pela pré-temporada com a camisa dos Knicks. Brogdon era considerado um ótimo suplente, mas havia dúvidas quanto a sua saúde, visto que jogou apenas 53 jogos nas últimas duas temporadas.

Um medo

Os Knicks foram o quinto ataque mais eficiente da última temporada. Há até motivos para se acreditar que esse sistema ofensivo pode ser ainda melhor. O problema é que a defesa ficou apenas em 13º lugar no ranking de eficiência da liga, com média de 113,3 pontos sofridos a cada 100 posses de bola.

Não chega a ser ruim, mas também não é bom. E não ter uma defesa boa pode ser uma pedra gigantesca a se carregar por qualquer um que vai entrar em uma maratona com a ambição de chegar até o final dela.

No campeonato anterior, em 2023/24, os Knicks foram um pouco melhores nisso: tiveram a nona defesa mais eficiente da NBA, não muito distante do grupo dos cinco primeiros nessa estatística. Nessa época, Karl-Anthony Towns jogava em Minnesota.

É justo lembrar que, nessa mesma temporada, a defesa mais eficiente foi do Minnesota Timberwolves, que tinha como um de seus titulares justamente Towns. O que mostra que ele é capaz de funcionar em um bom esquema defensivo. A questão é que a maneira como ele era usado, tendo a cobertura de Rudy Gobert, era bem diferente do que se vê agora em Nova York, onde ele é o único grandalhão cercado por companheiros menores.

Parece haver um quebra cabeça em torno dessa questão. E se uma solução não for encontrada? Ou pior: e se para resolver isso a saída seja desconstruir uma outra parte que dá certo? Seria um cobertor curto que assustaria o torcedor dos Knicks que sonha alto para os próximos meses.

O cara

Apesar do quinteto titular muito qualificado, os Knicks têm dono. Jalen Brunson é o grande líder da equipe. Desde que chegou a New York, o armador nunca teve média abaixo de 24 pontos, recebeu votos em todas as eleições para MVP, e foi eleito all-star nas últimas duas temporadas.

Em 2024/25, foi eleito o jogador mais clutch do ano*. As estatísticas comprovam: 5,6 pontos de média nos 28 jogos nesta situação, melhor número da liga, 17 vitórias e 11 derrotas.

Nos playoffs, o bom desempenho se manteve: 5,1 pontos em 11 partidas, com sete vitórias e quatro derrotas, incluindo a bola que deu a classificação dos Knicks contra os Pistons. Ficou atrás apenas de Gary Trent Jr., dos Bucks, que só atuou em duas partidas com clutch time.

A capacidade de Brunson de enfrentar bons e maiores marcadores, levando a bola até os pontos desejados da quadra, é uma das melhores em todo o campeonato. Além disso, o entrosamento com Karl-Anthony Towns apareceu rápido, dando o dinamismo necessário a um ataque que chegou a ser o mais poderoso da NBA no começo da temporada.

*A NBA define o clutch time nos jogos em que a diferença é menor que cinco pontos nos minutos finais. O jogador clutch do ano, portanto, é o mais decisivo da liga.

Também vale a pena ficar de olho

Se Brunson é o melhor jogador da equipe, Karl-Anthony Towns logo assumiu um papel tão grande quanto. A adaptação ao elenco foi rápida, e a pontuação logo apareceu. Os 24,4 pontos de média vieram acompanhados de um altíssimo aproveitamento de 42% do perímetro, o mais alto da carreira, além de um bom impacto defensivo, e playoffs em alto nível.

Mas o grande diferencial dos Knicks na reta final foi Mikal Bridges. O ala, que chegou a peso de ouro (Bogdanovic, cinco escolhas de primeira rodada e um direito de troca de escolhas), não correspondeu às expectativas logo de cara. O cenário de ser a terceira opção ofensiva da equipe derrubou o aproveitamento de Bridges, que em alguns meses chegou a ter médias abaixo de 15 pontos.

Foi só nos playoffs que tudo mudou. E principalmente na defesa. Bridges foi fundamental nas séries contra os Pistons e, especialmente, contra os Celtics, com roubos de bola em momentos decisivos que renderam duas vitórias aos Knicks. O bom desempenho rendeu uma extensão de contrato que pode chegar até 2027/28.

Mas os Knicks precisam que o momento positivo se mantenha. Por mais improvável que seja retomar os números quando jogava nos Nets, Bridges tem espaço para crescer em New York, ser mais regular e contribuir para um desempenho ainda mais dominante da equipe na Conferência Leste.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4,5 (alto para máximo) - É um time com poder de fogo enorme, que nos seus melhores momentos da temporada passada chegou a ter o ataque mais eficiente da liga, e que também é bastante divertido de se ver. Se Mike Brown conseguir deixar as coisas ainda mais redondas, melhor ainda. Dá também para esperar algum divertimento se o treinador montar a rotação de forma que deixe Jordan Clarkson por alguns minutos comandando as ações ofensivas. De qualquer jeito, basta Jalen Brunson e Karl-Anthony Towns saudáveis para se ter grandes doses de entretenimento com os Knicks.

Palpite para a temporada 2025/26 dos Knicks

No cenário mais otimista: o time consegue dar mais um salto de competitividade em relação à temporada passada, o que significa vencer o Leste e avançar para a disputa do título contra quem sair do Oeste.

No cenário mais pessimista: alguns passos para trás, instabilidade no meio do caminho, menos vitórias do que na temporada passada e uma jornada nos playoffs que acaba ainda na primeira rodada.

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