Quantos Golden State Warriors diferentes cabem em uma temporada? Na anterior, foram vários. Da rotação extravagante aos inúmeros desfalques, passando pela melhor defesa da NBA com Butler e um adversário duríssimo nos playoffs, a franquia de São Francisco segue como uma das mais interessantes de toda a liga.
Em 2025/26, com Jimmy Butler, Stephen Curry e Draymond Green juntos desde a pré-temporada, a equipe quer mostrar que pode escrever mais um capítulo vitorioso da dinastia azul e amarela na Califórnia. Para isso, além de um bom desempenho na fase regular, precisa estar inteira nos playoffs.
Como foram os Warriors na última temporada
Campanha: 48 vitórias e 34 derrotas
Classificação: 7° lugar na Conferência Oeste
Nos playoffs: eliminado na semifinal de conferência para o Minnesota Timberwolves por 4 a 1 após eliminar o Houston Rockets por 4 a 3 na primeira rodada e vencer o Memphis Grizzlies no play-in
O que aconteceu: depois de um começo de campanha muito forte que sugeria até uma briga pelas primeiras posições, os Warriors caíram bastante de rendimento enquanto sofria com lesões. A campanha era de 25 vitórias e 25 derrotas no dia em que Jimmy Butler foi adquirido por meio de uma troca com o Miami Heat. A chegada dele fez as coisas voltarem a melhorar, especialmente por causa de uma defesa fortíssima que ganhou forma. O time terminou em sétimo, só quatro vitórias atrás do vice-líder da conferência, o Houston Rockets. Em uma eletrizante série que foi a sete jogos, conseguiu avançar. Mas aí Stephen Curry se lesionou logo no primeiro confronto com o Minnesota Timberwolves, não voltou mais, e os Warriors acabaram sendo presa fácil na semifinal de conferência.
O elenco dos Warriors para a temporada 2025/26
Escolhas de Draft: Alex Toohey (ala, 52ª escolha) e Will Richard (armador, 56ª escolha)
Quem mais chegou: Seth Curry (armador, Charlotte Hornets), De’Anthony Melton (ala-armador, Brooklyn Nets) e Al Horford (pivô, Boston Celtics)
Quem foi embora: Kevon Looney (pivô, New Orleans Pelicans)
Provável time titular: Stephen Curry, Brandin Podziemski, Jimmy Butler, Draymond Green e Al Horford
Reservas: Gary Payton II, Seth Curry, Pat Spencer, Will Richard (armadores), De’Anthony Melton, Moses Moody (ala-armadores), Jonathan Kuminga, Buddy Hield, Gui Santos, Alex Toohey (alas), Jackson Rowe (alas-pivôs), Trayce Jackson-Davis e Quinten Post (pivôs)
Técnico: Steve Kerr
O clima para a temporada
A offseason dos Warriors foi um enorme vazio durante a maior parte do tempo. O motivo para isso atende pelo nome de Jonathan Kuminga. O ala era agente livre restrito e despertou o interesse de algumas outras equipes, que sonhavam em tê-lo via “sign and trade”, mas o fato é que nenhuma conversa progredia.
Essa indefinição segurou qualquer outro passo que a diretoria dos Warriors poderia dar. Foi só no último dia de setembro, já com a pré-temporada batendo à porta, que as partes se resolveram. Kuminga assinou um novo contrato, no valor de US$48 milhões por dois anos, para permanecer onde está.
O que não significa que o futuro dele está resolvido. Não deve demorar para o nome do jogador voltar a aparecer em rumores de trocas. Porque, a julgar pelo o que vimos nos últimos anos, não é alguém que desperta tanta confiança assim de Steve Kerr. Nos playoffs mesmo, viu-se sem espaço para jogar em um dia e, no outro, depois da lesão de Stephen Curry, virou motor do sistema ofensivo.
A única coisa certa a partir da renovação de Kuminga foi o destravamento dos Warriors para fazer outras movimentações para reforçar o elenco. De’Anthony Melton e Gary Payton II assinaram novos contratos e devem ser peças valiosas para a rotação ao longo da temporada. Já Seth Curry, irmão de Curry, também desembarcou em São Francisco e pode ser um nome interessante nos chutes do perímetro vindo do banco.
Mas a grande novidade foi a chegada de Al Horford, que não permaneceu em Boston. Já em fase final de carreira, o pivô obviamente não é mais o mesmo dos seus melhores tempos. Ainda assim, há a expectativa de que possa ser muito útil para sua nova equipe.
Se todo mundo estiver saudável, as expectativas lá dentro parecem ser ótimas. Steve Kerr chegou a declarar que os Warriors viraram um time candidato ao título depois que Jimmy Butler chegou e que se não fosse a lesão de Stephen Curry nos playoffs, a história poderia ter sido diferente. Será? Não dá para saber. Mas pelo menos isso mostra o grau de confiança do treinador para encarar os meses que virão pela frente.
Abre aspas
"Sinto que temos caras aqui no elenco capazes de assumir maiores responsabilidades, contribuírem em alto nível e entregar grandes atuações. A temporada é muito longa na NBA, e os times que geralmente têm um grupo de jogadores mais profundo são os que terão mais sucesso."
As palavras são de Al Horford, recém chegado aos Warriors, sem se preocupar com a idade avançada dos principais jogadores do time e, aparentemente, com plena confiança nos mais novos.
Uma esperança
Uma coisa parece ter se sobressaído nos Warriors depois da chegada de Jimmy Butler na temporada passada: a defesa. Se forem considerados apenas os jogos disputados do dia 6 de fevereiro em diante (depois da troca que resultou na chegada dele), o time sofreu em média 109,3 pontos a cada 100 posses de bola, o que representa a melhor eficiência defensiva da liga no período.
Não é garantia de nada, claro. Porque foram só 32 partidas pós-troca por Butler e esse trecho final de temporada regular costuma ter umas equipes mais desinteressadas, já fazendo experiências demais e desistindo de competir por vitórias, o que acaba influenciando nos números gerais.
Tudo isso significa que a ressalva é válida. Mas não deixa de ser também um sinal animador para o futuro. Especialmente com a chegada de Al Horford. Se os Warriors conseguirem sustentar uma defesa de elite ao longo de todo o ano, será um excelente passo para brigar lá no alto do Oeste.
Além disso, a volta de De'Anthony Melton ao elenco, e a chegada de Seth Curry reacendem a chama de um elenco recheado de chutadores ao lado de Curry, especialmente se Buddy Hield e Podziemski calibrarem a mão e mantiverem bons números com regularidade.
Um medo
Ainda é cedo para cravar como o novo estilo da NBA, mas os últimos playoffs indicaram a clara tendência de equipes extremamente intensas fisicamente prevalecerem contra as demais. Não à toa, quase todos os que foram eliminados pelo Thunder ou pelos Pacers nos playoffs focaram no condicionamento físico na pré-temporada.
Os Warriors têm um desafio pela frente: como igualar tamanha intensidade numa série longa de playoffs? Por mais atléticos e bons defensores que sejam, Jimmy Butler, Draymond Green, Al Horford e até Stephen Curry não têm as mesmas características defensivas que os principais nomes dos finalistas de conferência da última temporada.
Olhando para a rotação, o elenco até tem algumas boas opções nesse sentido, como Gary Payton II e Gui Santos, mas não parecem ser o suficiente para um embate de igual para igual neste cenário.
Por isso, caberá a Steve Kerr encontrar alternativas para os Warriors serem de fato competitivos contra este novo estilo que parece ser a nova receita do sucesso pela liga. Ainda há espaço para as lendas da última década se reinventarem?
O cara
Não dá para apontar outro nome. O cara dos Warriors é Stephen Curry, claro. Mais do que um símbolo dessa franquia na última década, seguramente já um dos maiores talentos da história da NBA. E que, mesmo aos 37 anos, continua rendendo em alto nível.
Na temporada passada, o armador registrou médias de 24,5 pontos, 6,0 assistências, 4,4 rebotes e 1,1 roubo de bola por jogo. Além disso, teve um aproveitamento de 39,7% de bolas de três, o que já é um bom número por si só, mas que fica ainda mais impressionante considerando o altíssimo volume. Foram 11,2 arremessos de longa distância por partida, mais do que qualquer outro atleta na liga.
O desempenho fez de Curry um all-star pela 11ª vez na carreira. E ao final do campeonato, ele foi nomeado para o segundo quinteto ideal da liga e terminou em nono lugar na corrida pelo prêmio de MVP.
Também vale a pena ficar de olho
Ao lado de Draymond Green e Stephen Curry, Jimmy Butler completa o Big3 dos Warriors com maestria. Embora não tenha feito um bom trabalho na pontuação quando Curry se machucou nos últimos playoffs, Jimmy transformou a defesa da equipe e é tanto um grande facilitador ofensivo para os chutadores, quando a válvula de escape para a criação do próprio arremesso nos cortes em direção à cesta, que inclusive o colocaram como um dos líderes em faltas sofridas e lances livres cobrados no final da última temporada.
Dito isso, há uma grande chance da história da temporada dos Warriors ser contada a partir de…Jonathan Kuminga. Personagem da maior novela de toda a offseason, o ainda jovem ala segue sem ter a confiança de Steve Kerr e grande espaço no elenco do GSW. Embora demonstre talento de sobra, não parece ter um super encaixe no estilo do time, além de não manter a melhor relação do mundo com a comissão técnica.
Kuminga esteve na mira de vários times nos últimos meses, com destaque para Sacramento Kings e Phoenix Suns, mas nenhum negócio aconteceu. A renovação, portanto, pode ser vista apenas como um ganho de prazo para ambos os lados. O contrato não é dos mais pesados, mas está longe do mínimo.
Uma possível nova troca pode acontecer em breve. Em tese, o ala pode agregar muito a diversos elencos da liga, o que pode significar bons ativos chegando nos Warriors.
Mas para isso, ele precisa mostrar em quadra do que é capaz. Com um estilo arrojado, também muito capaz de criar o próprio arremesso com menor dependência - e participação - nas tão incessantes e características movimentações dos Warriors, pode ser um ótimo complemento no sistema ofensivo centrado em Curry.
É bem verdade que é um discurso repetido de anos anteriores, mas os Warriors começam a temporada com a maior expectativa desde que venceram o título em 2022, inclusive sobre Kuminga.
E o Gui Santos?
Tópico extra para os Warriors. Único brasileiro na NBA, Gui Santos vive um momento complexo dentro da equipe. As trocas e algumas lesões que aconteceram na última temporada foram livrando espaço para que o candango ganhasse espaço e até certo destaque em determinados momentos da temporada, com direito a dois jogos como titular.
A energia em quadra cativou a torcida e a comissão técnica, que frequentemente elogiam publicamente o brasileiro.
Mas elogios não enchem barriga. Gui Santos está no último ano de contrato com os Warriors e precisa convencê-los (ou a qualquer uma das outras 29 franquias) que tem espaço na NBA.
Em 2025/26, Gui terá novamente forte concorrência por espaço dentro do time. Seus pontos fortes seguem a entrega em quadra, total obediência tática ao esquema dos Warriors e boa leitura dos espaços, especialmente na briga por rebotes. Na pré-temporada o estamos vendo até como armador primário em algumas situações, desempenhando uma função inédita em seus dois anos de liga. Por enquanto, rendeu bons highlights. Mas o aproveitamento do perímetro segue baixo.
Na defesa, Gui é extremamente competente na leitura de dobras e coberturas, sendo uma peça de encaixe muito fácil em situações específicas. No 1 x 1, porém, principalmente contra os principais atacantes adversários, ainda não está no mesmo nível dos melhores defensores da liga.
Quando foi draftado, o plano dos Warriors era desenvolvê-lo para virar uma peça importante a longo prazo. De fato, o brasileiro teve uma notável evolução nos últimos anos, tanto em desempenho, quanto em tempo de quadra. Tanto que a franquia exerceu a team option e o manteve para 2025/26.
Mas estar no último ano de contrato gera um nível de alerta, no mínimo, amarelo. Gui ainda tem 23 anos e uma longa carreira pela frente. Talento para ficar por muitos anos na liga, ele tem de sobra. Que consiga mostrar isso a todos mesmo com todo o elenco dos Warriors saudável e brigando por títulos.
Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5
4 (alto) - Pode não ser mais aquele time de uns anos atrás que botava medo em todo mundo e dava espetáculo quase sempre. Mas enquanto Steph Curry estiver em quadra, é impossível não dar uma nota alta para os Warriors. Além disso, um brasileiro jogando em alto nível na NBA é sempre uma boa pedida.
Palpite para a temporada 2025/26 dos Warriors
No cenário mais otimista: mantém o alto nível apresentado na reta final da última temporada regular, depois da chegada de Jimmy Butler, consegue se sobressair em meio ao volumoso grupo de boas equipes do Oeste e se coloca como uma ameaça ao Oklahoma City Thunder pelo topo da conferência.
No cenário mais pessimista: o espaçamento ofensivo deixa a desejar, a defesa não consegue se manter entre as cinco melhores, o time intercala altos e baixos e volta a ter de decidir a vida no play-in.
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