Fenômeno Alcaraz e Bia Haddad histórica: Luisa Stefani volta após mais de um ano em um 'mundo diferente' no tênis

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Luisa Stefani, medalhista olímpica, não fica no muro e escolhe dupla ideal, Grand Slam favorito e mais; VEJA (0:55)

Tenista brasileira, que venceu a medalha de bronze em Tóquio, retorna ao circuito da WTA após se recuperar de uma lesão no joelho


Após mais de um ano, Luisa Stefani está de volta às quadras!

A tenista brasileira, medalhista olímpica, retorna ao circuito junto com a canadense Gabriela Dabrowski na chave de duplas do WTA 250 de Chennai, na Índia. A estreia será contra Katie Swan e Despina Papamichail nesta quarta-feira (13) às 08h30 com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. Stefani e Dabrowski formam a dupla cabeça de chave nº 1 do torneio, que tem todas as quadras disponíveis na plataforma de streaming da Disney.

Medalha de bronze junto a Laura Pigossi nas Olimpíadas de Tóquio, Luisa não disputa uma partida oficial desde que rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito na semifinal de duplas do US Open no ano passado. A brasileira vivia o melhor momento da carreira junto com a canadense após conquistar o WTA 1000 de Montreal e acumular vitórias no Grand Slam americano.

Recuperada da lesão, Stefani tinha planejado sua volta ao circuito para o dia 19 de setembro no WTA 500 de Tóquio com uma parceira inédita, a japonesa Ena Shibahara. No entanto, após passar a semana em Flush Meadows durante o US Open e conversar com "Gab" Dabrowski, a brasileira decidiu antecipar o retorno para disputar o torneio indiano com a antiga dupla.

Desde a última vez que a brasileira entrou em quadra, no dia 10 de setembro de 2021, o mundo do tênis mudou muito!

A ascensão de Bia Haddad

Após o US Open de 2021, Beatriz Haddad Maia era o número 124 do ranking de simples da WTA. A tenista brasileira não tinha furado o quali do Grand Slam americano e ainda disputava alguns torneios ITFs (Federação Internacional de Tênis), um nível abaixo da WTA. Em outubro do ano passado, ela começou sua ascensão meteórica ao vencer a então nº 3 do mundo Karolina Pliskova no WTA 1000 de Indian Wells.

Depois, em janeiro de 2022, Bia Haddad e a cazaque Ana Danilina conquistaram o WTA 500 de Sidney nas duplas e chegaram até a final do Australian Open.

Na simples, a brasileira continuou crescendo nesse ano e vencendo adversárias de peso como Maria Sakkari, em Miami. Foi também em 2022 que ela conquistou os primeiros títulos no circuito da WTA em Nottingham e Birmingham, ambos na grama.

Mas foi em agosto de 2022, na quadra rápida do Canadá, que Bia atingiu seu maior feito. A brasileira derrotou Iga Swiatek, número 1 do mundo, no WTA 1000 de Cincinnati e chegou até a final do torneio, quando perdeu para Simona Halep, ex-líder do ranking. Após esse resultado expressivo, Bia Haddad chegou ao número 15º do mundo, a melhor colocação na história de uma tenista brasileira no ranking da WTA, criado em 1975.

Nesse último Aberto dos Estados Unidos, a brasileira entrou como cabeça de chave e conquistou sua primeira vitória no Grand Slam americano, mas acabou eliminada na 2ª rodada.

Nessa semana, que marca o retorno da amiga Luisa Stefani no circuito, Bia Haddad ocupa o 18º lugar do ranking e disputa o WTA 250 de Portoroz, na Eslovênia. A brasileira venceu Clara Tauson na estreia e encara Cristina Bucsa nas oitavas de final nesta quarta-feira às 14h com transmissão exclusiva em português pela ESPN no Star+.

O fenômeno Alcaraz

O tênis masculino sofreu uma reviravolta com um sotaque espanhol.

Em setembro do ano passado, Carlos Alcaraz era uma promessa. O espanhol tinha apenas 18 anos quando se tornou o tenista mais jovem a se classificar para as quartas de final do US Open. Ele ocupava a 38º posição do ranking da ATP e ganhou muito destaque com o desempenho espetacular logo em sua primeira participação na chave principal de Nova York.

Um ano depois, Carlitos é uma realidade. O espanhol foi campeão do último major americano, após derrotar Casper Ruud na final, e alcançou o topo do ranking mundial com apenas 19 anos, se tornando o tenista mais novo a atingir esse feito. Nesse período em que Luisa Stefani ficou afastada do circuito, Alcaraz também conquistou seus primeiros títulos de Masters 1000 da carreira, em Miami e Madri.

Adeus de Serena, aposentadoria de Barty e domínio de Swiatek

No US Open de 2021, quando Luisa sofreu a lesão, o tênis feminino viu duas jovens desbancarem favoritas e disputarem a final de simples.

Emma Raducanu venceu Leylah Fernandez e foi campeã com apenas 18 anos. Depois dessa campanha, a tenista britânica não conseguiu chegar em nenhuma final sequer.

Em setembro do ano passado, após o Grand Slam americano, Ashleigh Barty liderava o ranking da WTA e Aryna Sabalenka e Pliskova completavam o top 3. A ex-número 1 do mundo foi campeã do Australian Open no início desse ano e surpreendeu o mundo do tênis ao anunciar a aposentadoria com apenas 25 anos.

Após a decisão da australiana, que liderava o circuito desde 2019, o tênis feminino conheceu uma nova 'dominante'. De fevereiro de 2022 a julho, Swiatek conseguiu uma sequência impressionante de 37 vitórias.

No US Open de 2021, Iga foi eliminada nas oitavas de final e ocupava a 8ª colocação no ranking. Nesse último final de semana, a polonesa foi campeã, pela 1ª vez, em Nova York e conquistou seu 3º título de Grand Slam. Desde setembro do ano passado, Swiatek também levantou o troféu em Roland Garros, Roma, Stuttgart, Miami, Indian Wells e Doha. Ela é a número 1 do mundo desde abril.

No dia 13 de setembro de 2021, Serena Williams ocupava o 41º lugar do ranking da WTA e não tinha disputado o US Open por estar lesionada. Agora, a tenista de 40 anos está no 321º do mundo e pode ter feito sua despedida do tênis no último Aberto dos Estados Unidos. Serena foi eliminada na 3ª rodada em Nova York, onde ela venceu seis dos vinte e três títulos de Major na carreira.

Luisa Stefani volta às quadras sem aparecer no ranking de simples, mas já chegou a ocupar o 431º lugar em 2019. O atual top 3 da WTA é composto por Swiatek, Ons Jabeur, vice campeã do último US Open, e Anett Kontaveit.

Djokovic x vacina e o recorde de Nadal

Na final masculina do Aberto dos Estados Unidos de 2021, Danill Medvedev superou Novak Djokovic e conquistou seu 1º título de Grand Slam. O sérvio liderava o ranking da ATP e foi vencido pelo russo, que ocupava o 2º lugar. Stefanos Tsitsipas completava o top 3.

No início de 2022, Djokovic não pôde disputar o Australian Open por não estar vacinado contra a Covid-19, condição obrigatória para entrar no país australiano. Sem poder disputar o 1º major do ano e sem conseguir entrar em outras nações como os Estados Unidos e o Canadá pelo mesmo motivo, o sérvio sofreu uma quedra abrupta no ranking. Após o último US Open, que ele também não disputou, Djokovic ocupa a 7ª colocação. Atualmente, o top 3 é composto por Alcaraz, Ruud e Rafael Nadal.

El Toro Miura também realizou um feito impressionante nesse ano em que Stefani se recuperava da lesão. O espanhol quebrou o recorde de mais títulos de Grand Slam após ser campeão em Melbourne. Nadal agora tem 22 majors, já que também venceu em Roland Garros, Djokovic tem 21, depois de ser campeão em Wimbledon (que não exigiu a vacinação) desse ano, e Roger Federer tem 20. Em setembro do ano passado, os três estavam empatados com 20 'canecos' cada.

Duplas femininas

No US Open de 2021, Luisa Stefani fazia história junto com Gab Dabrowski até lesionar o joelho na semifinal contra Coco Gauff e Caty McNally. As americanas acabaram perdendo a final de duplas para a chinesa Zhang Shuai e a australiana Samantha Stosur. A dupla da brasileira era a cabeça de chave nº 5 do torneio.

Após o Grand Slam, Luisa ocupava o 13º lugar do ranking de duplas da WTA e Gab estava na 7ª posição. O top 3 era composto por Su-Wei Hsieh, Elise Mertens e Barbora Krejcikova.

Um ano depois, a dupla campeã do Aberto dos Estados Unidos foi a parceria formada por Krejcikova e Katerina Siniakova, ambas da República Tcheca.

Na semana do retorno da brasileira ao circuito, o ranking das duplistas é liderado por Siniakova, que também venceu o Australian Open e Wimbledon, e o top 3 é completado por por Krecjikova e Mertens.

Stefani volta na posição de 718 do mundo, mas já chegou a figurar no top 10 das duplas em novembro de 2021. Dabrowski está no 11º lugar. Shibahara, que será a dupla da brasileira no WTA 500 Tóquio, ocupa a 12ª posição.

A japonesa foi eliminada nas oitavas desse útlimo US Open justamente pela dupla da canadense com Giuliana Olmos. Dabrowski e Olmos chegaram até as quartas.

Com a mexicana, Gab está em 2º lugar na corrida de duplas pelo WTA Finals, que terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. Bia Haddad e Danilina estão em 10º lugar na disputa após chegarem nas oitavas em Nova York.

Guerra na Ucrânia

Quando Luisa Stefani estava no Brasil se recuperando da lesão no joelho, a Europa se tornou um palco de um conflito bélico entre a Rússia e a Ucrânia.

A guerra afetou o mundo do tênis uma vez que a Federação Inglesa de Tênis decidiu proibir os atletas russos e belarussos de disputarem Wimbledon. A medida fez com que a ATP e WTA retirassem os pontos, que valem para o ranking, do Grand Slam disputado em Londres. As duas decisões geraram muita polêmica uma vez que Djokovic não pôde defender seus 2000 pontos conquistados pelo título em 2021 e o russo Medvedev, que era o líder do ranking, foi impedido de participar do major.

O conflito também provocou uma cena controversa no último US Open. A ucraniana Marta Kostyuk e a belarussa Victoria Azarenka apenas tocaram raquetes e não se cumprimentaram após uma partida vencida pela ex-nº 1 do mundo.

Prestes a completar 7 meses, o conflito ainda acontece no território ucraniano e as bandeiras da Rússia e de Belarus, país que é um aliado russo, não aparecem nos torneios organizados pela ATP e WTA.