Tenista brasileira vai formar uma parceria inédita no retorno às quadras após um ano lesionada
Após muito suspense, Luisa Stefani definiu quem será sua nova parceira nesse recomeço de carreira após a lesão no joelho durante a semifinal do US Open de 2021.
A tenista brasileira, que venceu nas duplas a medalha de bronze nas Olimpíadas de Tóquio junto com Laura Pigossi, voltará para o circuito com a japonesa Ena Shibahara, número 12 do ranking da duplas.
A parceria inédita será testada no WTA 500 de Tóquio, a partir do dia 19 setembro, disputado em quadra dura e com transmissão ao vivo do Star+.
Antes de romper o ligamento do joelho direito no Grand Slam dos Estados Unidos, Luisa tinha uma parceria fixa com a canadense Gabriela Dabrowski. A dupla vinha sendo muito vitoriosa em 2021, inclusive com a conquista do WTA 1000 de Montreal. Mas, após a lesão, a ex-parceria da brasileira passou a jogar com a mexicana Giuliana Olmos.
Mas quem é Ena Shibahara?
A tenista de 24 anos nasceu em Mountain View, uma cidade pequena do estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Tem, portanto, dupla nacionalidade: japonesa e americana. Sob influência da família, que possuía alguns tenistas, Shibahara teve o primeiro contato com o esporte aos 7 anos.
Ela começou a se destacar no ensino médio americano e ganhou projeção nacional, ao participar da equipe da escola Palos Verdes Peninsula High School, onde ganhou títulos importantes desse nível de competição e foi eleita quatro vezes a jogadora mais valiosa da temporada (MVP).
Com esse desempenho, a nova parceira de Luisa Stefani chamou atenção de faculdades tradicionais dos Estados Unidos e optou pela gigante Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA).
Carreira juvenil e universitária
Em 2016, Shibahara foi campeã juvenil do US Open nas duplas femininas com a americana Jada Hart antes mesmo de iniciar sua carreira na universidade.
A nova parceira de Luisa Stefani continuou se destacando ao entrar na faculdade para estudar sociologia em agosto de 2016. Logo na temporada de caloura, foi uma das destaques da equipe ao chegar ao 4º lugar do ranking nacional de simples e foi chamada para compor o All-American Team, a 'seleção' dos melhores tenistas universitários dos Estados Unidos.
No 2º ano, em 2017/18, Shibahara ocupou o posto de principal tenista de simples da UCLA durante toda a temporada e novamente foi selecionada para o All-American Team após acumular um retrospecto de 27 vitórias e 10 derrotas. Então, a tenista optou por seguir para a carreira profissional em vez de cursar o terceiro ano da faculdade.
Sucesso nas duplas na WTA
Em 2018 e 2019, a japonesa venceu 7 títulos de duplas do circuito da Federação Internacional do Tênis (ITF). Também em 2019, Shibahara venceu pela primeira vez um torneio da WTA. Junto com a japonesa Shuko Aoyama, a duplista foi campeã em Tianjin e Moscou.
Essa parceria foi a mais vitoriosa para a tenista até então. As japonesas brilharam em 2020 e 21, conquistando seis títulos. O mais importante deles foi o Miami Open do ano passado, sendo que a final foi justamente contra Stefani e Dabrowski.
A última vez que Shibahara e Aoyama jogaram juntas foi no Australian Open de 2022, quando as japonesas acabaram eliminadas na semifinal após uma derrota para a brasileira Bia Haddad Maia e Anna Danilina.
Ainda no começo desse ano, a tenista de 24 anos alcançou sua melhor posição no ranking de duplas: o 4º lugar em março de 2022.
Sonho olímpico
Em 2021, Shibahara optou por defender o Japão nas Olimpíadas de Tóquio para atender um desejo da família japonesa. Jogando em casa e com Aoyama, parceira 'predileta', a dupla acabou eliminada logo na estreia para as suíças Belinda Bencic e Viktorija Golubic.
Ela não se classificou para a chave de simples.
Luisa Stefani x Ena Shibahara
Agora parceiras, as duas tenistas se enfrentaram em seis oportunidades no circuito de duplas da WTA.
O encontro mais recente foi nas quartas de final de Cincinnati no ano passado, quando a brasileira levou a melhor e se “vingou” da derrota na final do WTA 1000 de Miami também em 2021. Ao todo, foram 4 vitórias para Shibahara e duas para a dupla de Luisa.
A escolha
Desde o Australian Open, Shibahara não tinha uma parceira fixa. Em Roland Garros, ela foi campeã nas duplas mistas com Wesley Koolhof, mas no circuito feminino não conquistou nenhum título. Seu melhor resultado foi o vice-campeonato em Indian Wells, quando estava jogando com a americana Asia Muhammad.
A japonesa tentou disputar algumas torneios de simples no circuito da WTA, mas conseguiu furar o quali apenas uma vez, 'se contentando' mais com as competições da ITF.
Em entrevista exclusiva, Luisa Stefani explicou sua decisão: "Logo depois que eu machuquei, ela foi uma das poucas jogadoras que me mandou uma mensagem. Não foi só para me desejar uma boa recuperação, mas para colocar uma sementinha para a gente jogar juntas. Eu gostei muito disso. Foi bem no começo e era incerto para mim e para todo mundo. Então, ela tomou essa iniciativa como amiga e potencial parceira de circuito. Nossos estilos de jogo combinam muito bem. A gente se dá bem fora da quadra e a gente precisa ver a química dentro da quadra porque a gente só jogou uma contra a outra. Já passei muito stress contra ela. Eu acho que a gente pode se complementar muito bem. A gente vai se encaixando e será especial, principalmente, porque nossa estreia vai ser em Tóquio, que é a casa dela, o Japão. É onde eu joguei as Olimpíadas e conquistei a medalha, então tenho boas lembranças."
