Com constante presença em Copas do Mundo desde 1998, o Japão estreia às 20h desta segunda-feira (17) contra o Chile para iniciar a primeira participação em uma Copa América na história do país. “Eu acho que o japonês, dentro da Ásia, é o que mais tem qualidade”, revelou o atacante Jô, que atualmente defende o Nagoya Grampus do Japão, e já jogou na China e nos Emirados Árabes.
O crescimento do futebol japonês é impressionante. O país esteve nas últimas seis edições da Copa do Mundo, sendo que a última ausência aconteceu em 1994, exatamente quando o Brasil conquistou o torneio.
O domínio no próprio continente é perceptível. Das últimas oito edições da Copa da Ásia, o país conquistou quatro: 1992, 2000, 2004 e 2011.
Alex Santos, brasileiro que se naturalizou e defendeu o Japão durante a Copa do Mundo de 2002 e 2006, afirma que o crescimento da seleção é perceptível. “A maioria dos jogadores que atuam na seleção japonesa atualmente estão em clubes europeus. Foram portas que se abriram.”, afirmou o ex-jogador.
O atacante Jô, que está em sua segunda temporada com o Nagoya Grampus, ficou impressionado com o nível do futebol jogado no Campeonato Japonês. “Os jogadores trabalham muito bem com as duas pernas, um domínio muito bom e passe refinado”, disse Jô.
“Eu percebi no meu período de adaptação que eu poderia usar mais o meu físico para ter vantagem”, afirmou o atacante. “Na China os jogadores são um pouco mais fortes e aproveitam mais o vigor físico. Os japoneses exploram a técnica e a velocidade. Deixam a desejar no físico, mas existem grandes jogadores aqui”, disse o atleta que terminou como artilheiro em sua primeira temporada na J-League.
A disciplina tática e o extremo profissionalismo dos atletas são características do futebol praticado no país. “O atleta japonês ele é diferente, ele é um profissional”, afirmou o técnico Nelsinho Baptista, que está no Japão desde 2009 e atualmente comanda o Kashima Reysol. “Ele vive o clube. Ele sempre chega duas horas antes do trabalho. Quando termina o treino ele permanece no clube e se preocupa com a sua condição”, disse.
Mesmo se tornando um time constante dentro da Copa do Mundo, o Japão pode ter atingido seu teto, já que nunca conseguiu ultrapassar a fase das oitavas de final na Copa do Mundo.
“A disciplina deles é legal porque todo o jogador precisa disso, mas em certos momentos você precisa ter a sua própria criatividade”, revelou o atacante do Nagoya Grampus. “A diferença dos japoneses para os outros países é que eles sempre fazem a mesma coisa. O jogador precisa ter a percepção daquilo que no momento vai ter sucesso. A própria improvisação. Não fazer aquilo o que pedem, mas o que você acha que é melhor no momento”, completou Jô.
Por não ser uma competição do calendário asiático, clubes não foram obrigados a liberarem os principais atletas para seleção japonesa. Assim, Hajime Moriyasu, atual técnico do país, convocou a seleção olímpica para o torneio, deixando grandes nomes da última geração de fora da Copa América. Shinji Kagawa vestiu a camisa do Manchester United e Borussia Dortmund, mas não foi chamado para o torneio. O famoso Keisuke Honda, que vestiu a camisa 10 do Milan e defendeu o Melbourne-AUS na última temporada, também ficou de fora da lista.
Com uma jovem equipe, o Japão começa a planejar o futuro para as próximas competições. A experiência do elenco se encontra Shinji Okazaki, atacante de 33 anos que atualmente defende o Leicester e venceu o título da Premier League na temporada de 2015/16. Ele será um dos principais líderes do time que possui apenas seis atletas da seleção principal. O elenco conta com muitas promessas, sendo que Takefusa Kubo, meia de 18 anos recentemente contratado pelo Real Madrid, é considerada a principal revelação do país nos últimos anos.
“O Japão vai ganhar com isso, ainda mais jogando com times da América do Sul, que tem uma tradição maior. Acredito que vai ganhar mais do que disputando a própria Copa da Ásia”, afirmou Alex Santos. “Ganhar experiência, ganhar bagagem, para quem sabe, na próxima Copa do Mundo já saber o caminho da roça”, completou.
