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Rival do Manchester City na Champions, ex-Chelsea nasceu rico, foi técnico mais caro da história e sonha em trabalhar no Brasil

Técnico do Olympique de Marselha, André Villas-Boas terá pela frente um enorme desafio contra o Manchester City, nesta terça-feira, pela segunda rodada da Champions League.

Nascido em uma família da alta burguesia portuguesa que negociava vinhos do Porto em Manchester, Villas-Boas é neto de uma inglesa e bisneto do Visconde de Guilhomil. Seu pai comandava uma fábrica de automóveis.

Fã do jogo "Football Manager", Villas-Boas nunca foi atleta profissional e entrou no futebol - aos 16 anos - após conhecer o técnico Bobby Robson, que comandava o Porto, seu time de coração.

“Eles moravam no mesmo prédio, e o André o questionou no elevador por que não escalava o atacante Domingos Paciência, grande ídolo dele. O Robson gostou da afronta, e pediu para o André fazer um relatório depois do próximo jogo e entregar para ele”, disse o jornalista Pedro Cunha, co-autor do livro “Fenômeno Villas-Boas”, ao ESPN.com.br.

O jovem colocou na caixa de correio do treinador um relatório tão bem feito, que Robson o ajudou a trabalhar na base do Porto. Depois de concluir os cursos, o português teve a primeira experiência como técnico profissional aos 21 anos na inexpressiva seleção das Ilhas Virgens Britânicas e chegou a levar várias goleadas - incluindo uma derrota por 14 a 0.

Quando retornou à base do Porto, ele virou um dos auxiliares de José Mourinho. O português era o responsável por analisar os adversários e observar futuras contratações nas passagens do “Special One” por Chelsea e Inter Milão. Juntos, eles faturaram a Champions League, a Liga Europa, o Português e a Premier League.

Começo meteórico

Depois de vários anos trabalhando com Mourinho, Villas-Boas assumiu a Acadêmica de Coimbra, que estava na lanterna do Português, e a levou ao sétimo lugar na temporada 2009/2010.

“Uma vez o goleiro Ricardo Nunes percebeu que esqueceu os documentos ao chegar ao aeroporto. Ele não ia poder entrar em campo em um jogo que seria na Ilha da Madeira. O André pagou um táxi do próprio bolso de Lisboa para Coimbra, umas duas horas de viagem, para buscar os documentos. A conta deu alguns milhares de euros”, contou Pedro.

“O Ricardo conseguiu chegar a tempo de jogar. O André é um cara que dá tudo pela equipe e cria uma ligação muito forte com os jogadores. Gosta de mexer com a cabeça deles”, disse.

Logo em seguida, o treinador foi contratado pelo Porto, pelo qual faturou o Português de forma invicta e com o recorde de diferença de pontos (21) para o segundo colocado, o Benfica comandado por Jorge Jesus.

“Ninguém esperava que ele fosse para o Porto. Foi uma aposta arriscada do presidente Pinto da Costa, que é amigo dos pais do André. Ficamos boquiabertos. Ele começou com resultados ruins na pré-temporada, mas depois que venceu a Supercopa do Benfica por 2 a 0 tudo mudou”, contou Pedro.

Ele montou um time que tinha no ataque com James Rodríguez, Falcao García e Hulk que fez muito sucesso e goleou o time de Jesus por 5 a 0.

Mais caro da história

Depois de apenas um ano, Villas-Boas protagonizou a transferência mais cara da história de um técnico. Em 2011, o Chelsea pagou incríveis 15 milhões de euros ao Porto para contratar o português.

Um valor altíssimo para um treinador que tinha apenas 33 anos à época, pouca experiência e era visto como um dos mais promissores do mundo.

A frustrante passagem do “Special Two” por Stamford Bridge durou apenas sete meses e terminou com uma amarga demissão. A queda foi motivada por maus resultados em campo e problemas com medalhões do time como Lampard e Drogba. Roberto Di Matteo, que assumiu a equipe em seu lugar, levou os Blues ao inédito título da Champions League no final daquela temporada.

“Ele pegou um vestiário cheio de raposas velhas que nada tinham a ver com o Porto ou a Acadêmica”, disse Pedro.

Villas-Boas assumiu no meio de 2012 o Tottenham, mas saiu do clube londrino em dezembro do ano seguinte depois de levar uma goleada em casa por 5 a 0 do Liverpool. Na mesma temporada, ele foi para o Zenit-RUS, no qual ficou até 2016 e venceu a Liga Russa.

Em 2016, virou o técnico mais bem pago do mundo – recebia 12 milhões de euros por temporada – ao comandar o Shangai SIPG-CHI. Ele se demitiu no final de 2017 e foi correr o Rally Dakar, o mais famoso do mundo. Vindo de uma família de pilotos e apaixonado por carros e motos, ele sofreu um acidente no deserto de San Juan de Marcona, no Peru, e abandonou a competição quando ocupava o 43º lugar.

Especulado um período no São Paulo, o português retornou ao futebol para treinar o Olympique de Marselha no começo da temporada passada. Pela equipe francesa, ele foi vice-campeão da Ligue One, o que garantiu uma vaga na fase de grupos da Champions League.

“Em 2011, eu perguntei ao André onde gostaria de trabalhar no futuro. Esperava que dissesse Inglaterra ou Espanha, mas ele me respondeu: ‘China, Japão e Brasil’. Me surpreendeu. O pai dele gostava muito da seleção brasileira, principalmente a da Copa do Mundo de 70”, contou

Outro desejo de Villas-Boas é um dia ser presidente do Porto quando Pinto da Costa deixar o comando da equipe portuguesa.