Em fevereiro de 2020, o New York Knicks foi apontado como a franquia mais valiosa da NBA, sendo avaliado em 4,6 bilhões de dólares (cerca de R$ 25 bilhões) segundo a Forbes. Outros tempos, definitivamente: houve uma época em que o time sequer era abraçado na própria cidade e levava poucos torcedores ao ginásio.
Até a segunda metade da década de 60, os Knickerbockers tiveram poucas conquistas para se vangloriarem. A torcida era quase inexistente e os jogos ficavam longe de lotar o antigo Madison Square Garden. Às vezes, a equipe precisava receber os adversários em outros lugares - o ginásio acabava recebendo eventos mais relevantes.
Porém, com boas escolhas nos Drafts e a nomeação de Red Holzman como treinador principal, tudo mudou para os Knicks. Assim, junto com a inauguração do novo Madison Square Garden, em 1968, o time passou a brilhar e se destacar na NBA, trazendo celebridades para as partidas e dando o glamour que a liga ainda não tinha.
Com o apoio da torcida e um plano de partida focado no jogo em equipe, a franquia de Nova York encantou a cidade e a NBA, virando um dos grandes times ao lado do Boston Celtics e do Los Angeles Lakers. Um sucesso coroado duas vezes: os Knicks conseguiram o título inédito em 1970 e, após algumas mexidas no elenco, repetiram a dose em 1973.
Para relembrar os dias de glórias da equipe, o documentário “When the Garden was Eden”, que está disponível no WatchESPN, fala sobre a construção deste time bicampeão e mostra como ele atraiu novos fãs para o esporte, além de apresentar o legado deixado não só para a cidade de Nova York, mas para o basquete em geral.
Você pode ver todas estas produções e muitas outras quando e onde quiser no WatchESPN.

A NBA LONGE DO GLAMOUR

Muito diferente do que é hoje em dia, em que a NBA tem uma grande estrutura e movimenta milhões de dólares, a liga, nas décadas de 50 e 60, estava muito longe disso. Até a temporada de 1966-67, apenas 10 times disputavam o campeonato e os investimentos e patrocinadores estavam bem longe do que são atualmente.
Os jogadores não recebiam altos salários e acabavam arrumando outros empregos durante as férias da NBA para completar a renda.
O New York Knicks sofria ainda mais. Os times nova-iorquinos de outros esportes já estavam tendo sucesso em suas ligas, então a equipe de basquete acabava ficando de lado, já que não formava grandes times e não disputava títulos.
A franquia atraía poucos torcedores ao antigo Madison Square Garden. E isso quando não era obrigada a atuar em outros locais: por vezes, um evento - como a apresentação de um circo - era realizada no Madison, e os Knicks tinham que realizar suas partidas em quadras quase amadoras na cidade.
OS ANOS DOURADOS DOS KNICKS

Todo esse cenário mudou com a chegada de Red Holzman ao cargo de técnico principal dos Knicks no meio da temporada de 1967-68. O novo comandante mudou totalmente a forma de jogar da equipe, deixando de focar em um ou outro jogador para priorizar o jogo coletivo.
Na temporada seguinte, com uma nova identidade e com um novo ginásio, o novo Madison Square Garden, a equipe de Nova York causou impacto não só na metrópole, mas em todo os Estados Unidos. Quando jogava em casa, a torcida passou a lotar as arquibancadas e atrair os olhares dos atores, cineastas e outras celebridades. Por vezes, os fãs aplaudiam mais uma assistência do que uma cesta, de tão bonito que era o estilo de jogo do quinteto formado por Willis Reed, Dave DeBusschere, Dick Barnett, Walt Frazier e Bill Bradley.
Deste modo, na temporada 1969-70, os Knicks chegaram às Finais da NBA e tiveram como adversário o Los Angeles Lakers, liderados por Jerry West. Em uma série eletrizante, de sete partidas, New York venceu, mesmo com Willis Reed, então MVP da temporada, machucado desde o quinto jogo e entrando no sacrifício na decisão em casa.
O título deixou os jogadores da franquia famosos. Pela primeira vez, os atletas da NBA eram vistos como verdadeiros astros e, assim, passaram a ser reconhecidos nas ruas, viraram capas de revistas e até começaram a ditar a moda do momento.
O time repetiu boa campanha em 1971, mas acabou eliminado nos playoffs. Assim, os Knicks adquiriram Earl Monroe e Jerry Lucas para melhorar o elenco e as apostas deram certo. A franquia voltou às Finais da NBA e 1972, mas acabou vendo Will Chamberlain brilhar e dar o título aos Lakers.
O troco veio na temporada seguinte. A final entre Knicks e Lakers se repetiu pela terceira vez em quatro anos. Reed dominou o garrafão e a equipe de Nova York não teve grandes dificuldades para vencer a série por 4 a 1 e conquistar seu segundo título da NBA.
LEGADO PARA O BASQUETE

Essa equipe dos Knicks não marcou apenas a própria franquia, marcou o basquete dos Estados Unidos. Os times tentaram copiar o estilo de jogo coletivo, também agradando os torcedores de todas as franquias. Os jogadores passaram a ser mais reconhecidos e mais valorizados financeiramente. Além disso, não apenas os populares se empolgaram com o esporte: muitos famosos passaram a frequentar regularmente os ginásios, ajudando a difundir ainda mais a liga.
Anos mais tarde, alguns dos responsáveis por esse sucesso foram homenageados e imortalizados pela NBA. Bill Bradley, Jerry Lucas, Dave DeBusschere, Willis Reed, Earl Monroe, Walt Frazier, e o técnico Red Holzman entraram para o Hall da Fama do basquete. Além deles, Phil Jackson, que também era jogador dos Knicks, foi para o Hall da Fama, mas como treinador – ele conquistou mais 11 títulos da liga como técnico principal.
Desde o título de 1973, o time de Nova York nunca mais voltou a ser campeão. A franquia até chegou às Finais da NBA mais duas vezes, em 1994 e 1999, mas o título não veio.
A torcida da equipe mais valiosa da liga segue vivendo com saudades das glórias do passado.
