<
>

Neymar diz que assessores foram responsáveis por publicação em rede social que polícia investiga, diz site

No depoimento dada à polícia civil na noite da última quinta-feira, Neymar declarou que o vídeo publicado em sua conta no Instagram, no qual ele defende-se das acusações de estupro e agressão feitas por Najila Trindade Mendes, foi ar por responsabilidade de um assessor e um técnico de informática que trabalham para ele. A informação é do site "GloboEsporte.com".

O vídeo é alvo de outra investigação contra o jogador, esta conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, pelo vazamento do nome, de fotos do rosto e também fotos intimas da modelo. O depoimento de Neymar foi dado na Cidade da Polícia, na zona Norte.

De acordo com o "GloboEsporte.com", ele disse que gravou a primeira parte do vídeo, na qual nega ter cometido os crimes alegados pela modelo. E depois um integrante da sua equipe e um técnico em informática foram responsáveis por juntar o vídeo às mensagens que ele havia trocado com Najila Trindade, nas quais constam fotos em que ela aparece sem roupa.

Ao divulgar o vídeo, houve uma tentativa de borrar o nome dela e algumas fotos, mas outras acabaram vazaram.

Neymar disse que deu autorização para os dois assessores publicarem o vídeo por não ter conhecimento técnico para fazer e afirmou que orientou sua equipe a não expor e também a preservar informações pessoais da modelo, assim como partes íntimas dela.

A reportagem informa que o assessor e o técnico de informática descritos por Neymar vão ser chamados para depor.

O depoimento do jogador do Paris Saint-Germain é diferente do que a reportagem do ESPN.com.br apurou com pessoas próximas. Neymar teria tido aval de seus advogados antes de divulgar o vídeo no Instagram.

A estratégia da equipe que assessora Neymar era dar uma resposta rápida à acusação de estupro, noticiada pela primeira vez no sábado (dia 1º) – o boletim de ocorrência foi registrado na sexta, dia 31 de maio, e o suposto crime, dia 15, em Paris, na França.

O vídeo publicado por Neymar no início da madrugada de domingo teve quase 20 milhões de visualizações e foi retirado do ar pelo próprio Instagram, por violação de política da rede social.

Com o vídeo, Neymar pode ter infringido o código 218-C do Código Penal: “Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia”.

A pena prevista na legislação é de um a cinco anos de reclusão, que pode ser agravada se “o crime é praticado por agente que mantém ou tenha mantido relação íntima de afeto com a vítima ou com o fim de vingança ou humilhação.”

Entenda o caso

Neymar foi acusado de estupro por uma mulher cuja identidade foi preservada pela polícia. Ela registrou boletim de ocorrência na sexta-feira (31), revelado pelo ESPN.com.br no sábado 1º de junho, na 6ª Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher, em São Paulo.

Segundo o documento, ela alegou ter conhecido o jogador de Paris Saint-Germain e seleção brasileira nas redes sociais. E no dia 12 de maio, um assessor identificado como Gallo entrou em contato fornecendo passagens e hospedagem para ela viajar para Paris, na França. Ela afirmou ter embarcado no dia 14 e chego no dia 15.

A mulher também relatou que ficou no Hotel Sofitel Paris Arc Du Triumphe e recebeu o atleta de 27 anos por volta de 20h locais do dia 15. Segundo ela, o jogador chegou “aparentemente embriagado”. “Começaram a conversar, trocaram carícias, porém, em determinado momento, Neymar se tornou agressivo e, mediante violência, praticou relação sexual.”

Tanto Neymar, por meio de vídeo em uma rede social – que depois o tirou do ar - na qual expôs as conversas com a mulher, quanto seu pai, Neymar da Silva Santos, em duas entrevistas à TV Bandeirantes, uma por telefone e a outra participando ao vivo de um programa, negam que tenha havido estupro. Eles confirmam que houve relação sexual, mas que a mesma foi consensual.