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Como reunião decisiva entre LeBron e dona dos Lakers fez o time não 'ficar de mimimi' e fortaleceu o elenco

OS NOVE MESES que levaram para agendar um jantar entre a proprietária do Los Angeles Lakers, Jeanie Buss, e o mais novo astro da franquia, LeBron James, realmente não foi tanto tempo para os padrões de Los Angeles. James mora em Beverly Hills; Buss mora em Playa Vista. Pessoas ocupadas, trânsito de Los Angeles, empregos intensos - nove meses não são nada demais.

Quando suas programações finalmente se ajustaram, em uma noite tranquila no início de março de 2019, não era exatamente o momento ideal para ambos. James e o Lakers tinham acabado de perder cinco consecutivas, a quinta sendo uma derrota particularmente irritante por 120-107 para o Boston Celtics liderado por Kyrie Irving no Staples Center. A lesão na virilha que incomodava James desde o dia de Natal não estava melhorando. E a equipe estava prestes a partir em uma viagem de cinco jogos pela Costa Leste.

Mas James não abriria mão deste jantar. Ele estava querendo passar um tempo com a mulher que comandava os Lakers desde que ele escolheu assinar com a franquia no ano passado, e ele tinha algo importante para dizer a ela.

"Entendemos que as coisas acontecem. Não estamos apontando o dedo para ninguém e estamos com você, lembrou o agente de James, Rich Paul, que compareceu ao jantar junto com a executiva dos Lakers, Linda Rambis, lembrou à ESPN. "Estamos comprometidos com você e sairemos disso por cima. Deixe as pessoas que falam. Nós apenas temos que fazer o trabalho”.

A mensagem era clara: poderia haver drama envolvendo os Lakers, mas LeBron James não estaria contribuindo para isso. Eles estavam nisso juntos.

LeBron James disse a Buss que há muito é um admirador de seu falecido pai, o Dr. Jerry Buss, e de como ele administrava a franquia glamorosa da NBA. Ele estava demonstrando compreensão e apreço pela história dos Lakers que tanto surpreendeu quanto tocou Buss, de acordo com um colega próximo dela.

"Foi muito genuíno", disse Paul.

E era completamente diferente dos relacionamentos que LeBron estabeleceu com os dois proprietários anteriores para os quais ele jogou. Poderoso como ele é, historicamente, James preferiu deixar Paul ou outros de seu estafe lidarem diretamente com a os proprietários. Ele foi cordial com o proprietário do Heat, Micky Arison, e frio/profissional com o proprietário dos Cavaliers, Dan Gilbert, mas nunca houve um grande investimento pessoal em seus relacionamentos com aqueles que assinam os cheques. Isso serviu a dois propósitos, os quais aumentaram o poder de James: ninguém ia diretamente até ele, e o afeto pessoal nunca afetaria sua tomada de decisão.

Paul nem mesmo acredita que James jantou formalmente com Arison ou Gilbert. Tudo isso tornou seu jantar com Buss em Wally's Beverly Hills muito especial.

Buss conhecia a história de James, mas ela também se orgulhava de desenvolver relacionamentos fortes com todos os jogadores que jogavam por sua franquia, assim como seu pai. Encontrar uma estrela para jantar era natural para seu estilo de liderança.

Foram momentos estranhos para Buss também. Assinar com LeBron James deveria transformar o Lakers novamente em um candidato. Mas ele acabou se lesionando e perdeu grande parte da temporada, o elenco tinha buracos, as negociações por Anthony Davis deram errado e havia uma tensão persistente entre Johnson, o então técnico Luke Walton e o gerente geral Rob Pelinka.

Mas ela também não iria cancelar o jantar com LeBron James. Se os Lakers quisessem recuperar sua posição na NBA, não apenas voltando aos playoffs, mas também lutando por títulos ano após ano, como fizeram por três décadas sob o comando de seu pai, Jeanie Buss e James teriam de se entender.

Os dois legados estavam em jogo.

QUANDO JAMES E BUSS começaram a conversar naquela noite, ficou claro que o drama que girava em torno dos Lakers e de James precisava parar.

Eles precisavam de estabilidade, não de histórias. Mais fácil falar do que fazer, claro. Mas com os Lakers entrando nas finais da Conferência Oeste esta semana pela primeira vez desde 2010, é difícil encontrar uma equipe com menos drama ou controvérsia vindo de dentro.

Seus dois astros, James e Davis, são amigos pessoais cujos egos não mostram sinais de conflito. O técnico deles, Frank Vogel, nunca teve que se preocupar com Jason Kidd, seu assistente técnico. Os riscos assumidos sobre personalidades ‘voláteis’ como Dwight Howard, Dion Waiters e JR Smith valeram a pena, ou pelo menos não os prejudicaram ainda. Mesmo a tão difamada diretoria tem funcionado bem, já que o gerente geral Rob Pelinka é agora amplamente aceito, e o assistente especial Kurt Rambis se tornou uma importante peça no tabuleiro também.

Para entender como uma franquia que gerou todos os tipos de manchetes erradas na temporada passada se transformou nisso, você tem que voltar à promessa que James e Buss fizeram um ao outro em março de 2019.

Coisas ruins podem acontecer - e muitas aconteceram - mas eles estavam nisso juntos.

Em 2 de maio, Buss e Linda Rambis estavam de volta ao Wally's, desta vez com Magic Johnson, que rapidamente deixou o cargo de presidente de operações de basquete antes do último jogo em casa dos Lakers e insinuou que havia "traição" acontecendo dentro da organização.

Os três são amigos há mais de 40 anos, então a pergunta foi feita diretamente a Johnson: quem estava tramando? Se houvesse algo que ele precisasse dizer, ou que Buss devesse saber, por favor, diga agora nesta sala de jantar isolada do mundo.

Johnson garantiu a Buss que estava tudo bem, e cada um postou fotos da noite nas redes sociais. Mas algumas semanas depois, durante uma aparição no programa First Take, da ESPN, Magic expressou suas queixas com Pelinka e com Tim Harris, presidente de operações de negócios.

A entrevista foi ao ar no mesmo dia em que Vogel seria apresentado como novo treinador do time em entrevista coletiva. Buss assistia de seu escritório, bem acima da quadra no centro de treinamento da equipe. No canto do ginásio estava James, usando um boné laranja, rosa, azul e verde virado para trás. Ele não fez comentários, mas sua presença falava muito. Ele estava fazendo exatamente o que havia prometido a Buss.

"Aquela coletiva de imprensa foi muito importante", disse um confidente de Buss. "Todo mundo deu uma olhada em como Frank Vogel lidou com isso e [LeBron] estar lá realmente mostrou que um novo tom seria estabelecido.

"Fique calmo. Fique centrado. Fique focado. Essas eram as palavras de ordem em toda a organização”.

Amigos e associados da liga imploraram a Buss que procurasse fora da organização uma nova mente do basquete para substituir Johnson. Um executivo talentoso como Bob Myers, de Golden State, Sam Presti, de Oklahoma City, Daryl Morey, de Houston, ou Neil Olshey, de Portland. A crítica em cima de Pelinka foi fulminante. Mas nada disso vinha da parte de LeBron James.

Algumas semanas depois, após Pelinka ter conseguido adquirir Anthony Davis, LeBron James apareceu no suporte da mesma forma que tinha feito com Vogel: sentado do lado, mas sem comentar.

Quando a equipe se reuniu novamente para o training camp, ele se explicou desta forma.

"Estou muito motivado", disse James. “Mas agora não estou no modo de falar sobre isso. Tenho estado muito quieto por um motivo. Minha mãe sempre me disse: 'Não fale sobre, seja sobre'. Estou com essa mentalidade”.

HÁ ALGUNS ANOS, durante um almoço no centro de Los Angeles, Jeanie Buss foi questionada se a incomodava ouvir sobre seu relacionamento com o ex-técnico dos Lakers, Phil Jackson, ser tão falado na rádio ou na televisão, e sua família ser praticamente pública.

Ela deu de ombros e explicou que seu pai sempre disse que os Lakers eram a novela diária favorita de Los Angeles, então ela se acostumou com isso. Viver com o drama era apenas parte do trabalho e da vida que ela herdou como administradora do Lakers.

James poderia se relacionar. Mais do que talvez qualquer outro atleta de sua geração, a vida de James foi vivida publicamente desde que ele apareceu na capa da Sports Illustrated como um prodígio de 15 anos de idade e foi considerado o próximo rei do basquete.

Muitos eventos nesta temporada poderiam ter desestabilizado a aliança que James e Buss haviam formado, ou tirado os Lakers do caminho correto. Uma viagem de pré-temporada à China que se tornou o foco do debate sobre um tuite enviado por Morey em apoio aos manifestantes em Hong Kong. A morte de Kobe Bryant em janeiro. Os jogos inconsistentes de Kyle Kuzma, lesões constantes do armador titular, Rajon Rondo. A NBA sendo paralisada por quatro meses quando a COVID-19 se espalhou pelo mundo. Reuniões para boicotar o resto da temporada em apoio aos movimentos de justiça social.

Qualquer um desses grandes acontecimentos poderia ter lançado os Lakers em uma verdadeira confusão. Em vez disso, a maneira como a equipe lidou com eles parece tê-los tornado mais fortes.

Há um motivo pelo qual Buss e James tentaram tanto fazer aquele jantar acontecer naquela noite de março de 2019: eles precisavam um do outro.

"Eu sei qual é o meu nome, meu tamanho e o que fiz nesta liga sempre que decido entrar em uma franquia", disse James na semana passada, depois que os Lakers fecharam a série de segunda rodada contra o Houston Rockets. "Eu sei o que vem com meu nome. E isso vem com a vitória. Assumo essa responsabilidade ao máximo [mais] do que qualquer coisa. ...

“Eu entendo os torcedores dos Lakers e o que eles sentiram ou talvez passaram na última década, não estando na pós-temporada, não disputando anéis. Eu também assumi essa responsabilidade”.