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Como Palmeiras e Alexandre Mattos 'contrataram' Weverton durante uma carona em jatinho de Paulo Nobre

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Bola de Prata: Weverton vence como melhor goleiro; Rodrigo Bueno analisa (1:03)

Premiação acontece nesta sexta-feira, 12h, com transmissão dos Canais ESPN e ESPN App (1:03)

Ganhador da Bola de Prata como melhor goleiro do último Campeonato Brasileiro, Weverton é uma das grandes esperanças do Palmeiras para conquistar o tetra da Copa do Brasil no próximo domingo, contra o Grêmio, às 18h (de Brasília), no Allianz Parque.

O arqueiro está no Verdão desde 2018, quando foi trazido do Athletico-PR, e desde então tornou-se ídolo da torcida e também presença constante nas convocações da seleção brasileira. Ao todo, foi decisivo nas conquistas do Brasileirão 2018, do Paulistão 2020 e da Conmebol Libertadores 2020.

A história de como Weverton foi contratado pelo Alviverde começa ainda em 2016, quando Alexandre Mattos era o diretor de futebol palestrino e fez um primeiro contato com o atleta durante uma viagem de avião.

Na ocasião, o Brasil jogaria em Manaus contra a Colômbia, pelas eliminatórias da Copa do Mundo 2018, e Weverton e Gabriel Jesus estavam entre os convocados. Para não ficar sem o atacante no clássico contra o São Paulo, logo depois da data Fifa, o então presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, enviou seu jatinho particular para "resgatar" Jesus na capital do Amazonas.

Na viagem, Mattos também estava presente, e a delegação palmeirense topou dar uma carona a Weverton, que jogaria pelo Athletico-PR contra o Figueirense, em Florianópolis, no mesmo dia que o Verdão faria o Choque-Rei (7 de setembro de 2016).

Foi aí que o diretor de futebol alviverde iniciou os contatos para ter o goleiro no elenco dali a algum tempo.

"Estávamos no avião do Paulo Nobre para buscar o Gabriel Jesus no jogo da seleção, em Manaus, e demos uma carona ao Weverton. Eu disse a ele durante a viagem: 'Um dia vou contratar você para o Palmeiras'. Nós nos conhecemos naquele dia e apertamos a mão ali", revelou Mattos, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

"Logo depois, o Weverton me disse: 'Se você me der essa oportunidade, estou com você'. Falei do projeto que estávamos fazendo, de reformulação do clube, e pontuei que ainda não tínhamos vencido o Brasileiro. Ele me disse que tinha contrato a cumprir com o Athletico e que naquela hora não dava, mas que na virada do ano a gente podia conversar", relatou.

"Nesses meses, o Palmeiras estava brigando ponto a ponto pelo título brasileiro, mas eu já estava pensando em trazer o Weverton. E nós respeitamos muito o Athletico durante todo o processo. Tanto é que ele só saiu depois que pagamos o valor combinado", salientou.

'ALEXANDRE, CHEGOU PROPOSTA DA ARÁBIA'

O Palmeiras foi campeão brasileiro em 2016 mas, em 2017, teve temporada abaixo das expectativas, sem conquistar um título sequer.

Fernando Prass e Jaílson não demonstravam mais o mesmo futebol de anos anteriores, e Mattos sentiu que era hora de avançar pela contratação de Weverton, que se destacava cada vez mais no Athletico.

"Na reta final de 2017, estávamos sem treinador depois da saída do Cuca. O interino era o Alberto Valentim e estávamos caminhando para contratar o Roger Machado, mas ainda não tinha fechado. Nesse meio tempo, o Weverton ainda tinha seis meses de contrato com o Athletico, mas já tinha avisado que não ia renovar e que iria sair", recordou Mattos.

Foi então que veio a ligação que acelerou ainda mais as coisas.

"Nisso, o empresário do Weverton naquela época me ligou: 'Alexandre, o Weverton me falou que você tinha o compromisso de trazê-lo para o Palmeiras'. Aí ele me contou que o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, queria o Weverton e fez uma oferta de 1,5 milhão de euros. E eu respondi que paciência, porque não ia pagar tudo isso por um jogador que ficaria sem contrato em seis meses", lembrou.

Tudo, claro, era uma estratégia do cartola palestrino...

"Minha estratégia foi entrar em contato com o Weverton. Falei para ele: 'Tudo o que te falei há um ano e meio ainda está de pé. Se você vier, será titular do Palmeiras, será campeão e continuará indo para a seleção. E depois, se você quiser, poderá ser vendido'. Ele acertou comigo o contrato e ligamos para o Athletico-PR", contou.

O Furacão, porém, ainda tentava renovar o contrato do goleiro, e Mattos teve que usar sua famosa lábia para finalizar a questão.

10 PARCELAS E ÁRABES PERSISTENTES

Negociar com Mário Celso Petraglia, o "poderoso chefão" do Athletico-PR nunca é fácil, mas Alexandre Mattos deu seu jeito.

"Eu já tinha emprestado o Raphael Veiga para o Athletico-PR e tenho uma boa relação com o Petraglia. Conversamos bastante e fechamos um acordo de R$ 2 milhões para liberar o Weverton antes do final do contrato. Eram 10 parcelas de R$ 200 mil. Lembro como se fosse hoje", exaltou.

"Na época, houve muitas críticas, pessoas falando que não precisava (de um novo goleiro) porque já tínhamos o Prass e o Jaílson no elenco. Só que quem estava no dia-a-dia da Academia de Futebol via que eles seguiam nossos ídolos, mas que o time precisava de um sangue novo", observou.

"Quem estava ali dentro do CT já previa tudo. Tanto é que o presidente (Maurício) Galiotte [que havia assumido na transição de 2016 para 2017] topou e autorizou tudo. Foi assim que nós levamos o Weverton", explicou.

Só houve um último porém: o Al-Ittihad, que havia "perdido" Weverton quando ele estava no Athletico, não desistiria tão fácil assim de um goleiro de nível de seleção.

"Um dia depois que o Weverton assinou o contrato com o Palmeiras, o Al-Ittihad ligou e ofereceu aquele mesmo 1,5 milhão de euros, só que para o Palmeiras. Se a gente quisesse, poderíamos ter lucrado 1 milhão de euros em um dia com ele, porque, na época, os R$ 2 milhões que a gente pagou ao Athletico-PR eram 500 mil euros", ressaltou.

"Mas claro que nem eu e nem o Galiotte iríamos fazer isso, porque tínhamos um projeto em longo prazo para ele. Nós recebemos muitas críticas, mas, no final, tanto o presidente quanto o Weverton acreditaram em mim e deu tudo certo", finalizou.