NBA: Como seria LeBron James dono de uma equipe na liga?

Em outubro, depois de um jogo da pré-temporada sem tanto sentido, o ala do Los Angeles Lakers, LeBron James, deixou claro, pela enésima vez, que quer ser dono de um time da NBA algum dia, não importa onde seja.

"Eu adoraria trazer um time para cá [Las Vegas] em algum momento", comentou o jogador com mais pontos na história da liga, após o jogo contra o Phoenix Suns: "Eu sei que olham [principalmente o comissário geral da liga, Adam Silver] todas as entrevistas e transcrevem tudo que é possível sobre o que os jogadores falam. Então, eu quero um time aqui, Adam. Muito obrigado."

LeBron tem o currículo, o dinheiro e o tipo de capitalismo predatório para ser um grande dono de time, seguindo os passos de Michael Jordan. Mas, diferente de Jordan, LeBron tem discutido e opinado sobre políticas sociais, mesmo quando vai contra o que os bilionários brancos conservadores donos de time nos esportes falam.

Se LeBron se tornar o principal dono de um time na NBA, isso fará dele o terceiro proprietário negro de uma equipe dos principais esportes estadunidenses. Quem seria este LeBron em outra posição? O ativista que está o tempo inteiro se orgulhando de suas ações ou o tipo de executivo que está preocupado apenas em lucrar, sem entender a procedência do seu dinheiro?

Por que LeBron quer ser dono de uma franquia da NBA?

LeBron começou a falar sobre ser dono de um time em 2016. O ala comentou bastante seus planos nos últimos três anos, incluindo uma publicação sobre comprar o Atlanta Dream, da WNBA, depois que as jogadoras estavam tentando retirar a antiga dona, Kelly Loeffler, por não compreender os valores da liga e do movimento Black Lives Matter, em um momento de insatisfação popular e coletiva contra o racismo estrutural na polícia estadunidense. LeBron dedicou um tempo para falar disso em sua série no YouTube, chamada The Shop: Uninterrupted, que está disponível desde o ano passado.

"Eu não estou brincando sobre isso", disse James ao The Athletic, em 2019: "Eu estou determinado em comprar um time."

LeBron tem a inteligência necessária, confiança e habilidade de negócios para ser um dono de time desde a escola, comentou Ryan Jones, antigo editor da revista Slam e autor do King James: Believe the Hype - The LeBron James Story, de 2003. Em 2001, Jones escreveu um dos primeiros perfis de LeBron, quando ainda estava em seu segundo ano do colegial.

Antes de sua posição no draft se tornar um consenso geral na NBA em 2003, LeBron esteve próximo de diversas marcas. No colégio, em St. Vincent-St. Mary, ele tinha um contrato com a Adidas, e LeBron vestiu vários tênis: Pro Model 2Gs, o TMAC 2s, o Adidas Kobe 2s, que foi dado por Kobe Bryant, que ainda jogava pelo Lakers.

Mas seu nome começou a crescer e a guerra pelo jogador começou entre Nike, Adidas e Reebok. LeBron começou a esconder o logo da Adidas na sua camiseta e começou a usar calçados de marcas diferentes, incluindo o Reebook Questions e o Jordan 9s. Era a maneira do adolescente tomar o controle da sua propaganda e marketing, sem que alguém o obrigasse a fazer algo.

"Ele começou a deixar isso muito claro: 'Eu vou continuar nessa enquanto eu puder. Eu tenho a maior oportunidade da minha vida'", comentou Jones: "Ele já tinha percepção do seu valor."

Começando em 2011, LeBron começou a investir em times de esporte, o que poderia ser lido como testes para seu futuro como dono de time na NBA. Ele comprou 2% do Liverpool, com seu parceiro de negócios Maverick Carter, por US$ 6,5 milhões (R$ 34 milhões na cotação atual). Em 2021, ele se tornou parceiro do Fenway Sports Group, que é dono do Boston Red Sox, na MLB, do Pittsburgh Penguins, na NHL, de um time da NASCAR, o Roush Fenway Racing, e um canal de esportes regional, o NESN, tornando LeBron e Carter os primeiros investidores negros neste grupo.

Em 2022, LeBron adicionou a equipe do Milan (através de outro grupo de investimento) e uma franquia de pickleball em sua administração.

"Olho para o que ele construiu em todo este tempo, é um próximo passo para sua carreira", comentou Gerry Cardinale, fundador e parceiro do grupo investimento (RedBird) que LeBron faz parte e é dono do Milan: "E é muito claro para mim que se transformará: de um jogador de muito conteúdo midiático, com uma propriedade intelectual de potencial de monetização, para ser proprietário de outra produção."

Cardinale, que está junto de LeBron e Carter há mais de 10 anos, diz que os investimentos do astro em esporte sempre são calculados, pensando no dia em que ele tomará a grande decisão do seu time. O ala dos Lakers é o melhor em tudo que se propõe a fazer, sempre está próximo das pessoas certas e tenta aprender tudo o que pode com elas. No mundo do investimento, as pessoas são Cardinale, que faz parte do Goldman Sachs, e Paul Watcher, agente financeiro de LeBron.

No mundo dos proprietários, é John W. Henry, o dono majoritário do Fenway Sports Group. LeBron ainda está aprendendo, com alguma passividade: não se envolve nas operações diárias do Red Sox, Penguins ou até do próprio Liverpool e não está no telefone com administradores das franquias tentando algumas negociações (não o culpe por não fazer de tudo para que Sadio Mané permanecesse no Liverpool!)

Tudo isso é sobre aprender e compreender gradualmente como as coisas funcionam, tanto para LeBron quando para outros parceiros da Fenway Sports Group. Quando o dia chegar, LeBron pode ter a grandeza no mundo dos negócios como tem no basquete.

"LeBron quer saber como será uma vida fora das quadras", comentou Cardinale: "Mas, se ele continuar jogando nesse nível que está, pode demorar um pouco mais."

O jogador quatro vezes campeão da NBA e MVP das Finais se juntaria a uma lista pequena de proprietários negros de times na NBA. Há apenas dois proprietários de uma organização na história da liga: Robert Johnson e Michael Jordan, que são donos da franquia de Charlotte.

Betram Lee e Peter Bynoe, administradores de Chicago, compraram 32,5% do Denver Nuggets, em 1989. Magic Johnson era dono minoritário (4,5%) dos Lakers de 1994 a 2010, e Isiah Thomas, lendário armador do Detroit Pistons, foi dono do Toronto Raptors de 1994 a 1997.

Hoje há 20 proprietários negros de organizações na NBA, mas apenas dois majoritários em toda a história.

Tudo isso pode não acontecer tão rápido do que pensávamos: LeBron deu indícios no ano passado que iria jogar até seu filho, Bronny, ser selecionado para a NBA, o que pode acontecer na temporada 2024-2025. E segundo o Artigo 29, seção 11 das regras da liga, jogadores ainda ativos não podem ter nenhuma ligação administrativa com os times.

Mas, mesmo assim, a intenção foi clara.

Como seria este processo?

A NBA expressou um desejo de expandir o número de times duas vezes: em 2014 e 2020. No ano passado, o comissário geral Adam Silver disse que não há planos concretos para a expansão, mas: "em algum momento, a liga terá que se expandir".

Os locais já foram praticamente decididos: Las Vegas, Seattle e até a Cidade do México.

E os últimos cinco times que comprados foram:

O bilionário Mat Ishbia fechou a a compra de 50% do Phoenix Suns, em dezembro, por US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões). Um grupo liderado pelo antigo jogador de beisebol Alex Rodriguez concordou em comprar o Minnesota Timberwolves, por algo em torno de US$ 1,5 bilhão (R$7,8 bilhões). Ambas ainda não foram finalizadas pela NBA, por questões financeiras e contratuais, mas ambos já estão presentes nas organizações.

LeBron, o primeiro jogador ativo da NBA a ser considerado bilionário pela revista Forbes, terá uma difícil competição para ser dono de um time. Em setembro, a repórter Ramona Shelburne, da ESPN, disse que a lista de interessados em comprar os Suns chegou a incluir Jeff Bezos, antigo dono da Amazon, que detém uma riqueza próxima de US$ 121 bilhões (R$ 631 bilhões), Laurene Powell Jobs, viúva de Steve Jobs, que possui uma fortuna próxima de US$ 12,4 bilhões (R$ 64,7 bilhões), Larry Ellison, quinto homem mais rico do mundo e dono da Oracle, que tem algo próximo de US$ 102,8 bilhões (R$ 536 bilhões), e o CEO da Disney, Robert Iger, que tem uma fortuna próxima de US$ 690 milhões (R$ 3,6 bilhões).

Quando seu contrato terminar, no fim da temporada 2024-2025, LeBron terá acumulado US$ 520 milhões (R$ 2,7 bilhões) em dinheiro recebido na sua carreira na NBA, e este já é o maior número na história entre os atletas estadunidenses. A Forbes estima que o ala já recebeu mais de US$ 900 milhões (R$ 4,7 bilhões) em marketing e contratos com as marcas Beats by Dre, Nike, PepsiCo, Coca-Cola, Walmart, AT&T, Blaze Pizza e Crypto.com, antes da problemática com a empresa.

Em 2021, a RedBird, o Fenway Sports Group, a Nike e a Epic Games compraram uma parte "significativa" da companhia de LeBron, a Spring Hill Co., que agora tem valor próximo de US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões).

Baseado nas oportunidades que estão se mostrando para bilionários e a necessidade de expansão com um preço de US $2,5 bilhões (R$ 13 bilhões), LeBron precisaria de parceiros para comprar uma equipe. Duas das últimas cinco vendas de equipes da NBA (talvez quatro, dependendo das vendas do Timberwolves e Suns) envolveram mais de um dono.

Há três anos, Wachter disse para o The Athletic que o ala traria de três a seis parceiros para conseguir sua aquisição. Depois desse movimento, ainda passaria por uma avaliação dos outros proprietários, que precisariam aprovar a compra por LeBron.

Que tipo de dono LeBron seria?

De acordo com o livro "Just Ballin': The Chaotic Rise of the New York Knicks", Jordan, quando ainda jogava pelo Chicago Bulls, disse para o dono do Washington Wizards Abe Pollin, durante uma negociação que: "Se você não consegue fazer com que funcione economicamente, você deve vender seu time."

Anos depois, como dono majoritário do Charlotte Hornets, Jordan liderou um grupo de proprietários que queriam cortar a participação dos jogadores nas receitas, dizendo ao jornal The Herald Sun que "precisamos de muito apoio financeiro em toda a liga, além de compartilhar receitas para manter este negócio em funcionamento."

Essa aparente hipocrisia é a encruzilhada em que James se colocará como dono de uma equipe, mas não pelas mesmas razões que Jordan. O dono dos Hornets sempre foi um jogador frio e racional, além de um administrador, então este tipo de negociação condiz com o que vimos dele durante os anos. Mas, para LeBron, que carrega a marca de ser um ativista e atleta, entre um grupo de proprietários que, até 2020, após o assassinato de George Floyd pela polícia, não parecia dar muita importância ao racismo contra negros, será uma situação diferente.

Desde que, em 2012, vestiu um capuz com seus colegas do Miami Heat, para conscientizar sobre o assassinato do adolescente Trayvon Martin, LeBron se tornou um atleta ativista negro. Do lançamento de sua escola "I Promise", em Akron, Ohio, até a defesa dos direitos de voto de pessoas antes encarceradas e o dia que chamou o ex-presidente Donald Trump de "vagabundo", LeBron colocou sua marca em ser um homem do povo. O ala disse que é uma construção dos atletas negros ativistas que vieram antes dele, incluindo o boxeador Muhammad Ali e os grandes do basquete Bill Russell, lendário pivô dos Celtics, e Oscar Robertson, dos Bucks.

"Se isso acontecer, sinto que vou me sentir no lugar certo. É algo que vem da minha intuição, do meu coração. Se acontecer algo com a comunidade negra, não importa se for na minha cidade (Akron), Los Angeles, Shreveport ou Louisiana", disse LeBron durante um episódio de The Shop: "Não importa o que acontecer, eu vou falar diretamente sobre isso."

LeBron fez isso ano passado, ao falar de Jerry Jones. Em outubro, revelou que não torce mais para o Dallas Cowboys por conta dos comentários que Jerry Jones, dono do time na NFL, fez sobre não querer que os jogadores participem do hino nacional demonstrando algum tipo de protesto.

LeBron continuou sua crítica em dezembro, dizendo que "todos falam de Kyrie [Irving], mas a mídia parece se esquecer daquilo", se referindo da presença de Jerry Jones em uma manifestação de brancos contra a presença de negros na universidade, no final dos anos 50.

Enquanto Jones opera em uma liga esportiva diferente, não é como se os proprietários da NBA - a maioria faz doações aos políticos conservadores - discordassem da posição política de Jones.

Para alguém com um histórico de falar abertamente sobre a questão racial, como LeBron faz, é lógico que o ala não vai tolerar que os donos de equipes brancas discutam uma vivência que não é deles ou sequer repudiem posições de jogadores negros em busca de justiça social. LeBron provou isso ao pedir a expulsão do antigo dono do Clippers, Donald Sterling, dizendo "Não há lugar para Donald Sterling na NBA", e de Robert Sarver, ex-dono dos Suns: "Não há lugar para misoginia, sexismo e racismo em nenhum local de trabalho".

Então, como LeBron vai lidar com a possibilidade de estar em uma sala com um grupo de proprietários com sentimentos semelhantes aos de um Jones, Sterling ou Sarver?

Joseph N. Cooper, um professor da disciplina de liderança esportiva e administração na Universidade de Massachusetts-Boston, estuda o ativismo de atletas como [Muhammad] Ali. Além disso, foi contemporâneo da situação de Colin Kaepernick, na NFL, quando o quarterback se ajoelhava perante o hino estadunidense - manifestação que foi uma das principais causas para ele nunca mais jogar na liga.

"Esses homens assumiram riscos com suas posições antirracistas. Todos eles perderam alguma oportunidade em suas carreiras. LeBron, embora opinante sobre questões relativas ao povo negro, nunca teve esse tipo de postura de 'fazer ou morrer'. Nunca arriscou sua carreira colocando um capuz ou construindo uma escola elementar."

Por estes motivos, Cooper considera LeBron um "defensor" ao invés de um "ativista".

"LeBron nunca ajoelhou ou disse: 'Eu não vou jogar', ou 'Nike, eu não vou usar mais seus produtos caso não façam alguma coisa'", comentou Cooper, editor do Anti-Racism in Sport Organizations, uma série de artigos científicos e publicações pelo Centro de Estudo de Esporte e Educação da Universidade Texas A&M.

Cooper aponta para uma "convergência de interesses", teoria de Derrick Bell, um advogado e professor de direito que também foi pioneiro na teoria racial crítica.

A convergência de interesses é a ideia de que a prosperidade negra só pode ser alcançada pela convergência dos interesses negros com os dos brancos. Os brancos precisam ser assegurados de que podem se beneficiar de uma política ou lei destinada a impactar o povo negro. Portanto, se LeBron insiste em uma política de cotas para contratação, vai precisar proporcionar um benefício financeiro aos proprietários - incluindo seus coproprietários, que podem ou não querer este tipo de iniciativa.

"Acho que LeBron vai ser mais tático com a forma como ele está decretando a mudança, porque no fim, será ele quem vai ter que fazer isso de alguma forma, ao mesmo tempo em que a maioria se sinta confortável", disse Cooper: "Se ficarem desconfortáveis com qualquer coisa que ele fizer, isso não vai acontecer."

LeBron se tornar um bilionário e dono pode ser algo positivo. Trazer diversidade para este negócio de proprietários, ao mesmo tempo do crescimento do número de técnicos negros na NBA e administradores nos últimos anos, coloca o processo de equidade em um ótimo caminho: "Nós jogamos nas arenas, nós jogamos na quadra, mas ainda não alcançamos esta parte dos negócios", comentou Magic Johnson, ao Yahoo, em 2020.

A ascensão de LeBron é algo muito importante como representação negra.

"Eu fico tranquilo com a pressão da minha comunidade e outras comunidades negras dos Estados Unidos, que olham por mim e procuram por inspiração e caminho", disse LeBron para a Bloomberg, sobre sua empresa SpringHill: "É apenas a minha responsabilidade e eu compreendo isso. Todos os dias que saio de casa, eu levanto da minha cama e entendo que não é apenas sobre mim. Eu represento muita gente."

Representação é importante, mas a ascensão financeira de LeBron tem um impacto transcendental para outras pessoas negras.

Há mais negros estadunidenses bilionários do que nunca, mas nada próximo aos brancos. Além disso, a média do que um indivíduo negro médio ganha em um ano (US$ 17.000 - R$ 88 mil) é apenas 10% da fortuna branca estadunidense mediana (US$ 171 mil - quase R$ 900 mil).

"É um fato objetivo que a presença de negros bilionários no topo não ajuda as pessoas mais pobres", comentou Jared Ball, professor de comunicação na Morgan University, que historicamente briga por justiça social antirracista, e é autor do livro The Myth and Propaganda of Black Buying Power.

LeBron se tornar um proprietário de time é mais simbólico do que substancial quando se fala do movimento antirracista, segundo Ball. LeBron fala contra o racismo e defende causas que são importantes para ele, mas como porta-voz de uma série de marcas e da NBA: "Ele não oferece nenhuma análise radical ou programa político ou ativismo que vai intervir e interromper", segundo Ball.

O que é OK. Nem todo mundo é feito para ser um ativista ou romper barreiras. Há muitas pessoas que se preocupam com certas questões, mas não estão dispostas a fazer de tudo para atingir seus objetivos. Antes de tudo, LeBron é um jogador de basquete profissional.

"Ele foi um profissional antes de se tornar um ativista", comentou Ball: "LeBron era uma criança, mas já estava na capa de várias revistas. Então como ele poderia se tornar Malcolm X?"

Deixando as críticas de lado, Ball disse que não é justo esperar que atletas e outras celebridades tenham opiniões políticas de acordo com sua reputação e com a importância dos segmentos mais radicais da sociedade. Existe uma grande diferença entre ativistas políticos e atletas ativistas. Disso deve-se entender que o ativismo não é o maior trabalho de LeBron e outros em sua posição.

"Não dá para esperar que LeBron chegue em nossas conclusões com este contexto específico próprio que viveu", comentou Ball: "Ele é um jogador da NBA. É um homem de negócios e é propriamente uma empresa, uma marca. Ele não é um ativista, ele não é um organizador. Ele nunca pediu para ser chamado de revolucionário. Eu nunca o vi em uma reunião que estive", completou o professor rindo.

Quando se trata do mundo dos negócios, Robert Johnson, que fundou a Black Entertainment Television, em 1980, a vendeu para a Viacom (hoje Paramount), em 2000, por US$ 2,3 bilhões (R$ 12 bilhões), é um homem da comunidade.

Por outro lado, Robert Johnson se tornou o primeiro negro estadunidense bilionário depois da venda e prefere não se posicionar sobre a questão racial em seus negócios. Ele prefere mostrar como é igualmente ou mais bem sucedido do que outros brancos do que apoiar-se na opressão histórica do povo negro.

"Não dá para ignorar o fato de que não havia negros donos de times da NBA", comentou Robert Johnson: "Mas você não martela isso o tempo inteiro."

Ao mesmo tempo, ele tem um certo orgulho em dizer que foi a primeira pessoa negra a conseguir espaço em um lugar que apenas gente branca esteve presente. Então, ao falar sobre LeBron, enquanto o próprio Robert Johnson não opinasse tão abertamente sobre o racismo contra negros quando era dono de uma equipe, ele reconhece que a NBA está em uma era de "ativismo crescente", e LeBron não teria que mudar quem ele é para se encaixar na cultura da liga.

Se James dissesse algo que perturbasse outros donos de equipes, segundo Robert Johnson, o máximo que aconteceria seria que um ou dois proprietários o abordariam discretamente para reconsiderar suas declarações. De qualquer forma, nada realmente aconteceria.

"Não há horizonte em que os proprietários de times iriam excluir alguém, tirando questões preconceituosas, racistas e de opressão, como no caso de Donald Sterling", comentou Johnson.

Mas, em um contexto geral, Robert Johnson disse que há três razões para LeBron ser muito bem recebido pelos donos de time na NBA:

  • LeBron facilmente conseguiria comprar um time;

  • Como Jordan, LeBron é da cultura do basquete, por isso tem boas relações com a liga em geral;

  • A marca global de LeBron beneficiaria a liga (o Miami Heat, que teve o ala de 2010 a 2014, viu seu valor crescer mais de 111% nestas quatro temporadas).

Trabalhar de terno e gravata não significa que LeBron mudará quem ele é ou as posições que toma. Ele seria o primeiro dono de uma equipe da NBA a ter um histórico de discurso aberto antirracista em diversos níveis estruturais, mas não é como se LeBron demonstrasse durante o hino nacional ou algo do tipo. Desde que ele ajude a aumentar a receita da liga, as posições de LeBron não serão vistas como um problema.

"Se ele for capaz de conseguir dinheiro... ele será mais do que bem-vindo como proprietário de algum time da NBA, e provavelmente procurou orientação e conselhos sobre como lidar com algumas das coisas que impactam os jogadores", disse Robert Johnson.