André Villas-Boas não é mais mesmo o técnico do Olympique de Marselha. O clube francês confirmou a demissão nesta terça-feira, horas depois de o português anunciar em entrevista coletiva seu pedido para deixar a equipe.
O treinador é um dos nomes que o São Paulo avalia como possível substituto de Fernando Diniz. No passado, após deixar o Chelsea, ele ficou perto de assumir a equipe brasileira.
Os franceses, contudo, não aceitaram bem a postura de Villas-Boas na saída. Mais cedo, ele havia criticado abertamente a direção do clube, com a gota d’água sendo a contratação de Olivier Ntcham, emprestado pelo Celtic-ESC, contra sua vontade.
“O Olympique de Marselha anuncia a destituição como treinador de André Villas-Boas. Esta decisão protetora tornou-se inevitável devido à recente repetição de ações e atitudes que prejudicam gravemente a instituição”, iniciou o clube, em comunicado oficial.
“Os comentários feitos hoje em entrevista coletiva a respeito de Pablo Longoria, diretor responsável pelo futebol, são inaceitáveis”, continua a equipe, em referência à crítica de Villas-Boas às últimas contratações feitas pelo Olympique no mercado.
“O investimento excepcional não pode ser questionado, pelo contrário, foi saudado por todos durante esta janela de transferências marcada por uma crise sem precedentes. Quaisquer sanções serão aplicadas a André Villas-Boas no final de um processo disciplinar”, encerra.
O momento do Olympique é conturbado. Na última semana, torcedores chegaram a invadir o CT do time, colocando fogo em árvores. Álvaro González, que ficou marcado pela acusação de racismo de Neymar, chegou a ser agredido e roubado pelos chamados “ultras”.
Villas-Boas, por sua vez, já esteve perto de treinar o São Paulo, em 2013, pouco depois de ter deixado o Chelsea. Ele gostaria de assumir o time no início da temporada, mas a demissão de Emerson Leão, ainda durante o Brasileiro de 2012, acabou inviabilizando o acerto.
Em entrevista ao ESPN.com.br, o jornalista Pedro Cunha, co-autor do livro “Fenômeno Villas-Boas”, reforçou o desejo que o treinador tem de um dia trabalhar no Brasil.
“Em 2011, eu perguntei ao André onde gostaria de trabalhar no futuro. Esperava que dissesse Inglaterra ou Espanha, mas ele me respondeu: ‘China, Japão e Brasil’. Me surpreendeu. O pai dele gostava muito da seleção brasileira, principalmente a da Copa do Mundo de 70.”
