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A incrível relação do ídolo e treinador Maradona com o fã Gaspar Servio, hoje rival do Grêmio na Libertadores

Qual seria a sensação de ser treinado por seu ídolo?

Aquele pelo qual você nutre total devoção, cujas câmeras de TV mostraram toda a admiração mútua e para coroar como maior "loucura" grava o rosto desse DIOS em sua própria pele?

Gaspar Servio pode se dar ao luxo de dizer: teve como técnico em sua carreira Diego Armando Maradona, a divindade do futebol argentino que morreu na última quarta-feira aos 60 anos.

Conterrâneo de "El Pibe", o goleiro de 28 anos hoje atua no Guaraní, que enfrenta o Grêmio nesta quinta no Paraguai pela ida das oitavas de final da Conmebol Libertadores.

O jogador já estava no Dorados de Sinaloa, na segunda divisão do México, quando o campeão mundial chegou em setembro de 2018 para ser o treinador. A relação próxima entre ambos ficou marcada pelas lentes do documentário "Maradona no México", do Netflix.

Gaspar Servio foi o capitão de Maradona no Dorados, sendo figura presente nas vitórias e nas derrotas sofridas pelo time nas duas finais que disputou pelo acesso à primeira divisão.

Ídolo e fã mantiveram a amizade após a saída de Don Diego - e ele tentou levar o goleiro ao Gimnasia la Plata, último clube em que foi técnico.

Na perna esquerda, Gaspar Servio tatuou o rosto de Maradona usando o inseparável boné do Dorados e com a inscrição abaixo "Acredito em Deus".

Na última quarta, em seu Instagram, ele se despediu do amigo: "Muito obrigado, senhor Deus... Descansa em paz. Será eterno!"

Leia abaixo o depoimento de Gaspar Servio à ESPN sobre a passagem de Diego Armando Maradona pelo Dorados, a amizade que se formou e a relação próxima com o ídolo agora eterno.

A entrevista foi feita na véspera do aniversário de 60 anos do Pibe, completados em 30 de outubro.


Eu estive quatro anos no México. Conquistei campeonatos, acessos, consegui ser o melhor goleiro da liga... Aconteceu de tudo. Mas o mais bonito que me aconteceu foi a chegada de Diego. Quando em 2018 começamos o campeonato, o clube demitiu o técnico naquele momento e trouxe Diego.

Para mim, pessoalmente, sempre disse antes de conhecê-lo que ele era meu máximo ídolo. Com a nossa bandeira, quando saímos para outros países, todo mundo te pergunta 'ah, você é da Argentina? O país de Maradona'. Sempre nos relacionam com isso. Ele é nossa bandeira desde criança. É meu ídolo máximo esportivo, e tê-lo como técnico naquele momento era meu sonho.

A adrenalina que senti desde o primeiro dia em que o conheci até o último é incrível, sempre uma pessoa tão pública como ele é, mas que no mundo do esporte foi impactante para todos nós. Desfrutamos muito, levamos com a maior seriedade, entregamos o máximo o que ele nos pedia... Conquistamos os objetivos, chegamos à final, mas tivemos a desgraça de não conseguir o acesso, porém com a tranquilidade de que fizemos de tudo.

Ficam gravados momentos em que uma pessoa tão ganhadora como Diego, ao final do jogo, entre lágrimas, tratou de consolar um elenco devastado, porque queria cumprir o sonho e ser campeão com Maradona - ia ser a primeira equipe campeã com Diego -, mas não conseguimos. E fica a imagem de uma pessoa que levantou uma Copa do Mundo, entre lágrimas, e que tratou de consolar um elenco que não conseguiu acesso à primeira divisão... obviamente que para nós que o idolatramos foi impactante.


Ele assumiu o Gimnasia no ano passado, e eu ia para o Gimnasia. Tinha oferta deles e do Guaraní, mas a decisão quem acabou tomando foi meu representante para vir ao Guaraní, e não tive a oportunidade de ser dirigido novamente pelo Diego.

Primeiramente, Diego não gostou muito, me mandou para aquele lugar, mas tratei de não ter muito contato com ele durante as negociações, eu não podia garantir nada, porque a decisão também passava pelo meu agente. Então fiquei sem contato com ele por um tempo.

Depois que passou isso, ele me viu jogando aqui no Guaraní e então se comunicou comigo para me parabenizar pelo momento que eu estava passando, que confiava muito em mim e confiava que íamos longe na Copa. Desde então, voltamos a manter muito contato, vídeo-chamadas...

Desfruto por uma pessoa assim estar em contato comigo, e nós que o vemos como ídolo queremos que ele seja feliz. O mais importante é que ele seja feliz por tudo o que deu a nós, para a Argentina... Em um momento tão difícil para o país, ele deu uma máxima alegria, a última grande alegria do país no futebol. Conquistar o mais importante, e que hoje nos custa muito.