Há 25 anos, em maio de 1995, os playoffs da NBA estavam em andamento. O Houston Rockets era o atual campeão da liga e Michael Jordan tinha voltado ao Chicago Bulls em março. Mas a franquia que chamava atenção era outra: o Orlando Magic.
Com apenas seis temporadas de vida, a equipe da Flórida não precisou de muitos anos para causar um impacto na liga. Com uma dupla formada por estrelas em ascensão - Shaquille O'Neal e Penny Hardaway - e um conjunto de ótimos coadjuvantes, parecia questão de tempo até o Magic conquistar um título.
Este último passo, porém, nunca foi dado. E tão rápido quanto encantou, a franquia se desfez após saídas, lesões e uma queda brutal de confiança.
Mesmo sem um campeonato para chamar de seu, o time de Orlando capturou a imaginação dos torcedores e deixou a pergunta: tivessem vencido a final de 1995, a dinastia do Chicago Bulls seria a mesma?
Documentário da série 30 for 30, "This Magic Moment" retrata a criação, ascensão e queda de uma das mais empolgantes equipes do basquete norte-americano na década de 1990. A produção está disponível para você ver quando e onde quiser no WatchESPN.
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A CRIAÇÃO

O Magic fez parte da super-expansão da NBA na década de 1980, período em que sete novas franquias entraram para a liga. O projeto de criar uma equipe em Orlando foi liderado por Pat Williams, ex-general manager do Philadelphia 76ers.
Resistências precisaram ser quebradas. Orlando era uma cidade pequena, sem aeroporto de grande porte ou uma arena dos padrões das grandes ligas americanas. Era mais conhecida - como é até hoje - por ser um destino turístico familiar, graças aos parques do Walt Disney World Resort.
Além disso, a liga estava reticente em aprovar duas franquias no mesmo estado - Miami também concorria e tinha mais estrutura para ser aprovada.
Williams, então, foi ao trabalho. Convenceu investidores e a cidade a construir um ginásio dos padrões da NBA. Usou seu tino de vendedor para fazer uma apresentação irrecusável ao comitê executivo. E ao final, saiu vencedor: Orlando teria sua própria equipe, como a Flórida teria duas franquias com a criação do Miami Heat.
E quanto ao nome "Magic"? Foi uma das sugestões de vários moradores da cidade (e você deve saber de onde veio a inspiração).
VIRANDO O JOGO

A aceleração do Magic como uma franquia de playoffs começa em 1992. Descrito como um atleta que só aparece a cada 10 anos, Shaquille O'Neal era dado como a escolha número um do Draft.
O pivô de LSU era diferente. Era alto, forte e extremamente dominante no garrafão. Mas chamava atenção mesmo por uma característica incomum para sua altura: era rápido. Shaq atravessava a quadra em uma velocidade assustadora.
Permitiria não apenas para sua futura equipe uma opção forte de rebotes e parte física, como poderia facilmente jogar em transição.
Na loteria, o Magic deu sorte. Ficou na primeira posição e levou Shaq para casa.
Em sua primeira temporada, o pivô era tudo aquilo que prometia. Se adaptou rápido, mostrou força, derrubou tabelas, fez muitos pontos, pegou vários rebotes. Com ele, Orlando conseguiu 20 vitórias a mais do que na temporada anterior. Shaq foi o primeiro calouro a ser selecionado para o All-Star Game desde Michael Jordan e levou o prêmio de melhor estreante de 1992/1993.
MÁGICA

O passo seguinte veio com uma dose cavalar de sorte no draft de 1993. Na loteria para definir as posições, o Magic tinha apenas uma chance em 66 de ficar com o primeiro pick novamente.
E como mágica, sorte, coincidência ou destino, essa probabilidade ridícula aconteceu. Novamente na posição número um, Orlando selecionou Chris Webber, membro dos Fab Five da Universidade de Michigan.
Mas o time fez uma jogada a mais: trocou sua escolha ainda na mesma noite com o Golden State Warriors por três futuros picks de primeira rodada e o armador Anfernee "Penny" Hardaway.
Penny, como era conhecido, seria o complemento perfeito para Shaquille O'Neal. Na temporada 1993/1994, Orlando conseguiu 50 vitórias na temporada regular e foi aos playoffs pela primeira vez. Foi varrido pelo Indiana Pacers na primeira rodada. O primeiro passo, no entanto, fora dado.
A FINAL

Em sua sexta temporada, o Magic chegou à final da NBA. A contratação de Horace Grant, campeão com o Chicago Bulls, deu uma pitada a mais de experiência e força para a equipe. Com 57 vitórias na temporada regular, a franquia foi campeã da divisão do Atlântico. Passou pelo Boston Celtics, eliminou o Chicago Bulls de Jordan e conseguiu vencer o "cascudo" Indiana Pacers de Reggie Miller.
Na decisão, o experiente Houston Rockets, de Hakeem Olajuwon, Clyde Drexler e Robert Horry, defenderia o título contra os jovens de Orlando.
Foi o momento em que tudo começou a cair. No jogo 1, o Magic fez uma primeira metade excepcional de partida. Os Rockets se recuperaram na parte final e, no momento decisivo, Orlando sucumbiu.
Primeira escolha da história da franquia, Nick Anderson foi para a linha do lance livre precisando acertar uma cesta em duas tentativas para definir a partida - o Magic vencia por 110 a 107 faltando poucos segundos para o fim.
Anderson errou os dois primeiros lances, mas pegou o rebote e sofreu a falta. Mais duas chances. E errou novamente. Na sequência, Kenny Smith acertou uma bola matadora de três a 1,6 segundo do fim e, na prorrogação, os Rockets venceram.
Houston venceu os três jogos seguintes para varrer o Magic e se sagrar bicampeão.
ÚLTIMO SUSPIRO

Em 1995/1996, o Magic melhorou e chegou a 60 vitórias na temporada regular, mas ficou atrás do Chicago Bulls (72 vitórias). Na final de Conferência, os times se enfrentaram. Não deu jogo: Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman dominaram o Magic, se vingaram e varreram o adversário na série.
Na offseason, Shaquille O'Neal saiu da franquia. O pivô se sentiu desvalorizado, pouco amado pela cidade e extremamente criticado na imprensa. Fechou um contrato de 121 milhões de dólares por sete temporadas com o Los Angeles Lakers. Como ele mesmo admitiu anos depois: "Deixei o meu ego feliz".
Hardaway virou o líder da equipe e, no primeiro ano sem Shaq, o Magic chegou aos playoffs entre turbulências – o técnico Brian Hill foi demitido em fevereiro após os jogadores demonstrarem descontentamento. Na pós-temporada, a franquia foi eliminada pelo Miami Heat na primeira rodada.
Nos anos seguintes, Hardaway sofreria várias lesões que acabaram por limitar sua carreira. Em 1999, ele foi trocado para o Phoenix Suns, encerrando a primeira fase de vida do Orlando Magic.
Sobre o que o Magic de Shaq e Hardaway poderia ter sido caso vencesse a final de 1995, Horace Grant tem uma resposta. "Seria uma dinastia. Ganharíamos três ou quatro campeonatos, com certeza".
Ou como definiu Nick Anderson: "Existem histórias longas e histórias curtas. A nossa história foi curta".
