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A Olimpíada que não começou: tudo o que você precisa saber sobre Tóquio-2020 em 2021

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Pandemia e o direito de protestar: no suposto dia da abertura dos Jogos, duas questões pautam o Mundo Olímpico (2:02)

Antes do adiamento, Olimpíadas de Tóquio seriam abertas nesta sexta-feira, dia 24 de julho (2:02)

Era hoje! Se o planeta mantivesse o seu curso normal, os Jogos Olímpicos de Tóquio seriam oficialmente abertos nesta sexta-feira, 24 de julho de 2020. A pandemia de COVID-19 fez com que a 32ª edição do evento fosse adiada para 2021, começando em 23 de julho e com encerramento em 8 de agosto.

A cidade japonesa foi escolhida como sede em 7 de setembro de 2013. O pontapé inicial e oficial do novo ciclo olímpico aconteceu na cerimônia de encerramento dos Jogos do Rio, em 2016. Na ocasião, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, surgiu no palco com uma performance em alusão ao Super Mario, personagem mundialmente famoso dos videogames.

Ainda no Rio, um breve espetáculo apresentou os principais pontos turísticos da capital japonesa e algumas figuras icônicas da cultura pop local, como Pac Man e Hello Kitty.

O que não se esperava era o adiamento. Depois de meses de especulação e com a maioria dos grandes eventos esportivos do mundo sendo cancelados ou adiados por causa da pandemia, o COI (Comitê Olímpico Internacional) decidiu pela mudança em 24 de março. O nome, no entanto, foi mantido: Tóquio-2020.

Na última semana, a entidade veiculou o novo calendário, lembrando que alterações podem ser realizadas. Mas algumas perguntas seguem sem resposta. Veja abaixo o que você precisa saber sobre os Jogos de Tóquio - e também o que ainda não conseguimos responder:

Os Jogos

Antes da pandemia, eram esperadas 206 nações e 11.091 atletas no Japão. Isso sem falar em treinadores, integrantes de comissões técnicas, membros da imprensa e torcedores. O que se sabe é que o número de pessoas presentes no país na Olimpíada em 2021 será muito inferior.

A logística para uma aglomeração desta grandeza ainda é uma incógnita - quarentena para torcedores e atletas, por exemplo? -, e a festa que promete ser a "união dos povos pós-pandemia" pode criar um novo epicentro de COVID-19.

Olimpíada pode ser cancelada?

Sim. A confirmação efetiva das datas só vai acontecer em 2021, sem prazo. Se a pandemia avançar novamente, não apenas no Japão, existe a possibilidade de cancelamento. Um novo adiamento para 2022 é pouco improvável e alguns dirigentes do COI admitem: ou será em 2021 ou não será.

A esperança para que os Jogos aconteçam de forma mais tranquila possível tem nome: vacina.

Vai ter torcida?

Na teoria, sim. Como será a dinâmica é outra pergunta sem resposta. A organização já disse em fazer os Jogos de maneira mais "simples e baratos". Assim, a presença do público pode acontecer, mas com limitação de torcedores nos locais de competição.

O que esperar dos eventos em Tóquio?

Até o momento, o número de competições não foi alterado: 339 disputas divididas em 33 modalidades. Apesar de a abertura oficial ser no dia 23, os Jogos sempre começam uns dias antes. O softbol estreia no dia 21 e invade a madrugada no horário brasileiro. O futebol feminino também abre a briga por medalhas na mesma data, 22. No dia seguinte, mais softbol e a estreia do futebol masculino.

Fuso não mudou, mas o calendário...

O fuso horário não mudou, acreditem. Tóquio está 12h à frente do Brasil. Com isso, algumas modalidades podem ter suas provas em horários diferentes dos habituais, e até mesmo um pouco confusos. Isso por que o COI sempre leva em consideração o interesse das emissoras dos EUA em algumas modalidades nas quais o país é a maior potência, como a natação.

Tradicionalmente, as finais nas piscinas acontecem à noite, mas, no Japão elas serão realizadas de manhã e começo da tarde, com as classificatórias nas noites que antecedem às provas que valem medalhas.

O basquete masculino também terá uma peculiaridade por causa do horário. A final será disputada no dia 7 de agosto, das 23h30 à 1h30 (de Brasília), e a disputa do bronze será no dia seguinte, a partir das 8h. Ou seja, o campeão será conhecido antes do terceiro colocado.

As primeiras medalhas da Olimpíada serão entregues no tiro, na prova feminina da carabina de ar de 10m, no dia 24.

Super fim de semana dourado

31 de julho está sendo chamado de "Super Sábado" pela organização, já que serão 21 eventos de pódios, inclusive o primeiro de algumas novas provas, como equipes mistas de judô, triatlo, tiro esportivo e também no atletismo, no 4x400m..

O dia seguinte, o "Domingo Dourado", vai distribuir 25 medalhas de ouro. Entre elas a de uma das provas mais nobres dos Jogos: os 100m rasos no atletismo. Quatro pódios de ginástica artística e final masculina de tênis também estão no calendário nesta dama.

Confira aqui o calendário completo.

Novas modalidades

O COI incluiu 5 novas modalidades na edição de Tóquio. Skate, karatê, beisebol/softbol, escalada e surfe deixaram para trás outros esportes que estavam na briga como xadrez, squash, sumô e boliche. Importante ressaltar que cada modalidade/prova incluída em uma edição não precisa ser disputada em outra. Foi o caso de beisebol e softbol, que integraram a lista de Barcelona-1992 até Pequim-2008.

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"Quase" novas modalidades

Algumas modalidades já existentes tiveram categorias incluídas. É o caso do basquete 3x3, disputado em meia quadra, ciclismo BMX freestyle categoria park, e diversas provas mistas.


Vagas do Brasil

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A previsão inicial do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) era de uma delegação brasileira composta por cerca de 250 atletas. No momento, o Brasil já tem 171 vagas confirmadas.

Abaixo, veja quais competições/atletas já estão garantidos em Tóquio:

Atletismo (24 vagas)

  • 110m com barreiras masculino (2)

  • 200m masculino (1)

  • 200m feminino (1)

  • 400m com barreiras masculino (2)

  • 4x100m masculino (4)

  • 4x400m misto (4)

  • Salto com vara masculino (2)

  • Salto triplo masculino (2)

  • Arremesso do peso masculino (1)

  • Lançamento do disco feminino (1)

  • Marcha atlética – 20km masculino (1)

  • Marcha atlética – 20km feminino (1)

  • Maratona masculino (2)

Canoagem slalom (2 vagas)

  • Ana Sátila (C1 e K1)

  • Pepê Gonçalves (K1)

Canoagem velocidade (2 vagas)

  • Canoa masculino (2)

Futebol (36 vagas)

  • Seleção feminina (18)

  • Seleção masculina (18)

Ginástica artística (5 vagas)

  • Flavia Saraiva (individual)

  • Equipe masculina (4)

Handebol (14 vagas)

  • Seleção feminina (14)

Hipismo (7 vagas)

  • Adestramento, individual (1)

  • CCE, equipe (3)

  • Saltos, equipe (3)

Luta livre (3 vagas)

  • Aline Silva - estilo livre - até 76kg (1)

  • Lais Nunes - estilo livre - até 62kg (1)

  • Eduard Soghomonyan - estilo greco-romano - até 130kg (1)

Maratonas aquáticas (1 vaga)

  • Ana Marcela Cunha - 10km (1)

Natação (12 vagas)

  • 4x100m livre masculino (4)

  • 4x200m livre masculino (4)

  • 4x100m medley masculino (4)

Pentatlo Moderno (1 vaga)

  • - Iêda Guimarães (individual feminino)

Rugby Sevens (12 vagas)

  • Seleção feminina (12)

Surfe (4 vagas)

  • Gabriel Medina (1)

  • Italo Ferreira (1)

  • Silvana Lima (1)

  • Tatiana Weston-Webb (1)

Taekwondo (3 vagas)

  • Edival Marques "Netinho" - até 68kg (1)

  • Icaro Miguel - até 80kg (1)

  • Milena Titoneli - até 67kg (1)

Tênis (1 vaga)

  • João Menezes* (1, precisa estar entre os 300 do ranking mundial em 8/6/2020)

Tênis de Mesa (6 vagas)

  • Equipe feminina (3)

  • Equipe masculina (Hugo Calderano + 2)

Tiro com Arco (1 vaga)

  • Masculino (1)

Vela (11 vagas)

  • Fernanda Oliveira/Ana Barbachan - 470 (2)

  • Kahena Kunze/Martine Grael - 49er FX (2)

  • Gabriel Borges/Marco Grael - 49er (2)

  • Gabriela Nicolino/Samuel Albrecht - Nacra 17 (2)

  • Robert Scheidt - Laser (1)

  • Finn (1)

  • Patrícia Freitas - RS:X feminino (1)

Vôlei (24 vagas)

  • Seleção feminina (12)

  • Seleção masculina (12)

Vôlei de praia (8 vagas)

  • Ágatha/Duda (2)

  • Ana Patrícia/Rebecca (2)

  • Alison/Álvaro Filho (2)

  • Bruno Schmidt/Evandro (2)

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Duas ausências serão muito sentidas no Japão. Será a primeira vez desde 2000 que não teremos as lendas Michael Phelps ou Usain Bolt. Hoje com 35 e 33 anos, respectivamente, eles iniciaram suas trajetórias olímpicas ainda adolescentes.

Os dois passaram em branco em suas estreias. Phelps, com 15 anos, ficou em quinto nos 200m borboleta em Sydney-2000. Bolt, com 17, parou nas eliminatórias dos 200m em Atenas-2004 com uma lesão na coxa.

O que eles fizeram depois é história.

Entre 16 de agosto de 2008 e 19 de agosto de 2016 (quando aposentou), Bolt ganhou 20 medalhas olímpicas e mundiais em 21 provas disputadas.

Phelps chegou em sua segunda Olimpíada, Atenas-2004, já consagrado com 5 títulos mundiais. Naquele ano conquistou 6 ouros e dois bronzes. Depois disso, a coleção de medalhas só aumentou: 20 olímpicas (totalizando 28) e 28 em Mundiais (33 no total).

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Curiosidades

Está é a 2ª vez que Tóquio sedia uma edição dos Jogos. A primeira foi entre 10 e 24 de outubro de 1964 e contou com a presença de 93 nações. Os EUA terminaram em 1º, com 96 medalhas de ouro. Foi também a primeira Olimpíada transmitida ao vivo internacionalmente pela TV. Judô e vôlei feminino foram introduzidos ao programa olímpico, assim como os famosos pictogramas.

Em 1964, 68 atletas representaram o Brasil. Entre eles, apenas uma mulher, Aída dos Santos, que ficou em quarto lugar no salto em altura. O resultado perdurou até 1996 como melhor resultado de uma mulher brasileira. O Brasil ficou na 35ª colocação no quadro geral com uma medalha, a de bronze do basquete masculino.

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