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Cinco anos depois, Copa América começa com obras da Copa do Mundo ainda atrasadas em quase todas as sedes

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A Copa do Mundo de 2014 era o gatilho que o Brasil precisava para modernizar as cidades que receberiam as partidas. Com o dinheiro que seria injetado pela realização do Mundial, esperavam-se várias obras que pudessem mudar a vida dos cidadãos para melhor para sempre. Cinco anos depois, porém, o país recebe agora a Copa América e vê várias dessas promessas ainda não se concretizaram.

O ESPN.com.br fez um levantamento do que foi prometido para o Mundial e descobriu que há obras atrasadas em praticamente todas as sedes que agora recebem a Copa América (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador).

Rio de Janeiro

Dentre todas as cidades, o Rio de Janeiro certamente é quem deveria ter evoluído mais. Afinal de contas, a sequência de eventos é gigante na capital carioca: Pan-Americano de 2007, Jogos Militares de 2011, Copa das Confederações de 2013, Copa do Mundo de 2014 e ainda Olimpíada, em 2016. Mas a situação atual é bem diferente do que se possa dizer de um legado positivo.

Muitos investimentos foram imediatamente paralisados por falta de recursos. Escândalos de corrupção começaram a aparecer e resultaram na prisão de ex-governadores. O desemprego e a violência no estado explodiram.

Na parte de mobilidade, ainda há linhas de BRT em construção e não houve avanços em transportes fluviais. Na parte ambiental, a situação é pior: não houve recuperação da Baía de Guanabara e nem das lagas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá.

CLIQUE E LEIA A REPORTAGEM COMPLETA DOS PROBLEMAS NO RIO DE JANEIRO

Porto Alegre

A capital gaúcha entregou seis obras para a Copa do Mundo, mas deixou outras de lado. É o caso, por exemplo, do BRT, que nunca saiu do papel. São ainda mais oito obras viárias que deveriam melhorar o trânsito na cidade, mas ainda não foram completadas. Duas delas sequer começaram.

No aeroporto, a situação é complexa. A ampliação da pista que estava prevista não foi aprovada pela Infraero. Já as melhorias no terminal de passageiro nunca terminaram e ainda tiveram que ter as obras inacabadas demolidas e recomeçadas.A estimativa é de que a ampliação do terminal 1 fique pronta apenas em outubro.

CLIQUE E LEIA A REPORTAGEM COMPLETA DAS OBRAS INACABADAS EM PORTO ALEGRE

Salvador

O complicado trânsito soteropolitano ainda não ganhou obras importantes que poderiam ajudar a desafogá-lo.

No caso de Salvador, o BRT prometido chegou até a ser retirado da Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo porque o próprio governo já admitia que não conseguiria terminá-lo a tempo. O problema é que ele não foi finalizado até agora. O projeto só foi liberado em 2016 e tem previsão de término para setembro de 2020.

A Linha 2 do Metrô também foi prometida e retirada da Matriz de Responsabilidades. Hoje, cinco anos depois, ela ainda depende de demanda para ser finalizada. A estação Lauro de Freitas só começará a ser construída se outra estação atingir o volume de seis mil passageiros em horários de pico durante seis meses consecutivos.

Já o aeroporto nunca foi modernizado como o prometido e hoje já está em obras novamente.

VEJA A REPORTAGEM COMPLETA DOS PROBLEMAS EM SALVADOR

São Paulo

Em São Paulo, foram prometidos inicialmente seis grandes pontos de reformas: o Aeroporto de Guarulhos, o Aeroporto de Viracopos, o estádio do Morumbi, o entorno do estádio, a Linha 17-Ouro do Metrô (Monotrilho) e o alinhamento do Cais de Outeirinhos, no Porto de Santos, além de investimentos em turismo e obras complementares.

É possível afirmar que, mesmo com atrasos, as obras nos dois aeroportos foram concluídas. O restante, contudo, é um tanto mais complexo.

O Morumbi e seu entorno, por exemplo, acabaram deixados de lado, já que o estádio acabou substituído pela Arena Corinthians, E isso fez com que as obras do Monotrilho acabassem escanteadas. Até hoje, nenhuma das estações foi inaugurada.

O Porto de Santos também nunca teve as obras completamente concluídas.

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Belo Horizonte - Mineirão

Em Belo Horizonte, todas as obras que estavam na Matriz de Responsabilidade da Copa do Mundo 2014 foram concluídas, algumas muito fora do prazo e com custos bem acima do projetado inicialmente.

Um caso marcante na cidade são diversos hotéis que receberam financiamentos, mas não foram terminados. Por isso, há em algumas partes alguns "esqueletos" de edifícios, sem ideia de quando ficarão prontos.

Há ainda a triste história do viaduto Batalha dos Guararapes, que caiu em julho de 2014, vitimando duas pessoas na capital mineira. Ele era uma das obras para o Mundial, mas não foi reconstruído. Hoje, não há qualquer vestígio de sua existência.

*André Donke (de Porto Alegre-RS), Francisco De Laurentiis (de Belo Horizonte-MG), Lucas Barnabé (de São Paulo-SP), Matheus Sacramento (de São Paulo-SP), Rafael Valente (do Rio de Janeiro-RJ) e Thomas Polistchuk (de Salvador-BA)