<
>

16 dias para a NBA: Miami Heat adiciona chutadores ao elenco na busca pelos playoffs no Leste

Mesmo sem empolgar nas últimas temporadas, o Miami Heat sempre conseguiu chegar aos playoffs da NBA, seja pela vaga direta, seja (principalmente) via play-in. Em comum a todas as campanhas, a presença do trio Tyler Herro, Jimmy Butler e Bam Adebayo. Agora sem Butler, Miami faz a offseason com mais mudanças impactantes dos últimos anos para não só seguir nos playoffs, mas conseguir avançar de fases aproveitando a queda de rivais.

Como foi o Heat na última temporada

  • Campanha: 37 vitórias e 45 derrotas

  • Classificação: 8° lugar na Conferência Leste

  • Nos playoffs: eliminado na primeira rodada para o Cleveland Cavaliers por 4 a 0 depois de ter superado Chicago Bulls e Atlanta Hawks no play-in

  • O que aconteceu: a grande história do Heat na última temporada não aconteceu dentro de quadra. Foi o impasse em torno de Jimmy Butler, que expressou publicamente, mais de uma vez, o desejo de sair de Miami porque estava infeliz. Ele foi afastado, voltou, foi afastado novamente e depois finalmente conseguiu o que queria. A troca que o mandou para o Golden State Warriors resultou na chegada de Andrew Wiggins. Mas não faz muita diferença olhar para o que aconteceu antes ou depois dessa novela. O Heat não empolgou em momento algum. A campanha ficou abaixo dos 50% de aproveitamento o tempo todo. Deu para chegar de novo no play-in e de beliscar a última vaga nos playoffs, mas a varrida na primeira rodada foi inevitável.

O elenco do Heat para a temporada 2025/26

  • Escolhas de Draft: Kasparas Jakucionis (ala-armador, 20ª escolha)

  • Quem mais chegou: Myron Gardner (armador), Norman Powell (ala-armador, Los Angeles Clippers), Ethan Thompson (ala-armador, Osos de Manati/Porto Rico), Simone Fontecchio (ala-pivô, Detroit Pistons) e Vladislav Goldin (pivô)

  • Quem foi embora: Duncan Robinson (ala, Detroit Pistons), Haywood Highsmith (ala-pivô, Brooklyn Nets), Kyle Anderson (ala-pivô, Utah Jazz), Kevin Love (ala-pivô, Utah Jazz)

  • Provável time titular: Tyler Herro, Norman Powell, Andrew Wiggins, Bam Adebayo e Kel’el Ware

  • Reservas: Terry Rozier, Myron Gardner (armadores), Dru Smith, Kasparas Jakucionis, Pelle Larsson, Ethan Thompson (alas-armadores), Jaime Jaquez Jr. (ala), Nikola Jovic, Simone Fontecchio, Keshad Johnson (alas-pivôs) e Vladislav Goldin (pivô)

  • Técnico: Erik Spoelstra

O clima para a temporada

Depois de virar a página com Jimmy Butler no meio da última temporada, o Heat continuou se movimentando na offseason. No Draft, pegou o armador Kasparas Jakucionis na primeira rodada. Mas a grande novidade atende pelo nome de Norman Powell, que teve um ótimo ano com o Los Angeles Clippers e chegou por meio de uma troca que envolveu também o Utah Jazz. Essa mesma movimentação resultou nas saídas de Kyle Anderson e do veterano Kevin Love.

Davion Mitchell, que era agente livre, foi mantido em Miami. Reconhecidamente um dos melhores defensores individuais de perímetro na atualidade, o armador assinou um novo contrato no valor de US$ 24 milhões por dois anos. Outra novidade relacionada a quem já fazia parte do elenco foi a extensão contratual de Nikola Jovic: US$ 62,4 milhões por quatro anos mais.

Dá para dizer que Jovic deixou boa impressão em vários momentos de seu começo de trajetória na NBA. O que preocupa é a quantidade de lesões, que vêm limitando suas atuações até o momento. Na temporada passada, foram só 46 jogos disputados. Se conseguir superar isso e apresentar o que tem de melhor com mais regularidade, é um nome que pode contribuir bastante e ganhar ainda mais espaço na rotação.

Diante de tantas mudanças nos tempos recentes, de tantos jovens que ainda precisam ser lapidados e até de alguns veteranos que carregam algumas incógnitas para as sequências de suas carreiras, resta a expectativa de que Erik Spoelstra consiga encontrar respostas com a maior parte do material humano que tem em mãos e montar um time mais competitivo do que o do ano passado.

Abre aspas

"Eu pego muito pesado com o Kel'el. Ele provavelmente me vê como um maluco às vezes. Ninguém de fora do nosso dia a dia tem a oportunidade de ver isso, mas eu grito com ele e dou instruções o tempo inteiro para ele nos treinos porque espero sempre mais de alguém com tanto potencial quanto ele."

A declaração é de Bam Adebayo, que assumiu a postura de mentor de Kel'el Ware, que deixou boa impressão no ano de novato quando teve a oportunidade de jogar.

Uma esperança

O Heat figura no top 10 das defesas mais eficientes da NBA há cinco temporadas. Em 2024/25, foi a nona melhor, com média de 112 pontos sofridos a cada 100 posses de bola. A dupla de garrafão com Adebayo e Kel'el Ware funcionou bem, enquanto o perímetro também foi bem guardado.

É bem verdade que Jimmy Butler era o grande destaque defensivo da equipe. Mas após as trocas nos últimos meses outros bons defensores desembarcaram em Miami, com destaque para Andrew Wiggins e Davion Mitchell. E se existe algo que o 'vizinho' Orlando Magic ensinou na última temporada, é que uma boa defesa pode te levar longe, mesmo se o elenco estiver desfalcado.

E manter a boa defesa deve render bons impactos no ataque, ainda mais em uma temporada que o Heat tende a atacar ainda mais rápido, uma vez que Butler tinha uma notória predileção pelo ataque de meia quadra, em 5x5. Além disso, com Powell e Fontecchio o espaçamento e ameaças do perímetro do time também podem melhorar consideravelmente, abrindo espaço para Herro e Adebayo seguirem brilhando no ataque.

Um medo

Um dos problemas de ter um elenco com vários bons jogadores, mas sem um líder, é ficar dependente da 'explosão' de um deles em algum momento da carreira. O que não necessariamente acontece. E o Heat precisa que algum dos seus jovens atletas dê esse salto o quanto antes. Seja Jovic, Jaime Jaquez, Pelle Larsson, Kel'el Ware ou até o calouro Jakucionis. Se nenhum deles performar acima das últimas temporadas, Miami poderá ficar em maus lençóis.

Destes, os dois primeiros são os mais preocupantes. Jovic e Jaime Jaquez há tempos não conseguem demonstrar evolução, mesmo com contratos mais gordos assinados num passado recente. Ainda que as lesões possam ser uma questão, principalmente no caso de Jovic, o desempenho atual não condiz com uma equipe que pode ter pretensões de voltar aos playoffs evitando o play-in.

Afinal, a dupla Herro e Adebayo, embora qualificada individualmente, ainda não conseguiu provar que conseguem liderar a equipe a uma longa campanha nos playoffs. Wiggins e Powell são alas muito competentes, mas tampouco foram os grandes nomes das melhores campanhas de seus ex-times.

O cara

Há argumentos para apontar Bam Adebayo, membro da seleção dos EUA que ganhou a medalha de ouro na Olimpíada de Paris, como o melhor jogador deste time. Mas levando em consideração a forma como se desenrolou a última temporada do Heat, o nome escolhido por aqui é outro.

Enquanto a indefinição do futuro de Jimmy Butler se desenrolava, Tyler Herro assumiu a condição de principal definidor de jogadas do Miami Heat e foi o cestinha do elenco. Saudável, participou de 77 jogos, foi titular em todos e viu suas médias alcançarem um novo patamar: 23,9 pontos e 5,5 assistências em cerca de 35 minutos por partida, com 56,3% de aproveitamento em eficiência de arremessos.

Todos esses números representam recordes pessoais e simbolizam o salto que Herro deu em seu quinto ano na NBA, muito graças a essa necessidade que surgiu de assumir um volume muito maior no sistema ofensivo. Não à toa, foi all-star pela primeira vez na carreira. Foi o único representante do Heat no evento.

Também vale a pena ficar de olho

Tem muita gente nova neste elenco que pode fazer uma grande diferença para as aspirações do Heat se conseguir subir de patamar. Mas o escolhido para ser citado por aqui é, na verdade, um veterano: Norman Powell, que chegou ao Miami Heat depois de ter feito a melhor temporada da carreira.

O ala teve médias de 21,8 pontos, 3,2 rebotes, 2,1 assistências e 1,2 roubo de bola por jogo, além de um ótimo aproveitamento de 41,8% nas bolas de três. Não é exagero dizer que o rendimento dele nos dois lados da quadra foi fundamental para o Los Angeles Clippers segurar as pontas durante a ausência de Kawhi Leonard e se manter competitivo no Oeste até a hora dos playoffs.

A curiosidade agora é saber como será esse próximo capítulo da trajetória de Powell na NBA. Ele está com 32 anos, vai entrar em sua 11ª temporada da carreira e está chegando em uma nova equipe. Como será o impacto dele na produção de pontos e nos arremessos de longa distância?

É verdade que agora ele não terá mais um facilitador ofensivo do nível de James Harden, o que ajuda bastante a chutar de longa distância com algum espaço. Por outro lado, não foram raros os momentos em que Powell criou arremessos por conta própria. O Heat terá muito a comemorar se isso aparecer de novo.

Grau de apelo para o telespectador - de 1 a 5

2,5 (baixo para médio) - É um time que até deve fazer bom papel quando estiver em quadra contra um forte oponente. Mas daí a despertar no fã de basquete a vontade de vê-lo em ação independentemente do adversário é uma outra história.

Palpite para a temporada 2025/26 do Heat

No cenário mais otimista: defesa monstruosa, sem desfalques por muito tempo, campanha bem acima dos 50% de aproveitamento e vaga direta nos playoffs, aproveitando o caminho que se abriu no Leste a partir de lesões de gente importante em alguns outros concorrentes da conferência. E se der tudo realmente muito certo, talvez até pinte um mando de quadra na primeira rodada.

No cenário mais pessimista: mais um ano errático, sem que nenhum jogador mais jovem do elenco mostre nada de empolgante. Ainda culminaria em uma disputa de play-in, considerando o tanto que o Leste está enfraquecido, mas sem perspectiva de fazer qualquer coisa digna de nota.

Veja as análises de todos os times da NBA:

*Clique no escudo para ler. Será publicada uma análise por dia até 20/10, véspera da estreia da NBA.