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4 dias para a NBA: Minnesota Timberwolves deposita esperança em entrosamento para chegar à primeira final da história

Não é fácil ver algo acontecer pela primeira vez em uma liga que já tem quase 80 anos. Muito menos acompanhar o auge de algum jogador ou time. Mas é justamente o que acontece com o Minnesota Timberwolves na NBA.

A franquia está com os melhores resultados da história: duas finais consecutivas de conferência, liderada por um dos melhores jogadores do campeonato. A expectativa, agora, é aumentar ainda mais o limite e chegar na final pela primeira vez, e quem sabe, até papar um título.

Como foram os Timberwolves na última temporada

  • Campanha: 49 vitórias e 33 derrotas

  • Classificação: 6° lugar na Conferência Oeste

  • Nos playoffs: Eliminado na final de conferência pelo Oklahoma City Thunder por 4 a 1 após vencer o Golden State Warriors (4 a 1) e o Los Angeles Lakers (4 a 1) nas fases anteriores

  • O que aconteceu: o início da temporada foi abaixo do esperado. Até meados de dezembro a campanha era negativa, e os Timberwolves estavam fora até da zona de play-in. As coisas foram se ajeitando ao longo da temporada, principalmente no último período, com a equipe encontrando as melhores maneiras de fechar os jogos. Na última rodada conseguiram a vaga direta aos playoffs, passando sem dificuldades pelos Lakers e pelos Warriors. Mas diante do Thunder, a subida ficou íngreme demais.

O elenco dos Timberwolves para a temporada 2025/26

  • Escolhas de Draft: Joan Beringer (pivô, 17ª escolha) e Rocco Zikarsky (pivô, 45ª escolha)

  • Quem mais chegou: Johnny Juzang (ala, Utah Jazz) e Enrique Freeman (ala-pivô, Indiana Pacers)

  • Quem foi embora: Nickeil Alexander-Walker (ala-armador, Atlanta Hawks), Josh Minott (ala-pivô, Boston Celtics), Jesse Edwards (pivô, sem time) e Luka Garza (pivô, Boston Celtics)

  • Provável time titular: Mike Conley, Anthony Edwards, Jaden McDaniels, Julius Randle e Rudy Gobert

  • Reservas: Rob Dillingham (armador), Donte DiVincenzo, Bones Hyland, Tristen Newton, (ala-armadores), Johnny Juzang, Jaylen Clark, Joe Ingles (alas), Naz Reid, Terrence Shannon Jr., Leonard Miller, Enrique Freeman (alas-pivôs), Joan Beringer e Rocco Zikarsky (pivôs)

  • Técnico: Chris Finch

O clima para a temporada

Os Timberwolves conseguiram renovar os contratos de Naz Reid e Julius Randle, que viraram agentes livres depois que a temporada passada terminou. Isso significa que o time terá de volta todos os seis jogadores que tiveram média de dois dígitos em pontuação ao longo do último campeonato.

Quem não renovou foi Nickeil Alexander-Walker, que assinou com o Atlanta Hawks. O ala-armador não fazia parte desse grupo dos principais pontuadores do elenco, mas era uma peça importante usada a partir do banco de reservas para ajudar na defesa. Se as permanências de Reid e Randle foram duas grandes vitórias da offseason, dá para argumentar que essa saída do canadense foi uma perda sentida.

Sem muita flexibilidade financeira para ir atrás de grandes aquisições, o jeito foi apostar em alguns jovens para tentar dar uma encorpada no elenco. A principal novidade é o pivô novato Joan Beringer, francês de 18 anos que chega à NBA com a experiência de já ter atuado profissionalmente na liga eslovena. Há quem o enxergue nele um potencial de combinar seu tamanho e valências físicas para um dia se tornar um grande defensor.

Outras duas apostas nesse sentido são o ala Johnny Juzang, que traz de sua trajetória no Utah Jazz um bom aproveitamento em bolas de longa distância, e o armador Rob Dillingham, escolhido na oitava posição do Draft do ano passado e que não teve tanto espaço assim como calouro, mas que deve ganhar mais minutos daqui para frente.

Se um deles explodir e se mostrar capaz de contribuir em alto nível de imediato, ótimo. Mas os Timberwolves sabem que as chances de voltarem a uma final de conferência, agora com chances maiores de vencerem e avançarem para a decisão do título, passam pelo aprimoramento da química entre esses principais jogadores do elenco. Coisa que pareceu meio travada por boa parte da temporada passada, mas que depois deu sinais animadores.

Abre aspas

"Aprendemos a dar espaço um ao outro. A questão não é necessariamente a gente se revezar quem define cada ataque, mas saber escolher as situações corretas. Saber quando ser agressivo e quando deixar o jogo mais fácil para os companheiros. É entender o quanto ele é dinâmico como pontuador, o quanto eu posso ser dinâmico como passador e como potencializar essas qualidades em nosso jogo. Nós dois podemos pontuar e fazer passes. Pode ser que um faça algo melhor que o outro, mas nós dois fazemos coisas que tornam o jogo mais fácil para o outro. E assim, a partir do momento que nossa química começou a bater, as coisas ficaram mais fáceis também para os demais companheiros."

Foi essa a reflexão que Julius Randle fez ao ser questionado sobre o processo de entendimento dentro de quadra com Anthony Edwards, algo que tem se desenvolvido ao longo do tempo desde que chegou a Minnesota.

Uma esperança

Entrosamento. Sentindo que precisavam mudar a rota (e evitar um estrangulamento financeiro nesta temporada), os Timberwolves fizeram a troca mais impactante da última temporada a dias antes do início da competição. O resultado foi uma equipe reformulada, ainda se conhecendo…e perdendo.

Com o passar do tempo, porém, a situação foi melhorando. O entrosamento de Julius Randle (falamos mais abaixo) foi aparecendo, o desempenho nos minutos finais melhorou (também falamos abaixo), e os Timberwolves pareciam uma equipe pronta para brigar pelo título nos playoffs. Não foi o caso, mas chegar em duas finais de conferência consecutivas já é o melhor resultado da história da franquia.

E a evolução não é apenas coletiva. Anthony Edwards também melhora a cada ano, mesmo já estando há cinco temporadas na NBA. Com 27,6 pontos e quase 40% de aproveitamento do perímetro, o astro já declarou que a próxima ‘fronteira’ é aprimorar as ações contra marcações duplas, que tanta dor de cabeça geraram a Minnesota em 2024/25.

Considerando que a curva da equipe ainda é crescente, é possível imaginar um time mais coeso e capaz de impor seu jogo desde o começo da temporada, com o entrosamento mantido a partir da renovação de quase todo o elenco do último ano.

Um medo

Apesar de uma melhora na segunda metade da temporada e, principalmente, nos playoffs, os Timberwolves tiveram o 7° pior desempenho no clutch time em 2024/25 (jogos com diferença menor que cinco pontos nos cinco minutos finais). Foram 20 vitórias e 26 derrotas, muito atrás dos demais finalistas de conferência, todos presentes no top5.

Mais que isso, Minnesota foi o time que mais teve jogos decididos no clutch time em toda a liga, indicando a dificuldade da equipe em confirmar os resultados construídos nos primeiros 35 minutos de jogo.

Não à toa, os Timberwolves pouco frequentaram a zona de classificação direta aos playoffs e foram um dos times mais instáveis ao longo do ano, mesmo sem grandes desfalques. A manutenção de postura nos momentos finais precisa ser melhorada, bem como o repertório ofensivo, para que não vire apenas um ‘bola no Edwards e seja o que Deus quiser.’

O cara

Anthony Edwards não só é dono deste time. Para muita gente, é o rosto do futuro da NBA. E mesmo quem não concorde com isso há de concordar que trata-se de um dos maiores talentos brutos da atualidade.

Na temporada passada, sua quinta desde que chegou à NBA, anotou 27,6 pontos por partida, com aproveitamento de 39,5% nas bolas de três e índice de eficiência nos arremessos de 54,7%. Todos esses números são as maiores marcas da carreira dele em cada um desses quesitos estatísticos. Além disso tudo, emplacou médias de 5,7 rebotes, 4,5 assistências e 1,2 roubo de bola por jogo.

As premiações já deixam claro o quanto Edwards já se encontra entre as grandes estrelas da liga: foi all-star pela terceira vez, terminou o ano eleito para o segundo quinteto ideal da liga e ficou em sétimo na corrida pelo troféu de MVP.

O arsenal ofensivo com a bola nas mãos e, claro, a confiança nunca foram problema. A defesa também não. A contribuição dele para o sucesso do sistema da equipe é notável, bem como o quanto ele parece confortável ao receber a missão de defender a principal arma adversária em retas finais de jogos apertados.

Resta saber, no caso de alguém tão novo, o quanto ainda há de espaço para crescimento. A julgar pelo o que vem falando nas últimas semanas, a motivação é enorme para mostrar um nível ainda mais alto.

Também vale a pena ficar de olho

Randle chegou aos Timberwolves poucos dias antes da temporada anterior começar, na bombástica troca por Karl-Anthony Towns. Não teve, portanto, praticamente nenhum tempo de treinamento com os novos companheiros antes do início da temporada. O início, tanto na defesa quanto no ataque foi claudicante, em especial o entrosamento com Rudy Gobert.

Curiosamente, o mês de maior pontuação foi justamente em outubro, logo após a sua chegada. Mas muito por conta de um jogo mais individualista, sem repertório ao lado dos colegas de time. Quanto mais semanas se passaram, mais integrado Randle ficou. Consequentemente, melhores foram as atuações dos Timberwolves.

Nos playoffs, teve 21,7 pontos (38,5% de aproveitamento dos três pontos), 5,9 rebotes e 4,9 assistências de média. E é desse Randle que Minnesota precisa, abrindo espaço para Anthony Edwards, entrosado com Rudy Gobert e capaz de criar o próprio arremesso quando necessário.

Com a pré-temporada e maior entrosamento, a expectativa sobre as atuações do ala/pivô aumentam, assim como a pressão por um ano mais regular e longevo do Minnesota Timberwolves, que nunca disputou as finais da NBA.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

4 (alto) - O time tem uma defesa boa, é competitivo e tem Anthony Edwards, que é um daqueles jogadores que sempre podem entregar atuações especiais e lances empolgantes quando estiver em quadra. Fora isso, ele tem falado tanto sobre o quanto deseja o prêmio de MVP que deverá ser divertido vê-lo fazer o que estiver ao alcance para alcançar essa meta. Se vai conseguir ou não é uma outra história, mas essa determinação dele por si só já vale a atenção.

Palpite para a temporada 2025/26 dos Timberwolves

No cenário mais otimista: Anthony Edwards joga o melhor basquete da vida, se mostra um líder muito mais completo e lidera um time que faz uma campanha muito mais regular do que na temporada passada. Aí os Timberwolves avançam aos playoffs com o mando de quadra e voltam às finais de conferência, só que desta vez muito mais preparados e com muito mais chances de vencerem e alcançarem a decisão.

No cenário mais pessimista: mais uma fase de classificação com altos e baixos, só que desta vez sem aquele sprint na reta final que salvou o time de precisar disputar o play-in.

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