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Palmeiras: Como Mattos tirou Gustavo Gómez de Boca e Flamengo após 'ligação mágica' para Barrios

Neste domingo, o Palmeiras enfrenta o Grêmio, às 18h (de Brasília), pelo jogo de volta da final da Copa do Brasil, precisando apenas de um empate para ser campeão, já que venceu o duelo de ida, em Porto Alegre, por 1 a 0, com gol do paraguaio Gustavo Gómez.

E é justamente na fortaleza defensiva do zagueiro que o Verdão deposita grandes esperanças de conseguir mais um bom resultado e faturar o 3º título oficial da temporada, depois do Campeonato Paulista e da Conmebol Libertadores.

Contratado em 2018, Gómez está em sua 3ª temporada no Verdão. Ao longo destes três anos, fez 114 partidas e anotou 14 gols, entrando para o top 10 de zagueiros que mais vezes balançaram as redes com o uniforme palestrino.

Além disso, ele foi decisivo na conquista dos títulos do Brasileirão 2018, do Paulista 2020 e da Libertadores 2020, solidificando-se como ídolo da torcida e liderança dentro e fora de campo.

A história de como Gustavo Gómez chegou ao Palmeiras, porém, é bastante curiosa... E, até certo ponto, inacreditável.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o ex-diretor de futebol do Verdão, Alexandre Mattos, revelou que "descobriu" o defensor após ler uma matéria sobre ele em um site, quando ele ainda estava no Milan.

O dirigente, então, se interessou pela contratação, mas, logo na sequência, descobriu que não era o único que estava no páreo para ficar com o zagueiro que hoje é titular absoluto da seleção do Paraguai.

"O Gustavo estava no Milan, mas não jogava. Um dia, eu vi uma matéria, no começo de 2018, que o Boca Juniors queria contratá-lo por empréstimo", contou Mattos.

"Depois disso, passei a me informar melhor sobre a situação dele e conversei bastante com o Roger Machado, que era o treinador do Palmeiras à época. Ele me disse que estava satisfeito com os zagueiros que tinha, mas deixamos a situação em aberto", lembrou.

A 'LIGAÇÃO MÁGICA'

Com o passar das semanas, o nome de Gustavo Gómez não saiu da cabeça de Alexandre Mattos.

Nos bastidores, ele seguiu em contato com o estafe do zagueiro, deixando o nome sempre na pauta palmeirense.

Conforme os meses foram passando, porém, o Flamengo também entrou na lista de interessados pelo paraguaio, além do Boca Juniors.

Foi então que o cartola pegou seu inseparável telefone celular e fez uma "ligação mágica" que acabou decidindo a parada a favor do Verdão.

"A gente tinha vendido o Yerry Mina ao Barcelona e tinha uma lacuna na zaga, na minha visão. Nisso, eu conheci o empresário do Gustavo Gómez e nós nos falamos por uns quatro meses. Só que aí o Boca entrou muito forte para fechar a negociação, e o Flamengo também", rememorou.

"Eu estava com muitas dificuldades para negociar por causa disso, e aí precisava de um algo a mais para mudar a balança a meu favor. Peguei meu telefone e liguei para o (atacante) Lucas Barrios, que estava com o Gómez na concentração da seleção do Paraguai", relatou.

Barrios, que havia sido contratado pelo próprio Mattos pelo Alviverde em 2015, fez o "meio-de-campo" entre Palmeiras e Gómez.

"Perguntei pra ele: 'Lucas, você conhece bem o Gustavo Gómez? É bom jogador? Posso tentar trazer?', e ele respondeu: 'Sim, Alexandre, é um baita jogador, pode confiar'. Aí falei para o Barrios que ia precisar de uma ajuda, porque eu estava disputando com Boca e Flamengo", revelou.

"Falei para o Lucas para conversarmos nós três. O Barrios falou maravilhas do Palmeiras, da Academia de Futebol, do nosso projeto... E foi ali que convencemos o Gustavo. Ficou acertado que, caso o Milan fosse negociá-lo para um clube do Brasil, seria o Palmeiras", contou.

"Lembro que nesse dia ele já foi muito firme. Descartou Flamengo e Boca e me falou: 'Quero ir para o Palmeiras. Só jogo com você, diretor'. Ele acreditou na gente logo de início e foi comigo até o fim. Um clube da Itália também queria tirá-lo do Milan, mas ele disse não. Tenho que agradecer muito ao Barrios, pois ele ajudou demais a gente nisso", exaltou.

O ACERTO FINAL

Feito o acerto pessoal com o jogador, faltava Mattos finalizar a questão com o Milan, que havia investido alto para tirar o paraguaio do Lanús, da Argentina, em 2016.

A negociação foi feita diretamente entre o diretor palmeirense e o brasileiro Leonardo, então comandante do futebol rossonero.

Mattos precisou gastar sua lábia, mas, no final das contas, conseguiu o que queria.

"Tive que conversar muito com o Leonardo. No início, ele estava irredutível, dizia que só venderia por 6 milhões de euros. Era pegar ou largar", recordou.

"A gente foi falando e acabou chegando a um acordo de empréstimo, no qual, caso o Gustavo batesse as metas estabelecidas, a gente teria a obrigação de compra no Palmeiras. E o Gustavo bateu todas elas! Foi titular, campeão brasileiro e, quando terminou o empréstimo, tivemos que comprá-lo exatamente por 6 milhões de euros", relatou.

Por fim, Mattos lembrou que ouviu muitas críticas quando trouxe o zagueiro, mas assegura que sempre teve certeza que ele daria certo no Palestra Itália.

"Na época que contratamos, sofremos com muitas 'cornetas', porque ele havia jogado pouquíssimo em dois anos no Milan. Mas ele é um cara muito profissional e correto, um exemplo de atleta. Era óbvio que teria sucesso no Palmeiras", finalizou.