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Como ex-Flamengo foi parar em 'invencíveis' do Arsenal e substituiu até lenda do clube

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Brasileiro ex-Flamengo lembra convívio com 'invictos' do Arsenal e quando substituiu lenda: 'Um privilégio' (1:48)

Ex-jogador concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br (1:48)

Imagine atravessar o continente, vencer um torneio sub-20 contra um gigante e sair sob aplausos do próprio rival. Foi assim que Juan, ex-jogador com passagens por São Paulo, Flamengo e Santos, destrancou as portas do futebol europeu para jogar no Arsenal, na Inglaterra.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o ex-lateral lembrou o passado no time de Londres, contou bastidores e revelou detalhes do período em que conviveu com algumas das principais lendas do campeão da Premier League de 2025/26.

Campeão da Copa do Brasil de 2006 e do Brasileirão de 2009 com o Flamengo, Juan começou a trilhar os primeiros passos no São Paulo, onde permaneceu de 1994 até 2000. Foi neste ano que o então jovem jogador teve a oportunidade de mostrar seu talento para além do continente.

"Eu jogava no sub-20 do São Paulo e fizemos um torneio do centenário do Ajax, na Holanda, onde fomos campeões. Enfrentamos o Arsenal e depois surgiu uma proposta de um período de avaliação. Eu fui para lá e, no começo do ano seguinte, fiquei uma semana treinando até ser aprovado. Após um período de dois, três meses, fui em definitivo para o time B, que basicamente era de jogadores abaixo de 21 anos, mas que também podiam ter alguns que desciam do profissional para treinar", conta o ex-jogador, que não se esquece do início em solo inglês.

"O começo não foi fácil, foi difícil a adaptação à cultura do clube, do futebol, a saudade de casa, tudo muito diferente, mas tudo foi se ajustando. A estrutura surpreendeu muito. Já tinha um centro de treinamento de altíssimo nível, aquela coisa que enche os olhos. Até o chão era bonito, as paredes, os campos perfeitos, academia, tudo de primeiro mundo. Naquela época, na base de São Paulo era só o campo, a gente ia para o Morumbi, pegava ônibus, treinava e voltava. Mesmo no profissional, não tinha centro de treinamento em alguns clubes, então era realmente muito à frente", completou.

'Parça' dos 'Invictos'?

No Arsenal, Juan disputou duas partidas oficiais com o profissional na temporada 2001/02, ambas como titular e em vitórias pela Copa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa. Ao seu lado, nomes como Patrick Vieira, Edu Gaspar, Wiltord, Kanu, Robert Pires, Dennis Bergkamp e Thierry Henry, que seriam campeões da Premier League naquele ano e fariam história dois anos depois como os únicos a levarem o título invicto do campeonato.

Em maio de 2002, diante do antigo estádio de Highbury lotado, o brasileiro foi chamado por Arsene Wenger para entrar no lugar de nada menos que Bergkamp contra o Celtics, da Escócia, em partida comemorativa que celebrava os dez anos do ídolo Tony Adams com a camisa dos Gunners. Um momento que ele carrega para a vida.

"O Bergkamp era um cara que, a primeira vez que eu vi, você para, observa e fica olhando pra ele andando no meio do CT, porque realmente é uma referência no futebol mundial. Eu entrei no lugar dele numa posição um pouco mais ofensiva do que na lateral-esquerda, mas realmente foi um grande privilégio, porque ele era um jogador muito diferenciado, inteligente, muito técnico e que dava gosto de ver jogar", disse.

Apesar das estrelas, era o capitão da equipe que mais impressionava.

"Fica até difícil escolher um só, mas eu tive uma experiência muito boa com o Tony Adams. Teve um jogo que joguei pelo profissional que ele jogava de zagueiro pelo lado esquerdo da zaga, então ficou do meu lado praticamente o jogo todo. Era impressionante a leitura de jogo dele, o posicionamento, ele comunicava muito comigo e tudo o que eu fazia que ele falava dava certo, então foi um jogador que eu aprendi muito", destacou Juan.

"O Vieira também é um baita de um jogador, um volante que chegava no ataque, roubava, driblava, fazia de tudo pelo time, e não tem como não falar do Henry, que era um grande atacante, viveu um grande momento lá. Um jogador de muita velocidade, mas também habilidade, drible, sabia fazer gol, finalizava bem, muito inteligente. Então, foram grandes jogadores que tive esse grande privilégio de treinar e estar em alguns jogos com eles também".

Após uma cirurgia para reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA), Juan perdeu espaço e retornou para escrever seu nome Brasil afora. O ex-lateral ainda foi tricampeão carioca pelo Flamengo, além de faturar estaduais pelo Fluminense, Goiás e o Santos de Neymar, com o qual ainda faturou a Recopa Sul-Americana.

"É difícil dizer o quanto (a lesão) atrapalhou ou não, mas acho que perdi praticamente metade da temporada num momento importante e que eu estava com 20 anos, poderia ter sido o momento da transição da base ao profissional. Voltando de lesão, tive um período de empréstimo no Millwall, mas acabei também não jogando muito. Surgiu uma possibilidade de voltar ou de continuar na Europa tentando rodar em times menores para ganhar minutagem, e acabei optando em voltar, tentar buscar ser conhecido aqui, conquistar o mercado aqui, e deu certo também", concluiu.

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