Visivelmente abalada, chorando em alguns momentos, repetindo frases e evitando falar diretamente sobre a acusação de estupro contra Neymar, a modelo Najila Trindade concedeu nova entrevista neste domingo, veiculada no Domingo Espetacular, da TV Record.
"Só sei que minha vida está um pesadelo. Desde então, minha vida está um pesadelo e só vem piorando. Desde que eu me encontrei [com Neymar], minha vida está um pesadelo. Eu estou num pesadelo. Cheguei no Brasil com 4 kg a menos, e cada vez mais eu venho emagrecendo. Cada vez mais eu desanimo, cada vez mais tudo piora, cada vez mais as coisas saem do controle, e a as pessoas não têm respeito pela minha dor, pela da minha família, pelo meu filho", disse. "Eu não consigo ter a minha vida, trabalhar, estudar, as coisas que eu gostava de fazer, treinar, ir dançar, ver meus amigos, ficar com meu filho, curtir meu filho, minha vida, minha família. Ir almoçar com a minha mãe, não consigo fazer mais nada."
Ao ser perguntada se teria feito algo diferente, Najila afirmou: “O que eu faria diferente? Nunca teria reativado meu Instagram, estava desativado. (...) Teria deixado desativado, estava desativado desde janeiro, e eu estaria vivendo a minha vida em paz hoje. Tudo isso não estaria acontecendo na minha vida.”
A modelo desabafou ao ser perguntada se se arrepende de ter feito a denúncia. "Não quero falar sobre isso, está cada vez piorando mais, entende? Faz tempo que estou carregando, tomo uma atitude por ser forte e tudo vai piorando, vai piorando, vai piorando cada vez mais. Eu não aguento mais, sou um ser humano, estou sofrendo. Quero que as pessoas parem de perseguir a minha família, parem de me perseguir. Para, isso não vai resolver. Agora vou fazer um tratamento, colocar minha cabeça no lugar. Não vai ser fácil, vai demorar? Vai. Mas assédio em cima de mim não vai resolver minha questão. Não tenho psicológico para ficar falando nesse assunto, não tenho psicológico para ficar revivendo isso, para sair na rua e as pessoas ficarem me seguindo, me perseguindo. Não tenho."
Leia, abaixo, trechos da entrevista:
Sobre a acusação
“[Ao ser perguntada se tinha em mente que iria viver um sonho em Paris] Não quero falar sobre isso, neste momento quero me retirar, estou muito abalada psicologicamente, tudo que aconteceu, toda essa exposição com a minha família, meus amigos. Não quero falar nesse assunto, tenho que respeitar meu momento, não estou bem, tomei muitos remédios nos últimos dias, andei muito dopada, dei muitos depoimentos sob pressão, dopada, sem me alimentar. Então, acho que nesse momento eu preciso de um pouquinho tranquilidade, deixar que a justiça faça a parte dela, e que parem essas especulações.”
Sobre o vídeo que estaria no tablet furtado
“Não quero falar. Em outro momento eu falo, mas é que realmente eu...”
Sobre a divulgação de parte do vídeo
"Fui eu que divulguei? Não vi, qual vídeo? [aquele em que aparece com ele no hotel em Paris] Não quero falar.”
Sobre a medicação
"[Sobre os depoimentos, foram à polícia?] Não, as entrevistas que eu nem me recordo, estava muito abalada, dopada. Então, assim, acho que nesse momento não é bom, para mim, ficar falando e me expondo. Preciso me recuperar. Não estou bem, estou com Síndrome do Pânico, não durmo, não como."
"Para fazer o depoimento, foi o primeiro dia que eu fiquei sem tomar medicamento, foi o primeiro dia, e desde então eu não consigo dormir, eu não durmo, por que estou sem me medicar, e só estava conseguindo me medicando. Não sei o que é pior, ficar dormindo ou ficar acordada.”
“[Ao ser perguntada sobre a reação ao saber que a identidade tinha sido revelada] Eu me dopei, tomei remédio, tomei muito remédio, tomei muito remédio, ignorei tudo e vivi na base de medicação. E quando eu acordava vinham uns flashes, uns flashes das pessoas falando sobre mim, sobre a minha vida, sobre a vida da minha família. E cada vez eu queria me dopar mais, por que está tudo distorcido, está tudo errado. Está tudo errado, minha vida virou do avesso, e não tem como, eu tento gritar, mas ninguém me escuta.”
Sobre apoio
“[Depois de pedir uma pausa para beber água] Ai gente, não aguento [chorando]... [Apoio] Da minha família. Está difícil, sabe, já basta tudo que estou passando, as pessoas querem tirar proveito da minha dor, ficam me seguindo, seguindo minha família [choro].”
Sobre a repercussão
"Nunca pensei nisso, nunca imaginei que isso fosse acontecer. Ficar com Síndrome do Pânico, com todo mundo me seguindo, como se fosse uma criminosa."
“[Ao ser perguntada se não achava que a denúncia não teria uma grande repercussão] Não, por que eu acreditei na lei, eu achei que meu nome ficaria em sigilo, que ia ser tudo resolvido pela lei, foi até bem inocente da minha parte, entendeu? Foi sigilo, eu confiei na lei, apenas isso. Jamais imaginei que eu fosse entrar na internet e que eu ia estar lá exposta para todo mundo, até por que isso é um crime. Ou não?”
"Eu passei a muitas coisas. Não estou nem me sentindo acusada, mas as pessoas estão invadindo a minha vida, da minha família, e não há necessidade disso. Estou me sentindo como... Não consigo nem expressar, não consigo achar palavra para isso."
Sobre perda de peso
"Não consigo [me alimentar]. Fiquei nessa última semana sem me alimentar, perdi 10 kg."
Invasão ao apartamento
“Foi [arrombado]. Tem marcas na porta, ninguém viu, ninguem sabe, não tem câmeras de segurança. É um complô muito grande contra mim, sabe. Por quê? Todas as minhas coisas de valor saíram, até o computador do meu filho, tudo, tudo. As pessoas estão passando dos limites comigo, sabe, eu não sou de ferro [chorando], eu não sou, já foi o máximo, o que mais querem de mim? Estou com traumas suficientes já, traumas suficientes. Quero ficar em paz.”
Pressão e pedido
"Venho sofrendo mais crimes. Invadiram meu apartamento, estão me caluniando, inventando coisas sobre mim. Não fico vendo muito, até por que a última semana estive muito dopada, mas o pouco que eu vi é que pessoas que não me conhecem, que não sabem, da minha vida, estão falando como se me conhecessem, mas não conhecem."
“Sei que a Najila não é essa Najila que está rolando aí. Não é, não é. Sabe, só estou de pé até hoje por causa disso, por que eu sei quem eu sou, por que eu sei da mulher que eu sou. Estou com Síndrome do Pânico, não consigo sair na rua, não consigo cuidar do meu filho, não consigo fazer mais nada do que eu gostava, não consigo treinar, não consigo fazer mais nada. Não tenho condições de aguentar isso. Não tenho condições de dar entrevista, não tenho condições das pessoas ficarem me perseguindo, não tenho... Estou sofrendo. Me deixem quieta, na minha, deixem que as coisas vão ser resolvidas. Só me deixem em paz, sabe.”
"Minha família não tem nada a ver com isso. As pessoas estão seguindo, como se isso fosse resolver alguma coisa e não vai, não vai. Estão expondo, estão invadindo, invadindo, estão invadindo de uma forma terrível.”
Futuro
“Nesse momento não passa nada, porque, primeiro eu tenho que voltar à minha linha de raciocínio. Tomei muitos remédios nos últimos dias, muitos mesmo. Então, preciso colocar minha cabeça no lugar, preciso parar de me medicar, preciso ficar bem, respirar, preciso ainda lidar com todas essas acusações, calúnias, xingamentos, tudo isso, de uma vez só. Nesse momento eu preciso de reclusão, preciso sair dessa turbulência que me colocaram. Eu não pedi nada disso.”
Entenda o caso
Neymar foi acusado de estupro por uma mulher cuja identidade foi preservada pela polícia. Ela registrou boletim de ocorrência na sexta-feira (31), revelado pelo ESPN.com.br no sábado 1º de junho, na 6ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, em São Paulo.
Segundo o documento, ela alegou ter conhecido o jogador de Paris Saint-Germain e seleção brasileira nas redes sociais. E no dia 12 de maio, um assessor identificado como Gallo entrou em contato fornecendo passagens e hospedagem para ela viajar para Paris, na França. Ela afirmou ter embarcado no dia 14 e chego no dia 15.
A mulher também relatou que ficou no Hotel Sofitel Paris Arc Du Triumphe e recebeu o atleta de 27 anos por volta de 20h locais do dia 15. Segundo ela, o jogador chegou “aparentemente embriagado”. “Começaram a conversar, trocaram carícias, porém, em determinado momento, Neymar se tornou agressivo e, mediante violência, praticou relação sexual.”
Tanto Neymar, por meio de vídeo em uma rede social – que depois o tirou do ar - na qual expôs as conversas com a mulher, quanto seu pai, Neymar da Silva Santos, em duas entrevistas à TV Bandeirantes, uma por telefone e a outra participando ao vivo de um programa, negam que tenha havido estupro. Eles confirmam que houve relação sexual, mas que a mesma foi consensual.
Na quarta-feira (05), o caso teve mais desdobramentos. Em entrevista ao SBT, a modelo falou pela primeira vez. Ela admitiu ter viajado com intuito de fazer sexo com Neymar, mas reiterou que foi estuprada e agredida após dizer que não queria ter relações sem o uso de preservativo.
Depois, surgiu um novo vídeo que mostra Najilia agredindo Neymar com tapas. A defesa da modelo diz que ela atraiu o jogador para gravar esse vídeo e tentar ter provas do que ele já havia feito com ela anteriormente.
Na quinta-feira (06), em entrevista ao Buzzfeed, Najila disse: "Vão me matar e dizer que me suicidei". No mesmo dia, mais duas partes da conversa foi revelada. "Você deveria ser homem pelo menos uma vez na vida e assumir seu erro", disse a modelo, em áudio ao jogador. Também vazou outro diálogo, em que Neymar diz que modelo "pedia mais", Najila rebateu e afirmou: "Mostra que seu cérebro só funciona em campo".
Ainda no mesmo dia, o advogado de Najila, Danilo Garcia de Andrade, confirmou que o vídeo completo tem 7 minutos e falou da estratégia de sua cliente: "Ela atraiu o Neymar ao quarto, precisava de uma prova". Foi também na quinta que Neymar, horas após ser cortado da seleção brasileira que vai disputar a Copa América, de muletas e cadeira de rodas, depôs sobre crime virtual e agradeceu o carinho dos fãs: "Me senti muito amado".
Na sexta-feira (07), foi a vez do depoimento de Najila em São Paulo. Ela passou mal, chegou a ser carregada por seu advogado e saiu da delegacia direto para o hospital. A TV Record exibiu mensagens em que ex-advogado rompeu relações com Najila, e Neymar disse que assessores foram responsáveis pela publicação em rede social que polícia investiga. Na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ), inspirado na Bíblia, protocolou um projeto rebatizado de "Lei Neymar da Penha".
No sábado (08), o novo advogado de Najila ameaçou sair do caso se ela não apresentar provas. Também vazou mais uma parte do primeiro depoimento da modelo, em que ela não mencionou a suposta ausência de camisinha na relação. No domingo (09), em trecho do último depoimento, Najila detalhou o suposto estupro e diz ter ficado em estado de choque.
