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Abaxial, madrinha de Blacky e mais desdobramentos sobre os bastidores do Flamengo Esports

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Dias após a publicação do dossiê sobre o Flamengo Esports, pessoas relacionadas ao projeto e também a funcionários da empresa foram a público falar sobre os ocorridos


Após a publicação da matéria sobre as polêmicas que rondam os bastidores do Flamengo Esports desde a chegada da Simplicity Esports no comando, muitas outras polêmicas continuaram a surgir. Na última terça (14), após o dirigente da Simplicity convidar Abaxial a mostrar suas provas, o treinador norte-americano realizou uma transmissão ao vivo intitulada “Uma mensagem para Jed Kaplan” para mostrar sua versão sobre a acusação de chantagem, as condições da casa do time Academy, despesas não pagas pela empresa e mais.

Com seu contrato empregatício com a Simplicity Esports e o distrato aberto na transmissão, o treinador - que hoje compõe o elenco para 2022 da INTZ - começou sua transmissão falando sobre o NDA (Acordo de não-divulgação) presente em seu contrato. De acordo com o treinador, apesar do contrato resguardar a empresa caso alguma informação sinalizada seja divulgada, o mesmo não protege ela caso algo de errado seja feito.

“Sobre o acordo de sigilo: a empresa faz um acordo com o funcionário para que ele não divulgue informações vitais sobre a empresa que sejam informações privilegiadas. No entanto, um acordo de não divulgação não protege a empresa caso eles façam coisas erradas. O governo quer que as pessoas denunciem os crimes cometidos. Nesse caso, acredito que um crime foi cometido contra mim, acredito que uma chantagem foi cometida”, disse Abaxial.

Por conta disso, o treinador revela que está protegido contra os acordos e que, por ter recebido um segundo contrato de não-divulgação sem multa e o livrando de obrigações pós-contratuais, o último é o que vale.

Apesar da acusação de que teria sido chantageado, o treinador deixa claro que existem limites do que pode apresentar de provas por conta do artigo 157 do Código Processo Penal, que diz não serem admitidas as provas obtidas por meios ilícitos, como gravações que não tenham autorização daquele que está sendo gravado, mas que apresentaria o que pudesse.

Quanto ao valor que deveria receber por conta da terminação precoce de seu contrato, Abaxial revelou que deveria ter recebido cerca de US$ 3,5 mil mas que não recebeu o valor e voltou a falar sobre a acusação de chantagem realizada através de uma call por Jed Kaplan.

“Ele [Jed Kaplan] disse que eu tinha uma escolha a fazer entre minha reputação e o dinheiro, que eu poderia renunciar ou pegar o dinheiro e ele diria o que quisesse para quem quisesse. O Jed teve a ideia de que de alguma forma arruinei a equipe durante o meu tempo lá, isso é obviamente falso, qualquer pessoa que tenha visto o Combo Podcast com o Ranger sabe que é falso”, diz.

Junto disso, Abaxial também mostrou o descumprimento de uma cláusula do contrato por parte da Simplicity, que dizia que a empresa seria responsável pelo pagamento de passagens de ida e volta dos Estados Unidos para o Brasil. No entanto, o treinador apresenta o recibo de aproximadamente US$500 da passagem que comprou com seu próprio dinheiro.

“Eu não estou fazendo isso por mim. Eu não espero que o dinheiro magicamente apareça na minha porta no próximo dia, não. Mas sim pelas outras pessoas que talvez precisem mais do dinheiro e que talvez estejam mais perto de uma situação ruim do que eu. Isso não é ok”, comenta o treinador.

“Jed, eu não quero te mandar para a prisão, eu acredito que você está fazendo coisas muito ruins mas a prisão é um lugar muito ruim. Não to tentando te mandar para lá. Eu só quero que você pare de mexer com essas pessoas, meu companheiros de trabalho que conheço a muito tempo. Faça o que é certo, deixe eles viverem a vida deles e receberem o que lhes foi prometido. Se você me chantageou, me faz pensar que não foi a primeira vez, mas sabe, as pessoas podem ser perdoadas e seguir em frente”, complementa.

Abaxial também fala que lhe foi prometido, e que está presente em seu contrato, headsets, cadeiras, mouse e diversos periféricos para que pudesse trabalhar e que nada disso havia sido entregue e mostra um vídeo da gaming house usada pela equipe academy (um hostel localizado no Alto de Pinheiros, região Oeste de São Paulo), onde não existia um computador nem para ele, nem para Parang - que também morava no hostel.

“Essa gaming house era muito ruim, vocês não tem ideia”, conta. Com um quarto ao lado da sala de treinamento da equipe academy, Abaxial conta que Parang não conseguiu dormir direito durante todo o split por conta dos barulhos e que, para resolver o problema, tentaram mudá-lo de lugar mas o mesmo passou a ter alergias por conta de pó em outras partes da casa.

Em seguida, mostra o centro de treinamento da equipe principal na On e-Stadium, onde também não possuía um computador para trabalhar e tinha que dividir um com o técnico turco Pades.

“Eu não tinha lugar para trabalhar nem na gaming house, nem no office, e eu assinei o contrato com um salário que era com o entendimento de que eu teria um monte de coisas sendo fornecidas para mim. Depois de duas semanas, eu não conseguia trabalhar mais daquele jeito e precisava fazer algo. Fui e aluguei um apartamento por conta própria, foi realmente uma merda, basicamente não estava ganhando dinheiro”, conta.

“Violaram o contrato, com tudo isso e o que considero um comportamento criminoso, junto do fato de ter sido publicamente desafiado, acredito que estou seguro [...] Posso ser processado, minha carreira pode acabar por conta disso, talvez a INTZ tenha que me demitir. Mas novamente, para todos vocês, estou apenas tentando fazer o que é certo e não estou tentanto tirar a Simplicity do CBLoL. Tudo o que fiz, falar com a Riot e a imprensa foi para colocar pressão para tentar resolver a situação de outras pessoas”, finaliza.

MADRINHA FALA SOBRE FALTA DE COMIDA

Além de Abaxial, outras pessoas foram à publico falar sobre os problemas noticiados pela apuração feita pelo ESPN Esports Brasil, como foi o caso de Luciana, madrinha do jogador Matheus “Blacky”, antigo mid do Flamengo Academy que se encontra atualmente na equipe de base da paiN Gaming.

Através de seu perfil pessoal, a madrinha do jogador confirmou as apurações feitas pela reportagem acerca da falta de comida que os jogadores sofreram durante sua passagem pela equipe academy e ainda acrescentou que, não só ela, mas outras tias, madrinhas e mães tiveram que cozinhar para os jogadores, além comprar utensílios e gás, e também levar ingredientes pois os que tinham no hostel utilizado pela equipe “era tudo de péssima qualidade”.

“Graças a Deus alguém abriu a boca! Só eu sei o que eu, minha cunhada e todas as mães dos meninos passamos no primeiro semestre deste ano. Na parte que fala da falta de comida para o academy, faltou dizer que além das mães, teve também tias e madrinhas indo lá cozinhar, além de levarmos ingredientes, pois quando tinha, era tudo de péssima qualidade. Além disso, teve mãe comprando utensílios decentes para cozinhar e até gás”, contou Luciana em sua rede social.

“Só eu sei a dor que senti, no dia que colocaram meu sobrinho para jogar, o time perdeu e eu ainda tive que ver gente no Twitter dele dizendo que ele era vagabundo e que ele "recebia" e comia de graça lá pra jogar. Eu chorava de raiva, só de imaginar que meu sobrinho e os outros meninos estavam passando fome naquele lugar. Por várias vezes quis abrir minha boca, mas fiz o sacrifício de ficar de boca fechada porque não queria prejudicar os meninos”, continua.

A informação divulgada por Luciana bate de frente com a declaração feita por Roman Franklin à reportagem quando perguntado sobre o assunto. Na ocasião, o CEO da Simplicity Esports afirmou que teria descoberto apenas após o final da etapa do campeonato que uma das mães teria levado comida aos atletas.

“Descobrimos depois que o split acabou que uma mãe fez isso. Mais uma vez, os fundos estavam lá e fomos informados de que pagaríamos uma empregada e uma cozinheira para preparar a comida para a casa. Nossa equipe local nunca deveria ter deixado isso acontecer, e eles deveriam ter nos comunicado imediatamente para que pudesse ser investigado e resolvido”, comentou Roman Franklin sobre o tema à reportagem.

Nesta última quarta (15), a Riot Games confirmou a informação divulgada pela redação do ESPN Esports Brasil de que a empresa estaria investigando o caso para que os próximos passos do caso sejam definidos. Confira o comunicado da desenvolvedora enviado à imprensa:

"A Riot Games está analisando as informações recebidas e avaliando o caso cuidadosamente. Manteremos a nossa comunidade informada dos desenvolvimentos da situação", comunica.