A saída de Fernando Diniz do São Paulo pode ser a oportunidade de um casamento que ficou perto de acontecer entre 2012 e 2013, mas que por detalhes só ficou na vontade.
André Villas é um dos nomes avaliados pela diretoria do Tricolor para assumir o cargo nas próximas semanas. A ideia do clube é ter um estrangeiro no comando, que esteja adequado à realidade financeira difícil do Morumbi e que tenha capacidade de trabalhar com as revelações das categorias de base, já que não haverá tantos recursos para investir em contratações.
O português está livre no mercado, já que deixou nesta terça-feira (2) o Olympique de Marselha, da França, após se revoltar com a contratação de um jogador que não pediu à diretoria. Com um currículo de sucesso no Porto e passagem rápida pelo Chelsea, Villas-Boas esteve perto de assumir o São Paulo há quase oito anos, mas as conversas não avançaram.
Recentemente, o treinador explicou os motivos. Em entrevista ao Esporte Interativo, em novembro de 2020, o português disse ter se encontrado com o então presidente Juvenal Juvêncio, em meados de 2012, e acertado que começaria a trabalhar na pré-temporada para o ano seguinte.
O São Paulo, na época, era comandado por Emerson Leão, que acabou demitido em junho após uma sequência de maus resultados. Juvenal teria ligado para Villas-Boas na tentativa de antecipar a sua chegada, mas o português, demitido pelo Chelsea três meses antes, se recusou a assumir o trabalho antes da data combinada.
"Foi curioso porque era para ser meu próximo passo após minha saída do Chelsea. Encontro com o Juvenal Juvêncio não foi na sua casa, não recordo quem estava, acho que foi na casa do vice-presidente do São Paulo. O que estava acordado, e era uma obrigação minha, era entrar para o estadual de 2013, porque haveria uma série de mudanças que eu queria implementar e não podia fazer no meio da temporada. E foi por causa disso que falhou", disse o português.
"Naquela altura o Emerson Leão estava pressionado pelos resultados, e o Juvenal decidiu mudar. Me ligou e eu disse que não assumiria dentro do Brasileirão. Assim caiu esse acordo em 2012, com muita pena minha. Sempre tive a vontade de treinar no Brasil", afirmou Villas-Boas.
Sem o português, o São Paulo acabou fechando com Ney Franco, que no mesmo ano levou o clube à conquista da Copa Sul-Americana, último título levantado pelo time do Morumbi. Já André Villas-Boas foi contratado pelo Tottenham, onde ficou até dezembro de 2013, e seguiu carreira pela Europa.
Será que ele toparia o desafio de assumir o São Paulo agora e seguir os compatriotas Jorge Jesus e Abel Ferreira, de sucessos por Flamengo e Palmeiras? Na mesma entrevista, quando ainda estava empregado na França, André Villas-Boas falou da possibilidade como algo remoto.
"Agora que me restam menos anos de carreira, penso já não ser mais possível. Queria entrar em contato com o talento puro de vocês (brasileiros) e ensinar nosso conhecimento europeu, comportamentos táticos e técnicos, para que o talento saia ainda mais completo do Brasil. Tive muita pena que isso não tenha acontecido", encerrou Villas-Boas.
